Costumes Bíblicos: Os Dois Ladrões

Os Dois Ladrões

OS DOIS LADRÕES
Com Jesus, foram crucificados dois ladrões, segundo a tradução latina - mas, de acordo com o texto grego, eram bandidos, salteadores sediciosos, como Barrabás. Na época, a Palestina estava infestada de pessoas desse tipo. As duas cruzes foram levantadas, uma à direita e outra à esquerda de Jesus, como para honrar o Rei dos judeus, embora não passasse de zombaria. Marcos informa que Deus assim permitiu para que se cumprisse uma notável profecia: E foi contado com os transgressores (Is 53.12).
Por duas vezes, primeiro na casa de Caifás e depois no pretório, após a sentença de morte ter sido pronunciada contra Jesus, os criados e os soldados fizeram pouco do Sentenciado. Os ultrajes acompanharam-no até mesmo na cruz, quando diversas pessoas, de todas as classes sociais - a turba de curiosos e de transeuntes, o próprio Sinédrio e os soldados - participaram sucessivamente desse jogo cruel.
Os ladrões crucificados com o Salvador também juntaram as suas vozes ao lamentável coro de injúrias (Mateus e Marcos dizem isso expressamente, porém Lucas parece indicar que somente um deles participou dos insultos - confira Mt 27.44; Mc 15.32; Lc 23.39-43).
Mas Jesus encontrou um defensor inesperado na pessoas de um dos malfeitores, popularmente conhecido como o "bom ladrão".
Olhando primeiramente para o outro ladrão, repreendeu-o: Tu nem ainda temes a Deus, estando na mesma condenação? E nós, na verdade, com justiça, porque recebemos o que os nossos feitos mereciam; mas este nenhum mal fez (Lc 23.41,41). Como se dissesse: "Daqui a algumas horas, iremos comparecer diante de Deus e teremos de responder por nossos crimes. Não temes, pois, ofendê-Lo neste momento supremo, insultando este inocente?" Foi necessário pouco tempo para o criminosos reconhecer a santidade de seu companheiro de infortúnio, cuja resignação e nobre serenidade lhe haviam causado admiração, mas finalmente aconteceu.
Voltando-se para o Salvador, o homem lhe dirigiu esta súplica, com viva expressão de fé: Senhor, lembra-te de mim, quando entrares no teu Reino (Lc 23.42). Falar desta forma era o mesmo que proclamar em termos explícitos a crença na messianidade de Jesus. O ato de fé do ladrão que se arrependeu foi admirável, sobretudo nas circunstâncias em que se encontrava o Senhor. Mas, segundo observa um antigo escritor, a cruz havia sido para aquele ladrão a escola perfeita. E quão grande era o Mestre que o havia instruído!
Jesus, que permanecera calado diante das blasfêmias que de todas as partes lhe eram dirigidas, dignou-se de dar uma resposta amorosa ao ladrão arrependido: Em verdade te digo que hoje estarás comigo no Paraíso (Lc 23.43). Estava concedendo ao ladrão muito mais do que este lhe havia pedido, porque não só lhe prometia um lugar no Reino futuro, como também o introduziria, naquele mesmo dia, no Paraíso - ou seja, no lugar de descanso onde as almas dos justos esperavam o Messias, a fim de que as conduzisse ao céu.
AS MULHERES AO PÉ DA CRUZ
Junto à cruz, com o coração traspassado de dor, estava Maria, mãe de Jesus, a quem nem os temores nem os obstáculos puderam separar do filho naquela situação. Com ela, estava a sua irmã, Maria, mulher de Cleopas e mãe dos apóstolos Tiago, o Menor, e José, além de Maria Madalena e de João. (Muitos estudiosos supõem que a irmã de Maria e a mulher de Cleopas eram pessoas distintas. Todavia, preferimos seguir a identificação do texto evangélico e da tradição). A piedosa Maria chamada Madalena (Veja mais sobre Maria Madalena) não poderia faltar a uma situação tão comovente. Os evangelhos sinópticos mencionam também Salomé e várias outras mulheres nesse grupo (Mt 27.56; Mc 15.40).
A mãe de Jesus sofria todas as angústias que Simeão havia predito, 33 anos anos (Lc 2.34,35). Esquecendo-se das próprias dores, porém, pensava agora somente nas dores do filho. Jesus, por sua vez, participava das dores que traspassavam a alma e o coração de Maria como uma espada afiada. Mas Ele soube extrair da própria dor um alívio para a sua mãe. Ao lado dela, Jesus viu João, o seu apóstolo amado. O Mestre, querendo dar a Maria o último consolo antes de morrer e desejando amenizar a amargura da vida, disse-lhe Mulher, eis aí o teu filho (Jo 19.26). E, no mesmo instante, apontou para o discípulo com um olhar, dizendo-lhe: Eis aí tua mãe (Jo 19.27a).
Troca dolorosa para Maria, pois quem poderia ocupar a seu lado o lugar do filho? Mas pelo menos Maria não ficaria desamparada após a morte de Jesus. E desde aquela hora o discípulo a recebeu em sua casa (Jo 19.27b) - ou seja, provavelmente a casa que ele possuía ou alugava em Jerusalém.
Segundo a tradição, Maria viveu onze anos em Jerusalém na companhia de João e morreu nessa cidade, sendo sepultada perto do horto do Getsêmani. Mas a Carta sinodal, do Concílio de Éfeso, assegura que ela morreu nessa cidade aos 70 anos de idade, para onde havia ido acompanhando João.
AS TREVAS
Um fenômeno extraordinário aconteceu por volta da hora sexta, ou seja, do meio-dia, pouco depois que Jesus foi pendurado na cruz. Desde esse momento até a hora nona (3 da tarde), ou seja, até o instante em que o Salvador exalou o último suspiro, o Sol escureceu, e as trevas, certamente, envolveram não somente a cidade mas também toda a terra (Mt 27.45; Mc 15.33; Lc 23.44,45) - uma figura de linguagem, que indica que as trevas cobriram toda a Judeia, a Palestina inteira e parte dos países vizinhos.
Essas trevas não provinham de um eclipse, como afirmaram alguns escritores do século II, pois, sendo o dia 15 de nisã, era ainda lua cheia. Tratou-se, isto sim, de um verdadeiro milagre, como se a natureza se tivesse vestido de luto no instante em que o Filho de Deus estava para morrer na cruz. Se os homens se mostravam sem piedade, o Universo, ao contrário, rendia tributo ao Salvador e protestava, à sua maneira, contra aquele crime, o maior já cometido no mundo.
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