Costumes Bíblicos: JESUS e Seus irmãos





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JESUS e Seus irmãos

JESUS é verdadeiramente, o Rabi. É o Mestre e não qualquer mestre, é o Mestre dos mestres profundo conhecedor da Torá, assim como os mestres fariseus, ele é em quase tudo semelhante aos sábios do movimento farisaico. Ele superou os sábios do seu tempo. Porque para seus seguidores, Jesus, é Deus encarnado. Chamado rabi por seus discípulos, seu comportamento demonstra isso, Ele anda no meio do povo e prega de preferência aos mais humildes, ensinando-lhes a Torá assim como faz qualquer outro rabi ou mestre fariseu, ser acompanhado por discípulos que seguem seus ensinamentos e replicam é outra das características que denotam essas semelhanças e os ensinamentos de Jesus eram profundamente judaicos!
Veja relação existente entre alguns ensinamentos de Jesus com alguns dos sábios de Israel:

  • Jesus: "Com a medida com que tiverdes medido vos hão de medir a vós". (Mt 7.2)
  • Moisés: "Com a medida que você mediu, eu tenho medido você." E assim está escrito (2Sm 22.27): "Com o puro você é puro, e com o torto você é astuto".
  • Jesus: "Tudo, quanto, pois, quereis que os homens vos façam, assim fazei-o vós a eles, porque esta é a Torá e os Profetas" (Mt 7.12).
  • Hillel: "Não faça aos outros o que não deseja que façam a você, esta é toda a Torá, o restante é comentário, vai e pratica isto" (Shabat 31a).
  • Rabbi Shimon Ben Elazar: "Você já viu uma fera ou um pássaro que tem um comércio? E, no entanto, eles ganham seu sustento sem angústia. Mas todos estes foram criados apenas para me servir, e eu, um ser humano, fui criado para servir Aquele que me formou. Não é certo que eu deveria ganhar o meu sustento sem angústia? (Kiddushin 82a).
  • Jesus: "E prosseguiu: O Shabat foi feito por causa do homem, e não o homem por causa do Shabat" (Mt 2.27) 
  • "... o Shabat foi entregue em suas mãos, enão você nas mãos dele" (Talmud Bavli, Yoma 85b).
  • Jesus: "Qualquer, pois, que a si mesmo se exaltar, será humilhado; e qualquer que a si mesmo se humilhar, será exaltado" (Mt 23.12)
  • "Qualquer um que se humilha sobre assuntos da Torá neste mundo torna-se grande no Mundo vindouro; e qualquer um que se estabeleça como um servo sobre assuntos da Torá neste mundo torna-se livre no mundo vindouro" (Bava Metzia 85b).

JESUS e Seus Irmãos...

