Costumes Bíblicos: Os Dez Mandamentos -Um estilo de Vida

Os Dez Mandamentos -Um estilo de Vida

Os Dez Mandamentos
Um estilo de vida: 
Tendo saído do Egito, os israelitas chegaram ao monte Sinai, onde fizeram uma aliança com Deus. Ali, Deus entregou os Dez Mandamentos, que aparecem em Êx 20.1-17, com a finalidade de possibilitar ao povo cumprir a sua parte de acordo (Êx 19.5). Existe outra passagem que traz os Dez Mandamentos na íntegra: Dt 5.6-21, onde se enfatiza que esses são os mandamentos e que não haveria outros (Dt 5.22). Na comparação entre as versões de Êxodo e Deuteronômio, aparecem pequenas variações, mas isto é reflexo da flexibilidade com que a Bíblia em seu todo trata dessa questão da lei.
No AT, os Dez Mandamentos são literalmente, as "dez palavras", o Decálogo (Êx 34.28; Dt 4.13; 10.4). Sua importância se deve ao fato de terem sido as únicas "palavras" faladas diretamente por Deus. Todas as outras leis vieram por meio de Moisés (Êx 20.1,19).




O que é "Torá"?

A palavra hebraica "Torá" é, geralmente, traduzida por "lei". (Veja mais sobre a Torá, AQUI)Agora, lei é muitas vezes considerado algo universal e impessoal. "Torá" é, para sermos exatos, "instrução" ou "ensino". É a palavra bem pessoal que Deus fala ao seu povo, dizendo-lhe como deve viver. Mais tarde, a palavra veio a ser usada como título do Pentateuco, pois as histórias e também as leis nele contidas eram instrução para o povo, dizendo quem é Deus e como o povo deveria viver.
A lei que Deus deu a seu povo era um estilo de vida, não apenas uma lista de regras. Nas palavras do salmista, é lâmpada e luz para o caminho de todos que procuram segui-la.

DEZ MANDAMENTOS

Responsabilidades para manter o relacionamento com Deus
1. "Não terás outros deuses" vs. politeísmo
2. "Não farás ídolos" vs. idolatria
3. "Não usarás o nome indevidamente" vs. profanação
4. "Guardarás o sábado" vs. desobediência
Responsabilidades para manter o relacionamento com outras pessoas
5. "Honrarás teu pai e tua mãe" vs. rebelião
6. "Não matarás" vs. assassinato
7. "Não cometerás adultério" vs. adultério
8. "Não roubarás vs. roubo
9. "Não darás falso testemunho" vs. mentira
10. "Não cobiçarás" vs. materialismo




O dom de Deus ao seu povo

"Eu sou o Senhor, teu Deus, que te tirei da terra do Egito" (Êx 20.2): esta é a base para tudo o que segue. primeiro Deus salva, por graça; só então ele conclama o povo a mostrar-se obediente. Vários mandamentos aparecem em outros documentos de natureza ética ou em códigos de leis, mas o Pentateuco insere os mandamentos num contexto histórico e teológico todo especial. Diante do que Deus havia feito por eles, os membros do povo de Deus, de bom grado, acolhem a lei e prometem cumpri-la. Era possível incorrer em castigo, por causa de desobediência (Êx 20.5), mas este não era o propósito maior do mandamento. Oito dos mandamentos têm formulação negativa ("não..."), mas estes simplesmente definem o espaço ou os limites dentro dos quais os israelitas podiam viver com segurança.
No NT aparece o mesmo padrão: a nova vida em Cristo está disponível, e de graça, para todos; mas requer-se, então, que o povo de Deus viva de maneira que agrade a ele. "Se guardardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor", disse Jesus aos seus discípulos (Jo 15.10).

