Costumes Bíblicos: A Ressurreição de Cristo - Parte II

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A Ressurreição de Cristo - Parte II

VISÃO MATINAL DA 
VILA BÍBLICA DE CANÁ
A RESSURREIÇÃO DE CRISTO - II
Manhã em Jerusalém. As casas começam a refletir as cores do céu. É como se esses edifícios resplandecessem primeiro em um vermelhão escuro. Depois certos lugares emitem um aspecto alvo e amarelado e acentuam-se os limites entre a luz e as sombras. Ao mesmo tempo, as cercanias da Cidade Sagrada vão clareando do lado do nascente; lá se levantam nitidamente as negras bandeiras dos ciprestes para o céu arroxeado, e as oliveiras mais baixas parecem nuvens prateadas.
Assim deve ter sido aquela manhã em que os guardas à entrada do túmulo de Jesus esperavam com impaciência a hora de voltar para casa. Nunca lhes haviam incumbido de um serviço mais insensato! As horas de vigília não passavam sem que dissessem toda sorte de palavras grosseiras. (Veja a primeira parte da ressurreição, AQUI)



Enquanto isso, depois de visitar entre os justos do Antigo Testamento e pregar aos espíritos em prisão (1Pe 3.18,19), a alma de Jesus finalmente retorna ao seu corpo no sepulcro. Como é que a linguagem humana, em sua fragilidade, pode explicar o que Jesus, como Filho do Homem, sentiu ao ressurgir do sepulcro? Os apóstolos foram muito discretos e cautelosos, e evitaram descrever coisas que não viram. Começaram a falar da ressurreição de Jesus principiando por aqueles fatos em que simples homens estiveram presentes como testemunhas.
Os guardas esperavam o momento do revezamento das tropas quando a terra começou a tremer. Um ser sobrenatural, um anjo, desceu do céu, aproximou-se e rolou a pedra da frente do sepulcro. O semblante do mensageiro celestial brilhava como um raio, e as suas vestes resplandeciam como a neve. Os guardas aterrorizaram-se e, a tremer, perderam o controle de si mesmos. É o que diz o evangelista Mateus:
E eis que houvera um grande terremoto, porque um anjo do Senhor, descendo do céu, chegou, removendo a pedra da porta, e sentou-se sobre ela.
E o seu aspecto era como um relâmpago, e as suas vestes brancas como neve.
E os guardas, com medo dele, ficaram muito assombrados, e como mortos. (Mateus 28:2-4)
É apenas isto o que o evangelista Mateus nos narra. Em todo caso, os soldados, depois que o anjo desapareceu, procederam de modo como os homens em geral costumam fazer nestes casos. Procuraram achar que tudo não passava de uma ilusão, de um engano, mas a pedra removida e o túmulo vazio eram fatos reais.
Além de relatar um grande número de milagres realizados por nosso Senhor Jesus Cristo, os evangelhos sinópticos apresentam três fatores de ordem superior, que podemos considerar como essenciais: o nascimento, a individualidade e a ressurreição de Cristo.
Os milagres estão indissoluvelmente unidos entre si, explicam-se e completam-se mutuamente. Se Jesus é verdadeiramente o Filho de Deus, era exatamente importante que ele nascesse de uma virgem (veja sobre o nascimento virginal de Cristo, AQUI) e que seus restos mortais não permanecessem no sepulcro. Este último prodígio foi anunciado pelo rei Davi, há mais de mil anos, em Salmos 16.10. Pedro também aplicou este mesmo texto ao nosso Senhor em Atos 2.26,27:
Por isso se alegrou o meu coração, e a minha língua exultou; E ainda a minha carne há de repousar em esperança;
Pois não deixarás a minha alma no inferno, Nem permitirás que o teu Santo veja a corrupção; (Atos 2:26,27)
Este texto afirma que o Messias não ficaria prisioneiro da morte, pois é o Príncipe da Vida, (veja sobre Jesus, o Senhor da Vida, AQUI) conforme falou o apóstolo Pedro. Não somente para Jesus era importante a ressurreição, mas, especialmente para o seu ministério, pois confirmava tudo o que ele ensinou e realizou. Toda a sua obra se apóia neste mistério como em seu fundamento principal. O apóstolo Paulo também falou com todo o vigor:
E, se Cristo não ressuscitou, logo é vã a nossa pregação, e também é vã a vossa fé.
E assim somos também considerados como falsas testemunhas de Deus, pois testificamos de Deus, que ressuscitou a Cristo, ao qual, porém, não ressuscitou, se, na verdade, os mortos não ressuscitam.(1 Coríntios 15:14,15)
Se a ressurreição de Jesus não fosse um fato histórico, se ele não tivesse saído vivo da sepultura que pertencia a José de Arimateia, aquele sepulcro seria tão-somente mais uma tumba, semelhante às sepulturas onde jazem tantos outros líderes religiosos de nossa história.

