Costumes Bíblicos

Israel Institute of Biblical Studies

Traduções da Bíblia em português

Antes, vamos a um breve relato de seu idioma original e de como foi as primeiras traduções!

Existe apenas uma fonte

Dissipe a névoa da tradução

No século III AEC, aconteceu uma coisa maravilhosa na cidade egípcia de Alexandria. Setenta escribas entraram em setenta escritórios particulares e traduziram de forma independente toda a Torá do hebraico para o grego. Quando elas apareceram, todas as setenta cópias eram idênticas! Esta foi a primeira tradução do mundo feita da Bíblia. 

Hoje há milhares de versões da Bíblia em todo o mundo. Em inglês, por exemplo, temos mais de 300 versões, da King James Version à New Revised Standard Version. O que todas essas edições têm em comum é que elas são um desvio em relação à original. Toda tradução é uma interpretação, que prejudica a pureza do real. 
Israel Institute of Biblical Studies
Traduções da Bíblia em português  
Eis um breve histórico da tradução da Bíblia para o português


Tradução de AlmeidaO primeiro a traduzir o Novo Testamento para o português a partir do original grego foi João Ferreira de Almeida, missionário protestante na Ásia especialmente na cidade de Batávia, na Ilha de Java). Traduziu o Novo Testamento, lançado em 1681 e parte do Antigo Testamento (quando faleceu em 1691, a tradução estava em Ez 48.21). O trabalho foi concluído por Jacobus Op den Akker, colega de Almeida.
A Bíblia toda só foi publicada em 1753.
Versão Figueiredo - Tradução do Padre Antonio Pereira de Figueiredo a partir da Vulgata, entre os anos 1772 e 1790. Foi a primeira Bíblia completa publicada no Brasil, em 1864.
Almeida Revista e Corrigida (ARC) - A tradução de Almeida foi trazida para o Brasil pela Sociedade Bíblica Britânica e Estrangeira e entregue a uma comissão de tradutores brasileiros, que foram incumbidos de dar ao texto uma feição mais brasileira.
Tradução Brasileiro (TB) - A primeira Bíblia. O trabalho foi feito entre 1902 e 1917 e teve Rui Barbosa como um de seus consultores linguísticos. Era uma tradução bastante literal.
Tradução do Padre Matos Soares
Tradução datada de 1932, feita a partir da Vulgata. Editada originalmente em Portugal, foi várias vezes reimpressa no Brasil. Até há pouco tempo, era a versão mais difundida entre os católicos.
Almeida Revista e Atualizada (ARA) 
Fiel aos princípios de tradução de equivalência formal, que caracterizam o texto de Almeida, a edição Revista e
Atualizada surgiu no Brasil após o trabalho de mais de uma década. A Comissão tratou de atualizar a linguagem, mas também levou em conta os últimos avanços da arqueologia e exegese bíblicas. A Bíblia completa foi lançada em 1959.
Bíblia de Jerusalém (BJ) - Edição preparada por uma equipe de exegetas católicos e protestantes. A Bíblia completa foi publicada em 1981. Uma edição revista e ampliada foi publicada em 2002.
Tradução Ecumênica da Bíblia (TEB) -
Publicada em 1994 e reeditada em 2002. Os livros foram traduzidos, introduzidos e anotados por uma equipe de estudiosos católicos, protestantes e judeus.
Bíblia Sagrada - Tradução da CNBB
Publicada em 2002 por um consórcio de sete editoras católicas brasileiras, baseia-se nos textos originais hebraicos, aramaicos e gregos, comparados com a Nova Vulgata. Ela se destina, entre outros propósitos, à citação em documentos da Igreja Católica e à preparação de edições litúrgicas.


Página de rosto do 
Novo Testamento de João Ferreira
de Almeida, publicado em 1693. 






















Nova Versão Internacional (NVI)
Publicada no Brasil em 2001. Define-se como tradução evangélica,  fiel e contemporânea. Segue a filosofia de tradução da New International Version. 
A Boa Nova - Tradução em Português Corrente Lançada pela Sociedade Bíblica de Portugal em 1993. Foi preparada por biblistas protestantes e católicos e sua linguagem é próxima à usada pela maioria dos portugueses.
Nova Tradução na Linguagem de Hoje (NTLH) - Em 1988, a SBB lançou a Bíblia na Linguagem de Hoje (BLH), a primeira tradução completa da Bíblia feita por iniciativa da SBB. Em 2000, foi lançada a Nova Tradução na Linguagem de Hoje (NTLH), uma segunda edição do texto da BLH, com alterações no texto do Antigo Testamento e uma revisão mais aprofundada da tradução do Novo Testamento. Orientada pelos princípios de tradução dinâmica, a NTLH emprega uma linguagem que é acessível às pessoas menos instruídas e, ao mesmo tempo, aceitável às pessoas  mais eruditas.


