Costumes Bíblicos: Rute

Rute

Um retrato de Rute
 
Rute, a heroína de uma história amada por milhares de pessoas, era moabita de nascença. Moabe, é bom lembrar, nasceu de um relacionamento incestuoso que Ló teve com a filha dele. Em razão disso, aos olhos dos hebreus, Rute era de uma linhagem que trazia a marca da vergonha. A história de Rute tinha tudo para ser uma história triste. Porém, como Rute se responsabilizou por sua vida, a história acabou tendo um dos finais mais felizes em todo o AT.
Rute casou com Malom, um hebreu que, durante um período de fome em Judá, mudou-se para a terra de Moabe, juntamente com o seu pai Elimeleque, sua mãe Noemi, e seu irmão Quiliom. Aconteceu que os três homens morreram, deixando três viúvas. Noemi agora não tinha como sobreviver em Moabe e decidiu voltar para Belém, a sua terra natal. Rute e Orfa, as noras, amavam Noemi profundamente e decidiram ir com ela.
Quando já estavam a caminho, Noemi insistiu com as duas para que voltassem para casa, em Moabe, onde poderiam encontrar um novo marido e uma nova vida. Por fim, Orfa concordou. Deu um beijo na sogra e voltou, chorando. Rute, porém, não arredou pé e jurou ficar ao lado de Noemi para sempre. Em se tratando do compromisso que uma pessoa assume em relação a outra, as belas palavras que Rute disse a Noemi não têm paralelo na literatura judaica e cristã. Rute prometeu morar onde Noemi fosse morar. Queria adorar o Deus dela, e pediu para ser enterrada ao lado da sogra.
A emoção contida nestas palavras revela que Rute entendia o risco que estava correndo. Ela seria uma estrangeira em Judá. Por não terem marido, ela e Noemi não teriam segurança nem status social. Ela teria que se adaptar a novos costumes. E certamente teria saudades de casa. Não havia nada que forçasse Rute a enfrentar essas dificuldades, a não ser o relacionamento com Noemi, que ela tanto prezava. Ela amava profundamente e sabia que poderia ser leal ao que lhe era mais importante na vida.
Em Belém, Rute tornou-se respigadeira. Para conseguir comida para si e Noemi, catava as espigas deixadas nos campos pelos ceifadores. Sendo uma mulher estrangeira e sozinha, precisava ter cuidado, ficar perto de outras mulheres e jamais olhar para os jovens que trabalhavam por perto.
Noemi tinha amigos em Belém, e falou-lhes sobre sua nora formidável. Esses elogios chegaram a Boaz, um parente. Ele decidiu proteger Rute e mandou que seus empregados deixassem cair espigas para ela. Ao ouvir isto, Noemi formulou um plano. Então Rute, com humildade e coragem, seguiu o plano de Noemi, culturalmente correto, embora arriscado, e ofereceu-se para ser esposa de Boaz. O plano deu certo, porque o nobre Boaz fez o que era certo como parente mais próximo do esposo de uma viúva.
Toda a comunidade aprovou aquele casamento e os abençoou, evocando os nomes das matriarcas Raquel e Lia e conectando, assim, Rute com o povo de Israel. Quando o casal teve um filho, as amigas de Noemi ficaram felizes com ela. Elogiaram Rute, dizendo que, para Noemi, ela era melhor do que sete filhos. Essas mulheres deram nome ao menino, chamando-o de Obede. Este viria a ser o pai de Jessé e avô de Davi. Portanto, Rute, uma moabita, entrou na árvore genealógica de Jesus, o Messias.
Este é um verdadeiro final feliz para uma história que teve um começo tão triste. O próprio Boaz ajudou a cumprir aquilo que ele, em oração, havia pedido para Rute em 2.12. Os votos de felicidade das autoridades (4.12) se tornaram realidade. Deus recompensou Rute com um marido e um filho. E Noemi encontrou consolo para sua tristeza naquele neto. 
Obede, filho de Boaz e Rute, veio a ser o avô do fundador da linhagem real de Israel (Davi), da qual viria o Cristo , como ser humano, noutro nascimento ocorrido em Belém.











