Costumes Bíblicos: Cananeus e filisteus

Israel Institute of Biblical Studies

Cananeus e filisteus

CANANEUS
Os habitantes originais do litoral sírio-palestino, incluindo o sul da Fenícia, eram os descendentes de Canaã (Gn 10.15-18). O termo amplo "cananeus" incluía jebuseus, amorreus, heveus e girgaseus. Eles eram um grupo diversificado de pessoas que haviam sido  dispersas de Sidom  a Gaza (do norte para sul) e da costa do Mediterrâneo ao mar Morto (do oeste para o leste). Eles eram intimamente ligados aos amorreus da região montanhosa, chamada de Martu pelos sumérios. A urbanização de Canaã começou no início da Idade do Bronze II (2900-2700 a.C.). No fim da Idade do Bronze (1550-1200 a.C.), quando os israelitas chegaram, Canaã era uma população diversificada, composta por várias tribos dos cananeus e dos amorreus. Na época, muitas cidades muradas de Canaã (por exemplo, Jericó e Hazor) eram verdadeiras cidades-estados governadas por reis locais.
Keith Schoville identificou a língua cananeia como um dos principais ramos da família semita de línguas do noroeste. A descoberta das tabuletas de Ebla, em 1976, na Síria, indicou que a língua eblaíta era o cananeu antigo. A descoberta das tabuletas em Ras Shamra (antiga Ugarit), na Síria, em 1929, revelou vários detalhes sobre a língua, a literatura e a religião de Canaã.

Ruínas de Ugarit em Ras Shamra, na costa da Síria, perto do rio Orontes.
"Canaã" foi o nome dado, depois de 2000 a.C., à costa da região onde hoje ficam o Líbano e Israel. Com o passar do tempo, toda a área que fica entre a costa e o rio Jordão recebeu esse nome. Na época da invasão israelita sob a liderança de Josué, Canaã era um conjunto de pequenas cidades, cada qual governada por seu próprio rei e nominalmente sujeitas ao Egito.
Comerciantes
Os cananeus que viviam na costa eram grandes comerciantes - tanto assim que, em hebraico, a palavra "cananeu" passou a significar "negociante" (Ez 17.4). Depois do ano 1000 a.C., os cananeus que continuavam independentes foram chamados de "fenícios" pelos gregos. Seus principais portos eram Tiro, Sidom, Beirute e Biblos, que hoje fazem parte do Líbano. Destes portos saíam navios, levando cedro, azeite, vinho e outras mercadorias para o Egito, Creta e a Grécia. Eles traziam de volta (por exemplo) linho do Egito e porcelana do Chipre e da Grécia. Também o papiro era levado do Egito a Biblos, assim que, quando os gregos viram rolos de papiro pela primeira vez, os chamaram de bíblia, "coisas de Biblos", dando-nos a palavra "Bíblia".
Artesãos habilidosos
Na época do rei Salomão, o trabalho dos artesãos cananeus ou fenícios era famoso. O cedro do Líbano foi transportado ao longo da costa, saindo de Tiro, para ser usado na construção do Templo, em Jerusalém. E Hirão de Tiro projetou e decorou as colunas de bronze e outros objetos do Templo (1Rs 5; 7.13).
O alfabeto
Algumas letras do alfabeto latino (A K O), usadas
atualmente, com seus ancestrais cananeus,
 de cerca de 1600 a.C. (linha de cima),
 e seus "pais" fenícios,
 de cerca de 1000 a.C. (linha do meio).
Os sistemas de escrita cuneiforme (na Babilônia) e hieroglífica (no Egito) dominaram o Oriente Próximo entre 3000 e 1000 a.C.. No entanto, escribas inventaram outros sistemas para outras línguas. Em Canaã, um escriba começou a usar um sistema no qual o desenho de uma porta, por exemplo, representava sua letra inicial - "p". Assim nasceu o alfabeto. Por volta de 1000 a.C., o alfabeto começou a ser amplamente usado na Fenícia, em Israel e outras regiões. Os gregos o adotaram por volta de 800 a.C. Os sinais que representavam sons que eles não necessitavam foram usados para as vogais. Assim, o alef (boi), uma consoante no hebraico, se tornou a vogal "a", no grego.


