Costumes Bíblicos

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Os Banquetes no Tempo de Jesus

Os Banquetes no Tempo de JESUS
Quanto à etiqueta oriental, podemos dizer que é semelhante à sua liturgia. Todos os sistemas de costumes e cerimônias são, em nosso modo de sentir, uma mistura de liberdade com o mais acanhado retraimento.
Por causa do clima quente, os homens não sentem muita necessidade de alimentar-se, principalmente nos meses em que o calor abafado do meio-dia transforma a sensação de fome em certa excitação geral. Somente ao cair da tarde é que o vento, vindo do oeste, começa a soprar, agindo como um grande benfeitor na Palestina. Então, as pessoas são despertadas novamente do marasmo causado pelo forte calor e procuram alimentar-se.
Quando a Bíblia se refere a banquetes de caráter mais oficial, deve-se pensar geralmente em jantares no horário em que o Sol se põe, matizando o céu com um colorido amarelado, enquanto o vento não cessa de sussurrar.
Como a luz entra somente pela porta, esta fica aberta. No Oriente, o lar não é um recinto isolado. A casa de um senhor abastado, que convida seus amigos para um banquete, torna-se uma sala teatral, com entrada franca. Os curiosos podem entrar e espiar; naturalmente, não faltam nunca espectadores, jovens e velhos, que têm para isso tempo e muito gosto. Ajuntam-se diante da porta e ficam ali, olhando todo o movimento.
"Deus está com os vagarosos; a pressa é de Satanás" é a regra de ouro em tais situações. Vagarosamente, os assistentes vão entrando e acomodando-se no salão de jantar, quer pobres, quer mendigos, não importa, todos entrando no recinto com a mais digna naturalidade.
Jesus sempre aconselhava a alguém convidar as pessoas da rua para seus banquetes e citava isso em suas parábolas, o que não era difícil de acontecer dentro dos limites dos costumes orientais. Tais circunstâncias são atestada também na literatura secular.
Café mar de haifa em 1933
Entre os nômades do deserto, os visitantes se reclinam junto às paredes das tendas. Um xeique abastado nunca deixa de mostrar sua riqueza de modo liberal. Depois de servir os convidados à mesa, em redor dos pratos, no interior da tenda, ordena que o mesmo seja feito às pessoas mais afastadas que se encontram próximas à tenda, do lado de fora, à entrada.
Toda refeição é acompanhada de muita conversa. Naturalmente, o tom de voz depende dos convidados, de modo como falam e desenvolvem suas narrativas, fundamentais nessas ocasiões. Não se pode negar que, deste modo, os diálogos durante as refeições cedem lugar a um ambiente mais elevado e espiritualizado.
Nos círculos dos fariseus, os participantes dos banquetes falavam da lei. O rabino Simão dizia: "Se três pessoas se assentam à mesa para comer e não conversam sobre a lei, é como estarem sentadas à mesa preparados aos mortos. Mas se três pessoas se assentam à mesa e conversam sobre a lei, é como estarem comendo diante da própria mesa de Deus".
Como a refeição é símbolo de união, amizade, de comunidade, uma pessoa só se assentava à mesa com outros homens que consideravam amigos. Partindo-se desta reflexão, compreende-se melhor o motivo que levou os fariseus a censurarem Jesus, principalmente porque ele comia com publicanos e pecadores. Para eles, seria mais tolerável que o Rabi os tivesse apenas saudado ou pregado do que ter participado de uma refeição em companhia deles.
Na Palestina, região situada entre as duas potências que marcavam o bom tom da antiguidade, a afeição exterior dos banquetes variou muitas vezes. No tempo de Jesus, era costume recostar-se durante as refeições. Não se pode averiguar, com certeza, se as pessoas se reclinavam em tapetes, em estrados inclinados ou em leitos propriamente ditos. Talvez fosse uma mistura de tudo isso, uma vez que na Palestina os costumes estrangeiros facilmente tendiam a mesclar-se com os hábitos regionais.

