Costumes Bíblicos: A DERROTA DE SATANÁS

Israel Institute of Biblical Studies

A DERROTA DE SATANÁS

Desta vez, no entanto, Satanás deixa cair a máscara. "Adore-me"! Tal é a horrível proposta que o diabo se atreve a fazer a Jesus.
Nas almas comuns, a possibilidade de adquirir os bens terrenos excita ao máximo o desejo de possuí-los e de desfrutá-los. O diabo achava que faria despertar semelhante cobiça no coração de Jesus, ainda mais porque o Messias - a Satanás não ignorava isso - estava predestinado a exercer um governo universal. A proposta do inimigo era clara e grosseira, e ele teve de ouvir dos lábios do Salvador a seguinte ordem, pronunciada com desdenhosa energia: Vai-te, Satanás (Mt 4.10).
Jesus, porém, não parou por aí. Completou Sua ordem com uma nova citação dos Livros Sagrados: porque está escrito: Ao Senhor, teu Deus, adorarás e só a Ele servirás (Mt 4.10b). Este texto pertence igualmente ao livro de Deuteronômio (6.13) e expressa a lei fundamental da verdadeira da verdadeira conduta do crente: adorar a Deus e servi-Lo. Eis o primeiro e maior de todos os mandamentos, que condiciona todos os demais (Mt 22.36-38; Mc 12.28-34). Ao citar essa referência bíblica, Jesus estava jurando fidelidade ao Seu Pai Celestial, o único Deus vivo e Digno de ser adorado.
Não há argumento melhor para impor silêncio ao seu adversário. E, assim, o diabo, vencido em todas as suas intenções, viu-se constrangido a fugir vergonhosamente. A tentação havia acabado, conforme escreve Lucas em termos expressivos. (4.13).
Com efeito, como observam os moralistas, as três propostas utilizadas por Satanás para induzir, com espírito infernal, Jesus ao mal são como um germe de todas as outras [a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, 1Jo 2.16).
Depois de Lucas, ao mencionar a retirada do tentador, acrescenta que o distanciamento deste só durou algum tempo. Satanás, pois, não renunciou definitivamente à luta. E, para voltar a atacar, aguardaria o momento mais favorável. Contudo, ao que parece, o diabo não volta a contender pessoalmente com o Salvador. Mas ele tenta o Senhor Jesus indiretamente, por meio de seus emissários: os escribas, os fariseus, os saduceus, as turbas, com o falso ideal messiânico, e o traidor Judas (Jo 13.27).
Até o apóstolo Pedro, um dia, tentou seu Mestre a desistir (Mt 16.23; Mc 8.33). Porém, a tentação mais acintosa se daria nos posteriores dias da vida de Jesus; quando o príncipe deste mundo se aproximaria novamente nos momentos do Getsêmani e do Calvário (Jo 14.30). Em suma, Satanás tentou Jesus no deserto com a satisfação dos sentidos e da glória. Depois, o tentaria com o medo e os tormentos da morte, no Getsêmani. Mas novamente foi derrotado.
Ao ser tentado pelo diabo pela primeira vez, o Salvador expressou Sua inteira confiança em Deus que, com Sua Palavra, pôde  proporcionar ao Seu Filho amado o alimento necessário para sustentar-lhe a vida. O final deste episódio demonstra que Jesus não havia esperado em vão por aquele poderosos auxílio, pois, assim que Satanás desapareceu, eis que chegaram os anjos e o serviram (Mt 4.11). Sem nenhuma dificuldade, podemos entender que esses solícitos serviços trouxeram a Jesus, milagrosamente, o alimento de que tanto Ele necessitava.
Tais foram as principais circunstâncias da tentação de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. Esta cena misteriosa foi, segundo gostavam de repetir nossos antigos doutores da Bíblia, a contrapartida daquela outra, quatro mil anos antes, ocorreu debaixo das árvores do paraíso terrestre. E a vitória daquele que justamente tem sido chamado de o segundo Adão, o cabeça da humanidade resgatada, compensa a vergonhosa  e fácil derrota do primeiro Adão.
Devemos, porém, perceber, se quisermos tirar desse episódio seu verdadeiro caráter sem diminuir seu significado, que a prova suportada por Jesus no deserto não consistiu somente em uma tríplice tentação de gula, vanglória e ambição. Foi muito mais grave e decisiva.
Todos os comentaristas dos evangelhos estão de acordo em reconhecer isto: Jesus foi tentado não como homem comum, mas, sim, como Messias, no exato momento em que, como tal, ia apresentar-se perante seus compatriotas. As imagens que o demônio fez brilhar perante os olhos de Jesus foram escolhidas com grandíssima habilidade para seduzi-Lo, se isso fosse possível.
Devemos repetir, uma vez mais, pois trata-se de um ponto importante e principal da presente história: a maioria dos judeus de então havia desfigurado, de forma torpe, o santo e celestial retrato que os profetas tinham traçado do Messias, até torná-Lo completamente terreno e desconhecido. O libertador que os judeus esperavam, na concepção deles, deveria aparecer de modo teatral, realizando "estrondosos" milagres, a fim de louvar sua vaidade pessoal, ou a de seu povo, e manifestar-se como rei poderoso, cujo império universal não seria suficiente para satisfazer sua ambição.
Essa imagem messiânica distorcida foi a que o diabo, em seus três consecutivos ataques, propôs que Jesus realizasse. Satanás queria fazer de Jesus, como alguém já disse antes, um Messias "pela 'graça' de Satã". Por três vezes, o Salvador rejeitou e condenou este plano de Satanás, com base em três grandes princípios:
1º) Mesmo como Messias, Jesus não se considerava livre das necessidades e provas às quais estão submetidos os demais homens, nem faria milagre algum para livrar-se dessas provas ou necessidades.
2º) Para convencer os judeus de seus direitos messiânicos, Jesus não lançaria mão de prodígios inúteis, nem faria "sinais" deslumbradores que não tinham um objetivo moral.
3º) O Reino que Jesus ia fundar não teria nada de político nem de terreno. Antes, seria um Reino espiritual e religioso. Em uma palavra, Jesus veio à terra para exercer a missão de Messias tão-somente em consonância com a vontade do Pai, e não de acordo com os caprichos ou fantasias dos homens.
Verdade é que isso custou a vida de Jesus, pois, ao recusar a submeter-se ao papel que Satanás lhe havia sugerido, a atitude do Nazareno chocou-se com os preconceitos de Sua nação que, pouco a pouco, levantou contra ele violentas ondas de ódio.
Cada vez que Jesus repelia um ataque de Satanás, subia um novo degrau do altar sobre o qual haveria de ser imolado. Mas, ao fim de Sua gloriosa carreira, Jesus poderia dizer com nobre altivez que o príncipe deste mundo, o chefe dos demônios, não teve o menor direito sobre Ele, pois nada tinha dele (Jo 14.30).

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