Diferentes tipos de lei

Algumas leis são mais amplas e universais do que outras. Deuteronômio faz distinção entre "o mandamento" e "os estatutos e juízos" (Dt 6.1). A forma positiva do "mandamento" é o famoso Shemá (Dt 6.4-9): "Ouve, Israel, o Senhor é Deus, o Senhor é único. Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração..." A forma positiva do primeiro dos Dez Mandamentos é esta: "Não terás outros deuses diante de mim" (Dt 5.7).
Outras leis são bem específicas, e estas se encontram em Êx 21--23 e Dt 12--26.
Em termos de genérico e específico, os Dez Mandamentos constituem um meio-termo. Foram gravados em pedra para mostrar que, em princípio, são válidos para sempre. São dez ao todo, e dez é o número que simboliza aquilo que é completo. Eles têm por objetivo apresentar um quadro abrangente da vida de obediência a Deus. Entretanto, havia também a necessidade de ser seletivo, pois esse quadro só podia ser apresentado de forma esquemática. Os mandamentos pedem para serem interpretados e aplicados, e já podemos ver isso em andamento nos mandamentos mais longos. A lei do Sábado se fundamenta tanto na criação (Êx 20.10) como no êxodo (Dt 5.15).

O mais importante em primeiro lugar

A ordem dos mandamentos é altamente significativa.
»Os primeiros quatro (na contagem reformada) tratam da questão fundamental da atitude do povo de Israel em relação a Deus. Estes introduzem os mandamentos seguintes, que dizem respeito ao comportamento na comunidade.
»O mandamento do sábado já faz a conexão entre a atitude em relação a Deus e a atitude em relação ao próximo, pois nem mesmo a um escravo se permitia que trabalhasse no dia que Deus santificou. Jesus reafirmou esse vínculo em seu resumo da lei em dois mandamentos (Mt 22.36-40).

A interpretação dos mandamentos

O que significa "não matarás"? [Na Bíblia Hebraico: "Não assassinarás" - é o correto]
Códigos de lei no
 mundo antigo

Nem sempre está claro o que um mandamento significa. As leis mais específicas examinam casos mais difíceis e estabelecem diferentes níveis de desobediência e castigo. Por exemplo, há diferença entre crime culposo (involuntário) e crime doloso (intencional), como se vê em Êx 21.12-14. No contexto israelita, a necessidade de matar no contexto das guerras era tão evidente que nem era preciso discutir essa questão! É possível que, de tempos em tempos, se chegasse a conclusões diferentes, devido, em grande parte, à mudança das circunstâncias, mas todos aceitavam a autoridade mais ampla e abrangente dos mandamentos.
Há vários paralelos entre os mandamentos da Bíblia e as leis que aparecem em códigos elaborados por vizinhos do povo de Israel. Entretanto, em parte alguma se encontra a mesma concentração de mandamentos num mesmo texto. Em muitos casos também há significativas diferenças no que diz respeito a detalhes. Por exemplo, no código do rei babilônio Hamurábi (foto acima)  aparece o seguinte:
"Se um cidadão roubou um boi, ou uma ovelha, ou um jumento, ou um porco,ou um barco, se for propriedade do templo ou da coroa, ele deverá restituir trinta vezes mais; mas, se a propriedade é de um vassalo, deverá restituir dez vezes mais, ao passo que, se o ladrão não tiver como restituir, deverá ser morto". (Lei 8)
Em Israel, não havia diferenças de classe, e não havia previsão de pena de morte por causa de roubo (Êx 22.1).
Há diferentes sistemas de numeração dos mandamentos. Na tradição reformada (seguida neste artigo), Êx 20.2 é visto como o prólogo, a proibição das imagens é um mandamento distinto, e o duplo "não cobiçarás" forma um único mandamento. Abaixo aparecem algumas das opções de numeração:

Judaica
1. Introdução
2. Não ter outros deuses; não fazer imagens
3. O nome do Senhor
4. Sábado
5. Honrar os pais
6. Não matar
7. Não adulterar
8. Não roubar
9. Não dar falso testemunho
10. Não cobiçar
Católica/Luterana
1. Não ter outros deuses; não fazer imagens
2. O nome do Senhor
3. Sábado
4. Honrar os pais
5. Não matar
6.  Não adulterar
7. Não roubar
8.Não dar falso testemunho
9. Não cobiçar a casa
10. Não cobiçar a mulher

Reformada
1. Não ter outros deuses;
2. Não fazer imagens
3. O nome do Senhor
4. Sábado
5. Honrar os pais
6. Não matar
7. Não adulterar
8. Não roubar
9. Não dar falso testemunho
10. Não cobiçar



















»Depois do mandamento do Sábado, o único outro mandamento positivo é o que manda honrar os pais. Este aponta para o valor fundamental no desdobramento da lei: estabilidade e harmonia na família. É o único mandamento que vem acompanhado de promessa (Ef 6.2), pois, sem honra, a sociedade entraria em colapso e os objetivos que Deus tem para a família de Abraão não seriam alcançados (Êx 19.5-6).
»No final, o décimo mandamento vai além da ação externa e trata da motivação interior, uma ênfase que Jesus aplicou também a outros mandamentos (Mt 5.21-48).

