Costumes Bíblicos: Os Banquetes no Tempo de Jesus

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Os Banquetes no Tempo de Jesus

Os Banquetes no Tempo de JESUS
Quanto à etiqueta oriental, podemos dizer que é semelhante à sua liturgia. Todos os sistemas de costumes e cerimônias são, em nosso modo de sentir, uma mistura de liberdade com o mais acanhado retraimento.
Por causa do clima quente, os homens não sentem muita necessidade de alimentar-se, principalmente nos meses em que o calor abafado do meio-dia transforma a sensação de fome em certa excitação geral. Somente ao cair da tarde é que o vento, vindo do oeste, começa a soprar, agindo como um grande benfeitor na Palestina. Então, as pessoas são despertadas novamente do marasmo causado pelo forte calor e procuram alimentar-se.
Quando a Bíblia se refere a banquetes de caráter mais oficial, deve-se pensar geralmente em jantares no horário em que o Sol se põe, matizando o céu com um colorido amarelado, enquanto o vento não cessa de sussurrar.
Como a luz entra somente pela porta, esta fica aberta. No Oriente, o lar não é um recinto isolado. A casa de um senhor abastado, que convida seus amigos para um banquete, torna-se uma sala teatral, com entrada franca. Os curiosos podem entrar e espiar; naturalmente, não faltam nunca espectadores, jovens e velhos, que têm para isso tempo e muito gosto. Ajuntam-se diante da porta e ficam ali, olhando todo o movimento.
"Deus está com os vagarosos; a pressa é de Satanás" é a regra de ouro em tais situações. Vagarosamente, os assistentes vão entrando e acomodando-se no salão de jantar, quer pobres, quer mendigos, não importa, todos entrando no recinto com a mais digna naturalidade.
Jesus sempre aconselhava a alguém convidar as pessoas da rua para seus banquetes e citava isso em suas parábolas, o que não era difícil de acontecer dentro dos limites dos costumes orientais. Tais circunstâncias são atestada também na literatura secular.
Café mar de haifa em 1933
Entre os nômades do deserto, os visitantes se reclinam junto às paredes das tendas. Um xeique abastado nunca deixa de mostrar sua riqueza de modo liberal. Depois de servir os convidados à mesa, em redor dos pratos, no interior da tenda, ordena que o mesmo seja feito às pessoas mais afastadas que se encontram próximas à tenda, do lado de fora, à entrada.
Toda refeição é acompanhada de muita conversa. Naturalmente, o tom de voz depende dos convidados, de modo como falam e desenvolvem suas narrativas, fundamentais nessas ocasiões. Não se pode negar que, deste modo, os diálogos durante as refeições cedem lugar a um ambiente mais elevado e espiritualizado.
Nos círculos dos fariseus, os participantes dos banquetes falavam da lei. O rabino Simão dizia: "Se três pessoas se assentam à mesa para comer e não conversam sobre a lei, é como estarem sentadas à mesa preparados aos mortos. Mas se três pessoas se assentam à mesa e conversam sobre a lei, é como estarem comendo diante da própria mesa de Deus".
Como a refeição é símbolo de união, amizade, de comunidade, uma pessoa só se assentava à mesa com outros homens que consideravam amigos. Partindo-se desta reflexão, compreende-se melhor o motivo que levou os fariseus a censurarem Jesus, principalmente porque ele comia com publicanos e pecadores. Para eles, seria mais tolerável que o Rabi os tivesse apenas saudado ou pregado do que ter participado de uma refeição em companhia deles.
Na Palestina, região situada entre as duas potências que marcavam o bom tom da antiguidade, a afeição exterior dos banquetes variou muitas vezes. No tempo de Jesus, era costume recostar-se durante as refeições. Não se pode averiguar, com certeza, se as pessoas se reclinavam em tapetes, em estrados inclinados ou em leitos propriamente ditos. Talvez fosse uma mistura de tudo isso, uma vez que na Palestina os costumes estrangeiros facilmente tendiam a mesclar-se com os hábitos regionais.

