Costumes Bíblicos: O "Cânon" das Escrituras

Israel Institute of Biblical Studies

O "Cânon" das Escrituras

O "Cânon" das Escrituras
O cânon das Escrituras refere-se à lista de livros reconhecidos como sendo divinamente inspirados e consagrados para a fé e para a prática. A palavra cânon é derivada do hebraico qaneb e do grego kanon, que significam "cana" ou "régua". O termo passou a significar o padrão pelo qual uma obra escrita deveria ser avaliada para sua inclusão em determinada compilação literária. Os livros da Bíblia são inspirados não porque os seres humanos atribuíram-lhes a condição de canônicos. Em vez disso, os livros foram reconhecidos como canônicos pelos homens porque foram inspirados por Deus.
A Bíblia consiste em 66 livros. Mas por que estes livros específicos?
Por que um livro judaico como a Sabedoria de Salomão não foi incluído no Antigo Testamento?
Por que foram incluídos quatro Evangelhos, e não mais nem menos?
E por que as comunidades judaicas e cristãs dão tanta importância a esses livros?
Estas são questões sobre o "cânon".
No grego, a palavra "cânon" significa uma vara ou régua, portanto um padrão ou regra. Os cristãos passaram a usar essa palavra em referência a uma lista de livros inspirados por Deus que eles reconhecem como Escrituras com autoridade divina. As escrituras judaicas.
Na época de Jesus, os judeus já haviam categorizado suas escrituras em três partes - a Lei, os Profetas e os Escritos. Estas três coleções foram reunidas em estágios.
• A Lei ou Torá (Gênesis a Deuteronômio), veja também "A Bíblia hebraica" , foi a primeira a ser reconhecida como documento fundamental de Israel por causa da sua associação a Moisés. No quinto século a.C., Esdras a trouxe de volta em sua forma escrita da Babilônia para Jerusalém, e toda a comunidade a reconheceu como "o Livro da Lei de Moisés" (Ne 8.1).
• Os Profetas é a seção que inclui os Profetas Anteriores (a sequencia narrativa de Josué a 2Reis, que interpretava a história do ponto de vista profético) e os Profetas Posteriores (Isaías, Jeremias, Ezequiel e os 12 "profetas menores", conhecidos pelos judeus como "o Livro dos Doze" e agrupados num único rolo).
É provável que estes também eram uma coleção reconhecida na época de Esdras ou pouco depois. Certamente Eclesiástico 44--49 (século 2 a.C.) demonstra familiaridade com a Lei e os Profetas como conhecemos. Os escritores do Novo Testamento usam a frase "a Lei e os Profetas" como designação dessas escrituras (Mt 5.17; Jo 1.45; At 13.15; Rm 3.21).
• Os Escritos consistiam em grande parte de documentos posteriores e sua aceitação geral como coleção definitiva provavelmente se deu no primeiro século da era cristã. Duzentos anos antes, todavia, o prólogo de Eclesiástico já falava sobre "a Lei, os livros dos Profetas e os outros livros". E os Rolos do Mar Morto incluem cópias ou pelo menos fragmentos de todos os livros da Bíblia judaica exceto Ester, indicando que a comunidade que produziu esses manuscritos (entre cerca de 150 a.C. e 68 d.C.) valorizava todos esses livros.
Os Pergaminhos do Mar Morto:
Algumas descobertas interessantes de textos antigos no decorrer dos anos silenciosos revelaram mais profundamente a diversidade de opiniões e práticas religiosas entre os judeus durante o período intertestamentário. Os mais famosos desses textos são os Pergaminhos do mar Morto. Estes parecem ser da biblioteca de um partido de judeus chamado de essênios, que se rebelaram contra o Templo de Jerusalém e a liderança dos macabeus. Durante o tempo de Jesus, esses sectários viviam como monges perto do mar Morto. Esta comunidade só de homens seguia um "Mestre da Justiça", que eles acreditavam que fosse inspirado para interpretar os textos do Antigo Testamento alegoricamente como se as antigas Escrituras tivessem sido escritas somente para a geração deles. A descoberta dos Pergaminhos do mar Morto ajudou a verificar a precisão e autenticidade do texto das Escrituras do Antigo Testamento. 