RESSURREIÇÃO NO TERCEIRO DIA (*CURIOSIDADE DO HEBRAICO BÍBLICO)

Em 1 Coríntios, Paulo diz que Jesus "ressuscitou no terceiro dia, de acordo com as Escrituras" (15: 4). Enquanto as Escrituras de Israel nunca afirmam precisamente que “o Messias será ressuscitado dentre os mortos no terceiro dia”, o apóstolo tem boas razões para tirar essa conclusão: os autores bíblicos apresentam o “terceiro dia” como um momento climático associado à atividade divina , e Paulo não é o único pensador judeu antigo a associar o terceiro dia à ressurreição.
Ao longo da história de Israel, coisas importantes ocorrem no terceiro dia. Por exemplo, quando Deus diz a Abraão que sacrifique Isaque em Moriá, "no terceiro dia ( יום השׁלישׁי ; yom ha'shelishi ), Abraão levantou os olhos e viu o lugar de longe" (Gn 22: 4) . Além disso, Moisés diz aos hebreus: “Esteja pronto para o terceiro dia ( יום השׁלישׁי ; yom ha'shelishi ). Pois no terceiro dia o Senhor descerá ao monte Sinai aos olhos de todo o povo ”(Êx 19:11). Talvez seja mais relevante da perspectiva do Novo Testamento, o peixe vomita Jonas da barriga após “três dias e três noites” ( שׁלשׁה ימים ושׁלשׁה לילות ; sheloshah yamim u'sheloshah leylot; Jonas 1:17), e Jesus observa que "assim como Jonas esteve três dias e três noites no ventre do grande peixe, o Filho do Homem estará três dias e três noites no coração da terra" antes da ressurreição (Mateus 12:40).
Além desses casos, Paulo pode ter tido outro versículo em mente ao pensar na ressurreição de Yeshua . Segundo Oséias, “Depois de dois dias [o Senhor] nos reviverá; no terceiro dia ( יום השׁלישׁי ; yom ha'shelishi ) ele nos levantará, para que possamos viver diante dele ”(6: 2). No judaísmo antigo, as palavras de Oséias eram entendidas como se referindo à ressurreição. O corpus de traduções judaicas do hebraico para o aramaico - chamado Targums - substitui a frase original de Oséias, “no terceiro dia ele nos levantará”, com a declaração “no dia da ressurreição dos mortos ( יום אחיות מיתיא ; yom ahayut mitaya) ele nos levantará para que vivamos diante dele ”(HosTg 6: 2). A versão aramaica de Oséias, escrita um pouco depois do tempo de Paulo, equipara explicitamente o "terceiro dia" a "o dia da ressurreição dos mortos". A crença de Paulo no precedente bíblico para a ressurreição de seu Messias pode estar enraizada em uma equação entre o “terceiro dia” e a “ressurreição” semelhante à do Targum posterior. À luz da Bíblia hebraica e de sua tradição traducional judaica, Paulo tem amplo apoio à sua afirmação de que o momento da ressurreição de Jesus foi "de acordo com as Escrituras".
[A relevância do terceiro dia para os crentes em Jesus hoje é que eles podem basear sua fé na ressurreição de Jesus em precedentes semelhantes do terceiro dia encontrados nas Escrituras.](*Texto de Dr.Nicholas J. Schaser publicado no Israel Bible Center)

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