A PARÁBOLA DOS PRIMEIROS ASSENTOS

Lucas, então, oferece-nos uma nova amostra das conversações de Jesus. O Mestre observou, ao sentar-se à mesa, as pueris artimanhas com que alguns dos convidados procuravam ocupar os primeiros postos. Para incutir em todos os convidados a humildade, disse-lhes com afáveis palavras:
Quando por alguém fores convidado às bodas, não te assentes no primeiro lugar; não aconteça que esteja convidado outro mais digno do que tu;
E, vindo o que te convidou a ti e a ele, te diga: Dá o lugar a este; e então, com vergonha, tenhas de tomar o derradeiro lugar.
Mas, quando fores convidado, vai, e assenta-te no derradeiro lugar, para que, quando vier o que te convidou, te diga: Amigo, sobe mais para cima. Então terás honra diante dos que estiverem contigo à mesa.
Porquanto qualquer que a si mesmo se exaltar será humilhado, e aquele que a si mesmo se humilhar será exaltado. (Lucas 14:8-11)
Jesus situa essa cena em uma festa de bodas, onde se guardava mais rigorosamente a etiqueta, e os convidados se assentavam segundo sua posição social. O objetivo dele não era estabelecer uma regra mundana de bons modos. Seu pensamento vai mais longe que suas palavras e, sob uma linguagem figurada, insinua uma lição de humildade, como demonstra o solene adágio que conclui a parábola: Portanto, qualquer que a si mesmo se exaltar será humilhado e aquele que a si mesmo se humilhar será exaltado. (Lc 14.11)
Logo Jesus se voltou para o anfitrião, que também recebeu sua lição:
E dizia também ao que o tinha convidado: Quando deres um jantar, ou uma ceia, não chames os teus amigos, nem os teus irmãos, nem os teus parentes, nem vizinhos ricos, para que não suceda que também eles te tornem a convidar, e te seja isso recompensado.
Mas, quando fizeres convite, chama os pobres, aleijados, mancos e cegos,
E serás bem-aventurado; porque eles não têm com que to recompensar; mas recompensado te será na ressurreição dos justos.(Lucas 14:12-14)
Dessa vez, a breve história contém uma lição de caridade fraterna. Portanto, cairia em singular erro quem interpretasse ao pé da letra todas as suas circunstâncias. Não passou pela cabeça de Jesus alterar as relações sociais no que elas tinham de legítimo.

A PARÁBOLA DA GRANDE CEIA

Esses últimos ensinamentos do Salvador impressionaram alguns convidados, pelo que um deles, dando livre curso aos seus pensamentos, exclamou: Bem-aventurado o que comer pão no Reino de Deus! (Lc 14.15) Em outras palavras: "Bem-aventurados os eleitos!" Isso deu ocasião a Jesus para mais uma lição:
Porém, ele lhe disse: Um certo homem fez uma grande ceia, e convidou a muitos.
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CASAMENTO NA
 PALESTINA
E à hora da ceia mandou o seu servo dizer aos convidados: Vinde, que já tudo está preparado.
E todos à uma começaram a escusar-se. Disse-lhe o primeiro: Comprei um campo, e importa ir vê-lo; rogo-te que me hajas por escusado.
E outro disse: Comprei cinco juntas de bois, e vou experimentá-los; rogo-te que me hajas por escusado.
E outro disse: Casei, e portanto não posso ir.
E, voltando aquele servo, anunciou estas coisas ao seu senhor. Então o pai de família, indignado, disse ao seu servo: Sai depressa pelas ruas e bairros da cidade, e traze aqui os pobres, e aleijados, e mancos e cegos.
E disse o servo: Senhor, feito está como mandaste; e ainda há lugar.
E disse o senhor ao servo: Sai pelos caminhos e valados, e força-os a entrar, para que a minha casa se encha.
Porque eu vos digo que nenhum daqueles homens que foram convidados provará a minha ceia.(Lucas 14:16-24)
As primeiras frases aludem a um costume até hoje usado entre os árabes da Palestina e que era também praticado pelos romanos: chegada a hora do banquete, o anfitrião enviava um mensageiro a dizer aos convidados que tudo estava preparado. Recusar-se a participar dele depois de ter aceitado o convite era fazer uma grosseira injúria ao pai de família.
Este ficou mais irritado ainda pelo fato de todos os convidados se desculparem com motivos fúteis, já que as ocupações podiam ter sido previstas ou adiadas. Mas aquele homem prudente e generoso, que representa Deus, com rápida resolução soube preencher os vazios em sua mesa. Primeiro, ele mandou chamar os que estavam nas ruas e nas praças públicas da cidade; depois, os que estavam fora dos muros da cidade e andavam pelo caminho.
É fácil entender essa parábola apenas recordando o proceder do Salvador no decurso de sua vida pública e os princípios a que se apegava. Os primeiros convidados figuram os judeus, aos quais Deus primeiro abriu as portas do reino messiânico. Depois da recusa deles, foram convidados membros de categoria inferior, os pobres, os aleijados, os mancos e os cegos na ordem moral; quer dizer, os pecadores e publicanos, em oposição aos escribas, fariseus e demais classes que permaneceram incrédulas.
O terceiro convite é ainda mais bondoso, já que se endereça aos próprios gentios, aos quais se vai buscar fora do judaísmo, e que, depois de alguma resistência, vêm em número crescente à festa. A história inteira do plano divino da redenção se resume nesse fato, cuja majestosa conclusão é: Porque eu vos digo que nenhum daqueles varões que foram convidados provará a minha ceia (Lc 14.24) - que indica claramente a reprovação dos judeus como nação sacerdotal. Mas de quem é a culpa senão deles próprios que, apesar dos reiterados convites, recusaram-se a participar da festa?

