COSTUMES BÍBLICOS: JESUS CRISTO

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Jesus cumpriu o Bar Mitzvá e qual Sua ligação com os Essênios e Seus ensinamentos

Jesus de fato, não é alguém comum em seu meio, se destaca e logo chama a atenção. Lucas ressalta que Ele crescia em sabedoria e santidade. O que denota que, de alguma forma, Jesus se dedicava ao aprendizado da Torá e estava recebendo algum tipo de formação, pois "o menino crescia, tornava-se, robusto, enchia-se de sabedoria; e a graça de Deus estava com ele" (Lc 2.40).
O evangelista Lucas, se referindo ao menino Jesus com doze anos, faz memória de um importante ritual judaico chamado de bar mitzvá,. Eis o texto: "Três dias depois, eles o encontraram no Templo, sentado em meio aos doutores, ouvindo-os e interrogando-os; e todos os que o ouviam ficavam extasiados com sua inteligência e com suas respostas" (Lc 2.46-47).

Acreditamos que a narrativa faz alusão ao rito de passagem, da tradição judaica. Marcando a maioridade religiosa de Jesus. Ou seja, o menino nessa idade não responde por suas culpas, seus pais são responsáveis. Entretanto, ao passar pelo rito, se torna adulto e deve assumir suas responsabilidades diante da comunidade. Passando, a responder por seus atos perante Deus, segundo a Lei. Jesus, conversando com os doutores da Lei, exerce seu direito de participar da comunidade religiosa. Direito que lhe é concedido agora que se tornou homem. Tem garantido por sua cultura voz e vez na vida da comunidade. Pode perscrutar a Torá para dela encontrar normas de vida. Ele demonstra grande sabedoria e impressiona seus interlocutores. É a primeira vez que Jesus fala a comunidade.
Embora sua ética e sua conduta sejam muito próximas e facilmente comparadas a dos fariseus. Jesus traz também alguns elementos de pensamentos dos essênios. Outro grupo de sua época. O que indica que teve contato com esse grupo. Em certa ocasião, Yeshua (Jesus) deu ordens a Shimon (Pedro) e Yohanan (João) para se prepararem para a Páscoa antes da chegada dos discípulos: “Entrai numa cidade e procurai um homem carregando um cântaro de água. Siga-o e peça ao responsável para oferecer hospitalidade. Ele lhe mostrará uma sala grande. Foi exatamente isso que aconteceu (Lucas 22:7-13).
Quando Josefo Flávio descreve a rede diaconal que os essênios, um grupo judeu que era igual em número aos fariseus , ele escreve: “Eles não têm uma cidade certa, mas muitos deles habitam em todas as cidades; e se algum de sua seita vier de outros lugares, o que eles têm eles dão a eles … há, em cada cidade onde eles moram, alguém designado especialmente para cuidar de estranhos…” (Guerras 2:124). Josefo também confirmou o que já sabemos de outras fontes: muitos dos essênios não se casaram – optando por se dedicar totalmente a Deus.
Então, por que os discípulos precisavam procurar um homem carregando uma jarra de água? A resposta é simples.
Em uma sociedade agrícola, era dever exclusivo das mulheres carregar água. Um homem carregando uma jarra de água só poderia significar uma coisa – esse homem adulto não tinha esposa e, portanto, devia pertencer à comunidade essênia!
Jesus conhecia o futuro? Absolutamente! Ele estava familiarizado com a rede diaconal do movimento essênio e sabia exatamente o que aconteceria a seguir.
Sua proposta de vida radical por vezes ultrapassa a dos essênios e dos fariseus. Entretanto, está profundamente enraizado nas mais nobres e antigas tradições de seu povo. Essa postura da vida permite-nos afirmar que Jesus foi um judeu singular, que vive e ensinou a fé judaica como poucos.
É preciso compreender que o cristianismo nasce no meio judaico, a partir dos ensinamentos de um judeu, Jesus de Nazaré. Por mais que se queira é impossível dissociar a pessoa de Jesus da descendência de Abraão (Mt 1.1). Fazer isso, por si só, é um desrespeito contra a própria história do cristianismo que se encontra enraizado no judaísmo. Jesus não é alguém fora do contexto, embora seja superior a todos os homens em sabedoria e santidade.
Segundo Flusser, [Vilém Flusser foi um filósofo Checo-brasileiro. Autodidata, durante a Segunda Guerra, fugindo do nazismo, mudou-se para o Brasil, estabelecendo-se em São Paulo, onde atuou por cerca de 20 anos como professor de filosofia, jornalista, conferencista e escritor.] pode-se facilmente comparar o seu conjunto de ensinamentos sobre as bem-aventuranças com escritos judaicos da época como os pré essênicos, e o "Testamento de Judá": 

E haverá um só povo e uma só língua;
E não mais existirá o espírito do erro de Belial,
Pois ele será lançado ao fogo para todo o sempre.
E aqueles que morreram no sofrimento ressuscitarão na alegria,
E aqueles que se encontram na penúria tornar-se-ão ricos,
E aqueles que passam por necessidade saciar-se-ão na fartura,
E aqueles que são fracos receberão sua força, E aqueles que foram levados à morte, em nome do Senhor, acordarão para vida.
E os cervos de Jacó correrão com satisfação,
E as águias de Israel voarão com alegria
(Mas os descrentes lamentarão e os pecadores chorarão),
E todos glorificarão o Senhor para todo o sempre.

E Jesus ensinou as multidões no sermão da montanha:

Vendo ele as multidões, subiu à montanha. Ao sentar-se, aproximaram-se dele os seus discípulos. E pôs-se a falar e os ensinava, dizendo:

'Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o Reino dos Céus.
Bem-aventurados os mansos, porque herdarão a terra.
Bem-aventurados os aflitos, porque serão consolados.
Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados.
Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia.
Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus.
Bem-aventurados os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus.
Bem-aventurados os que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o Reino dos Céus.
Bem-aventurados sois, quando vos injuriarem e vos perseguirem e, mentindo, disserem todo mal contra vós por causa de mim.
Alegrai-vos e regozijai-vos, porque será grande a vossa recompensa nos céus, pois foi assim que perseguiram os profetas, que vieram antes de vós'. (Mt 5.1-12)

Na verdade Jesus eleva os ensinamentos judaicos a outro nível, mas sem nunca deixar de ser judeu.
Seus ensinamentos, suas práticas, a partir da Torá, são tão superiores que causam incomodo em alguns. Principalmente nos mais próximos. Os poderosos de seu tempo, os que mais temem os ensinamentos de Jesus não são os fariseus que eram essencialmente homens do povo, mas aqueles ligados a aristocracia porque tinham mais a perder, no caso os saduceus. Eles não acreditavam na vida eterna, seja através da ressurreição, ou mesmo em julgamento futuro. Nessa perspectiva de valores, esses são os que mais têm a perder, pois tudo o que acreditam ter, enquanto privilégios ou vantagens vigoram apenas nessa vida. Estando, portanto, muito mais ligados à necessidade de se manter na posição em que estão. Sentiam-se ameaçados pela pregação de Jesus, que não era visto como mais um mestre, mas sim como alguém com imenso potencial de lhes causar grande prejuízo.
Isto fez com que alguns como Caifás, que era o sumo sacerdote na época, tramasse a morte de Jesus junto a Pilatos. Alguém com um ensinamento forte e provocador assim continha potencial de causar sérios problemas. Colocando em risco os privilégios do grupo dos saduceus e o poder da autoridade romana. O que torna evidente o fato de dizer que: "os judeus mataram Jesus" é um erro. Não foram os judeus que mataram Jesus. Em primeiro lugar, poder-se-ia dizer, do ponto de vista teológico, quem matou Jesus foi o pecado de toda humanidade. Afinal, Ele se fez pecado por causa de nós (2Cor 5.21). Em segundo lugar, de forma mais objetiva, dir-se-ia que foram os romanos que mataram Jesus com a contribuição de alguns judeus. De modo especial os saduceus, pois esses estavam ligados ao poder romano e tinham muitos interesses em conservar seus privilégios.
A aliança de Deus com o povo judeu nunca foi rompida, tampouco revogada ou substituída (Rm 11.29). O próprio Jesus nunca negou essa aliança.
Ao olhar atentamente os ensinamentos do Mestre e Senhor Jesus, ao responder fielmente seu chamado saber-se-ia que não há prova de amor maior do que amar ao seu próximo como a nós mesmos (Mc 12.31). Pois esse amor não julga o próximo (Mt 7.1-5). Entender-se-ia que seu sacrifício foi para redimir toda a humanidade e que para tal contribuímos de alguma forma (Lc 24.25-27). Buscar-se-ia a paz e a harmonia entre os homens e jamais a discórdia e a perseguição. Se compreendesse verdadeiramente os seus ensinamentos os cristãos viveriam essas práticas e não apenas carregariam o nome. O problema é que, muitas vezes, se distorce o que Jesus ensinou a partir de uma visão fundamentalista. Por isso fica-se na superfície da fé e não se torna capaz de avançar a profundidade do mistério da salvação.
Os judeus esperam a vinda do Messias, para os cristãos ele já veio e segundo sua promessa retornará. O que importa é que, seja a primeira, ou seja, a segunda vez que se espera, o fato mistagógico é que juntos, judeus e cristãos, esperam pela eternidade junto de Deus, enquanto espera-se deve-se viver seus ensinamentos de forma integral.
A espera judaica pelo Messias não é em vão. Ela pode se tornar para nós cristãos um poderoso estímulo para manter viva a dimensão escatológica de nossa fé. Como eles, também vivemos em expectativa. A diferença é que para nós aquele que está por vir terá os traços do Jesus que já veio e já se faz presente e atuante no meio de nós!