Outros livros escritos no período de 300 a.C. a 100 d.C. eram valorizados por diversos grupos de judeus. A tradução grega das Escrituras hebraicas, conhecida como Septuaginta, incluiu vários desses livros. Mas após a catástrofe da destruição de Jerusalém pelos romanos em 70 d.C., os judeus, sob a liderança dos fariseus, optaram por um cânon mais enxuto de 24 livros. Excluíram a literatura considerada muito recente ou arriscada em sua teologia ou que estava associada a grupos dentro do judaísmo e não a toda a comunidade judaica.
A lista resultante é idêntica aos 39 livros que os cristãos chamam de Antigo Testamento. O método judaico de contagem considera 1 e 2Samuel como um livro só, e o mesmo se aplica a 1 e 2Reis, 1 e 2Crônicas, Esdras - Neemias. Os 12 profetas menores também são vistos como um único livro.
Os cristãos aceitaram o cânon definido pelos judeus do primeiro século de nossa era principalmente porque Jesus e os escritores do Novo Testamento se referem a uma grande variedade de livros do Antigo Testamento como tendo autoridade divina. Citações são frequentemente introduzidas com frases como "Está escrito" ou até "Diz o Senhor".
De acordo com Lc 24.44, Jesus, depois de sua ressurreição, disse: "Era necessário que se cumprisse tudo o que a meu respeito está escrito na Lei de Moisés, nos Profetas e nos Salmos." "Salmos" aqui pode referir-se aos Escritos como um todo, pois nesta divisão da Bíblia hebraica os Salmos geralmente vêm em primeiro lugar.
Provavelmente o primeiro cristão a analisar criticamente que documentos judaicos deviam ser considerados como escrituras sagradas foi Melito, bispo de Sardes, por volta de 170 d.C. Sua lista era idêntica aos 24 livros do cânon hebraico, que ele chamava de "livros da antiga aliança" (Eusébio, História Eclesiástica 4.26.13-14).
O Novo Testamento
• A história do cânon do Novo Testamento é mais a história de uma coleção de coleções que de uma coleção de documentos individuais.
Os primeiros documentos a serem reunidos foram as cartas de Paulo. O herege Marcião nos informa que antes de sua época (cerca de 140 d.C.) já havia uma coleção fixa das dez cartas principais de Paulo. Por volta do ano 200 havia coleções que também incluíam 1 e 2Timóteo e Tito. Os autores cristãos deste período os citavam frequentemente como tendo a autoridade das Escrituras.
Embora houvesse dúvidas frequentes sobre a autoria da carta aos Hebreus, já em 200 d.C. cristãos egípcios a incluíam em sua coleção das cartas de Paulo. Mas ela só teve maior aceitação na igreja ocidental a partir do quarto século.
• Os Evangelhos À medida que os cristãos se familiarizavam com mais de um Evangelho, perceberam que cada um trazia uma perspectiva diferente da história de Jesus. Como acreditavam firmemente que havia uma única mensagem evangélica coerente, isto passou a ser um problema.Mas as vantagens de afirmar as contribuições distintas dos quatro Evangelhos acabaram prevalecendo.
Por volta de 150 d.C., Justino já descrevia como os cristãos reunidos para adoração liam as "memórias" dos apóstolos "que são chamadas Evangelhos" (Apologia 1.66).
O Evangelho de João demorou mais para ser aceito, em comparação com os outros três - talvez porque era usado pelos gnósticos para promover sua própria versão da fé cristã,  ou talvez apenas porque era tão diferente dos outros. Mas antes do ano 200 Irineu argumentava que é tão natural haver quatro Evangelhos quanto há quatro ventos e quatro cantos da terra (Contra as heresias 3.11.8).
Outros documentos semelhantes a evangelhos como o Evangelho de Pedro e o Evangelho dos Egípcios continuaram a ser usados nas igrejas orientais, mas com o passar do tempo caíram em desuso porque expressavam doutrinas que tinham mais em comum com a heresia gnóstica que com a tradição recebida pela igreja. 
Um comentário sobre o intervalo entre os Testamentos:
A história do povo judeu no intervalo entre o Antigo e o Novo Testamento cobre um período de aproximadamente 400 anos. Este período é às vezes chamado de anos silenciosos porque, como disse o historiador Josefo, "a sucessão de profetas" fora interrompida. O Antigo Testamento finalizara com Malaquias, e não havia mais nenhuma palavra comprovadamente do céu. Deus parecia silencioso. Mas isso não significou que Ele não estava operando no mundo. Ele preparava o mundo para a vinda de Cristo.
