COSTUMES BÍBLICOS: POVOS DA BÍBLIA

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Os Samaritanos

Os israelitas samaritanos definiram sua própria existência em termos exclusivamente israelitas. Os samaritanos chamavam a si mesmos – “os filhos de Israel” e “os guardas” (shomrim). Fontes judaicas se referem aos samaritanos como “kutim”. O termo provavelmente está relacionado a um local no Iraque de onde os exilados não-israelitas foram importados para Samaria. (2 Reis 17:24)
O nome Kutim ou Kutites foi usado em contraste com o termo “shomrim” que significa “guardiões” – os termos que eles reservavam para si mesmos. Os escritos israelitas judeus enfatizavam a identidade estrangeira da religião e prática samaritana em contraste com a verdadeira fé de Israel. Os israelitas samaritanos acreditavam que tal identificação negava seu direito histórico de pertencer ao povo de Israel. Em seu próprio entendimento, os israelitas samaritanos eram o remanescente fiel das tribos do norte – os guardiões da antiga fé.

Os samaritanos sempre se opuseram à adoração do Deus de Israel em Jerusalém , acreditando que o centro da adoração de Israel estava associado ao Monte Gerizim – o monte da bênção da aliança de YHWH (Deuteronômio 27:12). Por outro lado, os israelitas judeus/judeus acreditavam que o Monte Sião em Jerusalém era o epicentro da atividade espiritual em Israel. Uma das razões para a rejeição dos escritos proféticos judaicos pelos israelitas samaritanos era que os profetas hebreus apoiavam Jerusalém e a dinastia davídica.
Eles tinham um credo quádruplo:

Um Deus – YHWH,
Um Profeta – Moisés,
Um Livro – Torá, e
Um Lugar–Monte Gerizim.

A maioria dos israelitas judeus dos dias de Jesus concordava com os israelitas samaritanos em dois destes pontos: “um só Deus” e “um só Livro”. Eles discordaram sobre a identidade do local de culto e sobre outros livros que também deveriam ter sido aceitos pelo povo de Israel – os Profetas e os Escritos.
Os samaritanos acreditavam que os israelitas da Judéia haviam tomado o caminho errado em sua prática religiosa da antiga fé israelita, que eles tachavam de herética, assim como os judeus fizeram da expressão de fé do samaritano. A relação entre esses dois grupos antigos pode ser comparada às agudas divergências entre os muçulmanos xiitas e sunitas de hoje. Para quem está de fora, ambos os grupos são muçulmanos, mas não para os xiitas e sunitas. Para eles – um é verdadeiro e o outro é falso; um é real e o outro é um impostor. O conflito samaritano-judaico foi muito semelhante nesse sentido. De muitas maneiras, esse conflito definiu a polêmica interna-israelita do primeiro século.
Como foi mencionado antes, os samaritanos não devem ser confundidos com um grupo de pessoas sincréticas que também viviam em Samaria (gentios samaritanos), que provavelmente foram as pessoas que abordaram os retornados a Jerusalém para ajudá-los a construir o Templo de Jerusalém e foram rejeitados. por eles. (Esdras 4:1-2) Devido à sua teologia, os israelitas samaritanos, remanescentes do Reino do Norte de Israel, não podiam apoiar a construção do Templo em Jerusalém. Em 2 Crônicas 30:1-31:6 somos informados de que nem todas as pessoas do reino do norte de Israel foram exiladas pelos assírios. A maioria deles permaneceu mesmo após a conquista assíria da terra no século 8 aC, preservando antigas tradições israelitas que difeririam das inovações posteriores da versão judaica da fé de Israel.
Os israelitas samaritanos usavam o que agora é chamado de “hebraico samaritano” em uma escrita que é descendente direta do paleo-hebraico (hebraico antigo) , enquanto os israelitas judeus com o tempo adotaram uma nova forma de letras quadradas e estilizadas que faziam parte do o alfabeto aramaico. Além disso, na época de Jesus, os israelitas samaritanos também estavam fortemente helenizados na própria Samaria e na diáspora. Assim como os israelitas judeus tinham a Septuaginta, os israelitas samaritanos tinham sua própria tradução da Torá para o grego, chamada Samaritikon .
E, por fim, os israelitas samaritanos acreditavam que sua versão da Torá era a versão original e a Torá judaica era a versão editada , que havia sido alterada pelos judeus da Babilônia. Por outro lado, os judeus acusaram a Torá samaritana de representar uma edição editada para refletir as opiniões dos samaritanos. Como você pode ver, esse não foi um relacionamento fácil.

(O texto é parte de um artigo publicado originalmente em Israel Bible Center/Editado com pequenas alterações por Costumes Bíblicos)

Os Hebreus

Você já leu na Bíblia, já viu em filmes a palavra "hebreu". Mas, já parou pra pensar o que realmente  significa "hebreus"?
Qual a origem dessa palavra e porque os filhos de Israel são chamados assim!
As páginas da Bíblia mencionam os antigos hebreus – um povo por meio do qual Deus se revelou ao mundo inteiro. Hoje as pessoas estudam a língua hebraica. A Bíblia também se refere a Israel e aos israelitas. Então, qual é a diferença entre hebreus e israelitas? Há uma passagem na Bíblia que ilustra isso de forma muito eficaz.
“…os homens de Israel viram que estavam em apuros…as pessoas se esconderam em cavernas, em matas, em penhascos… alguns dos hebreus atravessaram o Jordão para a terra de Gade e Gileade. Mas, quanto a Saul, ele ainda estava em Gilgal, e todo o povo o seguia tremendo. (1 Sm 13:6-7 NASB)
Este capítulo do primeiro livro de Samuel descreve o início do reinado do rei Saul e suas campanhas militares para derrotar os inimigos de Israel. Os soldados de Saul estavam com medo dos grandes exércitos filisteus que os confrontavam. O versículo 6 os chama de israelitas [homens de Israel] – יִשְׂרָאֵל (yisrael), mas o versículo 7 se refere a essas mesmas pessoas como “hebreus” – עִבְרִים (ivrim). Os termos “israelitas” e “hebreus” referem-se ao mesmo povo, mas seu significado não é sinônimo.