(Este estudo foi montado aqui por Costumes Bíblicos com partículas de artigos do Livro Coleção Judaísmo e Cristianismo: Jesus, o Mestre entre os Sábios-pag 75 2.9 e com partes de artigos publicados originalmente em Israel Bible Center)

Jesus e os Fariseus

Convergência entre os Mestres
Fala-se de contendas, mas se esquece de que Jesus tinha inclusive amigos fariseus como José de Arimatéia e Nicodemos, As narrativas bíblicas também mencionam em pelo menos três ocasiões, por Lucas, que Jesus é convidado para comer na casa de fariseus (Lc 7.36; 11.37; 14.1). Existe inclusive um episódio em que Jesus foi avisado pelos fariseus que Herodes Antipas pretendia matá-lo (Lc 13.31).
Pode-se constatar inúmeras semelhanças entre os ensinamentos dos fariseus e os de Jesus. Os pensamentos são muito próximos e se faz nítida a convergência de ideias sempre no intuito de seguir a Torá com empenho e zelo. "Os próprios ensinamentos de Jesus se assemelham mais ao farisaísmo primitivo do que a qualquer outra escola de pensamento" (Winter, 1998, p.236).

Afinal, Jesus não veio abolir nem a lei e nem os profetas que os fariseus ensinavam, mas veio dar cumprimento a eles (Mt 5.17). "Sim, é verdade! Digo a vocês: até que os céus e a terra passem, nem mesmo um yud ou traço da Torá passará - não até que todas as coisas que precisam acontecer tenham ocorrido" (Mt 5.18). Está escrito de forma muito clara: "Maldito aquele que não confirmar as palavras desta Lei (Torá), para cumpri-las. E todo o povo dirá: Amém" (Dt 27.26).
Yud/Hebraico: Significado:
Uma mão; 
impulsionar;;
Formato. Um ponto suspenso,
com uma ponta projetando-se
 para cima
e um apêndice seguindo para baixo;
Décima letra do alfabeto hebraico.

Jesus, Mestre na interpretação da Lei

Quando questionado sobre qual o maior mandamento, Jesus responde com o Shemá Israel que é a confissão de fé monoteísta:

שָׁמַע יִשׂרָ•אֵל יְהוָה אֱלֹהִים יְהוָה אֶחָד
 
"Shemá Israel! Adonai Elohenu! Adonai Echad!"

"Ouve Israel! O Senhor nosso Deus! é o Único Senhor!"

Jesus é interpelado: "Mestre, qual é o grande mandamento na lei? Respondeu-lhe Jesus: Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda tua alma, e de todo o teu entendimento" (Mt 22.36-37). Reafirmando com clareza a fé de Israel "Ouve, ó Israel; o Senhor nosso Deus é o único Senhor. Amarás, pois, ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todas as tuas forças" (Dt 6.4-5).
A convergência de pensamentos entre o Mestre Jesus e os mestres fariseus fica ainda mais clara se observarmos as diversas passagens citadas pelos evangelhos, que encontram seus paralelos no Talmud e em outros textos da tradição judaica, como por exemplo:
Segundo Jesus: "Felizes os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia" (Mt 5.7)
Rabino Gamaliel diz: 'E Ele vos mostrará misericórdia e terá compaixão de ti e te multiplicará' (Dt 13.18), nos ensina que quem tem compaixão das criaturas de Deus receberá compaixão do Céu, e quem não tiver compaixão das criaturas de Deus não receba compaixão do céu. (Talmud, Shabat 151b)
Jesus diz: "Amarás ao teu próximo como a ti mesmo. Não há outro mandamento maior do que esse" (Mc 12.31).
Hillel disse: E você amará seu semelhante como você - esse é um grande princípio na Torá. Pois você não deveria dizer: 'Desde que fui desprezado, deixe meu amigo ser desprezado'.
Tankhuma disse: 'Se você fez isso (desprezar o seu amigo), saiba a quem você despreza, (para) à semelhança de Elohim Ele o fez'. (Bereshit Rabbah 24)
A tradição farisaica e a tradição cristã, caminham muito próximas, pois o cristianismo herdou parte da doutrina judaica, especificamente farisaica. Alguns pontos deixam isso claro. Os fariseus acreditam na imortalidade da alma, na ressurreição dos mortos, no livre arbítrio do ser humano, no castigo eterno dos ímpios, pois o destino dos homens está nas mãos de Elohim (soberania do Eterno).
Tanto Jesus como os fariseus ensinam a humildade, o amor ao próximo, o *amor aos inimigos [*ato difícil, mas não impossível], às boas obras e a caridade. Ambos se dedicando mais aos pobres e necessitados, oprimidos pelo poderio romano. Jesus também demonstra o que é próprio da piedade farisaica, isto é, a confiança na misericórdia divina e a certeza de que o arrependimento conduz ao perdão.
O fato é que Jesus é um Judeu zeloso pela Torá, e de forma ortodoxa defende a prática de seus ensinamentos, o que não diverge dos fariseus.
§Toda a atividade dos fariseus consistia em proteger e propagar a Torá e não hesitavam em denunciar publicamente aqueles que a transgrediam. Esforçavam-se, também, para suscitar em toda parte locais de estudo e oração, a fim de santificar o povo através da observância escrita da Lei. E procuravam dar o exemplo. Para os fariseus, só mesmo o valor moral dos fiéis da Torá é que poderia salvar Israel. Sob este aspecto, os fariseus jamais se opuseram a Jesus, pois nele reconheciam um verdadeiro fiel.§ (EPHRAIM, 1998, p.137)
A Oração Pai Nosso
(em hebraico Avinu), a mais importante oração cristã, é claramente uma composição a partir de orações da liturgia judaica e de textos da tradição judaica. Isso não poderia ser diferente, uma vez que Jesus é um Judeu piedoso e profundo conhecedor da Torá escrita e oral. Veja abaixo como a oração do Pai Nosso é uma composição, feita por Jesus, a partir das muitas orações da liturgia judaica. Por essa razão pode-se dizer que essa oração é comum a cristãos e judeus.
Observe:
"Pai Nosso que está nos céus".
Pai nosso que estás nos céus. (Mishina Yoma, invocação comum)
"Santificado seja teu nome".
Que teu nome seja altamente santificado no mundo que tu criaste segundo tua vontade. (Qaddish, Qedushah e Shemone Esré (18 bênçãos) na oração cotidiana, cf. também Ez 38.23)
"Venha teu reino".
Que venha em breve e que seja reconhecido pelo mundo inteiro o teu reino e tua senhoria a fim de que teu nome seja louvado para sempre. (Qaddish)
"Que seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu".
Que seja feita a tua vontade no céu como na terra, dá a tranquilidade do espírito àqueles que te temem, e no resto, aja segundo tua vontade. (Tosephta Berakhot 3.7; Bali Berakhot 29b; cf. também 1Sam 3.18 e 1Mac 3.60)
"O pão nosso cotidiano, dá-nos hoje".
Faça-nos o pão que tu nos concedes cada dia. (Mekhilta sobre Êx 16.4; Beza 16a)
"E perdoa nossas dívidas assim como nós perdoamos nossos devedores".
Perdoa, nosso Pai, nossos pecados como nós perdoamos todos aqueles que nos fizeram sofrer. (Shemone Esre; no fim da Mishah Yoma; Tosephta Taanit 1.8; Babli Taanit 16a)
"E não nos deixes cair em tentação".
Não nos deixes cair em tentação. (Siddur: oração cotidiana; Berakhot 16b.17a.60b; Sanhedrin 107a)
"Mas livra-nos do mal".
Mas afasta-nos de todo mal. [Porque teu é o reino, o poder e a glória pelos séculos dos séculos.] Porque a grandeza e a glória, a vitória e a majestade são tuas assim como todas as coisas no céu e sobre a terra. A ti o reino e tu é o Senhor de todo ser vivente por todos os séculos. (1Cr 29.11)

OS ENSINAMENTOS DE JESUS E ENOQUE(*)

O Segundo Livro de Enoque não foi realmente escrito pelo Enoque que conhecemos do Gênesis, mas oferece uma janela única para o mundo antigo na época de Jesus. 2 Enoque nunca foi incluído entre os cânones bíblicos do judaísmo ou do cristianismo, mas suas palavras ressoam com os ensinamentos da Bíblia. O texto se originou em algum momento durante os primeiros três séculos EC e tem paralelos interessantes com o Novo Testamento. Por exemplo, compare o ensino de Jesus sobre juramentos e seu “sim” significando “sim” (Mateus 5:33-37) com as ideias de Enoque abaixo. Compare também o que Enoque diz com o comentário de Jesus de que “os mansos herdam a terra” (Mateus 5:5) ou sobre suportar perseguições imerecidas por amor de Deus (Mateus 5:11-12). A ética expressa no Sermão da Montanha é notavelmente semelhante à ética judaica expressa em 2 Enoque. 
Leia e compare você mesmo…

Capítulo 49: 1. Eu juro a vocês, meus filhos, mas não juro por nenhum juramento, nem pelo céu nem pela terra, nem por qualquer outra criatura que Deus criou. 2. O Senhor disse: Não há juramento em mim, nem injustiça, mas apenas verdade. 3. Se não há verdade nos homens, que eles jurem pelas palavras: Sim, sim, ou então, Não, não. 4. E eu juro a você, sim, sim, que não houve uma pessoa no ventre de sua mãe, como antes, mesmo para cada um há um lugar preparado para a tranquilidade dessa alma, e uma medida é fixada quanto se pretende ter para que um homem possa ser testado neste mundo. 5. Sim, filhos, não se enganem, pois já foi previamente preparado um lugar para a alma de cada pessoa.