Muito dessa história não foi boa para os judeus. Os problemas deles começaram quando os profetas Jeremias, Ezequiel e Daniel ainda estavam falando. A opressão política do povo judeu, que se estendeu desde o período bíblico atravessando os "anos silenciosos", pode ser dividida em quatro eras: a babilônica, a medo-persa, a grega e a romana. Entre as eras grega e romana, os judeus ganharam quase um século de governo próprio sob a família dos sacerdotes judeus chamados hasmoneanos. Em cada um desses períodos, Deus trabalhava no preparo dos judeus, e do resto do mundo, para Cristo.
ACONTECIMENTOS IMPORTANTES ENTRE OS TESTAMENTOS
Ano Acontecimento
334 a.C. Alexandre cruza o Helesponto
331 a.C. Alexandre derrota os persas
323 a.C. Na Babilônia, Alexandre morre aos 32 anos
260 a.C. A tradução da Septuaginta
214 a.C. A grande Muralha da China começa a ser construída
175 a.C. A literatura apócrifa é completada
169 a.C. Epifânio profana o templo em 15 de dezembro
166 a.C. A revolta dos Macabeus
165 a.C. A purificação do templo em 25 de dezembro
146 a.C. Roma destrói Cartago, e as Guerras Púnicas terminam
63 a.C. Pompeu conquista Jerusalém
44 a.C.  Júlio César é assassinado em março
37 a.C. Herodes é nomeado para governar Jerusalém
20 a.C. O templo é reconstruído e ampliado
DO ROLO AO LIVRO
Os documentos que entraram no cânone da Bíblia Hebraica foram colecionados, originalmente, num "livro" em formato de um rolo. No início, os rolos eram feitos de folhas de papiro. Cada folha tinha cerca de 30 cm de altura e 20 cm de largura. As folhas eram coladas umas nas outras, formando rolos de comprimento variado, embora fosse pouco comum um rolo com mais de 20 folhas.
A lombada mostra que o Códice Sinaítico tem a forma de livro.
No tempo do NT, a maioria dos rolos (incluindo os documentos do NT era feita de papiro, e não de pergaminho. Mas os rolos eram difíceis de manusear e transportar. Tudo indica que os cristãos foram pioneiros no desenvolvimento do "códice", isto é, na fabricação do livro assim como conhecemos hoje. Neste caso, as páginas são dobradas e fixadas numa extremidade (a lombada). Esta forma do livro começou a substituir o rolo durante o segundo século d.C. Mais tarde, passou-se a adicionar as capas, para proteger o livro.
O Rolo do Templo (o maior dos rolos do mar Morto) tem 8 m e 20 cm de comprimento. Rolos também podiam ser feitos de pergaminho (couro).
Num rolo, o texto era escrito e lido em colunas . Os cilindros nas duas pontas permitiam ao leitor desenrolar e enrolar o texto à medida que ia lendo.
Abaixo: Um rolo escrito em hebraico.
À direita: Uma página do Códice Sinaítico, o manuscrito mais antigo de todo o NT (mais uma parte do AT) de que hoje dispomos. Escrito em grego sobre pergaminho, ele foi descoberto no século 19 no Mosteiro de Santa Catarina, no sopé do monte Sinai. Esse códice data do século 4 d.C.



• As cartas católicas (Tiago até Judas) formaram a última coleção a ser reunida. Pelo fato de não haver reconhecimento claro da sua autoria apostólica, todas, exceto 1Pedro e 1João, foram pouco usadas antes do quarto século. Um pouco depois do ano 300 d.C., Eusébio fez referência a uma coleção de sete "cartas católicas".Provavelmente a coleção surgiu do desejo de se ter um testemunho comum dos apóstolos "tidos como colunas" (Gl 2.9) ao lado das cartas de Paulo.
 Atos e Apocalipse ficaram fora  destas três coleções. Embora do mesmo autor do Evangelho de Lucas, Atos foi separado dele em data bem antiga e não é citado por autores cristãos antes do tempo de Justino. Mas por volta do ano 200 sua importância foi reconhecida como evidência de que Paulo e os outros apóstolos pregavam o mesmo evangelho, ao contrário dos esforços de Marcião e outros hereges de reivindicar Paulo par si e rejeitar os outros apóstolos.
