Costumes Bíblicos: A CRUCIFICAÇÃO

A CRUCIFICAÇÃO

Uma rua da Via Dolorosa
A CRUCIFICAÇÃO
No ato da crucificação, primeiro o condenado era despojado de todas as suas vestes. Era a regra geral, que foi aplicada tanto ao Senhor como aos demais condenados. Mas tudo leva a crer que, de acordo com o costume judeu, era permitido envolver com um tecido pintado a cintura da vítima. Os membros do Sinédrio que assistiam ao suplício e exerciam certa inspeção, exigiram, sem dúvida, que não se afastassem da decência costumeira entre os judeus.
As cruzes não podiam ser muito altas. Em geral, não excediam o dobro da estatura humana. O corpo do supliciado ficava bem próximo ao chão, para que os animais selvagens pudessem devorá-lo. No meio do madeiro vertical, era fixada uma cavilha de madeira, que sobressaía como se fosse uma haste. Sobre essa espécie de cavalete, era erguido o condenado, por meio de cordas ou correias. Servia para sustentar o corpo do crucificado e impedir que, caso a sua mão fosse resgada, este caísse ao chão.
A crucificação era executada de duas maneiras. Algumas vezes, a cruz era estendida no chão, e os carrascos atavam nela o condenado, levantando-a depois e fixando-a ao chão. Todavia, a maneira mais frequente era começar enterrando a cruz no chão e, em seguida, levantando o supliciado sobre o cavalete descrito acima. Só depois pregavam as mãos e os pés dele com cravos enormes - primeiro as mãos, no madeiro horizontal, depois os pés, no madeiro vertical. Não há dúvida de que Jesus foi crucificado desse modo (Sl 22.16).
Já dissemos que a cruz era um suplício infame que os romanos reservavam aos escravos e aos maiores criminosos. Além de degradante, era intensamente doloroso, de sorte que Jesus passou as últimas horas de sua vida suportando dores atrozes.
Os terríveis ferimentos causados pelos pregos aumentavam com o peso do corpo suspenso e pela imobilidade forçada do supliciado, pela intensa febre, pela forte sede produzida pela febre, pelas convulsões e espasmos e também - circunstância a ser levada em conta no Oriente - pelas moscas que o sangue e as chagas atraíam às centenas. Contudo, se nenhum órgão vital estivesse ferido, o crucificado podia sobreviver um dia inteiro ou mais antes que a morte o libertasse do suplício.
O sofrimento moral
Segundo um antigo escritor, " não parece que Jesus
foi elevado naquela infame cruz também para poder olhar da maior altura uma multidão de gente que saciava os próprios olhos com o espetáculo de Sua agonia". Era um tormento a mais para Jesus ver diante de si a mãe amada e os abnegados amigos. Jesus morria de forma lenta, mas consolado por saber que estava cumprindo a vontade do Pai em prol da nossa salvação.
Pela primeira vez desde a chegada ao Gólgota, Jesus rompeu o silêncio -- não para se queixar; e sim para implorar perdão em favor dos seus carrascos: Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem (Lc 23.34). A humanidade tem contado as palavras do Cristo moribundo. São sete, que levam um selo de superioridade, força, ternura e doçuras infinitas. Elas concluem a vida pública de Jesus, assim como as oito bem-aventuranças -- a revelação de uma grandeza que não é deste mundo -- iniciaram-na.
As três primeiras palavras foram pronunciadas no início da crucificação; as outras quatro, pouco antes da morte do Salvador. Assim, formam duas séries: uma, referente ao relacionamento de Jesus com os homens e com o mundo; a outra, ao seu relacionamento com o Pai. A seu modo, manifestam também uma dignidade sobre-humana.
Pai, perdoa-lhes. Apesar de a ignorância deles ser indesculpável, pois, se não se tivessem deixado cegar pelo ódio, facilmente poderiam ter reconhecido a missão divina do Salvador, Jesus atenuou a culpa de seus inimigos (At 3.17; 13.27; 1Tm 1.13). Mesmo em meio a terríveis dores e sofrimento, o Salvador deixou de pensar em si mesmo para pensar nos pecadores de todos os tempos, cujos pecados estava expiando.
A divisão das vestes
Quando terminaram a cruel tarefa, os soldados dividiram as vestes da Vítima (Mt 27.35; Mc 15.24; Lc 23.34; Jo 19.23,24), conforme a lei lhes permitia. Como eram quatro soldados, dividiram em quatro partes (talvez o manto, o turbante, o cinturão e as sandálias). Sendo as partes desiguais, resolveram reparti-las por sorteio. João informa que a túnica era a parte principal das vestes. Não tinha costura alguma e era feita de um só tecido. Talvez tenha sido confeccionada pelas mãos de Maria, mas pode ter sido presente de alguma das santas mulheres.
Nenhum dos soldados queria renunciar ao direito sobre a túnica. Mas, se a dividissem, iam destruí-la, por isso chegaram a este acordo: Não rasguemos, mas lacemos sortes sobre ela, para ver de quem será (Jo 19.24). E assim cumpriu-se literalmente a passagem de Salmos 22.18: Repartem entre si as minhas vestes e lançam sortes sobre a minha túnica.
Feita a divisão, os carrascos sentaram-se ao pé da cruz, porque era costume montar guarda perto do crucificado, segundo testificam os autores antigos, para impedir que os parentes ou os amigos do condenado o tirassem da cruz, com isso livrando-o da morte. Como já foi dito, a crucificação não causava a morte de imediato, já que a hemorragia era logo contida pelo inchaço dos membros traspassados pelos pregos. Desse modo, a vida podia prolongar-se por muitas e terríveis horas na cruz.
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