Capítulo 50: 1. Eu coloquei a obra de cada homem por escrito e ninguém nascido na terra pode permanecer oculto nem suas obras permanecer ocultas. 2. Eu vejo todas as coisas. 3. Agora, meus filhos, passem o número de seus dias com paciência e mansidão, para que herdem a vida eterna. 4. Suportar por causa do Senhor toda ferida, toda injúria, toda palavra maligna e ataque. 5. Se coisas terríveis acontecerem com você, não procure fazer essas coisas nem ao próximo nem ao seu inimigo, porque o Senhor será o seu vingador no dia do grande julgamento, para que não haja vingança aqui entre os homens. 6. Quem gasta ouro ou prata por causa de seu irmão, ele receberá um grande tesouro no mundo vindouro por seu esforço. 7. Não pergunte coisas a viúvas, órfãos ou estranhos, ou a ira de Deus pode cair sobre você.

Capítulo 51: 1. Estenda suas mãos para os pobres de acordo com suas forças. 2. Não esconda sua prata na terra. 3. Ajude os fiéis na aflição, e a aflição não o encontrará no tempo de sua angústia. 4. E todo jugo doloroso e cruel que vem sobre você suporta tudo por causa do Senhor, e assim você encontrará sua recompensa no dia do julgamento. 5. É bom entrar de manhã, ao meio-dia e à tarde na morada do Senhor, para glória do teu criador. 6. Porque toda coisa que respira o glorifica, e toda criatura visível (física) e invisível (espiritual) lhe devolve o louvor. (2 Enoque 49-51)(*Esse texto é parte de um artigo publicado em Israel Bible Center)
logo,
Jesus é verdadeiramente para os cristãos, o Rabi. É o Mestre e não qualquer mestre, é o Mestre dos mestres profundo conhecedor da Torá, assim como os mestres fariseus, ele é em quase tudo semelhante aos sábios do movimento farisaico. Todavia, para os cristãos, supera os sábios de seu tempo. Porque para seus seguidores Ele, Jesus, é o Deus encarnado. Chamado Rabi por seus discípulos, seu comportamento demonstra isso, Ele anda no meio do povo e prega de preferência aos mais humildes, ensinando-lhes a Torá assim como faz qualquer outro Rabi ou Mestre fariseu, ser acompanhado por discípulos que seguem seus ensinamentos e os replicam é outra das características que denotam essas semelhanças.
A propósito, segundo o Talmud, os mestres fariseus formavam uma classe composta pelos mais diversos personagens da sociedade, bem como de diversas profissões. Existiam sapateiros, pescadores, carpinteiros, etc. Interessante lembrar que Jesus era filho de carpinteiro e também carpinteiro (Mc 6.3). E seus ensinamentos são profundamente judaicos! (Parte desse texto foi extraído do livro "Jesus, o Mestre entre os Sábios" de Marivan Soares Ramos)

JESUS e Seus irmãos

JESUS é verdadeiramente, o Rabi. É o Mestre e não qualquer mestre, é o Mestre dos mestres profundo conhecedor da Torá, assim como os mestres fariseus, ele é em quase tudo semelhante aos sábios do movimento farisaico. Ele superou os sábios do seu tempo. Porque para seus seguidores, Jesus, é Deus encarnado. Chamado rabi por seus discípulos, seu comportamento demonstra isso, Ele anda no meio do povo e prega de preferência aos mais humildes, ensinando-lhes a Torá assim como faz qualquer outro rabi ou mestre fariseu, ser acompanhado por discípulos que seguem seus ensinamentos e replicam é outra das características que denotam essas semelhanças e os ensinamentos de Jesus eram profundamente judaicos!
Veja relação existente entre alguns ensinamentos de Jesus com alguns dos sábios de Israel:

  • Jesus: "Com a medida com que tiverdes medido vos hão de medir a vós". (Mt 7.2)
  • Moisés: "Com a medida que você mediu, eu tenho medido você." E assim está escrito (2Sm 22.27): "Com o puro você é puro, e com o torto você é astuto".
  • Jesus: "Tudo, quanto, pois, quereis que os homens vos façam, assim fazei-o vós a eles, porque esta é a Torá e os Profetas" (Mt 7.12).
  • Hillel: "Não faça aos outros o que não deseja que façam a você, esta é toda a Torá, o restante é comentário, vai e pratica isto" (Shabat 31a).
  • Rabbi Shimon Ben Elazar: "Você já viu uma fera ou um pássaro que tem um comércio? E, no entanto, eles ganham seu sustento sem angústia. Mas todos estes foram criados apenas para me servir, e eu, um ser humano, fui criado para servir Aquele que me formou. Não é certo que eu deveria ganhar o meu sustento sem angústia? (Kiddushin 82a).
  • Jesus: "E prosseguiu: O Shabat foi feito por causa do homem, e não o homem por causa do Shabat" (Mt 2.27) 
  • "... o Shabat foi entregue em suas mãos, enão você nas mãos dele" (Talmud Bavli, Yoma 85b).
  • Jesus: "Qualquer, pois, que a si mesmo se exaltar, será humilhado; e qualquer que a si mesmo se humilhar, será exaltado" (Mt 23.12)
  • "Qualquer um que se humilha sobre assuntos da Torá neste mundo torna-se grande no Mundo vindouro; e qualquer um que se estabeleça como um servo sobre assuntos da Torá neste mundo torna-se livre no mundo vindouro" (Bava Metzia 85b).

JESUS e Seus Irmãos...

Estamos falando dos Fariseus! [Aprofunde-se com o Hebraico Bíblico]
Era perfeitamente possível relacionar Jesus aos fariseus de forma positiva, mostrando a Torá como mesma fonte de ensinamentos, bem como seu senso ético moral, similar a deles. Assim como também é possível perceber que os fariseus por várias vezes tomam partido e defendem os seguidores de Jesus diante dos saduceus. Como sinaliza Flusser [Vilém Flusser foi um filósofo Checo-brasileiro. Autodidata, durante a Segunda Guerra, fugindo do nazismo, mudou-se para o Brasil, estabelecendo-se em São Paulo, onde atuou por cerca de 20 anos como professor de filosofia, jornalista, conferencista e escritor] :
Se lembrarmos o papel que os fariseus desempenharam nas primeiras décadas da igreja cristã, fica mais claro o motivo pelo qual não só os relatos originais como também os três primeiros evangelhos, evitam mencionar os fariseus na história do julgamento de Jesus. Quando os apóstolos foram perseguidos pelo sumo-sacerdote saduceu, Rabban Gamaliel tomou tomou o seu partido e os salvou (At 5.17-42). Quando Paulo foi levado a comparecer perante o Sinédrio de Jerusalém, encontrou solidariedade entre seus ouvintes ao apelar para os fariseus (At 22.30 e 23.10). Quando Tiago, o irmão do Senhor, e aparentemente outros cristãos, foram condenados ilegalmente a morte em 62 DC, pelo sumo-sacerdote  saduceu, os fariseus apelaram ao rei e o sumo-sacerdote foi destituído. (Flusser 1998,p.48-49)
Como verdadeiro Mestre, Jesus em momento algum viola a Lei, mas lhe confere a interpretação correta elevando-a a outro nível. Mostrando aos que questionam, sob o pretexto do cumprimento da Lei, que o importante na verdade é o sentido real e muito mais profundo e não simplesmente um sentido superficial e fundamentalista. Levando em conta apenas o escrito sem considerar as circunstâncias. É interessante perceber que os fariseus, nesse caso, não estão equivocados quanto ao que determina a Lei, mas apenas quanto ao seu entendimento e interpretação e isso, diga-se de passagem, é passível de discussão. Como, por exemplo, na narrativa abaixo: 
E sucedeu passar ele num dia de Sábado pelas searas; e os seus discípulos, caminhando, começaram a colher espigas. E os fariseus lhe perguntaram: Olha, por que estão fazendo no Sábado o que não é lícito? Respondeu-lhes ele: Acaso nunca leste o que fez Davi quando se viu em necessidade e teve fome, ele e seus companheiros? Como entrou na casa de Deus, no tempo do sumo sacerdote Abiatar, e comeu dos pães da proposição, dos quais não era lícito comer senão aos sacerdotes, e deu também aos seus companheiros? E prosseguiu: O Sábado foi feito por causa do homem, e não o homem por causa do Sábado. Pelo que o Filho do homem até do Sábado é Senhor. (Mc 2.23-28)
Encontra-se no Talmud o mesmo pensamento a partir de sábios rabinos que descendem diretamente dos fariseus, posteriores a Jesus. Demonstrando que existia uma corrente de interpretação e que foi seguida no judaísmo que considerava, assim como Jesus, o valor de uma vida como sendo maior que o Shabat. Sendo assim, não há um conflito real entre o Mestre Jesus e os fariseus, mas apenas divergências de opiniões que sendo confrontadas elevam o nível do entendimento sem gerar com isso rupturas. Portanto, é equivocado o pensamento de que existe uma total divisão entre eles, aqui encontra-se uma complementaridade. O estudioso bíblico e filósofo israelense Yehezkel Kaufmann diz que: "A atitude de Yeshua(Jesus) com a Torá é a mesma atitude que se encontra entre os mestres da Halachá e Hagadá que seguiram a tradição farisaica" (Bokser; Knopf, 1967 p.208-209).
Outros tanna'im debateram esse mesmo problema. Rabino Yosei, filho do rabino Yehuda, diz que isso está escrito: "Mas manter a minha Shabbatot" (Ex 31.13). Alguém poderia pensar que isso se aplica a todos em todas as circunstâncias; portanto, o versículo declara "mas", um termo que restringe e qualifica. Implica que há circunstâncias em que se deve manter o Shabbat e as circunstâncias em que se deve profaná-lo, isto é, salvar uma vida. Rabi Yonatan Ben Yosef diz que ele é afirmado: "Pois é sagrado para você" (Ex 31.14). Isto implica que o Shabat é dado em suas mãos, e você não é dado a ele para morrer por causa do Shabat. (Talmud Bavli, Yoma 85b)

Generalizar é perigoso!