Os Anjos podem cometer pecado?

OS ANJOS PODEM PECAR?
(Interpretação Judaica)
À primeira vista a resposta parece simples. Afinal, não recebemos a Torá exatamente porque os anjos não podem pecar? Como Moshê retorquiu em seu argumento vencedor aos anjos durante seu debate épico no céu sobre quem deveria receber a Torá. “Está escrito na Torá: ‘Não matarás.’ – ‘Não cometerás adultério,’ – ‘Não roubarás.’” Moshê disse: “Há inveja no meio de vocês? Vocês têm uma má inclinação?! Obviamente a Torá não é para vocês.”1
Em outras palavras, somente o homem foi dotado com a inclinação tanto para o bem quanto para o mal. E somente o homem recebeu o livre arbítrio para escolher um dos dois. Um anjo, por outro lado, não tem má inclinação e portanto não tem livre arbítrio. Isso poderia dar a entender que um anjo é uma espécie de robô, que não pode se rebelar nem pecar.
Até o exemplo frequentemente citado do Satã como um anjo expulso é um grosseiro mal-entendido. Satã é meramente o nome de um anjo cuja tarefa divinamente designada é seduzir as pessoas ao pecado. Este anjo é também o promotor que faz as acusações perante a corte celestial contra aqueles que sucumbem às suas seduções engenhosas. A palavra satã simplesmente significa promotor em hebraico. Se a corte Celestial decide que está na hora de alguém morrer, então o Satã é o enviado para tirar sua vida. De fato, o Talmud nos diz que “Satã, o anseio de fazer o mal, e o Anjo da Morte são um só.”2 Todos esses títulos são simplesmente múltiplas descrições de cargo para um anjo. Um anjo cumprindo seu dever divino dificilmente está em conflito com seu próprio Criador.3 (Veja: QUEM ERAM OS MISTERIOSOS OS FILHOS DE DEUS EM GÊNESIS[BERESHIT] 6?)
Tudo isso, no entanto, é aparentemente contradito pelo versículo em Job que declara: "Um mortal pode ser mais justo que D'us, ou pode um homem ser mais puro que seu Criador? Veja, Ele não confia em Seus servos e Ele lança censura sobre Seus anjos."4
E dizemos na liturgia de Yom Kipur:
"Os anjos estão desgostosos, eles estão invadidos pelo medo e tremendo enquanto proclamam: Vejam o Dia do Julgamento! Pois todas as hostes do céu são levadas a julgamento. Eles não serão inocentes aos Teus olhos."
Essas duas citações implicam claramente que apesar daquilo que dissemos, os anjos de alguma forma conseguem pecar até sem ter uma má inclinação, e são julgados em Yom Kipur. Além disso, encontramos vários exemplos no Midrash e Talmud de anjos sendo punidos. O castigo implica que alguém tinha escolha sobre a questão.
Por exemplo, o Midrash procura uma explicação para o versículo sobre o sonho de Yaacov: “E ele sonhou, e viu uma escada fincada no chão e o topo chegava ao céu; e vejam, anjos de D'us estavam subindo e descendo por ela.”5 Isso parece estar na ordem inversa. Os anjos não deveriam estar primeiro descendo para este mundo do seu lugar de origem, e somente depois subindo?
Rabi Chomah, filho de Rabi Chanina, interpretou essa sequência inversa da seguinte maneira: “Quando os anjos enviados para baixo para salvar Lot e destruir Sodoma, eles foram maus e atribuíram o ato a si mesmos, dizendo: “Pois nós estamos destruindo este lugar, porque o grito deles se tornou grande perante o Eterno, e o Eterno nos enviou para destruí-lo.”6 Em seguida, eles foram punidos e postos para vagar pelo mundo durante 138 anos. Somente agora, no tempo do sonho de Yaacov,7 eles puderam retornar. É por isso que o versículo primeiro diz que eles estavam subindo e somente depois descendo.8 9 Castigo implica pecado. Nesse caso, o Midrash acima citado implica que anjos podem e de fato pecaram.