O livro de Apocalipse foi aceito mais rapidamente no Ocidente que no Oriente, mas até no Ocidente esteve sob suspeita por causa do seu uso pelos [  montanistas ] com seu entusiasmo excessivo por especulações quanto ao fim do mundo. No quarto século seu status como escritura foi reconhecido no Oriente - com a compreensão de que o milênio de Ap 20 não devia ser interpretado literalmente. Após três séculos de uso, as igrejas começaram a confirmar formalmente quais livros mereciam autoridade para determinar suas vidas e seus ensinamentos. Listas de livros autorizados foram feitos em várias partes do mundo cristão.
Entre estas, particularmente interessante é a classificação dos documentos em três grupos feita por Eusébio:
• os livros aceitos nas igrejas sem qualquer restrições - quatro Evangelhos, Atos, 14 cartas de Paulo, 1João, 1Pedro e também Apocalipse "se desejável"
• livros contestados, i.e., aqueles que ainda não eram universalmente aceitos - Tiago, Judas, 2Pedro, 2 e 3João, os Atos de Paulo, o Pastor de Hermas, o Apocalipse de Pedro, a carta de Barnabé e o Didaquê.
• os firmemente rejeitados inclusive os Evangelhos de Pedro, de Tomé e de Matias e os Atos de André e de João.
Na sua carta de páscoa de 367 d.C., Atanásio apresentou pela primeira vez uma lista de livros autorizados idêntica ao Novo Testamento que conhecemos e esta foi amplamente aprovada no Oriente. A mesma conclusão foi endossada no Ocidente por uma declaração papal em 405 e no norte da África nos Sínodos de Hipona (393) e Cartago (397).
A extensão do cânon, no entanto, jamais foi formalmente definida por um concílio ecumênico da igreja inteira. Assim, ainda hoje, embora as igrejas ortodoxa, católica romana e protestante compartilhem o mesmo cânon do NT, a igreja etíope tem um cânon de 38 livros.
Se revisarmos os critérios pelos quais dos 27 livros alcançaram status canônico, podemos ver que quatro perguntas fundamentais foram feitas sobre cada documento em consideração.
Ele é apostólico? Em vários casos esta era simplesmente uma questão de autoria. As cartas de Paulo, por exemplo, foram rapidamente aceitas com base nisto, enquanto Hebreus permaneceu em dúvida por mais tempo porque sua autoria era incerta.
Outros documentos foram incluídos porque vieram de uma pessoa diretamente relacionada com um apóstolo se não do próprio apóstolo. Assim, os Evangelhos de Marcos e Lucas foram reconhecidos como tendo autoridade ao lado de Mateus e João.
Era crucial saber que cada documento provinha do período mais antigo da história da igreja. No entanto, o teste de apostolicidade não foi aplicado de forma rígida. Por exemplo, apesar da dúvida com relação à autoria de Hebreus, ele foi aceito porque atendia aos critérios seguintes.
• É ortodoxo? O livro combina com a compreensão da fé cristã que recebemos por meio da tradição viva da igreja?
Com base nisto muitos documentos com títulos aparentemente autênticos como o Evangelho de Tomé e os Atos de João foram rejeitados, porque seu ensinamento era de caráter gnóstico. (O que é gnosticismo ou gnóstico?)
• É católico? O livro comunica a palavra de Deus à igreja em geral, não apenas a um grupo seleto? Cartas originalmente dirigidas a uma igreja específica foram aceitas se sua mensagem pudesse ser comunicada a um público mais amplo.
Assim, até uma carta como 2João que, aparentemente, não tem maior significado tornou-se canônica por causa da sua ênfase na defesa da verdade contra "enganadores... que não confessam Jesus Cristo vindo em carne" (vs. 7-11).
• O livro alentou a vida das igrejas ao longo do tempo? No final das contas, o teste mais importante que podia ser aplicado a um documento era se ele havia demonstrado seu valor divino através de sua habilidade de renovar, sustentar e guiar a igreja.
Não devemos imaginar que o processo de definição do cânon foi obra de comissões que se reuniram para julgar os escritos cristãos e decidir se podiam fazer parte do cânon ou não.