Faz-se necessário insistir com isso, nem todo fariseu é hipócrita. Portanto, dizer de forma generalizada que Jesus chamou todos os fariseus de hipócritas é retirar algo de seu contexto, com o pretexto de manchar a reputação de um grupo de pessoas. De fato, é inegável que haviam fariseus hipócritas. Da mesma forma que também existem cristãos hipócritas. Entretanto, é preciso ressaltar que tinham fariseus piedosos, de coração sincero, buscavam seguir a Deus por meio do cumprimento da Torá/Lei. Buscando viver sua relação com o próximo e com Deus, por meio da observância da Palavra. Portanto, para muito deles, a prática deve se sobrepor aos belos discursos. Com isso, demonstravam-se desejosos de viver do ensino da Lei/Torá. Entre eles, muitos se tornaram grandes sábios e alguns, inclusive tornaram-se seguidores de Jesus.
Portanto, existem categorias de fariseus hipócritas que são reconhecidas e apontadas pela própria tradição judaica. Como, tinham também fariseus piedosos. Neste sentido, é preciso, pois, desfazer esse olhar preconceituoso e generalizado sobre o grupo dos fariseus. Reconhecendo certas situações narradas nos evangelhos, dentro de uma perspectiva mais acertada, em relação a essa questão. E um esforço de superação, daquilo que se tem reproduzido por séculos. Afinal, uma leitura errônea dos textos, provocou, e tem provocado uma péssima impressão de um movimento importantíssimo na propagação da fé no Deus de Abraão. Como consequência dessa má compreensão, foi apresentado, ao longo da história, danos irreparáveis. Assim verifica-se as muitas atrocidades cometidas, sob o pretexto de que Jesus condenou esse grupo, bem como os judeus que "o mataram".
Aliás, é interessante refletir sobre um ponto importante. Se alguns poucos judeus, e não todos, tiveram algum papel no julgamento de Jesus visando seus próprios interesses, e de alguma forma contribuíram com sua morte ao entregá-lo as autoridades romana que o processou, julgou e matou. Esse grupo foi o dos saduceus, pois eles detinham o poder político-religioso. Além disso, tinham proximidade suficiente com as autoridades romanas para tal feito, e não os fariseus.
(*) Abaixo está um trecho de um texto judaico rabínico do terceiro século EC chamado Mishná (repetição). Neste volume, os antigos rabinos repetiram as coisas que foram ensinadas a sucessivas gerações e esta passagem se volta para o conflito entre saduceus e fariseus. Considerando o quão pouco o NT ensina explicitamente sobre esses grupos, a Mishná oferece algumas informações valiosas.
“Dizem os saduceus: queixamo-nos de vós, fariseus, porque dizeis que as Sagradas Escrituras contaminam as mãos, mas os livros de Homero não contaminam as mãos. Rabban Yohanan ben Zakkai disse: Não temos nada contra os fariseus além disso? Eis que dizem que os ossos de um jumento são limpos, mas os ossos de Yohanan, o sumo sacerdote, são impuros. Disseram-lhe: conforme a afeição por eles, assim é a sua impureza, para que ninguém faça colheres com os ossos de seu pai ou de sua mãe. Ele lhes disse: assim também são as Sagradas Escrituras segundo a afeição para com eles, assim é a sua impureza. Os livros de Homero que não são preciosos não contaminam as mãos.
Os saduceus dizem: nós reclamamos contra vocês, fariseus, que declaram que um fluxo ininterrupto de um líquido é limpo. Os fariseus dizem: nós reclamamos contra vocês, saduceus, que vocês declaram que uma corrente de água que flui de um cemitério é limpa? Os saduceus dizem: nós nos queixamos contra vocês, fariseus, que vocês dizem que meu boi ou jumento que causou dano é responsável, mas meu escravo ou escrava que causou dano não é responsável. Agora, se no caso do meu boi ou do meu jumento pelo qual não sou responsável se não cumprirem os deveres religiosos, ainda assim sou responsável por seus danos, no caso do meu escravo ou escrava por quem sou responsável para ver isso eles cumprem mitsvot, quanto mais para que eu seja responsável por seus danos? Disseram-lhes: Não, se discutirem por causa do meu boi ou do meu jumento, que não têm entendimento, você pode deduzir daí alguma coisa a respeito de um escravo ou escrava que tenha entendimento? Então, se eu irritasse qualquer um deles e eles queimassem a pilha de outra pessoa, eu deveria ser responsável por fazer a restituição?” (Mishná, Yadaim 4:6-7)
(*pedaço de artigo publicado em Israel Bible Center-Textos Extra-Bíblicos)
 

A Advertência de JESUS "A menos que..."

A MENOS QUE...
No Sermão da Montanha há um contrate na justiça do Reino do céu com a justiça dos escribas e fariseus. De acordo com Jesus, a verdadeira justiça não pode ser definida seguindo-se uma lista de coisas que devem ou não ser feitas (Mt 5.20). Não só temos que evitar o assassinato, o adultério e a quebra dos votos. Precisamos também evitar as causas destes pecados: a ira, a lascívia, e o desejo de manipular a verdade (Mt 5.21-26; 28-30; 33-37).

A Sua Advertência: (Ap 22.18,19)

(*)Jesus disse aos seus seguidores : “ … a menos que a vossa justiça ultrapasse a dos escribas e fariseus, não entrareis no reino dos céus ”. (Mat.5: 20) Na reconstrução tradicional, as pessoas chamadas de “escribas e fariseus” estavam entre os judeus mais sagrados. Mas foi realmente assim?
Primeiro, a maioria dos escribas era conhecida por fazer alterações nos textos. Jesus até emitiu um aviso para preservar as palavras originais com precisão, pois os futuros escribas copiariam o texto: “ se alguém acrescentar ... e se alguém tirar as palavras do livro desta profecia, Deus tirará sua parte da árvore da vida ... ”(Apocalipse 22: 18-19). Mesmo que os escribas não fossem considerados de forma negativa como os cobradores de impostos, seu nível de retidão não era considerado alto por muitos.
Em segundo lugar, os fariseus também não eram considerados os mais justos de todos os judeus, pelo menos por alguns. Mais notavelmente por essênios cujos escritos, a coleção de Manuscritos do Mar Morto, em parte preserva. Os essênios acreditavam que os fariseus venderam Jerusalém aos gregos e conspiraram com os inimigos de Deus para comprometer a santidade de seu templo. Para deixar seus pontos de vista claros, eles chamavam os fariseus de “buscadores das coisas suaves” ( דורשי החלקות ) em vez de seu próprio nome preferido de “buscadores dos caminhos (de Deus)” ( דורשי ההלכות ). Em suma, esses judeus (essênios) também não se importavam muito com a justiça farisaica (4Q169).
À luz desses exemplos, devemos concluir que as palavras de Jesus devem ser interpretadas literalmente - o nível de justiça dos escribas e fariseus não era suficiente para entrar no Reino de Deus. Muito mais era necessário.(* este texto é parte de um artigo publicado pelo Dr.Eli Lizorkin-Eyzenberg em Israel Bible Center e editado aqui por Costumes Bíblicos - Conheça os Cursos de Hebraico Bíblico)
"A vida diária também daria às palavras de Yeshua mérito na verdade. Em meu país, {Inglaterra}os políticos de posição especialmente elevada parecem estar em um barco semelhante aos escribas e fariseus. Como fazem em muitos países, enganam e mentem e continuam a chamar isso de diplomacia ou política em nome do eleitorado. Essa atitude e suas estratégias dão continuidade ao processo e projetam as ações fora da política, para os outros, acreditando que sejam aceitáveis. Não importa se na política, negócios, saúde ou educação. Yeshua sugere que Deus se ofende com esses atos e, portanto, não devemos seguir tais atos."[Por Geoffrey Flather]
Mateus 5 ao 7 é chamado de sermão da montanha porque Jesus entregou-o em uma colina próxima a Cafarnaum. Este sermão provavelmente durou vários dias de pregação.
Quando Jesus anunciou que o Reino estava próximo (Mt 4.17), as pessoas naturalmente perguntaram: "Como posso qualificar-me para estar no Reino dos Céus?" No sermão da montanha, Jesus desafiou os orgulhosos e legalistas líderes religiosos da época. Isso relembrou-os das mensagens dos profetas do Antigo Testamento, que, assim como o Mestre, ensinaram que a sincera obediência é mais importante que a prática legalista.
Jesus também disse que o Reino de Deus tem prioridades diferentes das dos reinos mundanos. Os cidadãos do Reino celeste buscam bênçãos e benefícios diferentes e têm atitudes diferentes. No Reino dos Céus,riqueza, poder e autoridade não são muito importantes - mas a fiel obediência é.
Poucos comentários são necessários para descrever o triste estado da cristandade de hoje. Diversos grupos que descaradamente se autodenominam cristãos parecem preferir o comunismo à democracia, encorajar a imoralidade, apoiar a anarquia, minimizar todas as doutrinas bíblicas importantes, ridicularizar aqueles que creem na Bíblia e, de modo geral, cumprir a previsão de Paulo: tendo aparência de piedade, mas negando a eficácia dela (2Tm 3.5)

Um breve artigo sobre a Torá nos Evangelhos Judaicos sobre os erros de interpretação de Hebreus 7.12; 18-19 (*)