Letra e espírito

O contexto, o conteúdo e o tom dos Dez Mandamentos refletem uma consciência de que o espírito da lei era tão importante quanto a sua letra. Os profetas fizeram severa crítica àqueles que tentavam subverter ou descartar os Mandamentos (Am 8.5). Também Jesus criticou seus contemporâneos por interpretarem os Mandamentos de forma muita restrita (Mt 23.23).
Em consonância com outros textos bíblicos, a lei, de modo geral, e os Dez Mandamentos, de forma especial, procuram estabelecer um reino de justiça e paz, fundamentado no amor a Deus e ao próximo.
"A Lei foi dada depois que Deus havia salvo o seu povo, não antes... Israel não procurava cumprir a Lei para obter salvação. Os cristãos não tentam ser bonzinhos para chegarem ao céu. Deus já agiu, trazendo salvação. Já atravessamos o mar Vermelho. Cristo já morreu e ressuscitou. Ser obediente a Deus é uma resposta à salvação, e não um pré-requisito para a mesma". (Marcus Maxwell) [Contudo, precisamos agir e não somente crer! Obedecer é uma ação e não um pensamento!]

TRÊS IDEAIS CRISTÃOS SÃO CONSIDERADOS PECADOS PELO JUDAÍSMO (PENSAMENTO JUDAICO *)

Para os judeus, uma religião que prega o amor de Deus mesmo para aqueles que continuam a transgredir tem como certo que homens e mulheres não podem ser melhores do que são; enfatiza a grande fé da humanidade em Deus, mas diminui a fé divina na humanidade. Um Deus da lei leva as pessoas a reconhecerem que suas bênçãos exigem obrigações, que privilégios carregam responsabilidades e que obedecer às leis é o preço que pagamos pelo dom de podermos viver aqui na Terra.
Pelo fato de existir um único Deus, por termos sido criados à Sua imagem e por que nos relacionamos com outras pessoas, temos a responsabilidade de sermos verdadeiros com Deus, conosco e com nossos semelhantes. Um Deus da lei nos ensina como viver à altura destas responsabilidades, pois afinal de contas a responsabilidade não é nada mais do que nossa contrapartida à capacidade de Deus.

Agir está acima de acreditar

O cristianismo, como se diz, é a religião do credo. O Novo Testamento afirma: “Acredite no Senhor Jesus Cristo e você será salvo.” O judaísmo é diferente, pois coloca a ação antes da crença. Novamente, pelo fato de Deus ser um Deus da lei, Ele está mais preocupado com o que você faz do que com o que você pensa.
De acordo com o que Moisés Mendelssohn (1729-1786), filósofo alemão e erudito bíblico, afirmou, “Não há um único mandamento na lei mosaica do tipo ‘Acreditarás’ ou ‘Não acreditarás’. A fé não é ordenada; somente as ações são”.
A Torá é um manual de comportamento, não um catecismo de crenças. A Revelação no judaísmo significa que Deus disse a Moisés para ensinar ao povo judeu as 613 Leis. O mesmo Deus que retirou os judeus da escravidão no Egito e compartilhou com eles o valor da liberdade, agora exige deles que se pautem pela disciplina dos mandamentos divinos.
Contradição? De forma alguma. Deus quis que os judeus aprendessem aquilo que o grande historiador norte-americano Will Durant (1925-1981) afirmou em sua maior lição de história: o ser humano tornou-se livre quando reconheceu que estava sujeito à lei.

Você pode fazer isso!