Estamos falando dos Fariseus! [Aprofunde-se com o Hebraico Bíblico]
Era perfeitamente possível relacionar Jesus aos fariseus de forma positiva, mostrando a Torá como mesma fonte de ensinamentos, bem como seu senso ético moral, similar a deles. Assim como também é possível perceber que os fariseus por várias vezes tomam partido e defendem os seguidores de Jesus diante dos saduceus. Como sinaliza Flusser [Vilém Flusser foi um filósofo Checo-brasileiro. Autodidata, durante a Segunda Guerra, fugindo do nazismo, mudou-se para o Brasil, estabelecendo-se em São Paulo, onde atuou por cerca de 20 anos como professor de filosofia, jornalista, conferencista e escritor] :
Se lembrarmos o papel que os fariseus desempenharam nas primeiras décadas da igreja cristã, fica mais claro o motivo pelo qual não só os relatos originais como também os três primeiros evangelhos, evitam mencionar os fariseus na história do julgamento de Jesus. Quando os apóstolos foram perseguidos pelo sumo-sacerdote saduceu, Rabban Gamaliel tomou tomou o seu partido e os salvou (At 5.17-42). Quando Paulo foi levado a comparecer perante o Sinédrio de Jerusalém, encontrou solidariedade entre seus ouvintes ao apelar para os fariseus (At 22.30 e 23.10). Quando Tiago, o irmão do Senhor, e aparentemente outros cristãos, foram condenados ilegalmente a morte em 62 DC, pelo sumo-sacerdote  saduceu, os fariseus apelaram ao rei e o sumo-sacerdote foi destituído. (Flusser 1998,p.48-49)
Como verdadeiro Mestre, Jesus em momento algum viola a Lei, mas lhe confere a interpretação correta elevando-a a outro nível. Mostrando aos que questionam, sob o pretexto do cumprimento da Lei, que o importante na verdade é o sentido real e muito mais profundo e não simplesmente um sentido superficial e fundamentalista. Levando em conta apenas o escrito sem considerar as circunstâncias. É interessante perceber que os fariseus, nesse caso, não estão equivocados quanto ao que determina a Lei, mas apenas quanto ao seu entendimento e interpretação e isso, diga-se de passagem, é passível de discussão. Como, por exemplo, na narrativa abaixo: 
E sucedeu passar ele num dia de Sábado pelas searas; e os seus discípulos, caminhando, começaram a colher espigas. E os fariseus lhe perguntaram: Olha, por que estão fazendo no Sábado o que não é lícito? Respondeu-lhes ele: Acaso nunca leste o que fez Davi quando se viu em necessidade e teve fome, ele e seus companheiros? Como entrou na casa de Deus, no tempo do sumo sacerdote Abiatar, e comeu dos pães da proposição, dos quais não era lícito comer senão aos sacerdotes, e deu também aos seus companheiros? E prosseguiu: O Sábado foi feito por causa do homem, e não o homem por causa do Sábado. Pelo que o Filho do homem até do Sábado é Senhor. (Mc 2.23-28)
Encontra-se no Talmud o mesmo pensamento a partir de sábios rabinos que descendem diretamente dos fariseus, posteriores a Jesus. Demonstrando que existia uma corrente de interpretação e que foi seguida no judaísmo que considerava, assim como Jesus, o valor de uma vida como sendo maior que o Shabat. Sendo assim, não há um conflito real entre o Mestre Jesus e os fariseus, mas apenas divergências de opiniões que sendo confrontadas elevam o nível do entendimento sem gerar com isso rupturas. Portanto, é equivocado o pensamento de que existe uma total divisão entre eles, aqui encontra-se uma complementaridade. O estudioso bíblico e filósofo israelense Yehezkel Kaufmann diz que: "A atitude de Yeshua(Jesus) com a Torá é a mesma atitude que se encontra entre os mestres da Halachá e Hagadá que seguiram a tradição farisaica" (Bokser; Knopf, 1967 p.208-209).
Outros tanna'im debateram esse mesmo problema. Rabino Yosei, filho do rabino Yehuda, diz que isso está escrito: "Mas manter a minha Shabbatot" (Ex 31.13). Alguém poderia pensar que isso se aplica a todos em todas as circunstâncias; portanto, o versículo declara "mas", um termo que restringe e qualifica. Implica que há circunstâncias em que se deve manter o Shabbat e as circunstâncias em que se deve profaná-lo, isto é, salvar uma vida. Rabi Yonatan Ben Yosef diz que ele é afirmado: "Pois é sagrado para você" (Ex 31.14). Isto implica que o Shabat é dado em suas mãos, e você não é dado a ele para morrer por causa do Shabat. (Talmud Bavli, Yoma 85b)

Generalizar é perigoso!

