Costumes Bíblicos: O PERFIL INTELECTUAL DO SALVADOR

Israel Institute of Biblical Studies

O PERFIL INTELECTUAL DO SALVADOR


O PERFIL INTELECTUAL DO SALVADOR
Considerada deste aspecto, a alma de Jesus nos parece ainda mais atrativa. Nossa análise nos permite pensar nas regiões superiores, tendo sempre por guia os escritores sagrados.
Eu sou a luz do mundo (Jo 8.12), disse Jesus. O evangelista João, ao lembrar-se das maravilhas que tão de perto havia visto, com santo entusiasmo, referiu-se a seu Mestre como a luz verdadeira, que alumia a todo homem (Jo 1.9).
A inteligência e a sabedoria de Jesus eram o grande farol daquela brilhante luz que iluminou a terra. A luz que o Salvador tanto amava exalar sofreu com frequência a oposição das trevas. E era muito duro para ele constatar que alguém pudesse preferir as trevas à luz (Jo 3.19; Mt 6.22,23). Nele não há luz (Jo 11.10b), dizia com tristeza a respeito de quem andava em trevas. Além disso, quando o detiveram no Getsêmani, Jesus considerou aquela iníqua obra como realizada sob impulso tenebroso do poder das trevas (Lc 22.53).
Vimos as faculdades de Cristo desenvolvidas gradualmente durante sua infância e adolescência. Todo o restante de sua vida tem  o selo do entendimento mais aberto, mais pronto e mais rigoroso que se pode conceber. Para ele, nenhum problema apresentava dificuldades. Ele se erguia sobre todos os horizontes do passado, do presente e do futuro.
De igual maneira, podemos celebrar nele a perfeita segurança de seus julgamentos; sua apreciação sempre irreprovável acerca da verdade, da beleza e do bem no aspecto moral; sua imaginação vivíssima, porém dominada, de que seus sermões e suas palavras nos dão admiráveis provas; sua percepção agudíssima, que poderíamos chamar de seu "talento"; seu exatíssimo dom de observação; sua linguagem sempre ajustada ao seu pensamento; sua memória tenaz para recordar o que havia visto e aplicar em ocasião oportuna.
Alguns inimigos do evangelho têm-se atrevido a chamar Jesus de "sonhador". Sonhador, nunca; muito pelo contrário, ele era um pensador ativíssimo e profundo, que havia ruminado durante muito tempo suas grandes idéias, antes de expô-las com palavras e sua conduta. Mas este pensador não vivia confinado, por assim dizer, no fundo de sua alma e alheio ao mundo exterior. Ele observava muito atentamente tudo que ocorria ao seu redor e o fazia sempre com o espírito penetrante e delicado, como provam muitos detalhes que a cada momento os evangelistas recordavam. Alguns desses detalhes já mencionamos ao indagar quais seriam os principais fatores da educação experimental de Jesus, e poderíamos encher páginas inteiras sobre isto.
Onde quer que Jesus estivesse, mantinha aquele olhar esquadrinhador ao qual nada escapava, nem mesmo os detalhes na aparência mais insignificante. Ele mostrou saber o que acontecia nas águas do lago (Mt 13.47-48), na montanha (Mt 18.12), no campo (Mt 13.1-9,24-30), nas cidades (Mt 24.45-51; 25.14-30; Lc 16.19-31), nas casas dos ricos (Mt 22.1-13; Lc 14.16-24; 17.1-10) e nas casas dos pobres (Mt 9.16; 13.33; 15.1-11), e outros mil pormenores. Jesus observou que um pai de família que pensa no futuro reserva em seu tesouro coisas novas e coisas velhas (Mt 13.52); que os soberbos fariseus buscavam os postos mais honrosos (Lc 14.7). E mesmo podendo fazer uso de suas prerrogativas divinas, que lhe permitiria ler o mais íntimo dos pensamentos e dos corações, Jesus, graças ao dom de observação, pôde aplicar a cada um o tratamento que melhor lhe convinha. Ele demonstrou muito bem isto num dia em que deu três respostas diferentes a três discípulos, que lhe pediram permissão para segui-lo por todas as partes (Lc 9.57-62).
Era, pois, a inteligência do Salvador muito penetrante, concreta, minuciosa e realista, no melhor sentido desta expressão (Mt 19.10-12; Mc 7.18-19; Lc 15.8-9; 16.19-31).
Que quadros mais vivos e encantadores nós o vemos pintar em suas admiráveis parábolas! Algumas simples palavras lhe bastavam para descrever uma cena inteira, como quando ele disse sobre João Batista: Que fostes ver no deserto? Uma cana agitada pelo vento? Sim, que foste ver? Um homem ricamente vestido? Os que se trajam ricamente estão nas casas dos reis (Mt 11.7,8).
Jesus também esboçou todo um quadro em miniatura neste versículo: Não deis aos cães as coisas santas, nem deiteis aos porcos as vossas pérolas; para que não as pisem e, voltando-se, vos despedacem (Mt 7.6). Eis um excelente realismo!
Apressemo-nos, porém, a acrescentar que nunca houve idealista que ultrapassasse o nosso Senhor Jesus Cristo. Ele veio fundar o mais ideal de todos os reinos. Aos seus humildes discípulos, ele exigiu virtudes ideais. Quem, como Jesus, declarou que o homem não vive somente de pão material e que o alimento dos cristãos deve ser, antes de tudo, espiritual?
Essa faculdade de ver e de expressar concretamente as coisas contribuiu para tornar normalmente claros e precisos os ensinamentos de Jesus; mas era-lhe fácil elevar-se aos mais altos cumes dos pensamentos, como demonstram suas pregações, especialmente as relatadas no quarto evangelho, onde ele expõe em linguagem magnífica as mais sublimes virtudes evangélicas.

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