O culto ao Imperador e o Apocalipse

O culto ao Imperador e o Apocalipse

Estátua César Augusto
A idéia de dar ao Imperador romano o tratamento dispensado a uma divindade surgiu entre a população do Oriente, agradecida a Roma por ter reunido "todos os povos do Império" (Lc 2.1) sob um único governo e sistema econômico. Durante a "Paz Romana", a partir de 31 a.C., cessaram, em grande parte, as guerras civis, os piratas foram banidos do mar, e o comércio pôde florescer.
Em 29 a.C., as elites da Ásia Menor, em sinal de gratidão, pediram permissão a Otaviano (o novo líder mundial, que viria a ser conhecido como César Augusto) para que pudessem cultuá-lo como se fora uma divindade, na cidade de Pérgamo. Otaviano autorizou esse novo culto em honra tanto a Roma (a deusa Roma) quanto a Augusto (o imperador). João de Patmos, ao escrever o Apocalipse, se refere a Pérgamo como o lugar onde fica o "trono de Satanás" (Ap 2.13).
A partir deste pequeno precedente desenvolveu-se o costume de honrar o Imperador como deus, prática difundida em todo o Império. Após a morte de César Augusto, 14 d.C., o senado de Roma declarou que ele era divino, permitindo a Tibério (14-37 d.C.), fihlo adotivo e sucessor de Augusto, denominar-se "filho de um deus".
Moedas romanas
Este e outros títulos, como "salvador do mundo", atributos a imperadores do primeiro século, são os mesmos que os cristãos deram a Jesus. É comum encontrar em moedas do primeiro século a declaração de que o Imperador no poder era DIVUS ("divino"). Calígula (37-41 d.C.)tinha planos de colocar uma estátua sua no templo de Jerusalém, mas morreu antes de concluir o projeto. Domiciano (81-96 d.C.) gostava que seus súditos se dirigissem a ele como Dominus et Deus Noster ("nosso Senhor e Deus).
É possível que, ao escrever o Apocalipse, João de Patmos estivesse preocupado com esse culto ao Imperador. Muitos eruditos entendem que "a besta que emerge do mar" (Ap 13.1-10) é uma referência ao Império romano com suas "sete cabeças" (sucessão de sete imperadores), cada qual trazendo "nomes de blasfêmia" (títulos de deificação).
A seguinte inscrição, datada de 3 a.C. é procedente de uma cidade da Ásia Menor situada ao norte da região onde ficavam as sete igrejas do Apocalipse, reflete o sentimento de gratidão, típico das elites provinciais daquele tempo, que ajudou a desenvolver o culto ao Imperador:
"No terceiro ano a partir do décimo segundo consulado do Imperador César Augusto, filho de um deus... o seguinte juramento foi feito pelos habitantes de Paflagônia e pelos comerciantes romanos que moram entre eles: Juro por Júpiter; Terra, Sol, por todos os deuses e deusas, e pelo próprio Augusto, que serei leal a César Augusto e a seus filhos e descendentes durante toda a minha vida, em palavras, ações, e pensamentos, considerando amigos os que eles consideram amigos... que na defesa dos interesses deles não pouparei corpo, nem alma, nem vida, nem filhos..."
A segunda besta (Ap 13.11-18) pode representar a vasta corporação de sacerdotes a serviço do culto ao Imperador, muitos dos quais tinham posição de liderança na política e no comércio da parte oriental do Império. Esse grupo de sacerdotes "faz com que a terra e os seus habitantes adorem a primeira besta" (Ap 13.12).
A observação de que "ninguém podia comprar ou vender, a não ser que tivesse esse sinal (da besta)" (Ap 13.17) pode ser uma referência ao fato de que a participação nesse culto ao Imperador era quase que obrigatória para quem, no final do primeiro século, queria fazer negócios com associações comerciais e instituições financeiras. Tudo indica que os cristãos, que afirmavam lealdade exclusiva a Jesus, se viam empobrecidos e sem poder político num contexto daqueles (veja Ap 2.9; 3.8).

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