Rabino Yeshaya Halevi Horowitz em seu clássico Shnei Luchot HaBrit (Shelah) fornece uma explicação. Ele concorda que anjos não têm má inclinação e portanto, não podem pecar no sentido convencional da palavra, contrariando deliberadamente a vontade de seu Criador. No entanto, os anjos são criações de D'us como qualquer outra criação, embora criaturas mais espirituais e intelectualmente inclinadas que vivem num plano mais elevado que o nosso. Por definição, não há criação que seja perfeita; a única perfeita é o Criador. Todo ser criado, até o intelecto mais alto, de alguma forma oculta a suprema realidade. Portanto, embora um anjo não possa pecar, pode cometer um erro ou pelo menos apresentar uma distorção da verdade.10
Um anjo não é meramente um robô; é algo como um robô com sua própria inteligência. Talvez a melhor analogia seja aquela dos androides na ficção científica que têm a própria inteligência e mesmo assim são incapazes de deliberadamente fazer algo contrário à função para a qual foram projetados – mas apesar disso cometem erros.
Foi assim que os anjos enviados para destruir Sodoma pecaram. Quando um anjo é enviado numa missão divina, é para cumprir aquele dever enquanto deixa totalmente de lado a própria identidade. Porém, quando os anjos foram destruir Sodoma, eles falaram como se eles mesmos estivessem para destruir a cidade. Embora isso não tivesse impacto sobre a missão em si, mesmo assim foi considerado como um pecado, pois distorceu a verdade sobre seu papel na missão. Foi um erro devido às suas imperfeições, e não uma falha em cumprir uma missão divina.
Além disso, Rabi Yonatan Eibshitz11 explica que há dois tipos de pecados. O primeiro é o tipo mais comum, um pecado que vem através da má inclinação nos seduzindo a errar. Mas há um outro tipo de pecado que não vem através da má inclinação; pelo contrário, este pecado é transgredido por “santidade”. (Veja também: ANJOS NA BÍBLIA - Na nossa tradução do Inglês)
Toda pessoa – e todo anjo – tem seu nível de entendimento e santidade. Uma pessoa deve se esforçar para atingir um caminho cada vez mais elevado. O problema surge quando um ser (humano ou anjo) tenta subir muito rapidamente e atinge um nível de revelação ou compreensão que transcende muito seu estado objetivo de ser. Isso, escreve Rabi Eibshitz, pode ser comparado a alguém que bebe vinho demais muito depressa, ou “mais do que pode tolerar”, o que lhe faz – na melhor das hipóteses – cair no sono, mas se tivesse tomado o vinho lentamente não apenas nada de negativo teria acontecido, como ainda teria sido benéfico para a saúde.12
Isso então lança uma nova luz sobe o significado do versículo de Job acima citado. Os anjos são repreendidos não tanto pelos pecados que podem ter cometido no sentido convencional. Em vez disso, é pelos pecados feitos por pureza e integridade, procurando se elevar a um nível mais elevado que seu estado objetivo de ser, como declara o versículo: “Pode um mortal ser mais justo que D'us’, ou pode um homem ser mais puro que seu Criador?”13
Portanto em resposta à sua pergunta, sim, os anjos podem pecar. No entanto, somente podem pecar errando em sua missão ou tentando atingir níveis de revelação onde não podem estar.