Rute e Noemi chegaram a Belém na época da colheita da cevada (Fotos= plantação de cevada), quando Rute podia recolher espigas nos campos. Ela se aproximou de Boaz enquanto ele dormia na eira, ao lado do monte de cavada.

COMO A TORÁ RELATA A HISTÓRIA DE RUTE A MOABITA

(*)O serviço religioso da festa de Shavuót, que celebra a outorga da Torá, e os acontecimentos nela narrados mostram a “aceitação” da Torá pela personagem central da história – Rute, a moavita. Ela se passa na época dos Juízes, quando cada um fazia aquilo que lhe parecia justo e correto aos seus olhos e, consequentemente, os descaminhos do povo eram frequentes. Durante um período difícil, quando a escassez das colheitas trouxe fome e desespero, um líder abastado, que não estava passando necessidades, receando que os despossuídos viessem lhe bater à porta e provocassem uma redução em sua fortuna, egoisticamente resolveu deixar sua terra e partir com sua mulher e seus filhos para a vizinha terra de Moav. Sua decisão era especialmente pecaminosa, pois consta do Deuteronômio (23:4) que “Nenhum amonita nem moavita entrará da congregação do Eterno...”, além de que (23:7) “Não procurarás sua paz nem seu bem, em todos os teus dias, para sempre.” Morando em Moav, estaria saudando constantemente a cada um com a palavra Shalom e correria o risco de ver seus filhos se unindo às moavitas. A consequência é que sua vida foi encurtada, deixando viúva sua esposa. Talvez ela tivesse proposto aos filhos que voltassem à sua terra, mas se assim o fez, não foi por eles atendida, pois cada um deles desposara uma princesa moavita. E também eles foram punidos com a morte e suas viúvas se prepararam para seguir com a sogra para Judá. Ela procurou dissuadi-las, recomendando que voltassem para seu próprio povo, pois não tinha outros filhos que pudessem manter a memória dos irmãos, casando com as cunhadas viúvas. Uma, apesar de se mostrar entristecida, aceitou a sugestão e deixou-a. A outra, porém, lhe respondeu com estas palavras imortais: “Não me obrigues a abandonar-te, a desistir de te acompanhar, pois, aonde fores, eu irei também; aonde te alojares, ficarei também; teu povo será meu povo e teu Deus será meu Deus! Onde pereceres, morrerei eu também e lá serei enterrada. E possa o Eterno agir para comigo de tal forma que somente com a morte sejamos separadas!” As duas voltaram a Bet-Léchem e passaram a viver como pobres. Assim, uma princesa de Moav, por amor a um povo e a um Deus que identificou no carinho da sogra e na maneira pela qual tinha sido tratada por seu marido, de plena vontade e com toda a sinceridade do coração, se tornou parte do povo judeu, aceitando sua fé e estando pronta a partilhar seu destino. A nora, Rute, com seu vigor e seus sentimentos, passou a trabalhar no campo, recolhendo as espigas que ficavam abandonadas, para alimentar a si e a sua sogra. Boaz, um parente de seu falecido sogro, era o dono do campo onde ela trabalhava. Ele não deixou de admirar a intensidade de seu labor, o pudor com que se comportava e a dedicação à sua sogra, que lhe foi relatada. Naomi considerou que a Providência a havia conduzido àquele campo e que talvez Boaz, que se tornara viúvo, quisesse desposar a nora, e assim perpetuaria a memória do filho que perdera. Terminou a colheita sem que tivesse partido de Boaz qualquer inciativa neste sentido e Naomi raciocinou que, após a colheita, dificilmente Boaz procuraria por aquela jovem, destituída de bens e ainda mais proveniente de Moav, e ela então arquitetou um plano que daria chance a Boaz de considerar a possibilidade de ser o Redentor de Rute. A Meguilá nos conta como se sucederam os acontecimentos que levaram à realização desta esperança e nos mostra que Boaz sabia que, de acordo com a Lei Oral, os homens moavitas não podiam participar da congregação de Israel, mas que isto não se aplicava às mulheres moavitas. Da união entre o justo Boaz e a nobre Rute nasceu uma criança que foi o avô do futuro Rei David. Com a leitura da Meguilá em Shavuót celebramos o recebimento e aceitação da Torá por Rute – aquela que deu início a uma sucessão de gerações dentre as quais um dia surgirá o Messias pelo qual tanto ansiamos.[o povo judeu ainda espera a vinda de Cristo. Pois não reconheceram Jesus - Yeshua - como o Messias]
(*Este texto é parte do artigo de Prefácio por David Gorodovits do livro da editora e livraria Sefer/editado aqui por Costumes Bíblicos)