Não é incomum ouvir as pessoas dizerem que Hebreus ensina que os mandamentos mosaicos são fracos e inúteis, e que Jesus fez uma aliança melhor que substituiu as antigas leis de Moisés. Mas é esta a verdadeira mensagem de Hebreus? Um olhar mais atento à carta revela que o autor não descarta toda a Torá à luz de Yeshua; em vez disso, Hebreus mostra como Jesus representa os sacrifícios sacerdotais que não podiam mais ser feitos após a destruição do Segundo Templo.
É verdade que Hebreus menciona uma “mudança” na Lei de Moisés: “Porque, quando o sacerdócio é mudado, necessariamente ocorre uma mudança da lei…. Pois, por um lado, há uma anulação de um mandamento anterior por causa de sua fraqueza e inutilidade. (pois a Lei nada aperfeiçoou) e, por outro lado, há a introdução de uma esperança melhor, por meio da qual nos aproximamos de Deus ”. (Hebreus 7:12, 18-19 NASB)
Esses versículos são freqüentemente usados ​​para demonstrar que a Lei foi posta de lado como algo obsoleto. É simples, dizem alguns: Yeshua é um novo sacerdote que muda a Lei! Mas devemos esclarecer o contexto em que nosso autor se refere aos mandamentos. Aqui está uma dica ... Hebreus tem alguns mandamentos sacerdotais muito específicos em mente. Se perdermos ou ignorarmos esse contexto crucial, com certeza compreenderemos mal o significado do escritor. A passagem acima de Hebreus não discute a validade ou utilidade da Torá em geral. Esses versículos estão interessados ​​apenas no papel do Messias em relação ao sacerdócio levítico.
Uma análise do contexto mais amplo é útil. Hebreus 4 fala de entrar no descanso da aliança de Deus , o Shabat do tempo do fim de Deus, a presença do Senhor. O capítulo 5 afirma que Yeshua é um Sumo Sacerdote superior em comparação com os sacerdotes terrestres, e o capítulo 6 compara Jesus com o sacerdote real Melquisedeque. Finalmente, o capítulo 7 destaca como as tradições de Melquisedeque se relacionam com os ensinamentos sobre o Messias. Assim, Hebreus 4-7 não trata de toda a Lei de Moisés, nem estabelece uma dicotomia entre Jesus e a Torá. Em vez disso, esses capítulos enfocam uma discussão sobre o sacerdócio, que constitui apenas uma parte da Lei de Moisés.
O restante de Hebreus também destaca conceitos como sacerdócio e sacrifício. O Capítulo 8 explora as facetas do sacerdócio de Jesus e da Nova Aliança. Hebreus 9 e 10 proclamam a superioridade da Nova Aliança e delineiam os benefícios do sacrifício de Yeshua de seu próprio corpo. Toda essa discussão sacerdotal não questiona a validade da Torá, mas sim destaca o papel único de Yeshua como um sumo sacerdote eterno.
Portanto, aqui estão as perguntas que os leitores precisam fazer: “ Qual lei está sendo mudada em Hebreus 7:12?” e "Quais mandamentos são fracos em Hebreus 8:18?" Certamente, nem todos eles! Em vez disso, o escritor de Hebreus está preocupado em como Jesus se relaciona com os mandamentos para os sacerdotes de Israel. Quando o hebraico diz que Jesus “pôs de lado” (ἀθέτησις; ateteisis ) um mandamento anterior (7:18), a ordem pertence ao serviço sacerdotal. Hebreus menciona a “fraqueza” ou “falta de perfeição” (ἀσθενής, astheneis ) nesses mandamentos porque os sacerdotes humanos são humanos e, portanto, imperfeitos (ver Hb 10: 1).
Além disso, é provável que Hebreus tenha sido escrito após a destruição do Segundo Templo em 70 EC, o que tornou os sacrifícios não mais possíveis. Portanto, nosso autor de cartas está oferecendo aos leitores uma maneira de assegurar uma expiação contínua após o Templo terrestre: como exaltado sumo sacerdote celestial, Jesus ofereceu a si mesmo como um sacrifício “uma vez por todas” pelo pecado (cf. Hb 7:27; 9:26 ; 10:10). Dessa forma, Jesus realmente cumpre os mandamentos sobre o sacrifício e a expiação dados aos levitas; embora a cessação do sacerdócio após 70 tenha manifestado sua fraqueza e fragilidade, Yeshua fortalece e estende a longevidade do sistema sacrificial. Hebreus não descarta a Torá como obsoleta ou inútil, mas se dirige a um mundo sem os sacrifícios habituais e mostra como Jesus serve como um sumo sacerdote eterno no céu que faz expiação para sempre. (* Por Pinchas Shir)

AS PÁSCOAS DURANTE O MINISTÉRIO DE JESUS

Todos os grandes comentaristas da Bíblia estão de acordo que a vida pública de Jesus durou realmente três anos. O quarto evangelista, que propôs a completar os evangelhos sinópticos, lançou forte luz sobre este ponto em questão, citando toda uma série de festas religiosas, escalonadas ao longo da vida pública de Jesus e que, se forem muito bem consideradas, exigem que esta vida pública tenha durado cerca de três anos ou mais.

Vejamos a lista:

  • PRIMEIRA: Uma primeira Páscoa (Jo 2.13);
  • SEGUNDA: Uma festa entre os judeus, cuja natureza procuraremos determinar (Jo 5.1);
  • TERCEIRA: Outra Páscoa (Jo 6.4);
  • QUARTA: A Festa dos Tabernáculos, depois da Páscoa (Jo 7.2);
  • QUINTA: A Festa da Dedicação (Jo 10.22);
  • SEXTA: A última Páscoa (Jo 12.1; 13.1).
Esta lista nos permite perceber claramente três Páscoas sucessivas. A primeira, bem no início do ministério de Jesus (pouco depois do seu batismo); a segunda, em torno da época da primeira multiplicação dos pães; e a terceira, no período da Paixão e morte de Cristo.
Conforme o testemunho tão antigo e cheio de autoridade de Ireneu, a estas três Páscoas deve ser acrescentada, provavelmente, uma outra que, no segundo tópico da lista que fizemos acima, foi chamada de uma festa entre os judeus. A maioria dos estudiosos acredita que essa expressão tenha sido usada por João para referir-se à Páscoa. Entre a primeira e a última Páscoa, teriam transcorrido três anos. Mas como a vida pública de Jesus, foi inaugurada num período antes da primeira Páscoa - vários meses, sem dúvida -, resulta que a duração total de seu ministério foi de uns três anos e meio.
Há uma opinião intermediária, segundo a qual Jesus só teria pregado durante um período de dois anos ou, quando muito, de dois anos e meio. Os adeptos dessa opinião dizem que não houve mais de três Páscoas durante o curso da vida pública de Jesus, reduzindo esse período a pouco mais de dois anos.
Se a primeira dessas três primeiras Páscoas foi celebrada (conforme cálculos anteriores) nos primeiros dias de abril do ano 780 de Roma (27 da era cristã), a quarta aconteceu no ano 783 de Roma (30 da era cristã).
As páginas anteriores, sobretudo as que se referem às informações cronológicas do quarto evangelho, permitem-nos fixar alguns parâmetros que mostram que a vida pública do Salvador pode ser dividida em períodos regulares, tornando menos difícil colocar em ordem a provável sucessão dos acontecimentos.
O conjunto de fatos e de palavras que os evangelhos sinópticos apresentam é o mesmo, e também o plano geral. É certo que Mateus e Marcos, mais o primeiro do que o segundo, prestaram pouca atenção aos pormenores de natureza cronológica. Lucas, no entanto, é normalmente fiel em cumprir a promessa feita no prólogo (Lc 1.3). Seu registro está de acordo com a verdadeira ordem dos acontecimentos. Ele nos dá datas sincrônicas de grande valor como pontos de convergência (Lc 2.1,2; 3.1,2).
A narração de Lucas, à primeira vista, parece referir-se integralmente à última viagem de Jesus a Jerusalém (Lc 19.28). O evangelista faz isso em três ocasiões (Lc 9.52; 13.22; 17.11) ao mencionar as viagens distintas de Jesus até aquela cidade. Esses dados supõem claramente que não se trata apenas de uma única viagem feita por nosso Senhor a Jerusalém, conforme se poderia crer anteriormente. Mas isso se tomarmos  ao pé da letra as narrações de Mateus e Marcos.

UMA CURIOSIDADE DA BÍBLIA HEBRAICA

Por que Pedro foi preso na Páscoa?(*)
No início de Atos 12 , Herodes prende Pedro e o coloca na prisão durante a festa da Páscoa (12: 3-4). Assim como a primeira Páscoa no Egito levou à libertação de Israel da escravidão, Deus reproduz aquela noite de Páscoa inicial quando um anjo liberta Pedro da prisão. A Páscoa e o êxodo individuais do discípulo enfatizam a presença contínua do Deus de Israel com os primeiros seguidores judeus de Jesus.
Enquanto Pedro dorme na prisão, um anjo do Senhor aparece durante a noite e lhe diz: “ Cinge-te (ζῶσαι; zosai ) e ata (ὑπόδησαι; hupódesai ) as tuas sandálias ” (Atos 12: 8). As instruções do anjo a Pedro nesta noite ecoam as palavras de Deus aos hebreus na noite em que comerem o cordeiro pascal : “Assim o comerás com o teu cinto cingido (περιεζωσμέναι; periezosménai ), e as tuas sandálias (ou“ ataduras ”, ὑποδήματα ; hupodémata) em seus pés ”(Êxodo 12:11 LXX). Essas instruções semelhantes a Israel e a Pedro precedem uma libertação milagrosa da escravidão. Além disso , quando Pedro e o anjo chegam aos limites do terreno da prisão, um portão de “ ferro ” (σιδηροῦς; sideral ) se abre para eles e eles escapam para a cidade (Atos 12:10). A atenção de Lucas ao metal do portão lembra a libertação de Israel do Egito , a “fornalha de ferro (σιδήρεος; sidéreos )” (cf. Dt 4:20; Jr 11: 4 LXX).
Ao lado dessas semelhanças, há também uma diferença notável entre as duas Páscoas. Para libertar os hebreus da escravidão, Deus mata o primogênito: “ Passarei pela terra do Egito naquela noite, e atingirei (πατάσσω; patásso ) todos os primogênitos do Egito” (Êxodo 12:12 LXX). Em Atos, em vez de golpear os captores de Pedro, o mensageiro de Deus golpeia Pedro para encenar seu êxodo: “O anjo do Senhor… golpeou (πατάσσω; patásso) Pedro chegou ao lado e o acordou, dizendo: 'Levanta-te depressa!' E as correntes caíram de suas mãos ”(Atos 12: 7). Considerando que Deus já havia passado pelas casas em que os hebreus dormiam, o anjo entra na cela de Pedro adormecido e o atinge! Embora o “golpe” de Pedro não seja nem de longe tão severo quanto o golpe divino contra o Egito, o uso da linguagem do Êxodo por Lucas repete o evento da Páscoa original e nos lembra que o Deus que decretou o êxodo também guia o movimento de Jesus. (*Texto tirado de um artigo publicado em Israel Bible Center por Dr. Nicholas J. Schaser-Editado aqui por Costumes Bíblicos)

