Costumes Bíblicos: Hagar

Hagar

Hagar era uma escrava. Quando Sara a entregou a Abraão para que ela lhes desse um filho, Agar não teve escolha. Porém, estar grávida de um filho de Abraão lhe deu certa vantagem. Ela havia adquirido valor, pois era capaz de algo que era vedado a Sara. Ela se tornou insolente, e isso era perceptível no seu jeito de olhar e no modo de agir. Sara, porém, reagiu de forma tão severa que agar teve de fugir. É provável que o plano de Agar fosse seguir pela longa estrada do deserto, rumo ao Egito. Um anjo do Senhor "encontrou-a" junto a uma fonte, ao longo dessa estrada. 
O anjo chamou Agar pelo nome e lhe disse coisas admiráveis. A descendência dela seria multiplicada, a ponto de não se poder contá-la - a mesma promessa que havia sido feita a Abraão e Sara! Deus conhecia a opressão de Agar e prometeu que o filho dela seria "como um jumento selvagem", difícil de domar, hostil, independente, difícil de oprimir. O anjo disse a ela que voltasse para a sua senhora, e ela obedeceu.



Esse encontro deve ter sido uma experiência espiritual e tanto! Agar disse o seguinte a respeito dele: "Agora eu vi o Deus que me vê". (O leitor, lembrado de que Sara descobriu que Deus tinha ouvido o riso dela, por mais que ela tivesse rido baixinho, se pergunta o que teria acontecido se Agar e Sara tivessem decidido compartilhar suas experiências!)
Por mais 13 anos Agar se colocou a serviço de Sara. Quando Deus tornou a falar, enfatizando que o filho da promessa nasceria de Sara, e Sara de fato teve um filho, as coisas mais uma vez se complicaram para Agar. No dia em que Isaque foi desmamado, Sara pediu a Abraão que ele mandasse embora a escrava e o filho dela. E Abraão atendeu ao pedido de Sara.
Agar e o filho saíram, andando errantes pelo deserto, levando consigo um pouco de comida e um odre de água. A água logo acabou e Agar, desesperada, deixou o menino debaixo duns arbustos, esperando que morresse. Mas Deus interveio, chamando do céu, lembrando a Agar que Ele faria de Ismael uma grande nação. A mãe e o filho sobreviveram, vivendo na região montanhosa e deserta conhecida como o Sinai. Deus cuidou de Ismael e cumpriu as promessas feitas a Agar.
A história dessas duas pessoas ainda é atual, pois trata da preocupação de Deus com os fracos, os desprezados, os pobres, os oprimidos. Ela mostra como Deus cuida daqueles que não fazem parte da aliança, e até mesmo dos que estão, quem sabe, bem longe da fé.

Sumário Cronológico

HAGAR E SARA.
A. O casamento.
Agar era a serva egípcia de Sara, esposa de Abraão (Gn 16.1). 
Agar foi dada a Abraão por Sara, esta que era infértil, para que pudesse ter o filho herdeiro prometido por meio dela (Gn 16.1-3). 
B. A malícia. Depois de engravidar, a atitude arrogante de Agar incitou a ira de Sara, que a expulsou para o deserto (Gn 16.4-6).

HAGAR E CRISTO

Ela foi encontrada pelo anjo do Senhor, um título referindo-se a Cristo no Antigo Testamento (Gn 16.7).
Ele auxiliou-a. 
Ele aconselhou-a (Gn 16.9). 
Ele tranquilizou-a (Gn 16.10-12). 
Ele iria multiplicar grandemente a sua semente. 
O filho que ela estava carregando era um menino, e ele se chamaria Ismael. 
Ismael seria selvagem - livre e bravio como um jumento selvagem. 
Ele seria contra todos, e todos fariam o mesmo contra ele. 

HAGAR E ABRAÃO.

A. Agar voltou e deu à luz a Ismael (Gn 16.15).
B. Abraão tinha 86 anos quando Ismael nasceu (Gn 16.16).

HAGAR E ISMAEL.

A. Anos depois, Agar foi novamente dispensada para o deserto, desta vez porque seu filho zombou de Isaque, o herdeiro prometido, no dia do seu desmame (Gn 21.8-10).
B. Na ocasião, Deus instruiu Abraão a mandar Agar e Ismael embora, prometendo que iria cuidar deles (Gn 21.11-14).
C. Quando chegou a época de Ismael casar-se, Agar trouxe uma esposa para ele do Egito (Gn 21.20,21).

Sumário Teológico

Paulo usou Agar como uma alegoria da Lei de Moisés no livro de Gálatas.
Ela era uma serva (Gl 4.22). 
Seu casamento com Abraão foi segundo a carne (Gl 4.23). 
Seu filho Ismael nasceu de forma natural (Gl 4.23). 
Esse filho perseguiu o segundo filho de Abraão, Isaque (Gl 4.29). 
Seu filho não foi considerado herdeiro legítimo de Abraão (Gl 4.30). 
Agar representa o concerto do monte Sinai quando teve um filho escravo (Israel também seria escravo por um tempo) (Gl 4.24). 
Ela corresponde à Israel terrena (dos dias de Paulo) devido à sua escravidão (Jerusalém foi ocupada pelos Romanos na época) (Gl 4.25). 
Paulo usou Sara como uma alegoria da graça.
Ela era uma mulher livre (Gl 4.22). 
Seu casamento com Abraão foi dirigido por Deus (Gl 4.23). 
Seu filho Isaque nasceu de forma sobrenatural (Gl 4.23). 
Esse filho foi perseguido por Ismael (Gl 4.29). 
Seu filho foi considerado herdeiro legítimo de Abraão (Gl 4.30). 
Sara representa o novo concerto, pois teve um filho livre (Gl 4.24-26). 
Ela corresponde à Jerusalém celestial (Gl 4.26). 

