Costumes Bíblicos: A POBREZA DE JESUS

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A POBREZA DE JESUS

A POBREZA DE JESUS
Como base das virtudes cristãs, Jesus estabeleceu o espírito de amor, abnegação e de sacrifício que Ele mesmo praticou acima de tudo, conforme observou Paulo (Rm 15.1-3).
Enquanto os homens buscam, frequentemente com tanta avidez e em prejuízo de sua eterna salvação, a glória, a riqueza, o bem-estar e a felicidade terrena, Jesus sacrificou generosamente a sua glória, sem reservas.
Em vão, Satanás apresentou a Cristo, sob formas variadas, sedutoras, o convite para satisfação pessoal; mas o Filho de Deus rejeitou com desprezo a tríplice tentação. Nunca buscou outra alegria que a do dever inteira e amorosamente cumprido, nem seguiu outro caminho que o do desprendimento: o caminho áspero e estreito que O conduziu ao Calvário. Deste modo, Jesus começou praticando o que recomendava a seus discípulos, quando lhes dizia: Se alguém quiser vir após mim, negue-se a si mesmo, e tome a sua cruz, e siga-me (Mc 8.34; Mt 16.24-28; Lc 9.23-27).
A vida de pobreza que o Mestre levou em Nazaré com sua família testemunha seu espírito de mortificação do eu. Contudo, mais dificuldade material ainda Ele viveu desde que começou a exercer o Seu ofício de pregador, pois, a despeito da abnegação das santas mulheres galileias, que supriam as necessidades materiais do Mestre e dos apóstolos (Lc 8.2-3; 23.49,55-56), Jesus sofreu privação,pois um dia os doze discípulos não tiveram nada além do que algumas espigas recolhidas nos campos por onde atravessavam para aliviar a fome (Mt 12.1; Mc 2.23; Lc 6.1).
A única coisa que Jesus possuía eram as Suas vestes que O cobriam, as quais os carrascos romanos, sem esperar que Ele desse o último suspiro, repartiram entre si ante os olhos do Mestre. Até o sepulcro em que foi colocado o corpo de Jesus era emprestado. Muitos de Seus ensinamentos nos revelam quão grata para Ele era a pobreza.
A primeira das bem-aventuranças é um cálido incentivo dirigido aos pobres de espírito (Mt 5.3; 6.20). E, quando Jesus ensinou aos discípulos a oração do Pai Nosso, mencionou os bens temporais (Mt 6.11) e ensinou-lhes a pedir o pão de cada dia.
Em diferentes circunstâncias, Jesus demonstrou lástima diante dos ricos que colocam sua confiança nas riquezas materiais, em detrimento da sua salvação eterna (Mt 19.23-26; Mc 10.23-27; Lc 6.24; 16.9-13; 18.24-27). Trabalhar esforçosamente por riquezas perecíveis - observou Ele - é próprio dos pagãos (Mt 6.32). Mas Seus discípulos deviam buscar em primeiro lugar o Reino dos Céus (Mt 6.33) e ajuntar tesouros no Céu (Mt 6.20). Três de Suas mais formosas parábolas - a do rico avarento (Lc 16.19-31), a do administrador infiel (Lc 16.1-13) e a do rico proprietário cujos celeiros eram insuficientes para guardar suas colheitas (Lc 12.13-21) - declaram também um perigo moral que a posse de fortuna cria.
Todavia, mesmo vivendo de maneira tão desprendida, humilde e pobre, o Salvador não julgou necessário nem útil viver de forma austera como seu precursor João Batista e outros judeus contemporâneos.
A lei mosaica não impunha aos hebreus mais do que um único jejum anual: o Dia da Expiação (o Yôm Kippur, o dia do perdão).
Depois do exílio, as autoridades religiosas instituíram outros quatro jejuns a mais para recordação das grandes dores da nação teocrática. Assim, na época do Salvador, as pessoas que aspiravam à piedade superior normalmente jejuavam com muita frequência (Mt 9.14; Mc 2.18). Jesus, em vez de prescrever esses jejuns aos Seus discípulos, dispensou-os formalmente deles (Mt 9.15-17; Mc 2.19-22; Lc 5.34-39), e é provável que Ele mesmo não os tenha praticado.
Jesus também não deixava de participar de alguma refeição que Lhe fosse oferecida na casa de pessoas abastadas (Mt 26.6; Lc 10.38-42; Jo 12.2), ainda que se tratasse de publicanos a quem evangelizava (Mt 9.10-11; Mc 2.15-16; Lc 5.29-30) ou fariseus (Lc 7.36; 11.37; 14.1). Um dia, participou de um banquete de casamento (Jo 2.3-10). Em duas circunstâncias distintas, permitiu que derramassem sobre Ele preciosos perfumes em jantares na casa de Simão e de Lázaro (Mt 26.7; Mc 14.3; Lc 7.36; Jo 12.2-3). Os inimigos do Mestre se  aproveitavam dessas ocasiões para lançar contra Ele a ridícula acusação de ser comilão e bebedor de vinho (Mt 11.19; Lc 7.34).
Jesus, porém, não reprovou o jejum; antes o recomendou a Seus apóstolos, a todos os Seus discípulos e à vida da Igreja. Mas Ele mesmo, segundo os evangelhos, parece ter jejuado apenas os quarenta dias antes de inaugurar Seu ministério. Ou não, já que Ele enfatizou que o jejum que agrada a Deus, é aquele feito em secreto. (Mt 6.17-18) Diante dessa exortação, podemos entender que provavelmente o Mestre tenha jejuado outras vezes. Contudo, tinha uma vida de constante oração, que lhe assegurou não retroceder ante as privações, as fadigas, as vigílias (Mc 6.45-51; Lc 6.12; 22.39; Jo 18.2), e, em meio a todo sofrimento na cruz, o Mestre se recusou a beber o narcótico (o famoso vinho com mirra, ou vinagre com fel) que lhe ofereceram e que teria podido aliviar seus horríveis padecimentos (Mt 27.34; Mc 15.23).
Amém!

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