A PARÁBOLA DOS PRIMEIROS ASSENTOS

Lucas, então, oferece-nos uma nova amostra das conversações de Jesus. O Mestre observou, ao sentar-se à mesa, as pueris artimanhas com que alguns dos convidados procuravam ocupar os primeiros postos. Para incutir em todos os convidados a humildade, disse-lhes com afáveis palavras:
Quando por alguém fores convidado às bodas, não te assentes no primeiro lugar; não aconteça que esteja convidado outro mais digno do que tu;
E, vindo o que te convidou a ti e a ele, te diga: Dá o lugar a este; e então, com vergonha, tenhas de tomar o derradeiro lugar.
Mas, quando fores convidado, vai, e assenta-te no derradeiro lugar, para que, quando vier o que te convidou, te diga: Amigo, sobe mais para cima. Então terás honra diante dos que estiverem contigo à mesa.
Porquanto qualquer que a si mesmo se exaltar será humilhado, e aquele que a si mesmo se humilhar será exaltado. (Lucas 14:8-11)
Jesus situa essa cena em uma festa de bodas, onde se guardava mais rigorosamente a etiqueta, e os convidados se assentavam segundo sua posição social. O objetivo dele não era estabelecer uma regra mundana de bons modos. Seu pensamento vai mais longe que suas palavras e, sob uma linguagem figurada, insinua uma lição de humildade, como demonstra o solene adágio que conclui a parábola: Portanto, qualquer que a si mesmo se exaltar será humilhado e aquele que a si mesmo se humilhar será exaltado. (Lc 14.11)
Logo Jesus se voltou para o anfitrião, que também recebeu sua lição:
E dizia também ao que o tinha convidado: Quando deres um jantar, ou uma ceia, não chames os teus amigos, nem os teus irmãos, nem os teus parentes, nem vizinhos ricos, para que não suceda que também eles te tornem a convidar, e te seja isso recompensado.
Mas, quando fizeres convite, chama os pobres, aleijados, mancos e cegos,
E serás bem-aventurado; porque eles não têm com que to recompensar; mas recompensado te será na ressurreição dos justos.(Lucas 14:12-14)
Dessa vez, a breve história contém uma lição de caridade fraterna. Portanto, cairia em singular erro quem interpretasse ao pé da letra todas as suas circunstâncias. Não passou pela cabeça de Jesus alterar as relações sociais no que elas tinham de legítimo.

A PARÁBOLA DA GRANDE CEIA

Esses últimos ensinamentos do Salvador impressionaram alguns convidados, pelo que um deles, dando livre curso aos seus pensamentos, exclamou: Bem-aventurado o que comer pão no Reino de Deus! (Lc 14.15) Em outras palavras: "Bem-aventurados os eleitos!" Isso deu ocasião a Jesus para mais uma lição:
Porém, ele lhe disse: Um certo homem fez uma grande ceia, e convidou a muitos.
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CASAMENTO NA
 PALESTINA
E à hora da ceia mandou o seu servo dizer aos convidados: Vinde, que já tudo está preparado.
E todos à uma começaram a escusar-se. Disse-lhe o primeiro: Comprei um campo, e importa ir vê-lo; rogo-te que me hajas por escusado.
E outro disse: Comprei cinco juntas de bois, e vou experimentá-los; rogo-te que me hajas por escusado.
E outro disse: Casei, e portanto não posso ir.
E, voltando aquele servo, anunciou estas coisas ao seu senhor. Então o pai de família, indignado, disse ao seu servo: Sai depressa pelas ruas e bairros da cidade, e traze aqui os pobres, e aleijados, e mancos e cegos.
E disse o servo: Senhor, feito está como mandaste; e ainda há lugar.
E disse o senhor ao servo: Sai pelos caminhos e valados, e força-os a entrar, para que a minha casa se encha.
Porque eu vos digo que nenhum daqueles homens que foram convidados provará a minha ceia.(Lucas 14:16-24)
As primeiras frases aludem a um costume até hoje usado entre os árabes da Palestina e que era também praticado pelos romanos: chegada a hora do banquete, o anfitrião enviava um mensageiro a dizer aos convidados que tudo estava preparado. Recusar-se a participar dele depois de ter aceitado o convite era fazer uma grosseira injúria ao pai de família.
Este ficou mais irritado ainda pelo fato de todos os convidados se desculparem com motivos fúteis, já que as ocupações podiam ter sido previstas ou adiadas. Mas aquele homem prudente e generoso, que representa Deus, com rápida resolução soube preencher os vazios em sua mesa. Primeiro, ele mandou chamar os que estavam nas ruas e nas praças públicas da cidade; depois, os que estavam fora dos muros da cidade e andavam pelo caminho.
É fácil entender essa parábola apenas recordando o proceder do Salvador no decurso de sua vida pública e os princípios a que se apegava. Os primeiros convidados figuram os judeus, aos quais Deus primeiro abriu as portas do reino messiânico. Depois da recusa deles, foram convidados membros de categoria inferior, os pobres, os aleijados, os mancos e os cegos na ordem moral; quer dizer, os pecadores e publicanos, em oposição aos escribas, fariseus e demais classes que permaneceram incrédulas.
O terceiro convite é ainda mais bondoso, já que se endereça aos próprios gentios, aos quais se vai buscar fora do judaísmo, e que, depois de alguma resistência, vêm em número crescente à festa. A história inteira do plano divino da redenção se resume nesse fato, cuja majestosa conclusão é: Porque eu vos digo que nenhum daqueles varões que foram convidados provará a minha ceia (Lc 14.24) - que indica claramente a reprovação dos judeus como nação sacerdotal. Mas de quem é a culpa senão deles próprios que, apesar dos reiterados convites, recusaram-se a participar da festa?

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