Religião
As divindades incluíam El (o deus supremo), Aserá (esposa de El), Baal (deus da tempestade), Mot (deus da morte) e Anat (irmã de Baal). A religião cananeia incluía demonstrações de êxtase, orações emotivas e prostitutas no templo. Esta religião personificava e divinizava as forças da natureza e foi uma distração constante para o monoteísmo dos israelitas.
Os cananeus adoravam Baal, o deus do clima e da fertilidade, e Astarote, sua esposa, deusa do amor e da guerra. Além disso, havia uma legião de outros deuses. Ele era o deus principal. Cada cidade tinha seu deus padroeiro ou sua deusa padroeira. Esses deuses, por mais que fizessem exigências cruéis, como o sacrifício de crianças, não estabeleciam leis  (como os Dez Mandamentos), o que permitia às pessoas viver como bem entendiam. Esse fato, aliado ao componente da fertilidade e das colheitas, tornava a religião cananéia atraente e fácil de seguir. É por isso que os israelitas deveriam evitar todo tipo de contato com os cananeus (veja, p.ex., Dt 7.1-6). A desobediência acabaria lhes trazendo uma série de problemas. 

FILISTEUS
 


Os filisteus estavam entre os povos do mar que migraram pelo Mediterrâneo a partir do mar Egeu no segundo milênio antes de Cristo. Embora pequenos grupos de comerciantes minoicos tenham chegado a Canaã na época dos patriarcas, a principal invasão de filisteus aconteceu em torno de 1200 a.C. O impacto desta desta migração filisteia está totalmente documentado nos livros de Juízes e Samuel, pois ela representou, muitas vezes, uma ameaça para Israel nas histórias de Sansão, Samuel, Saul e Davi. Esta nação consistia em uma pentápolis das seguintes cidades: Asdode, Ascalão, Gaza, Gate e Ecrom. As incursões dos filisteus ao interior também são registradas na Bíblia como tendo acontecido em Bete-Seã, Timna e Gerar.
Embora alguns tenham vindo antes, foi por volta de 1200 a.C. que os "povos do mar" (como os egípcios os chamavam) invadiram as regiões costeiras da parte oriental do Mediterrâneo. Quando o Egito finalmente os derrotou, em 1175 a.C., eles tentaram conquistar Canaã, e enfrentaram os israelitas na  disputa pelo território. Por fim, os filisteus conseguiram assumir o controle de cinco cidades, cada qual com seu próprio governante. Os filisteus foram dominados pelo rei Davi e por alguns de seus sucessores, permanecendo um grupo distinto até o período persa. Finalmente, o nome deles foi dado àquela terra: Palestina.
Cerâmica, origens e ferro
Eles desenvolveram uma forma distinta de olaria, que apresentava desenhos geométricos e pássaros estilizados, semelhantes à olaria messênica e egeia do terceiro milênio que os filisteus tentavam copiar, provavelmente em memória de sua pátria ancestral. Além disso, como os gregos, eles enterravam os mortos importantes em caixões antropoides de argila. Características faciais moldadas nestes caixões retratam europeus com elmos de plumas.
A cerâmica encontrada na região da Filístia revela ligações com a cerâmica micênica da Grécia, de Creta e de Chipre. Além disso, outros objetos indicam que os filisteus eram estrangeiros vindos do Norte. O nome Golias e a palavra para governador podem indicar que falavam uma língua indo-européia. A fundição do ferro estava começando a se difundir e os filisteus tinham certo controle sobre essa tecnologia. Os israelitas precisavam levar ferramentas de ferro aos ferreiros filisteus para conserto e afiação e eram impedidos de obter armas de ferro, que eram mais eficazes (1Sm 13.19-22).

Neste entalhe, do Egito, aparece um soldado com um típico enfeite filisteu na cabeça.

Este jarro filisteu, com sua decoração característica, associa este povo a sua "pátria" na região ao norte do Mediterrâneo.













Até o momento, os arqueólogos não encontraram inscrições filisteias. Algumas palavras aparecem no texto bíblico: seren ("senhores"), argaz ("caixa" ou "cofre") e os nomes de Aquis e Golias (golyat). Os estudiosos supõem que a língua filisteia tenha sido uma forma indo-europeia pré-grega, totalmente absorvida mais tarde pelos dialetos semitas cananeu e hebraico. O desafio para um duelo de campeões, feito por Golias aos israelitas (1Sm 17.4-10), definitivamente reflete um conceito grego, não semita. Howard observa que o termo "filisteu" aparece 288 vezes no Antigo Testamento, indicando claramente que eles desempenharam um papel significativo na história e na sociedade de Israel. O Antigo Testamento indica que eles adoravam Dagom, o deus do grão, e a evidência arqueológica indica que eles também adoravam Baal e Aserá. Militarmente, os filisteus dominaram Israel por mais de um século e, foi nessa ocasião, por meio de uma guerra sangrenta travada entre eles e os israelitas, que o rei Saul se suicidou-se e Jônatas, seu filho, foi morto (1Sm 31). Porém, foram conquistados e subjugados pelo rei Davi (2Sm 5.17-25; 8.1-12).

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