DADOS

Esposo: Abraão (Gn 16.1-3).
Filho: Ismael (Gn 16.15).
Citada pela primeira vez na Bíblia: Gênesis 16.1.
Citada pela última vez: Gálatas 4.25.
Significado do nome: "Vagando".
Mencionada: 14 vezes.
Livros da Bíblia que citam Agar: dois livros (Gênesis, Gálatas).
Cargo: serva de Sara (Gn 16.1).
Detalhe importante sobre a vida de Agar: ela foi a segunda "esposa" de Abraão e mãe de Ismael (Gn 16.1-3,15).

Concessão

Sarai encontrou sua maneira de fazer com que a promessa de Deus se realizasse. Sendo estéril, ela recorre à tradição e entrega sua escrava a Abrão. (esta cláusula podia estar incluída no contrato matrimonial: o filho resultante seria da esposa). Mas as emoções humanas em tal situação são complexas, e o resultado infeliz não é surpreendente. 
Beer-Laai-Roi, no Neguebe, é o poço de Hagar(Gn 16.14).
Os descendentes de Ismael - Gn 25.12-18 
Essas tribos ocupavam o Sinai e a parte noroeste da Arábia - "desde Havilá até Sur"

HAGAR ESTEVE NO ÉDEN?(*)

Qualquer pessoa que já leu as primeiras páginas da Bíblia sabe que Adão e Eva eram as únicas pessoas no Éden. Depois que os dois comem do fruto proibido, o homem e a mulher são expulsos do jardim. Enquanto os humanos são impedidos de voltar ao Éden, Deus tem o hábito de trazer esse paraíso primordial à humanidade. Por exemplo, quando Hagar foge para o deserto, ela e Ismael se encontram à beira da desidratação. Nesse ponto de desespero, o árido deserto começa a se parecer com o exuberante Éden e, assim como o Senhor vestiu Adão e Eva, Deus intervém novamente por duas pessoas que precisam de proteção.
Após o nascimento de Isaque, Abraão e Sara mandaram Agar e Ismael para o “deserto de Berseba” (Gênesis 21:14). Não demora muito para que o odre de água de Hagar acabe e os dois fiquem à mercê do sol do deserto. Em uma aparente tentativa de oferecer a Ismael um pouco de sombra, Hagar “colocou a criança debaixo de um dos arbustos ( שׂיחם ; sichim )” (21:15). Nesse ponto, Berseba começa a lembrar o leitor do mundo imediatamente anterior ao Éden , “quando nenhum arbusto ( שׂיח ; siach ) do campo era deixado entrar na terra” (Gênesis 2: 5). Em todo o Gênesis, esses são os únicos dois versículos que se referem a uma “sarça” ( שׂיח ; siach ). Para Hagar, arbustos estão na terra, e seu uso desse dom divino é paralelo à erva que aparece quando Deus estabelece o Éden.
Pouco antes de Deus planta o primeiro jardim, “uma neblina subia da terra e foi regar ( השׁקה ; hishqah ) toda a face da terra” (Gênesis 2: 6). A raiz hebraica para "regar" é שׁקה ( shaqah ), que significa "beber" - e esta é exatamente a mesma palavra usada quando Hagar dá a Ismael um gole de um poço no deserto: "Ela viu um poço de água ... e ela encheu o odre com água e regou ( שׁקה ; shaqah ) a criança ”(Gênesis 21:19). Para que Hagar pudesse ver isso bem, “Deus lhe abriu os olhos ” (21:19); da mesma forma, os primeiros humanos “os olhos foram abertos ”no Éden depois de comer o fruto proibido (3: 7; cf. 3: 5). A diferença importante é que “Deus” ( אלהים ; E lohim ) abre os olhos de Agar para sua salvação, enquanto Adão e Eva abrem seus próprios olhos antes de serem expulsos. Dado seu pequeno Éden, Agar confia em Deus e não em si mesma.
Finalmente, depois que Deus salvou Hagar e Ismael de Berseba, Abraão plantou uma árvore lá: “Abraão plantou ( נצב ; natsav ) uma tamargueira em Berseba e invocou o nome do Senhor, o Deus eterno” (Gênesis 21:33) . Ao fazer este acréscimo agrícola em Berseba, Abraão ecoa a vegetação de Deus no Éden : “O Senhor Deus plantou ( נצב ; natsav ) um jardim no Éden e ali colocou o homem que ele havia formado” (2: 8). Para Hagar e Ismael, o deserto de Berseba torna-se seu próprio Éden. Ao relembrar as descrições do primeiro jardim da história de Hagar, as Escrituras mostram que a presença salvadora de Deus pode transformar a esterilidade em felicidade. (* Este artigo foi publicado originalmente pelo Dr. Nicholas J. Schaser em Israel Bible Center/Editado aqui por Costumes Bíblicos)

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Filipenses 1:9-11

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