Faz-se necessário insistir com isso, nem todo fariseu é hipócrita. Portanto, dizer de forma generalizada que Jesus chamou todos os fariseus de hipócritas é retirar algo de seu contexto, com o pretexto de manchar a reputação de um grupo de pessoas. De fato, é inegável que haviam fariseus hipócritas. Da mesma forma que também existem cristãos hipócritas. Entretanto, é preciso ressaltar que tinham fariseus piedosos, de coração sincero, buscavam seguir a Deus por meio do cumprimento da Torá/Lei. Buscando viver sua relação com o próximo e com Deus, por meio da observância da Palavra. Portanto, para muito deles, a prática deve se sobrepor aos belos discursos. Com isso, demonstravam-se desejosos de viver do ensino da Lei/Torá. Entre eles, muitos se tornaram grandes sábios e alguns, inclusive tornaram-se seguidores de Jesus.
Portanto, existem categorias de fariseus hipócritas que são reconhecidas e apontadas pela própria tradição judaica. Como, tinham também fariseus piedosos. Neste sentido, é preciso, pois, desfazer esse olhar preconceituoso e generalizado sobre o grupo dos fariseus. Reconhecendo certas situações narradas nos evangelhos, dentro de uma perspectiva mais acertada, em relação a essa questão. E um esforço de superação, daquilo que se tem reproduzido por séculos. Afinal, uma leitura errônea dos textos, provocou, e tem provocado uma péssima impressão de um movimento importantíssimo na propagação da fé no Deus de Abraão. Como consequência dessa má compreensão, foi apresentado, ao longo da história, danos irreparáveis. Assim verifica-se as muitas atrocidades cometidas, sob o pretexto de que Jesus condenou esse grupo, bem como os judeus que "o mataram".
Aliás, é interessante refletir sobre um ponto importante. Se alguns poucos judeus, e não todos, tiveram algum papel no julgamento de Jesus visando seus próprios interesses, e de alguma forma contribuíram com sua morte ao entregá-lo as autoridades romana que o processou, julgou e matou. Esse grupo foi o dos saduceus, pois eles detinham o poder político-religioso. Além disso, tinham proximidade suficiente com as autoridades romanas para tal feito, e não os fariseus.
(*) Abaixo está um trecho de um texto judaico rabínico do terceiro século EC chamado Mishná (repetição). Neste volume, os antigos rabinos repetiram as coisas que foram ensinadas a sucessivas gerações e esta passagem se volta para o conflito entre saduceus e fariseus. Considerando o quão pouco o NT ensina explicitamente sobre esses grupos, a Mishná oferece algumas informações valiosas.
“Dizem os saduceus: queixamo-nos de vós, fariseus, porque dizeis que as Sagradas Escrituras contaminam as mãos, mas os livros de Homero não contaminam as mãos. Rabban Yohanan ben Zakkai disse: Não temos nada contra os fariseus além disso? Eis que dizem que os ossos de um jumento são limpos, mas os ossos de Yohanan, o sumo sacerdote, são impuros. Disseram-lhe: conforme a afeição por eles, assim é a sua impureza, para que ninguém faça colheres com os ossos de seu pai ou de sua mãe. Ele lhes disse: assim também são as Sagradas Escrituras segundo a afeição para com eles, assim é a sua impureza. Os livros de Homero que não são preciosos não contaminam as mãos.
Os saduceus dizem: nós reclamamos contra vocês, fariseus, que declaram que um fluxo ininterrupto de um líquido é limpo. Os fariseus dizem: nós reclamamos contra vocês, saduceus, que vocês declaram que uma corrente de água que flui de um cemitério é limpa? Os saduceus dizem: nós nos queixamos contra vocês, fariseus, que vocês dizem que meu boi ou jumento que causou dano é responsável, mas meu escravo ou escrava que causou dano não é responsável. Agora, se no caso do meu boi ou do meu jumento pelo qual não sou responsável se não cumprirem os deveres religiosos, ainda assim sou responsável por seus danos, no caso do meu escravo ou escrava por quem sou responsável para ver isso eles cumprem mitsvot, quanto mais para que eu seja responsável por seus danos? Disseram-lhes: Não, se discutirem por causa do meu boi ou do meu jumento, que não têm entendimento, você pode deduzir daí alguma coisa a respeito de um escravo ou escrava que tenha entendimento? Então, se eu irritasse qualquer um deles e eles queimassem a pilha de outra pessoa, eu deveria ser responsável por fazer a restituição?” (Mishná, Yadaim 4:6-7)
(*pedaço de artigo publicado em Israel Bible Center-Textos Extra-Bíblicos)
 

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