JESUS É ABANDONADO

...Quem come a minha carne e bebe o meu sangue [uma referência ao Espírito Santo, que é a Vida de Cristo em nós] permanece em mim, e eu, nele. Assim como o Pai, que vive, me enviou, eu vivo pelo Pai, assim quem de mim se alimenta também viverá por mim. Este é o pão que desceu do céu; [Sua Palavra] ... não é o caso de vossos pais, que comeram o maná e morreram; quem comer este pão viverá para sempre. Ele disse essas coisas na sinagoga, ensinando em Cafarnaum. (Jo 6.56-59)

[Não é o pão comprado na padaria e o vinho ou suco da uva comprado no mercado e trazidos para serem distribuídos em comunidades, que nos faz ter a Vida de Cristo dentro nós! Mas, nossa obediência as A Palavra de Deus vivida por Cristo,nos enche e nos batiza com o Espírito Santo, também Representado pelo sangue!] 

Quem não me ama não guarda as minhas palavras; ora, a palavra que ouvistes não é minha, mas do Pai que me enviou. (Jo 14:24)
Jesus aprofundou seu pensamento. Primeiro, a comunhão: ele morando em nós, e nós morando nele, vivendo nele e por ele, assim como ele vive em seu Pai e por seu Pai. Quem poderia sonhar uma união mais íntima, mais divina, mais consoladora, mais fortificante? E, depois da morte, a vida eterna, que perpetua esta união. Como, ouvindo e meditando nestas  palavras do bom Pastor, não desejar nutrir-se incessantemente dos elementos da Ceia do Senhor? [Ele mesmo é a Ceia. Se não vivermos uma vida casta em temor e obediência aos Seus Mandamentos, em vão se come do pão e se bebe do vinho ou suco da uva nas comunidades]

Infelizmente, muitos ouvintes de Cristo estavam longe de sentir este santo desejo. A quarta e última parte da conversação nos mostra isso de modo bem doloroso. Até então, só uma parcela hostil do auditório havia protestado; deste momento em diante, a oposição virá também dos próprios discípulos, daqueles que acompanhavam Jesus em suas viagens de pregação.
Muitos deles - diz o texto claramente - protestaram de forma descomposta e odiosa. Duro é este discurso; quem o pode ouvir? (Jo 6.60). Também eles interpretam as palavras do Salvador do modo literal. E de tal monta é o escândalo deles que chegam até a querer separar-se do Mestre.
O que Jesus fez quando compreendeu o que se passava no ânimo daqueles discípulos? Procurou atraí-los de novo, clareando-lhes o pensamento? Ele explicou, com efeito, não para contradizer seu discurso, mas para afirmar que nada é impossível e que sua promessa, sendo verdadeira, não devia ser entendida num sentido grosseiro e carnal.
Isto escandaliza-vos?
Que seria, pois, se vísseis subir o Filho do homem para onde primeiro estava?
O espírito é o que vivifica, a carne para nada aproveita; as palavras que eu vos digo são espírito e vida.
Mas há alguns de vós que não crêem. Porque bem sabia Jesus, desde o princípio, quem eram os que não criam, e quem era o que o havia de entregar. (Jo 6:61-64)
Com a expressão subir o Filho do Homem para onde primeiro estava, Jesus falava da sua ascensão, pela qual voltaria ao Céu, revestido de sua santa humanidade. Se aqueles discípulos que estavam a ponto de apostatar tivessem testemunhado antecipadamente este glorioso mistério, creriam facilmente que ele podia cumprir suas promessas. Então, poriam nele toda a sua confiança e cessariam de escandalizar-se sem motivo.
Cesaréia de Filipo, onde Jesus esteve (Mt 16.13)
As palavras o espírito é o que vivifica, a carne para nada aproveita (Jo 6.63) contém uma sentença de ordem geral, que significa que, no organismo humano, o espírito é quem dá a vida. A carne, por si só, seria uma coisa morta, inerte, e logo seria destruída pela corrupção.
Com esta afirmação, Jesus precisava, pois, dar sentido às suas palavras: nunca lhe havia passado pelo pensamento distribuir sua carne separada da alma, como grosseiramente muitos haviam imaginado. A linguagem do Mestre é espírito e vida, e devia ser interpretada espiritualmente. A carne que ele daria de comer e o sangue que ele daria de beber era a carne e o sangue do Filho do Homem que voltaria para o céu, transfigurado e para sempre vivo. Não seriam alimentos físicos, mas espirituais, em memória do seu sacrifício.
Jesus acrescentou com tristeza: Mas há alguns de vós que não crêem (Jo 6.64). A propósito desta última frase, tão trágica, o evangelista faz uma dolorosa e profunda observação: Porque bem sabia Jesus, desde o princípio, quem eram os que não criam e quem era o que o havia de entregar (Jo 6.64).
Não havia errado, pois, o Mestre com respeito aos discípulos. Desde o primeiro momento, havia percebido a fragilidade da fé que tinham, a apostasia de alguns deles e, em particular, conhecia de antemão a traição de Judas. Não surpreendeu a Jesus a mudança de atitude de certos discípulos; pelo contrário, o Mestre o havia anunciado aos seus amigos mais chegados. E, dessa forma, ao acabar o seu discurso, Jesus acrescentou: Por isso, eu vos disse que ninguém pode vir a mim, se por meu Pai lhe não for concedido (Jo 6.65).

A CONFISSÃO DE PEDRO

O momento era grave, decisivo, pelo que Jesus, não obstante a tristeza que esta separação lhe causava, quis também testar a fé de sus apóstolos. [Testar para eles mesmos. Porque o Mestre conhecia e conhece o íntimo de cada ser humano] Dirigindo-se, pois, a eles, fez-lhes sem rodeios esta pergunta: Quereis vós também retirar-vos? (Jo 6.67). Não foi preciso aguardar muito a resposta. Simão Pedro encarregou-se de dá-la, em nome de todos, uma vez mais manifestando seu ardoroso temperamento, sua fé e seu amor para com o seu Mestre: Senhor, para quem iremos nós? Tu tens as palavras da vida eterna, e nós temos crido e conhecido que tu és o Cristo, o Filho de Deus (Jo 6.68,69).
Esta confissão de fé, digno prelúdio daquela outra que o mesmo apóstolo faria em circunstância ainda mais solene, era tão explícita como então podia sê-lo, e o Salvador ficou satisfeito com ela. E os apóstolos não se separaram de Jesus, pois nele encontraram o Mestre mais perfeito, o doutro capaz de satisfazer as suas necessidades intelectuais e religiosas, o próprio Messias.
Digna de nota é a expressão temos crido e conhecido que tu és o Cristo, o Filho de Deus (Jo 6.69), pois, desde o começo, aqueles homens seguiram o Mestre pela fé, e esta os conduziria a um conhecimento cada vez mais aperfeiçoado. Mas esta confissão não podia suprimir a profunda tristeza que causava no  Salvador o desvio de tantos ingratos. Então, ele disse: Não vos escolhi a vós os doze? E um de vós é um diabo (Jo 6.70). Assim, pois, entre seus discípulos mais íntimos, entre os mais privilegiados, entre os que lhe deveriam ser mais fiéis, existia um germe de apostasia - pensamento que preocupava o coração do bem Mestre - e, ainda mais, um germe de traição, que supunha no futuro traidor uma natureza verdadeiramente diabólica.
João nos revela aqui de antemão o nome daquele demônio: E isso dizia ele de Judas Iscariotes, filho de Simão, porque este o havia de entregar, sendo um dos doze (Jo 6.71). O traidor ocultou tão habilmente o seu desígnio que os outros apóstolos, exceto talvez o discípulo amado [avisado pelo Mestre], não suspeitaram de nada até que se consumou a traição.
LEIA MAIS SOBRE JUDAS, AQUI

Jesus aparece aos discípulos na praia

JESUS APARECE AOS DISCÍPULOS NA PRAIA
Certa tarde, Simão Pedro, que havia regressado para a sua casa em Cafarnaum, disse a seis de seus amigos que estavam com ele (os filhos de Zebedeu, Tiago, o Menor, e João, Natanael, que Bartolomeu, Tomé, chamado Dídimo, e outros que não são citados): Vou pescar (Jo 21.3).
Como sempre, é Pedro o promotor, o propulsor, digamos assim, do grupo dos apóstolos. Ele se nos mostra uma vez mais com seu ardor e temperamento impetuoso. Seus companheiros aceitam o seu convite: Também nós vamos contigo (Jo 21.3), responderam.