Seria mais exato dizer que os documentos que acabaram entrando no cânon demonstraram sua autoridade intrínseca por meio do uso constante na igreja.
Nos tempos modernos já houve quem sugerisse, aqui e ali, que o conteúdo do cânon deveria ser revisado.
Alguns sugeriram que o ceticismo que reina em círculos acadêmicos quanto à autoria apostólica de certos livros deveria levar a um questionamento de sua canonicidade. Outros perguntaram por que o cânon do NT deveria se limitar estritamente a esses 27 livros. Por que não incluir outros documentos cristãos antigos tais como o Evangelho de Tomé ou os Atos de Paulo?
Mas, como vimos, dúvidas sobre autoria não são razão suficiente para excluir um documento. Os livros em questão provaram há muito tempo seu valor na vida cristã. E embora alguém possa se beneficiar da leitura de outros livros que foram escritos nos primeiros tempos da igreja cristã, a verdade é que os documentos do NT continuam sendo especiais.
Provavelmente nenhum dos documentos que ocasionalmente são propostos para inclusão no cânon seja tão antigo quanto os documentos que integram o NT. Sua mensagem é derivada - e às vezes se desvia - do manancial que é o NT.
Os livros do cânon do NT se distinguem por darem testemunho em primeira mão da história de Jesus Cristo e do impacto que ele teve no período formativo da vida da igreja. O cânon é um caso de sobrevivência dos mais aptos.
O CÂNON HEBRAICO
Lei Profetas Escritos
Gênesis Profetas anteriores        Profetas posteriores Salmos
Êxodo Josué                           Isaías
Levítico Juízes                          Jeremias Provérbios
Números 1 e 2 Samuel                Ezequiel Rute
Deuteronômio 1 e 2 Reis                     Profetas menores Cantares
                                   (Livro dos 12) Eclesiastes
Lamentações
Ester
Daniel
Esdras
Neemias
Crônicas

Por que os textos apócrifos foram excluídos?
Embora a igreja católica romana e a Igreja Ortodoxa Oriental aceitem os livros apócrifos como Escritura canônica, eles nunca alegam ser a Palavra de Deus. Eles foram escritos depois da época em que, de acordo com os judeus, Deus havia parado de falar por intermédio de Seus profetas. Fílon citava as Escrituras do Antigo Testamento com frequência, mas nunca se referiu às obras apócrifas. Josefo declarou: "Desde Artaxerxes até a nossa época, uma história completa foi escrita, mas não foi considerada digna de  crédito semelhante ao registro anterior por causa da falha na sucessão exata dos profetas" (Contra Apião 1.41).Judas 14-15 cita o livro pseudepigráfico de 1 Enoque, mas essa obra nunca foi aceita como canônica por judeus ou por cristãos. No entanto, tal referência a 1 Enoque em uma tradição confiável não confere posição de autoridade à obra como um todo. Aliás, escritores do Novo Testamento, ocasionalmente, citavam fonte seculares para provar um ponto de vista (veja 1 Co 15.33;Tt 1.12).

Fragmento dos Manuscritos do mar Morto
A despeito do valor histórico e religioso, os livros apócrifos não estão no mesmo patamar dos livros da Bíblia hebraica. Imprecisões históricas (localização de Nabucodonosor em Nínive, em vez de Babilônia) e erros teológicos (orações pelos mortos) não estão em harmonia com a perspectiva de Escrituras inspiradas A mais antiga lista cristã de livros do Antigo Testamento de que se tem conhecimento encontra-se em uma carta de Melito, bispo de Sardes (cerca de 170 d.C.). Essa lista incluía todos os livros do cânon judaico tradicional, exceto Ester, e omitia todos os textos apócrifos. As listas de Orígenes, no terceiro século, e de Atanásio, no quarto século, também incluíam apenas as Escrituras hebraicas, com exceção de Baruque e a Carta de Jeremias. Até a Vulgata latina de Jerônimo (382-405 d.C.) relegou os livros apócrifos a uma posição secundária. As primeiras Bíblias em inglês, incluindo a versão King James original, de 1611, incluíam os livros apócrifos, mas essa prática foi descontinuada. Os cristãos, por meio dos livros apócrifos, podem aprender muito sobre o início da história judaica e as crenças religiosas, mas as razões para sua rejeição como Escritura canônica superam, e muito, as razões para sua aceitação.

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