NOTAS

1.Talmud, Shabat 88b-89a. Para uma elaboração mais profunda sobre este debate épico, veja Os Arquivos do Sinai.
2.Talmud, Bava Batra 16a.
3.A respeito dos bnei elokim ou nephilim em Bereshit 6:2, enquanto alguns de fato interpretam como se referindo aos anjos, é somente depois que eles estavam sobre a terra e assumiram as características dos seres humanos – deixando efetivamente de serem anjos – que eles pecaram.
4.Job 4:17-18.
5.Bereshit 28:12.
6.Bereshit 19:13.
7.Alguns explicam que é porque eles foram os anjos que acompanharam Yaacov da casa de seu pai.
8.Midrash, Bereshit Rabah 68:12. Consulte ali para respostas alternativas, veja também Rashi sobre Bereshit 19:22.
9.Outro exemplo de anjos sendo punidos pode ser encontrado no Talmud (Chaguiga 15a) onde o arcanjo Metatron recebeu “sessenta golpes de um bastão em fogo” como castigo. No entanto, alguns comentaristas explicam que ele não foi realmente punido por quaisquer pecados que tenha cometido, em vez disso, nos céus eles “fizeram um show” de puni-lo, a fim de ensinar uma lição aos outros. Veja Maharsha ibid.
10.Shnei Luchot Habrit, Beit Yisroel; veja também Igrot Kodesh, vol, 14 pág. 147.
11.Yaarot Devash, vol. 1 palestra 2.
12.Veja Talmud, Yuma 76 a.
13.Job ibid.

(Texto por: Yehuda Shurpin - Rabino Yehuda Shurpin responde perguntas no serviço do Chabad.org - Edição de imagens: Costumes Bíblicos)

Acabe

Acabe (1Rs 16.28 -- 22.40; 2Cr 18.1-34).
Reinado: 22 anos (874 a.C. -- 853 a.C.).
Ele casou-se com Jezabel (1Rs 16.31).
Foi-lhe permitido derrotar os sírios por duas vezes (1Rs 20).
Foi denunciado por Elias:
  • Por estimular a adoração a Baal (1Rs 18.18,19).
  • Por sua atuação no assassinato de Nabote (1Rs 21.20-22).
Ele enganou o piedoso rei Josafá (quarto rei de Judá) com um duplo comprometimento:
  • Uma aliança matrimonial que uniu Atalia, a filha ímpia de Acabe, com Jourão, filho de Josafá (2Rs 8.18; 2Cr 18.1).
  • Uma aliança militar que uniu Acabe e Josafá em uma guerra contra a Síria (1Rs 22).
A morte de Jezabel, ímpia esposa de Acabe, foi profetizada por Elias (1Rs 21.23).
A morte do próprio Acabe também foi profetizada por Elias, bem como pelo profeta Micaías (1Rs 21.22; 22.17).
Ele foi assassinado em batalha contra os sírios (1Rs 22.29-38).

Detalhes

Acabe construiu um templo para Baal em Samaria (1Rs 16.32).
Ele foi mais perverso do que Onri, seu pai (1Rs 16.33, veja também 1Rs 21.25,26).
No começo de seu reinado, uma profecia de 500 anos de idade foi cumprida. Tratava-se da profecia relativa à reconstrução de Jericó (1Rs 16.34; compare com Js 6.26; confira aqui: O ESTÁGIO DA CONQUISTA).

ELIAS

Elias confrontou Acabe e avisou-o de que seus pecados bem como os dos israelitas trariam uma seca de três anos e meio (1Rs 17.1; Tg 5.17).
Acabe viu os sacerdotes de Baal derrotados e destruídos por Elias no monte Carmelo (1Rs 18.1-40).
Deus lhe permitiu derrotar os sírios arrogantes em duas ocasiões, tudo para provar que o SENHOR é o Senhor sobre todas as coisas (1Rs 20.23,28).
Nessa época, o rei Ben-Hadade, da Síria, declarou guerra contra Acabe, que primeiro tentou aplacar o ganancioso monarca sírio com um suborno. Todavia, tão logo esse artifício falhou, Acabe decidiu lutar (1Rs 20.1-11). Um profeta sem nome (possivelmente Elias) garantiu a vitória sobre os sírios ao rei israelita, predição que logo foi cumprida (1Rs 20.13-19). Os sírios, ao serem derrotados, acreditaram que isso ocorrera devido ao fator geográfico, dando a entender que a batalha ocorrera em terreno montanhoso, com as tropas israelitas adquirindo tremenda vantagem. Os sírios concluíram que o Deus de Israel era um Deus dos montes. Consequentemente, fizeram planos para lutar novamente, dessa vez, batendo contra os israelitas em terreno plano. Eles não poderiam estar mais equivocados.
Os sírios atacaram e foram, mais uma vez, derrotados inteiramente, perdendo 127 mil homens de infantaria. O vitorioso Acabe desobedeceu às ordens de Deus e poupou a vida de Ben-Hadade (tal como Saul fizera com Agague, 1Sm 15.8,31-33). O profeta de Deus, então, anunciou que Acabe, por consequência de seus atos, teria sua vida trocada pela de Ben-Hadade (1Rs 20.32-43),  profecia que se cumpriu três anos depois (veja 1Rs 22.29-37).