O בְּנֵי יִשְׂרָאֵל ( benei yisrael ) “filhos de Israel” significa literalmente pessoas que “lutam e exercem influência”. יִשְׂרָאֵל ( yisrael ) vem das palavras hebraicas שָׂרָה ( sarah ) "lutar" e אֵל (el) "Deus". Este nome “israelita” implica que eles são descendentes de Jacó.
O significado de “Hebreus” עִבְרִים (ivrim) pode ser visto em como os soldados de Saul (que temiam seus inimigos) se comportaram  וְעִבְרִים עָבְרוּ אֶת־הַיַּרְדֵּן veivrim avru et hayarden)) “e os hebreus cruzaram o Jordão”. Na verdade, as palavras “hebreus” e “cruzado” vêm da mesma raiz hebraica: עָבַר (avar) “atravessar”, “ir além”. A palavra para “vau” ou “travessia de água” é עֲבָרָה (avarah). Além disso, עֵבֶר (sempre) refere-se ao “outro lado” ou à “terra além do rio”. É também o nome de um dos bisnetos de Shem. O substantivo hebraico moderno עָבָר (avar) significa “o passado” – como em algo que já ocorreu. Literalmente, os hebreus são “pessoas que passaram para o outro lado”; pessoas que já “foram além”.
Na Torá, Abrão é chamado de “hebreu” – עִבְרִי (ivri) talvez porque ele cruzou de Haran para Canaan. No Egito, Jacó, seus filhos e seus descendentes também foram chamados de hebreus porque vieram “de além” (ou seja, de Canaã – Gn 43:32). Mas eles também eram israelitas, “destinados a lutar” e obter a liberdade contra todas as adversidades (Êx 3:18). Na realidade, ambos os nomes (hebreus e israelitas) são descrições tanto das origens quanto do destino desse povo. (A tradição judaica chama a família de Abraão de arameus.)
Alguns Costumes Peculiares 1 - o luto
Vários povos do antigo Oriente Próximo costumavam lamentar raspando a cabeça, raspando a barba, às vezes rasgando as roupas e até fazendo cortes e cortes no corpo (cf. Jer 41:5; 48:37). Os judeus antigos, no entanto, às vezes puxavam seus cabelos e barbas para ilustrar o sofrimento interno, mas não raspavam a cabeça quando lamentavam (Esdras 9:3) porque Deus os proibia expressamente de se envolver em tais práticas (Levítico 21:5).
Na tradição judaica moderna, os enlutados não se barbeiam nem cortam o cabelo e até param de se arrumar durante o período de luto. Os antigos israelitas pranteavam vestindo pano de saco. Eles colocavam cinzas sobre si mesmos e sentavam-se no chão (ver Gn 37:34; Dn 9:3; Lc 10:13). E o luto não ocorria apenas quando alguém morria; arrependimento diante de Deus e expectativa de problemas iminentes era outro motivo para lamentar (cf. 1 Reis 21:27, Neemias 9:1; Isaías 32:11)
“Quando Mardoqueu soube de tudo o que havia sido feito, rasgou suas roupas ( וַיִּקְרַע מָרְדֳּכַי אֶת־בְּגָדָיו ), vestiu-se de saco e cinzas ( וַיִּלְבַּש ׁ שַׂק וָאֵפֶר ), e saiu pelo meio da cidade e pranteou alto e amargamente” (Est. 4:1).
Isso pode soar muito incomum para as pessoas modernas, mas esses costumes peculiares têm uma lógica clara e um significado simbólico por trás deles. Em hebraico, שַׂק (sak) ou שַׂקִּים (sakim) é “saco” — um tecido áspero feito de pelo de cabra ou camelo usado principalmente para armazenamento (e não muito confortável de usar). Mas esse é o objetivo do luto deliberado: provocar um sentimento de humildade. A palavra hebraica para “cinzas” (אֵפֶר ; efer ) simboliza ruína e destruição.  O fogo queima tudo em seu caminho e deixa para trás apenas cinzas. Assim, as “cinzas” ( אֵפֶר ; efer ) servem como o símbolo máximo da desolação.
Rasgar roupas também representa o ato de destruição. As vestimentas no mundo antigo eram muito caras e eram até usadas como um substituto para a moeda. Destruir deliberadamente as próprias roupas é uma expressão visual de tristeza e turbulência interior. Esses costumes e comportamentos incomuns expressam arrependimento e humildade diante de nosso Criador; servem como reconhecimento da fragilidade humana e sublinham a condição de nossa existência sem a bondade de Deus em nossas vidas. 
No nível mais básico, rasgar é expressar a dor e sofrimento pela morte. A Lei da Torá encoraja - na verdade ordena - tais expressões como parte do processo de luto.
Mas há também um significado mais profundo. O Judaísmo vê a morte como uma moeda de duas faces. Por um lado, quando alguém morre, é uma tragédia. Eles estão perdidos para a família e amigos, e há um sentimento de separação e distância que parece além de reparo. Por este motivo eles observam um intenso período de sete dias de luto, durante o qual a família se senta em casa e sente aquela dor e a perda, seguido por um ano de luto.
O enlutado rasga as próprias roupas antes do funeral.
Quem deve rasgar as roupas?
Sete parentes estão obrigados a desempenhar esta prática: filho, filha, pai, mãe, irmão, irmã e cônjuge.
Eles devem ser adultos acima da idade de treze anos. Menores, que sejam realmente capazes de entender a situação e avaliar a perda, podem ter as roupas rasgadas por outros parentes ou amigos.
Portanto rasgam sua roupa. Isso tem um duplo significado. Estão reconhecendo a perda, que os seus corações estão rasgados. Mas em última análise, o corpo também é apenas uma roupa que a alma veste. A morte é quando tiramos um uniforme e usamos outro. A veste pode ser rasgada, mas a essência da pessoa dentro dela ainda está intacta.
No judaísmo, sob sua perspectiva mundana, a morte é de fato uma tragédia, e o sofrimento vivido pelos enlutados é real. Mas quando eles rasgam as roupas, esperam que dentro do seu sofrimento possam ter um vislumbre de uma verdade mais profunda: que as almas nunca morrem.
É costume após o enterro, ao sair do cemitério, arrancar um pouco de grama, para demonstrar que o falecido brotará de novo à vida quando da ressurreição dos mortos e jogá-la por cima do ombro direito para trás e recitar o seguinte: “Veyatsisu me’ir keêssev haáretz; zachur ki afar anáchnu” (Tradução: “Que eles (os falecidos) brotem (ressuscitem) como as plantas da terra”.
Um fato curioso é que os aborígines australianos [são nômades, caçadores e coletores de vegetais e praticam a *religião animista. No deserto, as populações concentram-se onde há água] também seguem essas crenças únicas.
[Contudo, a morte é natural e comum. Não é preciso lamentar a morte de alguém de forma puramente pragmática. Pode-se lamentar a própria condição humana que nos leva à morte. E embora exista, o Todo-Poderoso criou uma maneira de corrigir a brecha e nos deu o presente da vida eterna.]
[*O animismo, em termos gerais, é a doutrina de que os organismos vivos são animados por uma alma, ou seja, a alma é o princípio de vida orgânica e da vida psíquica. O conceito se refere a crenças cruas e ingênuas, nas quais se confundem imagens, sentimentos e realidade.]
Alguns Costumes Peculiares 2 - bênçãos durante as refeições
Para os judeus praticantes, toda refeição tem que terminar do mesmo modo que começou - com uma bênção. O judaísmo ensina que agradecer após as refeições é muito mais importante do que antes de comer. Quando você está com fome, é fácil agradecer a Deus pela comida que está prestes a comer. O verdadeiro teste para uma pessoa vem quando ele ou ela está saciado(a): "E comerás, te fartarás e louvarás ao Eterno, teu Deus, pela boa terra que te deu" (Deuteronômio 8:10). É mais importante que as pessoas sejam espiritualmente motivadas pela gratidão do que pela satisfação potencial de uma grande necessidade.
Todavia, antes de agradecerem pela refeição que tiveram, alguns judeus cumprem uma tradição fascinante: todas as facas são retiradas da mesa, pois as facas, assim como as espadas, são símbolos de guerra e de violência. Quando Deus passou instruções para a construção do altar no interior do Templo, insistiu para que as facas e as espadas não fossem utilizadas para cortar as pedras necessárias para aquela peça sagrada que serviria para promover a paz entre as pessoas.
A mesa onde comem é como um altar para Deus, e a comida que consomem pode ser considerada um sacrifício. Mais do que comer pelos mesmos motivos que os animais, alimentamos o receptáculo da alma. Por isso, muito mais do que um restaurante, a sala de jantar é como um Templo em miniatura, onde os judeus louvam a Deus não só com as bênçãos apropriadas mas, também, consumindo alimentos e bebidas que nutrem corpo e alma.
A chalá é um pão trançado que é consumido no Shabat
A simples palavra chalá significa "oferenda de massa." Aparece pela primeira vez na Torá. Passou a significar um tipo de pão trançado milhares de anos depois.
A chalá, como a Torá a descreve, é a Mitsvá Positiva nº 133. Trata-se de separar um pedaço de massa da mistura e dá-la ao cohen no Templo de Jerusalém. As mulheres judias através dos séculos faziam a massa caseira e então queimavam uma pequena parte dela, significando a ausência do Templo. Por fim, este pão tornou-se conhecido como chalá.
Atualmente, preservam o costume de separar a massa e queimá-la de forma especial. É uma das três mitsvot destinadas especificamente à mulher: acender as velas de Shabat, cuidar das leis de Taharat Hamishpachá (Pureza Familiar) e hafrashat Chalá (separar a massa).
Antes de separar a chalá, esta bênção é recitada:

Baruch ata Ado-nai Elohênu mélech haolam, asher kideshánu bemitsvotav, vetsi-vánu lehafrish chalá min haissá.

Bendito sejas Tu, Eterno nosso Deus, Rei do universo, que nos santificaste com Teus mandamentos e nos ordenaste separar uma parte da massa.

Há um costume muito bonito que consiste em cobrir a faca com a qual se corta a chalá enquanto recitamos a Bênção de Graças Após as Refeições, a fim de destacar nossa repulsa por implementos que podem ser usados para matar e destruir. Que chegue logo o tempo em que as espadas se transformarão em arados e as lanças em foices, quando não haverá mal nem destruição no mundo inteiro e as únicas facas serão para fatiar a chalá a ser comida com leite e mel – não com carne – em homenagem ao Shabat e às festas!
(O texto foi montado aqui por, Costumes Bíblicos, com partes de artigos publicados em Israel Bible Center e em Chabad.org e com conteúdo das pesquisas relacionadas aos temas)





Os Sodomitas

MONTE DE SODOMA
A MALDADE DOS SODOMITAS 
E SUA DESTRUIÇÃO
(*)HISTÓRIA JUDAICA
Os anjos deixaram a tenda de Abraão e dois deles se viraram na direção de Sodoma para executar a decisão de D'us de destruir aquela cidade.
Os sodomitas eram notórios por sua maldade. Eles não tinham consideração pelos pobres, nem pelo estranho que passava a quem não ofereciam hospitalidade; nem lhe venderiam comida ou água. Depois que descobriram que Plitith, filha de Lot, secretamente dava comida a um estranho que estava quase morrendo de fome, e a queimaram em público. Outra vez, quando descobriram que uma jovem havia alimentado um mendigo faminto, espalharam mel por toda parte e a colocaram na muralha da cidade, para que ela morresse pelas picadas das abelhas atraídas pelo mel.
Esses e muitos outros atos hediondos de crueldade semelhantes pelos sodomitas e seus vizinhos de Gomorra haviam despertado a ira de D'us, e ele decidiu destruí-los completamente.



Abraão pede por Sodoma

Quando D'us informou Abraão de sua intenção de destruir Sodoma e Gomorra, Abraão implorou a D'us que salvasse as cidades por causa dos justos que poderiam morar lá. Somente quando D'us prometeu a ele que, se houvesse até dez habitantes justos em Sodoma, Ele salvaria a cidade inteira por causa deles, Abraão não pediu mais.

Hospitalidade de Lot

Ló, sobrinho de Abraão, nunca poderia esquecer completamente os ensinamentos e modos de vida de seu tio. Embora ele se associasse aos sodomitas por muitos anos, ele não havia aceitado a atitude deles em relação a estranhos e não participava do tratamento cruel deles com o infeliz transeunte.
Ló estava sentado nos portões de Sodoma quando viu dois estranhos. Ele os cumprimentou e os convidou para sua tenda, embora soubesse muito bem que havia arriscado sua vida ao fazê-lo. Os estranhos a princípio recusaram, mas depois que Lot os convenceu, eles finalmente concordaram em segui-lo até sua casa.
O povo de Sodoma, sabendo da presença de estranhos, cercou a casa de Ló. Eles exigiram que Ló desistisse dos dois visitantes para serem tratados da maneira usual. Em vão, Ló tentou acalmá-los e convencê-los a deixar os estrangeiros em paz. Quanto mais ele falava com eles, mais empolgados ficavam. Finalmente, eles ameaçaram matar Lot e começaram a invadir a casa. Mas os anjos puxaram Lot de volta para casa e atingiram a multidão atacante com cegueira, para que não pudessem entrar na casa de Lot.