Subiram, então, em um barco, e trabalharam toda a noite. Porém, mesmo sendo aquele um tempo favorável para pesca, não conseguiram apanhar nenhum peixe, conforme haviam conseguido em outra ocasião solene (Lc 5.4-11).
Quando amanheceu, Jesus surgiu na praia, porém eles não o reconheceram a princípio (assim havia acontecido com Maria Madalena e com os discípulos de Emaús). Jesus familiarmente perguntou: Filhos, tendes alguma coisa  de comer? Responderam-lhe: Não (Jo 21.5). A resposta negativa deles indicava o seu trabalho noturno mal-sucedido. Jesus então replicou: Lançai a rede à direita do braco, e achareis (Jo 21.6).
Os discípulos seguiram o conselho de seu desconhecido interlocutor e, no momento em que puxaram a rede, esta veio cheia de peixes, de forma que eles não podiam levantá-la. Já falamos anteriormente sobre cardumes de peixes do lago de Tiberíades (Mais sobre Tiberíades, AQUI). Jesus, por sua presciência sobrenatural, sabia que à direita do barco passava um daqueles cardumes enormes naquela hora.
O discípulo amado, ao testemunhar tão grande prodígio que lembrava aquele que fora realizado no mesmo lago por Jesus, teve um lampejo repentino: É o Senhor (Jo 21.7). Justo era que entre todos os apóstolos fosse ele quem primeiro reconhecesse Aquele que agia com amor ilimitado.
Simão Pedro ouviu esta observação de seu amigo e vestiu a toda pressa sua túnica por respeito ao divino Mestre, pois estava seminu, ao estilo dos pescadores (ele esticara a túnica até a cintura) e, impetuoso como era, jogou-se no lago e nadou até chegar à praia, onde estava Jesus.
Os demais apóstolos permaneceram no barco puxando lentamente a rede cheia de peixes. O evangelista observou que os discípulos estavam a uma distância aproximada de duzentos côvados da praia, ou seja, 105 metros. Quando chegaram à praia, viram umas brasas, e sobre elas havia um peixe. Também viram pão (Jo 21.9). É evidente que Jesus havia preparado aqueles alimentos milagrosamente. Trazei dos peixes que agora apanhastes (Jo 21.10), disse o Mestre aos apóstolos.
É bom observar que o Salvador não pediu aqueles peixes para juntá-los ao que já estava sobre as brasas. A continuação do relato mostra, com efeito, que a comida consistia unicamente no pão e nos peixes que apareceram ali milagrosamente.
Os peixes que Jesus pediu eram para ele. Representavam as almas que seus apóstolos ganhariam pelo mundo e que trariam com alegria para o reino de Cristo. Por sua vez, a comida expressa, segundo alguns antigos escritores a graça celestial que seria derramada como fruto do ofício desses pescadores espirituais.
Obedecendo a Jesus, Pedro subiu no barco, desatou a rede e começou arrastá-la até a terra, ajudando os outros apóstolos. Contaram 153 peixes, todos grandes. Então, Jesus disse aos apóstolos: Vinde, jantai (Jo 21.12a). Eles não haviam comido em nenhum momento da madrugada. Aquela frugal refeição matutina era, pois, símbolo das forças que ele ia conferir a seus amigos para os árduos trabalhos que em breve empreenderiam em sua seara.
O evangelista ressalta que ninguém se atreveu a perguntar: Quem és tu? Porque sabiam que era o Senhor (Jo 21.12b). Assumindo, pois, como antes de sua morte, o ofício do pai de família, o Salvador pegou o pão e o peixe, abençoou-os e os distribuiu entre os sete discípulos. Antes de comerem, Jesus deve ter pronunciado a bênção, mas o evangelista não a menciona.
Todos, e especialmente, Simão estavam envergonhados por causa de sua conduta durante a noite em que Jesus fora preso; eles o abandonaram. Depois que todos comeram, Jesus perguntou na presença dos outros apóstolos: Simão,filho de Jonas, amas-me mais do que estes? (Jo 21.15) Jesus queria que Pedro lhe dissesse que o amava de modo sublime e mais generoso do que todos os demais apóstolos. Era o que ele deveria responder quando Jesus lhe fizera esta pergunta tão eminente. O amor era algo justo para aquele que havia prometido que não abandonaria o Mestre ainda que todos o desamparassem, e que logo tão tristemente o negara.
Cristo exigiu um afeto maior, antes de conferir-lhe a honra de constar entre os líderes de sua Igreja. Por isso, perguntou pela segunda vez: Simão, filho de Jonas, amas-me? (Jo 21.16a) Ao fazer a pergunta pela segunda vez, Jesus empregou um verbo que denota o amor ágape, divino, que é mais firme e de natureza mais elevada. Pedro, no entanto, ao responder: Sim , Senhor, tu sabes que eu te amo (Jo 21.16b), empregou outro verbo que denota um afeto mais terno e ardente, porém mais humano. A conclusão é que Pedro não estava seguro de si mesmo, conforme queria o Mestre.
Contudo, quando Jesus perguntou pela terceira vez: Simão, filho de Jonas, amas-me? (Jo 21.17a), Pedro disse: Senhor, tu sabes tudo; tu sabes que eu te amo (Jo 21.17b). A essa altura, o apóstolo, arrependido, não era o insensato petulante discípulo de outros tempos, mas um homem humilde e desconfiado de si mesmo. É provável que naquele momento tivesse sentido o peso de sua culpa por ter negado o Mestre por três vezes. E agora, também três vezes confessou publicamente que o amava com o amor ágape.
O que lhe disse então o Mestre? Apascenta (edifica, alimenta, defende, ergue, conforta, cura) as minhas ovelhas (Jo 21.17b). Jesus, naquele momento revestiu o apóstolo Pedro de graça e de autoridade do Espírito Santo para ele poder cuidar do rebanho. Estava agora preparando-o para torná-lo um dos líderes da Igreja, cujo fundamento inabalável é Cristo.
Mateus fala da aparição de Jesus ressurreto em um monte da Galileia (Mt 28.16-20), para onde provavelmente teriam sido convocados de antemão os discípulos, cujos nomes não são pronunciados. O narrador só menciona os onze apóstolos como testemunhas da aparição. Muitos exegetas identificam esta passagem com o trecho da primeira carta de Paulo aos Coríntios (1Co 15.6), onde ele fala que o Mestre foi visto uma vez por mais de 500 irmãos.

Os apóstolos são enviados ao mundo

No decorrer dos quarenta dias que transcorreram entre a ressurreição do Salvador e sua ascensão gloriosa, Jesus consolou os seus discípulos e continuou a educação que o Espírito Santo havia de coroar no dia de Pentecostes.
Advertidos por seu Mestre, os apóstolos voltaram da Galileia para Jerusalém. Foi lá que, poucas horas antes de subir ao céu, Jesus fez as suas últimas recomendações e deu as suas ordens posteriores, segundo escreveu Lucas no final de seu evangelho e no início do Atos dos Apóstolos (Lc 24.44-49; At 1.4-8). Lucas não nos poderia ter dado notícia mais espetacular do que esta.
O Salvador, recordando o tempo que vivera com seus apóstolos, trouxe-lhes à memória o que havia repetido para eles com tanta frequência: que se cumpririam as profecias do Antigo Testamento referentes a Ele. São estas as palavras que vos disse estando ainda convosco: Que convinha que se cumprisse tudo o que de mim estava escrito na lei de Moisés, e nos profetas e nos Salmos.( Lc 24:44)
A Lei, os Profetas e os Salmos representam todo o Antigo Testamento, em  suas três grandes seções que contêm as profecias messiânicas. Sendo as Escrituras Sagradas de tanta importância e consideradas o fundamento para a doutrina cristã, Jesus, segundo escreveu o evangelista, citou-as com a finalidade de abrir o entendimento (Lc 24.45) de seus apóstolos para que eles fossem capazes de interpretar por si mesmos os Textos Sagrados.
E disse-lhes: Assim está escrito, e assim convinha que o Cristo padecesse, e ao terceiro dia ressuscitasse dentre os mortos,
E em seu nome se pregasse o arrependimento e a remissão dos pecados, em todas as nações, começando por Jerusalém.
E destas coisas sois vós testemunhas.
E eis que sobre vós envio a promessa de meu Pai; ficai, porém, na cidade de Jerusalém, até que do alto sejais revestidos de poder. (Lc 24.46-49)
Nesses versículos, vemos que Jesus continuou insistindo na necessidade de sua Paixão e morte, preditas com tanta claridade pelos profetas de Israel. Ele indicou que os apóstolos teriam de pregar em seu nome mensagens de arrependimento e remissão dos pecados a todas as nações, começando por Jerusalém. A capital judaica, considerada o centro da verdadeira religião, teria direito a este privilégio. A mensagem de salvação seria pregada dentro dos muros desta cidade e seria acompanhada de curas divinas, libertação espiritual e batismos com o Espírito Santo.
Alguns dos discípulos, então, fizeram a Jesus uma pergunta que naquele momento parecia inoportuna e estranha: Senhor, restaurará tu neste tempo o reino a Israel? (At 1.6) Eles se referiam ao reino do Messias tal como então sonhavam, segundo temos lido nos evangelhos.
TARSO. Antiga porta que os cristãos chamam de
porta do apóstolo Paulo. O apóstolo dos gentios foi o
responsável pela mais ampla e diversificada
internacionalização da mensagem de Cristo.
Era um reino puramente exterior e político, brilhante e fabuloso, cujos principais súditos seriam os descendentes de Abraão. Os pagãos só teriam direito de cidadania neste reino caso entrassem para o judaísmo, obedecendo às leis e às tradições desse povo. Só assim, eles conseguiriam escapar das sangrentas batalhas que libertariam os judeus.
Que entendimento imperfeito tinham aqueles discípulos sobre as instruções tão preciosas do Mestre! Jesus, então, respondeu: Não vos pertence saber os tempos ou as estações que o Pai estabeleceu pelo seu próprio poder.Mas recebereis a virtude do Espírito Santo, que há de vir sobre vós; e ser-me-eis testemunhas, tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria, e até aos confins da terra. (At :7,8) [Leia sobre A Morte de Jesus, AQUI]