O VINHEDO DE NABOTE

Acabe tentou, mas não conseguiu comprar o seleto vinhedo perto de seu palácio, o qual era possuído por um homem de Jezreel chamado Nabote. Antes, Samuel alertara contra o confisco de terras por parte dos reis israelitas (1Sm 8.14). Mesmo que o jezreelita desejasse vender seu vinhedo, a lei levítica o proibia (veja Lv 25.23; Nm 36.7; Ez 46.18). Acabe retornou para o palácio com o aspecto taciturno, e Jezabel foi informada acerca da recusa de Nabote. A rainha disse a seu tristonho rei que se alegrasse, pois ele logo possuiria aquele vinhedo. Então, ela escreveu uma carta com o nome de Acabe, usou o selo dele para fechá-la e a enviou aos líderes civis de Jezreel, onde Nabote vivia. Na carta, Jezabel ordenou que esses líderes convocassem os cidadãos jezreelitas em uma reunião de jejum e oração. Em seguida, deviam chamar Nabote à frente e ofertar dois testemunhos mentirosos sobre ele, acusando-o de amaldiçoar Deus e o rei. O possuidor do vinhedo desejado por Acabe deveria então ser levado para fora e assassinado. Essa ordem terrível foi cumprida à risca (1Rs 21.4-14). Os filhos de Nabote também foram apedrejados (veja 2Rs 9.26). A ímpia Jezabel, uma fanática adoradora de Baal, soube apelar à Lei Mosaica com sagacidade e obter assim dois testemunhos contra o acusado (Lv 24.16; Dt 17.6).
Esse tipo de julgamento simulado teria sua contraparte definitiva nove séculos depois, em abril, quando o Poderoso Criador seria julgado por suas criaturas miseráveis (veja Mt 26.59-68). Jezabel recebeu as notícias de Jezreel, e Acabe desceu alegremente até o vinhedo para reivindicá-lo (1Rs 21.15,16).

A PROFECIA DE ELIAS RELATIVA A PUNIÇÃO

Deus ordenou Elias a confrontar Acabe no vinhedo de Nabote e a pronunciar a maldição dos céus sobre o rei e sua descendência. Furioso e certamente aterrorizado, Acabe ouviu as severas palavras de Elias relativas à sua punição (1Rs 21.19,21-24). Posteriormente, todas as predições do profeta se cumpririam literalmente.

  • Cães lamberam o sangue de Acabe, tal como fizeram com o sangue de Nabote (1Rs 22.38).
  • Os descendentes dele foram destruídos. Acazias, seu filho mais velho,morreu devido aos ferimentos de uma queda do terraço de seu palácio (2Rs 1.2,17), e Jorão, seu filho mais novo, foi assassinado por Jéu (2Rs 9.24), tendo o corpo lançado sobre o mesmo campo onde Nabote fora enterrado (2Rs 9.25).
  • A perversa esposa de Acabe, Jezabel, foi comida pelos cães selvagens de Jezreel (2Rs 9.30-36).
Ao ouvir essas terríveis profecias, Acabe humilhou-se, obtendo de Deus a dispensa para não ver seus filhos sendo mortos. Todavia, esse arrependimento foi apenas temporário e superficial (1Rs 21.27-29).