Ló e sua família são salvos

Então, os anjos disseram a Ló para levar toda a sua família e deixar a cidade imediatamente, porque D'us os havia enviado para destruir Sodoma. Mas os genros de Ló eram sodomitas e recusaram-se a deixar suas casas. A manhã amanheceu, e os anjos pegaram Lot, sua esposa e duas filhas solteiras, e os levaram para fora da cidade, proibindo-os de voltar e olhar a cidade. Assim que Ló chegou a Zoar, D'us choveu enxofre e fogo sobre Sodoma e Gomorra. O lugar que antes parecia um jardim divino foi transformado em um mar de sal. A esposa de Ló estava curiosa demais para obedecer ao comando dos anjos. Ela se virou para olhar a cidade onde eles moravam há tanto tempo. A punição seguiu instantaneamente; ela foi transformada em um pilar de sal. Ló finalmente deixou Zoar, e ele e seus descendentes habitavam as províncias de Moabe e Amom.

O mar Morto

Abraão, lembrando-se da promessa graciosa de D'us, correu de manhã cedo para o local onde havia orado a D'us no dia anterior. O vale florescente estava escondido pela fumaça; fornos gigantes subiram da terra ao céu, onde ficavam as orgulhosas cidades do Jordão; e as chamas selvagens consumiam rapidamente a terra. Quando a devastação terminou, um vasto lago de sal e asfalto, ou betume, "O Mar Morto", ficava a leste do deserto de Judá .
O Mar Morto permaneceu e agora é uma das maravilhas da terra. A destruição de Sodoma trouxe medo a muitos corações. Viajantes e caravanas começaram a evitar essa parte da terra, e logo as estradas que levavam às regiões outrora férteis de Sodoma tornaram-se praticamente desertas. (*Texto publicado em Chabad.org com direitos autorais da Kehot Publication Society - Editado aqui por Costumes Bíblicos - Foto do acervo de Naomi Mayer - Institute Israel Bible Center)

Os gregos

O Parthenon, em Atenas, foi uma das
maravilhas do mundo antigo.
Os gregos
Desde a época dos últimos reis de Israel, o mundo do AT foi dominado por uma sucessão de grandes potências e impérios: os assírios, que conquistaram Israel, o reino do Norte; os babilônios, que destruíram Jerusalém e levaram o povo ao exílio; os persas, que permitiram o retorno dos judeus à sua pátria.
Mas no período que vai das últimas histórias do AT ao nascimento de Jesus, a potência dominante era a Grécia, e a influência grega foi mais ampla e duradoura que qualquer outra até então. Muitos dos livros deuterocanônicos, inclusive as histórias dos macabeus, que conseguiram a independência dos judeus por um breve momento, pertencem a este período: a era helenista (de hellas, antigo nome da Grécia).
A era "dourada" ou clássica da Grécia começou por volta de 480 a.C. A cidade-estado de Atenas era, na época, um modelo de democracia, com todos os cidadãos envolvidos em seus assuntos. Mas terríveis guerras locais dividiram o país e os gregos tiveram que lutar muito para manter os persas afastados.

Alexandre, o Grande

Alexandre deixou a sua marca,
não apenas nas moedas gregas,
mas em todo o mundo antigo,
chegando, no Oriente, até as
fronteiras do Índia.
Em 338, Filipe da Macedônia passou a ter o controle de toda a Grécia. Ao ser assassinado, ele foi sucedido por Alexandre, seu filho de 20 anos. Este derrotou os persas em 334. Depois, conquistou a Síria e o Egito (fundando a cidade de Alexandria), e, de vitória em vitória, chegou até à margem do rio Indo, onde, segundo se diz, chorou porque não havia mais mundos a serem conquistados.
Alexandre foi mais do que um lendário general. Seu tutor havia sido o famoso filósofo grego Aristóteles. E Alexandre tinha o desejo, não apenas de conquistar territórios, mas de difundir as ideias gregas e a cultura grega por onde passasse.
Ele tinha apenas 32 anos quando morreu (em 323 a.C.). Seus generais dividiram o Império entre si, dando continuidade ao processo de difusão da língua e da civilização grega que Alexandre havia começado. Ptolomeu ficou com o Egito. Seleuco e seus descendentes governaram o Oriente, tendo sua capital em Antioquia da Síria. A Palestina ficava no caminho das marchas e contramarchas dessas duas potências.

A difusão da cultura grega

Embora a civilização grega tivesse chegado ao seu apogeu antes do tempo de Alexandre, foi durante a era helenista, após a morte de Alexandre, que a influência grega mais se fez sentir nas terras bíblicas.
O grego se tornou a principal língua falada e também a língua de contato usada no comércio, na educação e na literatura. A arquitetura grega mudou o panorama de muitas cidades. Ginásios, teatros e estádios no estilo grego foram construídos por toda a parte.
Em Alexandria, no Egito, o AT foi traduzido ao grego (a "Septuaginta"), para atender a grande colônia de judeus de fala grega que morava na cidade.
Filipos foi uma cidade importante do
Império Romano. Em Filipos encontram-se
 as ruínas de uma das Sete Igrejas do Apocalipse.
O NT foi escrito em grego, e não no aramaico da Palestina (a língua diplomática usada, anteriormente, no Império persa), tampouco no latim do Império romano (embora alguns rascunhos de partes dos Evangelhos possam ter sido escritos em aramaico ou hebraico). (Veja mais sobre o ARAMAICO)
A partir de 167 a.C., os romanos começaram a conquistar antigas cidades e reinos gregos. Mas a língua e a influência grega permaneceram.
Escravos gregos foram levados às casas romanas, sendo alguns médicos, professores ou contadores. Os romanos adotaram muitas formas gregas de pensar. Aprenderam a falar grego. Os antigos deuses romanos foram equiparados ao sistema grego, e os deuses gregos receberam nomes romanos: Zeus se tornou Júpiter, Possêidon se tornou Netuno; Ares se tornou Marte; Ártemis se tornou Diana.

