Costumes Bíblicos: JESUS e as Sagradas Escrituras na Sua Formação

Israel Institute of Biblical Studies

JESUS e as Sagradas Escrituras na Sua Formação

A INFLUÊNCIA DAS SAGRADAS ESCRITURAS NA FORMAÇÃO INTELECTUAL DE JESUS
Se existe um livro eminentemente educador, este livro é a Bíblia, "o livro" por excelência, que contribuiu para a formação de tantas grandes almas e que, em cada uma de suas páginas, abre esplêndidos horizontes sobre Deus, o homem e o mundo, sobre o tempo e a eternidade. As leituras públicas da sinagoga, o Salvador não deixava de acrescentar frequentes leituras particulares, porque fácil lhe era conseguir do chefe da sinagoga, o Hazzan, algumas partes do sagrado rolo emprestadas.
Suas pregações demonstravam a atenção habitual com que ele tinha estudado, meditado, saboreado a Palavra divina. O conhecimento para as citações contínuas, e sempre com muita propriedade, que causava admiração até de seus adversários e os reduzia ao silêncio, Jesus havia adquirido com o estudo perseverante das Escrituras. As formas de citação que ele empregou - não tendes lido...? (Mt 12.3,5; 19.5); nunca lestes...? (Mt 21.16,42; 22.31; Mc 2.25; Lc 6.3); não tendes lido...? (Mc 12.26); que está escrito na lei? (Lc 10.26) - por si sós bastam para comprovar até que ponto Jesus conhecia as Escrituras. Nelas, Jesus ouvia a voz de seu Pai celestial, atestava sua vontade e seus desígnios.
Elas eram, pois, o seu melhor alimento. Ninguém deu às Escrituras interpretação mais segura, clara, profunda e tão autorizada como Jesus. Suas citações diretas e suas alusões se referem às três partes das Escrituras; mas os Profetas e os Salmos ocupam uma posição de honra. A Palavra de Deus foi seguramente para Jesus a fonte de água viva que refrigerava sua alma santa; foi alimento suavíssimo e confortador.
Contudo, será que podemos dizer que a leitura e o estudo dela transmitiriam realmente novos conhecimentos a ele? Não é Jesus quem, como Verbo divino, tinha iluminado e inspirado os escritores sagrados, chegando, às vezes, até a revelar-lhes as verdades que anunciaram? Não é ele o centro das Escrituras, como também o seu princípio e o seu fim? O que ele lia nos textos sagrados era sua própria história, seu glorioso e ao mesmo tempo doloroso destino, o relato antecipado de sua vida humana.