As leis só fazem sentido se não fazem exigências impossíveis às pessoas. Se o homem é um transgressor por inclinação, há inúmeros pontos que lhe ordenam não transgredir. Contudo, já vimos que o judaísmo acredita em livre-arbítrio. “O diabo me fez fazer isso” é uma frase irônica de Flip Wilson, mas não uma desculpa teologicamente aceitável. O diabo não é o boxeador Mike Tyson; ele não tem poder sobre aqueles que realmente querem derrotá-lo. Quando Caim, o primeiro assassino da história, quis usar este argumento, Deus lhe respondeu enfaticamente: “Na porta jaz o pecado; e a ti (fazer-te pecar), é o seu desejo (do mau impulso), mas tu podes dominá-lo” (Gênesis 4:7).
Aqui aparece novamente uma grande diferença entre o judaísmo e o cristianismo. O cristianismo acredita que as leis contidas no Velho Testamento foram entregues para provar que elas não podiam ser cumpridas; o homem tinha de ver que não poderia obter a salvação por conta própria – ou, como afirma o Novo Testamento: “Se a justiça é mediante a lei, então Cristo morreu em vão” (Gálatas 2:21).
O cristianismo afirma que Jesus teve de morrer para obter o perdão para os pecados dos homens, pois a humanidade foi incapaz de merecer o favor de Deus através do cumprimento das leis. A Lei, com todo o rigor de suas exigências, foi entregue ao homem, pois Deus quis deixar claro que acredita que “você pode fazer isso!”. Mais do que o homem acreditar em Deus, o conceito geral da Torá demonstra a ideia de que Deus acredita no homem.

Ideais cristãos; pecados judaicos

O velho provérbio diz que “a carne de um homem é o veneno de outro homem”. Uma versão mais moderna é: “valores diferentes para povos diferentes”. Portanto, além do judaísmo acreditar piamente que o que Deus criou foi feito para ser aproveitado, considera três preceitos “que o cristianismo idealiza” como sendo nada menos do que pecados.

O pecado do celibato

Jesus ensinou aos seus discípulos: “Os filhos deste mundo casam-se e se dão em casamento; mas os que são havidos por dignos de alcançar a era vindoura e a ressurreição dentre os mortos não casam, nem se dão em casamento” (Lucas 20:34-35). Verdade, o casamento é permitido para os cristãos. Paulo ainda instruiu os coríntios: “E aos solteiros e viúvos digo que lhes seria bom se permanecessem no estado em que também eu vivo. Caso, porém, não se dominem, que se casem; porque é melhor casar do que viver abrasado” (1 Coríntios 7:8-9). No cristianismo, o casamento é, no máximo, um compromisso com a união sexual. A verdadeira santidade é expressa por aqueles que podem viver sob os limites de um voto de celibato.
No judaísmo, o sexo não é considerado pecado, pois é a fonte de toda a vida e a vida é sagrada. Tudo o que foi criado por Deus deve ser usado para um propósito Divino. O ato sexual está incluído naquilo que Deus criou e viu “que era muito bom”. O casamento é mais do que permitido: é uma mitsvá, um mandamento Divino. “Portanto deixará o homem a seu pai e a sua mãe, e unir-se-á à sua mulher, e serão uma (só) carne” (Gênesis 2:24).
Não é verdade, como diz a velha piada, que um descasado é alguém que não cometeu o mesmo erro novamente. Para os judeus, ele é alguém de quem deve se sentir pena, pois não percebe que o Paraíso somente é o Paraíso quando visto por quatro olhos, não por dois. Qualquer um que esteja solteiro, de acordo com o veredito do Talmud, “vive sem alegria, sem bênçãos e sem bondade”.

A vida acima de tudo

Os Cohanim, sacerdotes, são proibidos de terem contato com os mortos. Chamamos isso de chóc – uma lei sem razão aparente. Não é dada uma explicação, mas posso compartilhar com você uma possibilidade intrigante à luz da ênfase do judaísmo a respeito da vida.
Em muitas outras religiões, o principal foco não está na vida, mas na morte; não neste mundo, mas no mundo vindouro. Os sacerdotes pagãos concentraram seus esforços em fazer contato com espíritos ou em ajudar pessoas a enfrentarem o mistério da morte. Imagine o que significou quando a lei judaica disse que os seus rabis, seus antigos líderes religiosos, estavam proibidos de ter qualquer contato com os mortos. Afinal, o que era esperado que fossem as suas funções? Obviamente, lidar com a vida. No judaísmo, Deus diz à humanidade: “Meu reino é deste mundo.” Viva bem sua vida neste mundo e o que virá depois não deve preocupá-lo por enquanto. (*Este texto é parte de um artigo escrito originalmente pela Livraria Sêfer e editado aqui por Costumes Bíblicos)

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