A influência grega na Palestina

Os costumes e as ideias dos gregos eram parte importante da vida e da cultura da Palestina na época do NT.
Do outro lado do lago, a sudeste da Galileia, havia uma federação de dez cidades livres ("Decápolis") que seguiam os padrões gregos. Jesus foi ensinar ali. Entre essas cidades estavam Citópolis (atual Bete-Seã), onde arqueólogos conseguiram desenterrar as ruínas da cidade clássica com seu teatro, ginásio e templos. Recentemente arqueólogos também passaram a fazer escavações em Séforis, importante cidade helenista a alguns quilômetros de Nazaré (veja "JESUS E AS CIDADES").
Veja também:

GOVERNO ROMANO, cultura grega,

A CIDADE DE ATENAS,

A CIDADE DE CORINTO,

A CIDADE DE ÉFESO.

Mapa - Império de Alexandre, O Grande. 336-323 a.C.

Cananeus e filisteus

CANANEUS
Os habitantes originais do litoral sírio-palestino, incluindo o sul da Fenícia, eram os descendentes de Canaã (Gn 10.15-18). O termo amplo "cananeus" incluía jebuseus, amorreus, heveus e girgaseus. Eles eram um grupo diversificado de pessoas que haviam sido dispersas de Sidom a Gaza (do norte para sul) e da costa do Mediterrâneo ao mar Morto (do oeste para o leste). Eles eram intimamente ligados aos amorreus da região montanhosa, chamada de Martu pelos sumérios. A urbanização de Canaã começou no início da Idade do Bronze II (2900-2700 a.C.). No fim da Idade do Bronze (1550-1200 a.C.), quando os israelitas chegaram, Canaã era uma população diversificada, composta por várias tribos dos cananeus e dos amorreus. Na época, muitas cidades muradas de Canaã (por exemplo, Jericó e Hazor) eram verdadeiras cidades-estados governadas por reis locais.



Keith Schoville identificou a língua cananeia como um dos principais ramos da família semita de línguas do noroeste. A descoberta das tabuletas de Ebla, em 1976, na Síria, indicou que a língua eblaíta era o cananeu antigo. A descoberta das tabuletas em Ras Shamra (antiga Ugarit), na Síria, em 1929, revelou vários detalhes sobre a língua, a literatura e a religião de Canaã.
Ruínas de Ugarit em Ras Shamra,
 na costa da Síria, 

perto do rio Orontes.
"Canaã" foi o nome dado, depois de 2000 a.C., à costa da região onde hoje ficam o Líbano e Israel. Com o passar do tempo, toda a área que fica entre a costa e o rio Jordão recebeu esse nome. Na época da invasão israelita sob a liderança de Josué, Canaã era um conjunto de pequenas cidades, cada qual governada por seu próprio rei e nominalmente sujeitas ao Egito.
Comerciantes
Os cananeus que viviam na costa eram grandes comerciantes - tanto assim que, em hebraico, a palavra "cananeu" passou a significar "negociante" (Ez 17.4). Depois do ano 1000 a.C., os cananeus que continuavam independentes foram chamados de "fenícios" pelos gregos. Seus principais portos eram Tiro, Sidom, Beirute e Biblos, que hoje fazem parte do Líbano. Destes portos saíam navios, levando cedro, azeite, vinho e outras mercadorias para o Egito, Creta e a Grécia. Eles traziam de volta (por exemplo) linho do Egito e porcelana do Chipre e da Grécia. Também o papiro era levado do Egito a Biblos, assim que, quando os gregos viram rolos de papiro pela primeira vez, os chamaram de bíblia, "coisas de Biblos", dando-nos a palavra "Bíblia".
Artesãos habilidosos
Na época do rei Salomão, o trabalho dos artesãos cananeus ou fenícios era famoso. O cedro do Líbano foi transportado ao longo da costa, saindo de Tiro, para ser usado na construção do Templo, em Jerusalém. E Hirão de Tiro projetou e decorou as colunas de bronze e outros objetos do Templo (1Rs 5; 7.13).
O alfabeto
Algumas letras do alfabeto latino (A K O), usadas atualmente, com seus ancestrais cananeus, de cerca de 1600 a.C. (linha de cima),e seus "pais" fenícios,de cerca de 1000 a.C. (linha do meio). 
Os sistemas de escrita cuneiforme (na Babilônia) e hieroglífica (no Egito) dominaram o Oriente Próximo entre 3000 e 1000 a.C.. No entanto, escribas inventaram outros sistemas para outras línguas. Em Canaã, um escriba começou a usar um sistema no qual o desenho de uma porta, por exemplo, representava sua letra inicial - "p". Assim nasceu o alfabeto. Por volta de 1000 a.C., o alfabeto começou a ser amplamente usado na Fenícia, em Israel e outras regiões. Os gregos o adotaram por volta de 800 a.C. Os sinais que representavam sons que eles não necessitavam foram usados para as vogais. Assim, o alef (boi), uma consoante no hebraico, se tornou a vogal "a", no grego.
Religião
As divindades incluíam El (o deus supremo), Aserá (esposa de El), Baal (deus da tempestade), Mot (deus da morte) e Anat (irmã de Baal). A religião cananeia incluía demonstrações de êxtase, orações emotivas e prostitutas no templo. Esta religião personificava e divinizava as forças da natureza e foi uma distração constante para o monoteísmo dos israelitas.
Os cananeus adoravam Baal, o deus do clima e da fertilidade, e Astarote, sua esposa, deusa do amor e da guerra. Além disso, havia uma legião de outros deuses. Ele era o deus principal. Cada cidade tinha seu deus padroeiro ou sua deusa padroeira. Esses deuses, por mais que fizessem exigências cruéis, como o sacrifício de crianças, não estabeleciam leis (como os Dez Mandamentos), o que permitia às pessoas viver como bem entendiam. Esse fato, aliado ao componente da fertilidade e das colheitas, tornava a religião cananéia atraente e fácil de seguir. É por isso que os israelitas deveriam evitar todo tipo de contato com os cananeus (veja, p.ex., Dt 7.1-6). A desobediência acabaria lhes trazendo uma série de problemas. 