LUTANDO CONTRA OS SÍRIOS

Nessa época, Acabe desejou fazer com Josafá (então rei de Judá) uma aliança contra o rei Ben-Hadade, que traíra um acerto feito três anos antes ao continuar posicionando tropas sírias em Ramote-Gileade (1Rs 22.1-4; confira 1Rs 20.34). Se Acabe tivesse feito como Deus ordenara-lhe, tal situação não teria surgido. Josafá não tinha absolutamente nada a ganhar em termos materiais, mas muito a perder em termos morais. Todavia, sua resposta ao chamado de Acabe foi trágica: Serei como tu és, e o meu povo, como o teu povo, e os meus cavalos, como os teus cavalos (1Rs 22.4).
Josafá evidentemente tinha segundas intenções relativas a essa aliança súbita, pois ele desejava que Acabe atendesse ao seguinte imperativo: Consulta, porém, primeiro hoje a palavra do SENHOR (1Rs 22.5; cf. 2Cr 18.4).
Acabe convocou 400 profetas. Para um homem, eles predisseram vitória (2Cr 18.5,6). Esses eram homens sobre os quais Jeremias falaria mais tarde (veja Jr 23.21). Josafá, ainda cheio de dúvidas, perguntou se haveria algum outro profeta por perto. Acabe respondeu nervosamente que sim: Ainda há um homem por quem podemos consultar ao SENHOR; porém eu o aborreço, porque nunca profetiza de mim bem, mas só mal (1Rs 22.8). Talvez a maior realização de Micaías foi ser odiado por Acabe. O impiedoso rei odiava esse profeta tal como um homem tolo despreza o médico que o diagnóstica com câncer! Acabe relutantemente mandou chamar Acaías. O mensageiro preveniu o profeta a não contradizer o relato da maioria. Contudo, Micaías respondeu: Vive o SENHOR, que o que o SENHOR me disser isso falarei (1Rs 22.14).
Enquanto isso, um dentre os 400 profetas, Zedequias, fez e empregou trombetas de ferro para proclamar a vitória de Acabe sobre os sírios (esse procedimento deveria imitar o simbolismo de Dt 33.17). Por fim, Micaías chegou e levantou-se diante do rei israelita. O profeta imitou sarcasticamente os outros: Sobe e serás prósperos, porque o SENHOR a entregará na mão do rei (1Rs 22.15). Acabe, contudo, esganiçou-se: Até quantas vezes te conjurarei, que me não fales senão a verdade em nome do SENHOR? (1Rs 22.16).
Acabe provavelmente disse isso para impressionar Josafá. O escárnio de Micaías tornou-se, então, um juízo sóbrio: Vi todo o Israel disperso pelos montes, como ovelhas que não têm pastor; e disse o SENHOR: Estes não têm senhor; torne cada um em paz para sua casa (1Rs 22.17).
Acabe explodiu novamente, dizendo a Josafá: Não te disse eu que ele nunca profetizará de mim bem, senão só mal? (1Rs 22.18).
Micaías continuou e afirmou que Deus permitiria que um espírito mentiroso enganasse os profetas de Acabe, para que este fosse enganado e levado ao campo de batalha para morrer. Zedequias, o profeta do ímpio rei, esbofeteou Micaías. Nosso Senhor (Jo 18.22) e o apóstolo Paulo (At 23.2) posteriormente enfrentariam um insulto mordaz como esse. Acabe ordenou que Micaías fosse aprisionado e colocado sob uma dieta de pão e água até que o próprio rei israelita retornasse da batalha em segurança até sua casa. Com o rei saindo para guerrear, Micaías afirmou que, se o monarca voltasse efetivamente seguro, isso significaria que Deus não teria falado por de si (1Rs 22.28).

SUA MORTE

Acabe e Josafá procederam às pressas para Ramote-Gileade. Às vésperas da batalha, o rei israelita sugeriu que o monarca de Judá vestisse suas roupas reais, enquanto o próprio Acabe usaria as roupas de um soldado de infantaria. O regente do sul concordou. Aparentemente, Josafá era, muitas vezes, totalmente estúpido (1Rs 22.29,30).
Josafá foi imediatamente alvejado no campo de batalha. Os sírios equivocadamente o tomaram por Acabe. O tolo e amedrontado rei judeu clamou a Deus por libertação e saiu ileso da luta contra os sírios, que então perceberam que ele não era o rei israelita (1Rs 22.31-33; 2Cr 18.30-32). Um dos soldados sírios, contudo, atirou uma flecha ao acaso contra as tropas israelitas e acabou atingindo o disfarçado Acabe na abertura entre as fivelas e as couraças.
O ferimento foi mortal. Ofegante, Acabe mal conseguia dar as ordens para que fosse colocado sobre sua carruagem e levado apressadamente para sua casa. Tão logo o sol se pôs no ocidente, ele morreu (1Rs 22.34-37; 2Cr 18.33,34).
Acabe foi enterrado em Samaria. Sua carruagem ensanguentada foi levada até um lavatório próximo, para que fosse limpa. Lá, o sangue do ímpio rei regente foi lambido pelos cães, tal como Elias predissera (1Rs 22.37,38). Acabe foi sucedido por seu filho mais velho, Acazias, que prolongou os costumes impiedosos de seu pai (1Rs 22.52,53).

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