CHAVES PARA LIGAR NA TERRA E NO CÉU 

(*UMA CURIOSIDADE DO HEBRAICO BÍBLICO)

Em Mateus 16:19, Yeshua diz a seu discípulo Pedro que ele receberá as chaves do reino dos céus. Eles permitiriam que ele “ligasse” (ou proibisse) e “soltas” (ou permitisse) coisas na terra e isso seria feito no céu também.
“Eu te darei as chaves do reino dos céus; tudo o que você ligar na terra será ligado no céu, e tudo o que você soltar na terra será solto no céu. ” (Mateus 16:19)
Por trás do texto judaico-grego está um conceito hebraico do מַפְתְּחוֹת מַלְכוּת הַשָׁמָיִם (maftechot malchut hashamaim) - “chaves do reino dos céus”. O que essas chaves fazem? Nesse caso, “uma chave” eachתֵּחַ (mafteach) é uma ferramenta que abre a porta para o domínio de Deus. Em hebraico, פֶּתַח (petach) é "uma abertura". Em Mishna, פְּתִיחָה (peticha) é "uma introdução" (também uma abertura de algo que se segue). Ambas as palavras vêm do verbo "abrir" פָּתַח (patach). Por outro lado, o verbo hebraico “fechar” é סָגַר (sagar) e “travar” ou “prender” é נָעַל (naal). Nenhuma das palavras está relacionada à idéia de uma chave em hebraico, porque o principal objetivo de “uma chave” מַפְתֵּחַ (mafteach) não é trancar, mas “abrir” פָּתַח (patach) .
O apóstolo Pedro (sozinho ou como principal representante dos doze) tem o poder das chaves, mas essas chaves não são usadas para "trancar" o Céu, mas para abri-lo.(*Texto de Dr. Pinchas Shir - Publicado no Israel Bible Center - Categoria: Evangelhos Judeus)

A Ressurreição de Cristo - Parte II

VISÃO MATINAL DA 
VILA BÍBLICA DE CANÁ
A RESSURREIÇÃO DE CRISTO - II
Manhã em Jerusalém. As casas começam a refletir as cores do céu. É como se esses edifícios resplandecessem primeiro em um vermelhão escuro. Depois certos lugares emitem um aspecto alvo e amarelado e acentuam-se os limites entre a luz e as sombras. Ao mesmo tempo, as cercanias da Cidade Sagrada vão clareando do lado do nascente; lá se levantam nitidamente as negras bandeiras dos ciprestes para o céu arroxeado, e as oliveiras mais baixas parecem nuvens prateadas.
Assim deve ter sido aquela manhã em que os guardas à entrada do túmulo de Jesus esperavam com impaciência a hora de voltar para casa. Nunca lhes haviam incumbido de um serviço mais insensato! As horas de vigília não passavam sem que dissessem toda sorte de palavras grosseiras. (Veja a primeira parte da ressurreição, AQUI)



Enquanto isso, depois de visitar entre os justos do Antigo Testamento e pregar aos espíritos em prisão (1Pe 3.18,19), a alma de Jesus finalmente retorna ao seu corpo no sepulcro. Como é que a linguagem humana, em sua fragilidade, pode explicar o que Jesus, como Filho do Homem, sentiu ao ressurgir do sepulcro? Os apóstolos foram muito discretos e cautelosos, e evitaram descrever coisas que não viram. Começaram a falar da ressurreição de Jesus principiando por aqueles fatos em que simples homens estiveram presentes como testemunhas.
Os guardas esperavam o momento do revezamento das tropas quando a terra começou a tremer. Um ser sobrenatural, um anjo, desceu do céu, aproximou-se e rolou a pedra da frente do sepulcro. O semblante do mensageiro celestial brilhava como um raio, e as suas vestes resplandeciam como a neve. Os guardas aterrorizaram-se e, a tremer, perderam o controle de si mesmos. É o que diz o evangelista Mateus:
E eis que houvera um grande terremoto, porque um anjo do Senhor, descendo do céu, chegou, removendo a pedra da porta, e sentou-se sobre ela.
E o seu aspecto era como um relâmpago, e as suas vestes brancas como neve.
E os guardas, com medo dele, ficaram muito assombrados, e como mortos. (Mateus 28:2-4)
É apenas isto o que o evangelista Mateus nos narra. Em todo caso, os soldados, depois que o anjo desapareceu, procederam de modo como os homens em geral costumam fazer nestes casos. Procuraram achar que tudo não passava de uma ilusão, de um engano, mas a pedra removida e o túmulo vazio eram fatos reais.
Além de relatar um grande número de milagres realizados por nosso Senhor Jesus Cristo, os evangelhos sinópticos apresentam três fatores de ordem superior, que podemos considerar como essenciais: o nascimento, a individualidade e a ressurreição de Cristo.
Os milagres estão indissoluvelmente unidos entre si, explicam-se e completam-se mutuamente. Se Jesus é verdadeiramente o Filho de Deus, era exatamente importante que ele nascesse de uma virgem (veja sobre o nascimento virginal de Cristo, AQUI) e que seus restos mortais não permanecessem no sepulcro. Este último prodígio foi anunciado pelo rei Davi, há mais de mil anos, em Salmos 16.10. Pedro também aplicou este mesmo texto ao nosso Senhor em Atos 2.26,27:
Por isso se alegrou o meu coração, e a minha língua exultou; E ainda a minha carne há de repousar em esperança;
Pois não deixarás a minha alma no inferno, Nem permitirás que o teu Santo veja a corrupção; (Atos 2:26,27)
Este texto afirma que o Messias não ficaria prisioneiro da morte, pois é o Príncipe da Vida, (veja sobre Jesus, o Senhor da Vida, AQUI) conforme falou o apóstolo Pedro. Não somente para Jesus era importante a ressurreição, mas, especialmente para o seu ministério, pois confirmava tudo o que ele ensinou e realizou. Toda a sua obra se apóia neste mistério como em seu fundamento principal. O apóstolo Paulo também falou com todo o vigor:
E, se Cristo não ressuscitou, logo é vã a nossa pregação, e também é vã a vossa fé.
E assim somos também considerados como falsas testemunhas de Deus, pois testificamos de Deus, que ressuscitou a Cristo, ao qual, porém, não ressuscitou, se, na verdade, os mortos não ressuscitam.(1 Coríntios 15:14,15)
Se a ressurreição de Jesus não fosse um fato histórico, se ele não tivesse saído vivo da sepultura que pertencia a José de Arimateia, aquele sepulcro seria tão-somente mais uma tumba, semelhante às sepulturas onde jazem tantos outros líderes religiosos de nossa história.

RESSURREIÇÃO NO TERCEIRO DIA (*CURIOSIDADE DO HEBRAICO BÍBLICO)

Em 1 Coríntios, Paulo diz que Jesus "ressuscitou no terceiro dia, de acordo com as Escrituras" (15: 4). Enquanto as Escrituras de Israel nunca afirmam precisamente que “o Messias será ressuscitado dentre os mortos no terceiro dia”, o apóstolo tem boas razões para tirar essa conclusão: os autores bíblicos apresentam o “terceiro dia” como um momento climático associado à atividade divina , e Paulo não é o único pensador judeu antigo a associar o terceiro dia à ressurreição.
Ao longo da história de Israel, coisas importantes ocorrem no terceiro dia. Por exemplo, quando Deus diz a Abraão que sacrifique Isaque em Moriá, "no terceiro dia ( יום השׁלישׁי ; yom ha'shelishi ), Abraão levantou os olhos e viu o lugar de longe" (Gn 22: 4) . Além disso, Moisés diz aos hebreus: “Esteja pronto para o terceiro dia ( יום השׁלישׁי ; yom ha'shelishi ). Pois no terceiro dia o Senhor descerá ao monte Sinai aos olhos de todo o povo ”(Êx 19:11). Talvez seja mais relevante da perspectiva do Novo Testamento, o peixe vomita Jonas da barriga após “três dias e três noites” ( שׁלשׁה ימים ושׁלשׁה לילות ; sheloshah yamim u'sheloshah leylot; Jonas 1:17), e Jesus observa que "assim como Jonas esteve três dias e três noites no ventre do grande peixe, o Filho do Homem estará três dias e três noites no coração da terra" antes da ressurreição (Mateus 12:40).
Além desses casos, Paulo pode ter tido outro versículo em mente ao pensar na ressurreição de Yeshua . Segundo Oséias, “Depois de dois dias [o Senhor] nos reviverá; no terceiro dia ( יום השׁלישׁי ; yom ha'shelishi ) ele nos levantará, para que possamos viver diante dele ”(6: 2). No judaísmo antigo, as palavras de Oséias eram entendidas como se referindo à ressurreição. O corpus de traduções judaicas do hebraico para o aramaico - chamado Targums - substitui a frase original de Oséias, “no terceiro dia ele nos levantará”, com a declaração “no dia da ressurreição dos mortos ( יום אחיות מיתיא ; yom ahayut mitaya) ele nos levantará para que vivamos diante dele ”(HosTg 6: 2). A versão aramaica de Oséias, escrita um pouco depois do tempo de Paulo, equipara explicitamente o "terceiro dia" a "o dia da ressurreição dos mortos". A crença de Paulo no precedente bíblico para a ressurreição de seu Messias pode estar enraizada em uma equação entre o “terceiro dia” e a “ressurreição” semelhante à do Targum posterior. À luz da Bíblia hebraica e de sua tradição traducional judaica, Paulo tem amplo apoio à sua afirmação de que o momento da ressurreição de Jesus foi "de acordo com as Escrituras".
[A relevância do terceiro dia para os crentes em Jesus hoje é que eles podem basear sua fé na ressurreição de Jesus em precedentes semelhantes do terceiro dia encontrados nas Escrituras.](*Texto de Dr.Nicholas J. Schaser publicado no Israel Bible Center)

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