Pedra de Roseta contendo inscrições do período em que o AT foi traduzido para o grego (Septuaginta)
Jesus poderia reconhecer-se continuamente desde o proto-evangelho (Gn 3.15) até os textos mais elucidantes, tanto nas figuras como nas profecias propriamente ditas, e até nos menores detalhes ou atos de seu povo. Não foi, pois, nas Escrituras onde ele se instruiu e educou. Ele era superior às próprias Escrituras.
Por diversas vezes, Jesus afirmou em termos categóricos que as Escrituras inteiras estavam cheias dele. A elas, Jesus remeteu os fariseus hostis e incrédulos: Examinai as Escrituras, porque vós cuidais ter nelas a vida eterna, e são elas que de mim testificam (Jo 5.39). A elas, remeteu também seus discípulos e seus amigos: E, começando por Moisés e por todos os profetas, explicava-lhes o que dele se achava em todas as Escrituras (Lc 24.27). E disse-lhes: São estas as palavras que vos disse estando ainda convosco: convinha que se cumprisse tudo o que de mim estava escrito na Lei de Moisés, e nos Profetas, e nos Salmos (Lc 24.44).
Note bem que Jesus não aplicou a si mesmo de forma geral as Escrituras, mas somente detalhes especiais, tais como o simbolismo da serpente de bronze (Jo 3.14), a predição de Isaías com relação ao proceder suave e misericordioso do Messias (Mt 12.16-21; Is 61.1-10), diversas profecias relativas à sua Paixão (Lc 22.37) e outras. E, quando expirou na cruz, Jesus bradou: Está consumado, significando com isto que ele havia realizado inteiramente as profecias do Antigo Testamento que se referiam à sua vida, à sua missão e à sua morte expiatória.
Como seu Mestre, os evangelistas e os apóstolos apelam sem cessar às Escrituras, sustentando em suas mãos o rico tesouro das profecias messiânicas e destacando, mediante muitos textos, a perfeita harmonia entre a vida de Jesus e o Antigo Testamento. Na opinião dos evangelistas, não há espaço para duvidar de que o filho de Maria é aquele de quem Moisés e os antigos profetas falaram (Jo 1.45). Os quatros biógrafos do Salvador destacaram em seus relatos a perfeita coincidência entre os feitos de Jesus e as profecias e as figuras da Antiga Aliança.
O TESTEMUNHO DO ANTIGO TESTAMENTO A RESPEITO DE JESUS
Paulo, um rabino convertido que com tanto afinco tinha se dedicado ao estudo das Sagras Escrituras e das tradições judaicas, recorreu também com frequência ao testemunho do Antigo Testamento para demonstrar aos seus ouvintes que Jesus reunia em sua Pessoas todas as qualidades atribuídas ao Messias. Os discursos do apóstolo poderiam ser reduzidos a estas poucas palavras: E, havendo-lhe eles assinalado um dia, muitos foram ter com ele à pousada, aos quais declarava com bom testemunho o Reino de Deus e procurava persuadi-los à fé de Jesus, tanto pela lei de Moisés como pelos profetas desde pela manhã até à tarde (At 28.23).
As epístolas de Paulo, cheias do nome e do amor de Jesus, insistem constantemente sobre esta prova fundamental. às vezes, suas aplicações parecem, à primeira vista, estranhas e trazidas de longe - como, por exemplo, em certas passagens em que a história dos israelitas entra em "choque" com a de Cristo e sua Igreja (Gl 4.21-31) -, mas o apóstolo teve o cuidado de citar este profundo princípio: Ora, tudo isso lhes sobreveio como figuras, e estão escritas para aviso nosso (1Co 10.11). Trata-se, pois, em tais casos, de profecias típicas e indiretas.
Como em uma lira só as cordas são sonoras por sua natureza, e a madeira em que estão montadas não tem outro fim senão contribuir também para a ressonância dos sons, assim acontece com o todo do Antigo Testamento, em que ressoam o nome e o reino de Jesus.Vimos anteriormente que os autores dos targuns, do Talmude e dos midraschim procuravam nas Escrituras sinais antecipados do Messias. Em si, isto era louvável porque era um zelo com relação à verdade. Mas sabe-se que não é conveniente querer aplicar tudo imediatamente ao Messias. Contudo, os lugares que diretamente não se refere a ele servem ao menos de sustentação aos que o anunciam.
Os grandes estudiosos das Escrituras nos tempos primitivos gostavam também de considerar todos os livros que compõem o Antigo Testamento como outros tantos raios convergentes, cujo verdadeiro centro é nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. Como os evangelistas e apóstolos, e conforme a constante recomendação do Salvador, eles também esquadrinhavam as Escrituras para descobrir nelas o Messias prometido. Assim, o horizonte cristológico da epístola de Barnabé, dos escritos de Justino, de Tertuliano, de Irineu, é tão rico como admirável.
O Espírito Santo predisse, por meio dos profetas, tudo o que aconteceria ao Cristo, conforme já comentou Justino Mártir e, se esta predição nem sempre foi realizada em termos diretos e manifestos, o foi, quando menos, por meio de símbolos, parábolas e figuras.
Durante seu desenvolvimento intelectual e moral, Jesus entrou primeiro em contato com a natureza e, depois, com a vida doméstica, política e social que o rodeava. Desde sua juventude, ele aprendeu a ler o livro da natureza e o livro da vida como ninguém além dele tinha sabido fazer. Das Escrituras, foi onde, mais tarde, ele extraiu felicíssimas ideias, comparações, descrições e aplicações admiráveis, que esmaltam e vivificam seus ensinamentos.Desde aqueles remotos tempos até os nossos dias, todos os intérpretes crentes têm saudado Jesus como o verdadeiro Messias. No Antigo Testamento, que tanto os cristãos como os judeus usam, vemos que houve em Israel, e só em Israel, homens que anunciaram à sua nação um rei consagrado com o óleo santo, o Ungido ou Messias, cujo ofício lhes descreveram, e por quem deveria ser produzida uma intensa renovação religiosa que, partindo do povo judeu, haveria de estender-se a toda a linhagem humana. Este Messias veio, e não é outro senão Jesus Cristo de Nazaré.
Neste sentido, poderemos dizer que o homem adulto (Jesus) revela o que ele havia visto e ouvido em sua infância e juventude. A natureza e a vida cotidiana falaram aos seus ouvidos espirituais uma linguagem mais ressonante do que o que nenhum outro homem teria podido ouvir.

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