FILISTEUS
Os filisteus estavam entre os povos do mar que migraram pelo Mediterrâneo a partir do mar Egeu no segundo milênio antes de Cristo. Embora pequenos grupos de comerciantes minoicos tenham chegado a Canaã na época dos patriarcas, a principal invasão de filisteus aconteceu em torno de 1200 a.C. O impacto desta desta migração filisteia está totalmente documentado nos livros de Juízes e Samuel, pois ela representou, muitas vezes, uma ameaça para Israel nas histórias de Sansão, Samuel, Saul e Davi. Esta nação consistia em uma pentápolis das seguintes cidades: Asdode, Ascalão, Gaza, Gate e Ecrom. As incursões dos filisteus ao interior também são registradas na Bíblia como tendo acontecido em Bete-Seã, Timna e Gerar.
Embora alguns tenham vindo antes, foi por volta de 1200 a.C. que os "povos do mar" (como os egípcios os chamavam) invadiram as regiões costeiras da parte oriental do Mediterrâneo. Quando o Egito finalmente os derrotou, em 1175 a.C., eles tentaram conquistar Canaã, e enfrentaram os israelitas na disputa pelo território. Por fim, os filisteus conseguiram assumir o controle de cinco cidades, cada qual com seu próprio governante. Os filisteus foram dominados pelo rei Davi e por alguns de seus sucessores, permanecendo um grupo distinto até o período persa. Finalmente, o nome deles foi dado àquela terra: Palestina.
Cerâmica, origens e ferro
Este jarro filisteu,
com sua decoração

 característica, associa
 este povo a sua "pátria"
 na região ao norte
do Mediterrâneo. 
Eles desenvolveram uma forma distinta de olaria, que apresentava desenhos geométricos e pássaros estilizados, semelhantes à olaria messênica e egeia do terceiro milênio que os filisteus tentavam copiar, provavelmente em memória de sua pátria ancestral. Além disso, como os gregos, eles enterravam os mortos importantes em caixões antropoides de argila. Características faciais moldadas nestes caixões retratam europeus com elmos de plumas.
A cerâmica encontrada na região da Filístia revela ligações com a cerâmica micênica da Grécia, de Creta e de Chipre. Além disso, outros objetos indicam que os filisteus eram estrangeiros vindos do Norte. O nome Golias e a palavra para governador podem indicar que falavam uma língua indo-européia. A fundição do ferro estava começando a se difundir e os filisteus tinham certo controle sobre essa tecnologia. Os israelitas precisavam levar ferramentas de ferro aos ferreiros filisteus para conserto e afiação e eram impedidos de obter armas de ferro, que eram mais eficazes (1Sm 13.19-22).
Neste entalhe,(FOTO) do Egito, aparece um soldado com um típico enfeite filisteu na cabeça. 
Até o momento, os arqueólogos não encontraram inscrições filisteias. Algumas palavras aparecem no texto bíblico: seren ("senhores"), argaz ("caixa" ou "cofre") e os nomes de Aquis e Golias (golyat). Os estudiosos supõem que a língua filisteia tenha sido uma forma indo-europeia pré-grega, totalmente absorvida mais tarde pelos dialetos semitas cananeu e hebraico. O desafio para um duelo de campeões, feito por Golias aos israelitas (1Sm 17.4-10), definitivamente reflete um conceito grego, não semita. Howard observa que o termo "filisteu" aparece 288 vezes no Antigo Testamento, indicando claramente que eles desempenharam um papel significativo na história e na sociedade de Israel. O Antigo Testamento indica que eles adoravam Dagom, o deus do grão, e a evidência arqueológica indica que eles também adoravam Baal e Aserá. Militarmente, os filisteus dominaram Israel por mais de um século e, foi nessa ocasião, por meio de uma guerra sangrenta travada entre eles e os israelitas, que o rei Saul se suicidou-se e Jônatas, seu filho, foi morto (1Sm 31). Porém, foram conquistados e subjugados pelo rei Davi (2Sm 5.17-25; 8.1-12).

Os assírios

Este grande touro alado 
decorava o palácio
 do rei Sargão, da Assíria, 

em Corsabad
Os assírios
Os assírios ocuparam a parte norte do atual Iraque, ao longo do rio Tigre, durante a maior parte do período do AT. As colinas e planícies desta terra fértil contrastam com o deserto a oeste e as montanhas escarpadas a norte e leste. Por isto, os assírios precisavam sempre defender o seu país de invasões.

História

Os assírios eram em grande parte um povo semita (grupo racial ao qual pertencem os árabes e os judeus) e sua língua era bem próxima da língua babilônica. Eles também usavam o mesmo sistema de escrita cuneiforme. As listas dos reis assírios revelam que os assírios estavam em seu território desde 2300 a.C. aproximadamente.
A partir de 1350 a.C. a Assíria se tornou um Estado líder no Oriente Próximo. Após um período de fraqueza (cerca de 1050 a 925 a.C.), quando tribos araméias da Síria a pressionaram, uma linhagem de reis poderosos estabeleceu o imponente Império Assírio.

Vida e arte

Com o Império veio a riqueza. Os relatos na Bíblia e em outras fontes e as cenas de batalha que decoram as paredes dos palácios assírios dão a impressão de um povo guerreiro cruel. Mas seu propósito era glorificar os deuses da Assíria que davam as vitórias a seus reis e para demonstrar o poder da Assíria. A vida dos assírios não era feita só de guerra.
Em Nínive, Assur e Calá, as cidades mais importantes, os reis construíram grandes palácios e templos. As paredes eram forradas de laje entalhada em baixo relevo. Elas apresentam o rei numa caçada, lidando com seus súditos e adorando os deuses, e descrevem, também, as suas vitórias.
A mobília do palácio era decorada com belos painéis de marfim entalhado ou gravado. O rei, com a rainha ao seu lado, reclinava-se num divã dourado e bebia em taças de ouro.

Bibliotecas

Milhares de tábuas de argila foram armazenadas nas bibliotecas do palácio. Muitas tratam de questões diplomáticas e administrativas, e registram detalhes dos diferentes reinados. Há documentos legais e cartas aos reis assim como dicionários e listas de palavras.
As bibliotecas colecionavam livros babilônicos, inclusive lendas da história antiga, tais como O Épico de Gilgamés, que fala do dilúvio, e mitos sobre os deuses e a criação do mundo e da sociedade humana.

Religião

Assur, o deus nacional da Assíria, era considerado o rei dos deuses. Acreditava-se que ele e os outros deuses (lua, sol, clima; deusa do amor e da guerra...) controlavam tudo.
Cada cidade tinha um templo principal no qual o deus patrono era adorado. No dia especial dedicado àquele deus e nas grandes festas, as pessoas enchiam as ruas para ver as estátuas do deus levadas em procissão.
O mundo dos espíritos era levado muito a sério. As pessoas usavam amuletos para afastar maus espíritos e demônios que, segundo se acreditava, poderiam causar problemas e doença. Consultavam videntes e astrólogos para conhecer o futuro, e acreditavam que marcas no fígado de ovelhas sacrificadas e os movimentos das estrelas eram mensagens divinas que anunciavam boa ou má sorte.
Era difícil saber que os deuses queriam: eles eram imprevisíveis.
Ofertas eram feitas para garantir que os mortos ficassem em seu mundo e não viessem assombrar os seus descendentes, mas não havia real esperança de vida após a morte.