RUTE E O SIGNIFICADO DOS NOMES HEBRAICOS

(*CURIOSIDADES DO HEBRAICO BÍBLICO)

Para os escritores da Bíblia, os nomes são importantes. O nome de Abel ( הבל ; Hevel ), que significa "vapor" ou "névoa", ressalta o fato de que ele não vai durar muito. Noé (No וח ; Noach ), que significa “descanso”, prenuncia a arca “descansando” em terra seca após o dilúvio. Da mesma forma, os termos hebraicos no início de Rute podem nos indicar o que está vindo na narrativa; os nomes que encontramos em Rute destacam as dificuldades da existência humana, mas também apontam para a presença e provisão de Deus em meio à incerteza.
Os versículos iniciais de Rute contêm uma riqueza de significados que talvez não possamos ver ao ler em inglês: “Nos dias em que os juízes decidiam que havia fome na terra, e um homem de Belém em Judá passou a peregrinar no campo de Moab. O nome do homem era Elimeleque e o nome de sua esposa era Noemi, e os nomes de seus dois filhos eram Mahlon e Chilion ”(1: 1-2). Começando com os dois nomes finais, os filhos de Elimelech são chamados Mahlon ( מחלון ) e Chilion ( כליון ), que significam "doentio" e "fragilidade", respectivamente. Assim, como Abel, o leitor não se surpreende quando, apenas três versos depois, o texto afirma que “Mahlon e Chilion morreram” (1: 5).
Embora essas mortes sejam esperadas, o escritor de Rute também observa que seu pai Elimelech ( אלימלך ) - que significa "Meu Deus é rei" - também morre repentinamente (1: 3). Embora o nome do pai alude ao Deus eterno, ele morre repentinamente e sem explicação. A ironia da morte de Elimeleque é acentuada pelo fato de que "havia fome na terra" (1: 1) - particularmente na cidade natal de Belém, cidade natal da família ( בית לחם ; Bet Lechem ), que significa "Casa do Pão". Assim, não há comida no lugar em que esperaríamos uma abundância de sustento. Mesmo Naomi- “My Delight” ( נעמי ; Noêmi ) -Mudanças seu nome para Mara ( מרא) para refletir a “amargura” de suas perdas na vida (1:20).
Embora Rute comece com o vazio, a história gradualmente começa a encher a vida de seus protagonistas. Tragicamente, Noemi fica sem marido ou filhos, mas “Rute” ( רות ) provavelmente vem da palavra hebraica para “companheirismo” ( רעות ; re'ut ), de modo que Naomi continua a ter um amigo leal após a perda dela. família. Além disso, um dos prováveis ​​significados de Boaz - o homem que redime Naomi e Rute - é "In Strength" ( בעז ), que alude à força de Deus para trazer a redenção da tragédia. Portanto, enquanto alguns dos nomes em Rute servem para destacar o vazio inicial,outros nomes - como Rute e Boaz - lembram o leitor da contínua provisão de Deus e do desejo divino do bem supremo. (* Este texto é parte de um artigo publicado em Israel Bible Center por Dr. Nicholas J. Schaser)

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