A Assíria e Israel

Os assírios entraram em contato com Israel quando estenderam seus domínios para o sudoeste, no século 9 a.C. Salmaneser menciona Acabe de Israel entre os reis cuja tropas ele derrotou em 853 a.C., e Jéu pagando tributo em 841.
Por volta de 796, Joás de Samaria pagou tributo a Adade-Nirari V. Cinquenta anos depois, Tiglate-Pileser lll retomou a pressão assíria sobre Israel, exigindo pagamento de Menaém (2Rs 15.19-20).
Quando Damasco e Samaria ameaçaram Acaz de Judá, ele se sujeitou a Tiglate-Pileser em troca de ajuda. Em razão disso, os assírios tomaram Damasco em 732 a.C. e colocaram Oséias no trono de Israel, em lugar de Peca. Além disso, ocuparam muitas cidades no norte de Israel (2Rs 16).
Oséias rebelou-se (2Rs 17.4), e isto levou Salmaneser V, filho de Tiglate-Pileser, a atacar Samaria. Após três anos de investidas, conquistou a cidade (722/1 a.C.).
O rei assírio seguinte, Sargão ll (Is 20.1), registra a deportação de "27.290 habitantes com suas carruagens... e os deuses em quem confiavam".

A Assíria e Judá

Ezequias, filho de Acaz, rejeitou a política de submissão à Assíria que havia sido adotada por seu pai. Logo, forças assírias vieram para exigir submissão.
Embora Senaqueribe tenha devastado Judá (701 a.C.), ele não conseguiu tomar Jerusalém ou capturar Ezequias, fato sobre o qual os registros assírios e as narrativas bíblicas concordam. Ezequias ficou no seu trono, mas pagou tributo, assim como faria seu filho Manassés.
Quando o controle assírio enfraqueceu no Ocidente, após 635 a.C., é possível que Josias tenha estendido novamente as fronteiras de Judá.
A caça, principalmente de leões,
era uma das atividades
 favoritas dos reis assírios.
O rei Assurbanipal II da Assíria. 
 











Faixas de bronze que decoravam
 a porta de um templo mostram
 o rei assírio em campanha militar,
 com um carro de guerra atravessando
uma ponte feita com barcos. 
O Império Assírio no auge de seu poder.
 Nínive, a capital da Assíria,
 foi tomada por medos e babilônios em 612 a.C.









 







Veja abaixo, páginas que relatam sobre a tomada e queda da Assíria e como isto ocorreu!

Os Persas

O Império persa no auge do seu poder.
 O exército dos persas e medos conquistou
 a Babilônia em 539 a.C. Alexandre,
 o Grande, e seu exército grego
 começaram a conquistar o
 Império persa em 333 a.C.


Os Persas eram um povo nômade que, saindo da Ásia Central, se mudou para o Irã por volta de 1000 a.C. Eles se instalaram a leste do Golfo Pérsico numa área ainda chamada de Farsistão. O primeiro rei persa conhecido na história foi Ciro I, que reinou por volta de 640 a.C.
Ciro, o Grande - Os persas aparece de forma dramática nas páginas da Bíblia no momento em que Ciro II (o Grande), neto de Ciro, invadiu a Babilônia.
Em 550 a.C., Ciro assumira o controle de Ecbatana, capital do rei medo Astíages, seu sogro. Os medos dominavam grande parte da Pérsia e da região onde hoje fica a Turquia. Ciro conquistou o reino dos medos, derrotou Creso, rei da Lídia, na parte ocidental da Turquia, e depois foi para o Oriente, na direção do nordeste da Índia. Em 540 a.C. ele já estava pronto para desafiar o poder do grande império babilônico.
A queda da Babilônia inscrições em escritas cuneiforme registram que a Babilônia caiu sem oferecer resistência, isto é, sem que houvesse uma única batalha, em 539 a.C. A tradição posterior conta como o exército de Ciro entrou na cidade pelo leito do rio Eufrates, que fora desviado.

Política de paz Ciro foi um grande benfeitor. Na Babilônia, ele restaurou templos e devolveu a seus próprios santuários as imagens de deuses trazidos à Babilônia. Os assírios e babilônios haviam deportado muitos povos conquistados. Agora Ciro permitiu que os judeus saíssem da Babilônia e voltassem para Judá. Eles levaram consigo os tesouros saqueados do templo em Jerusalém, e tiveram permissão para reconstruí-lo.
Estas figuras aparecem
na parede  da sala
do conselho do
 palácio, em Persépolis.
 
O Império persa Os livros de Esdras, Neemias, Ester, Ageu, Zacarias, Malaquias e parte de Daniel pertencem ao período do Império persa sob Ciro, Dario, Xerxes (Assuero) e Artaxerxes. Eles refletem o poder e a riqueza dos reis persas.
Como o Oriente Próximo sob seu controle, Dario (522-486 a.C.) conquistou o norte da Grécia em 513. Após uma derrota em Maratona, seu filho Xerxes (486-465) chegou até Atenas antes de perder a batalha naval em Salamina. Apesar de rebeliões no Egito e ataques de Estados gregos, os persas mantiveram seu Império durante 200 anos. Então, em 333 a.C., Alexandre cruzou o estreito de Dardanelos e, dentro de alguns anos, a Grécia havia se tornado a nova potência mundial.
Rei Dario (o Grande)
 mata uma fera mística 
Governo iluminado/esclarecido Um governo e uma administração sábios possibilitaram aos persas o controle de nações distantes. Ciro, o Grande, dividiu o império em províncias, cada uma com seu próprio governador ou "sátrapa". Estes eram nobres persas ou medos, mas os nativos governados por eles retinham certo poder. As pessoas eram incentivadas a manter seus próprios costumes e suas religiões, e isto ajudou a manter a paz.
Dario I (veja Ed 6) aprimorou o sistema de governo. Ele também introduziu moedas e um sistema legal. Sua nova rede postal foi um auxílio vital à comunicação.
Outro fator de unificação foi o uso do aramaico como a língua diplomática do império desde a fronteira sul do Egito, em Assuã, até o rio indo, na parte mais oriental. O aramaico já era conhecido, mesmo na distante Judá, desde o período assírio. Os oficiais do rei Ezequias disseram ao mensageiro assírio: "Fale em aramaico, pois nós entendemos". (Veja mais sobre o ARAMAICO) As cartas oficiais conservadas no livro de Esdras estão escritas neste aramaico imperial.
Esta jarra adornada,
 é um belo exemplo
 da habilidade artística
dos persas.
Arte e cultura O império gerou grande riqueza e artesões foram levados de todas as regiões às capitas. Dario I construiu um palácio magnífico em Persépolis e havia outros em Pasárgada, Susã e Ecbatana. Ouro e jóias revelam a riqueza e o luxo da corte persa., refletida no livro de Ester.
O Cilindro de Ciro foi encontrado há cerca de 100 anos. Ele registra como Ciro II, da Pérsia, tomou a cidade da Babilônia de surpresa, sem uma batalha, e como ele devolveu os deuses tomados de várias cidades babilônicas a seus lugares, juntamente com seus servos. Foi no contexto dessa política que os judeus puderam voltar a sua terra natal após os longos anos de exílio. 

Os Babilônios

Os Babilônios
Há 6.000 anos atrás, o antigo reino da Babilônia ocupava a parte sul do atual Iraque, o território regado pelos rios Tigre e Eufrates, que desembocam no Golfo Pérsico. O terreno é plano, e as cidades surgiram naquela região tão logo as pessoas aprenderam a usar a água como meio para irrigação.
O início da civilização
A Babilônia, como o Egito, foi um dos primeiros centros de civilização no Oriente Médio. Mil anos antes de Abraão, os sumérios já viviam na Babilônia. As cidades altamente organizadas eram governadas por reis e sacerdotes e, em muitos momentos, lutavam pelo controle da água.
Os templos eram construídos sobre plataformas de tijolos que se transformavam em torres de vários andares, cada novo andar um pouco menor do que o anterior, chegando a uma altura de 50 m (o zigurate).
Os adoradores traziam estátuas de pedra e vasos feitos com esmero, na esperança de serem lembrados pelos deuses. Artesãos trabalham com metais (todos importados) com grande habilidade para criar belas jóias de ouro e prata, instrumentos e armas de cobre e bronze.
A escrita
Grandes populações exigem organização, e foi isto que, provavelmente, levou os sumérios a inventarem a escrita pouco antes de 3000 a.C. A princípio, desenhos ou gravuras representavam objetos, depois seus nomes foram usados para representar seus sons. O sistema convencional usava cerca de 600 símbolos para palavras ou sílabas. A escrita rápida resultou na perda das formas reconhecíveis das figuras. A pressão da ponta de junco na argila mole (o material de escrita) produziu o traço em forma de cunha da escrita cuneiforme. Os babilônios adotaram essa forma de escrita para a sua língua semita.
O poder da Babilônia
A cidade da Babilônia foi uma potência por um breve período na época de Hamurábi (cerca de 1792-1750 a.C.). Só que este reino, que compreendia o restante da Babilônia e da Assíria, não durou muito após a morte de Hamurábi.
A Babilônia dominou o Oriente Próximo por outro breve período, este de grande fama e notoriedade. Após a queda da Assíria em 612 a.C., a Babilônia assumiu o controle de toda a área desde o Golfo Pérsico até a fronteira com o Egito. Em 605 a.C., Nabucodonosor (605-562 a.C.) derrotou o Faraó Neco em Carquemis e ele e seus sucessores mantiveram seu domínio com algumas campanhas para suprimir rebeldes e proteger suas fronteiras.
O último rei, Nabonido (555-539 a.C.), viveu no norte da Árabia por dez anos, provavelmente por motivos religiosos, deixando o reino nas mãos de seu filho Belsazar.
Babilônia e Judá
Judá ficou sujeita à Babilônia depois da batalha de Carquemis (605 a.C.), mas alguns anos depois o rei Joaquim se rebelou. O exército de Nabucodonosor marchou contra Judá e sitiou Jerusalém. O novo rei, Joaquim, foi levado prisioneiro à Babilônia. Com ele, foram levados muitos cidadãos de destaque.
Tábuas com escrita cuneiforme registram as rações destinadas a ele e sua família, na Babilônia. O cerco, juntamente com a data (15 ou 16 de março de 597 a.C.), foi registrado na Crônica Babilônica: "O rei da Babilônia... marchou para o oeste, sitiou a cidade de Judá, e a capturou no segundo dia de Adar. Ele prendeu o rei e apontou um governador de sua escolha..."
Dez anos depois, Nabucodonosor retornou, porque Zedequias, o rei escolhido por ele, se havia rebelado. Desta vez os babilônios destruíram Jerusalém e seu Templo e levaram quase todo o povo para a Babilônia (587/6 a.C.).
A Babilônia de Nabucodonosor
Os exilados de Judá foram levados para a grande cidade da Babilônia que Nabucodonosor reconstruíra. O centro da cidade era protegido por um fosso largo e muralhas duplas de tijolo (3,7 m de espessura), com espaço para uma estrada de uso militar entre elas. Das oito grandes portas, a porta de Ishtar, construída em honra do deus babilônio Marduque, é a mais conhecida atualmente.
A porta era decorada com fileiras alternadas de touros (símbolo de Adade, o deus do clima) e dragões (símbolo de Marduque) feitos de tijolos esmaltados. A Rua da Procissão (pela qual eram levadas estátuas de deuses na festa do Ano Novo) ia da porta ao centro da cidade e aos grandes templos. Suas paredes eram de tijolos esmaltado azul com leões em alto relevo (símbolo de Ishtar) nas cores vermelho, amarelo e branco. Havia uma pluralidade de templos na Babilônia. O mais importante era o zigurate de Marduque (ou Merodaque), deus patrono da cidade, com seu templo ao lado.
Nabucodonosor construiu um complexo de palácios ao norte, ao lado da Porta de Ishtar. Foi para lá que Daniel foi levado, para fazer parte da corte real.
A queda da Babilônia
Apesar de toda a sua glória, o Império Babilônico durou menos de um século. O exército de Ciro, o persa, tomou a Babilônia em 539 a.C.

Porta de Ishtar
Um zigurate é uma forma de templo,
criada pelos sumérios e comum para
os babilônios e assírios, pertinente
à época do antigo vale da
Mesopotâmia e construído na forma
de pirâmides terraplanadas.

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