COSTUMES BÍBLICOS: Jesus cumpriu o Bar Mitzvá e qual Sua ligação com os Essênios e Seus ensinamentos


Jesus cumpriu o Bar Mitzvá e qual Sua ligação com os Essênios e Seus ensinamentos

Jesus de fato, não é alguém comum em seu meio, se destaca e logo chama a atenção. Lucas ressalta que Ele crescia em sabedoria e santidade. O que denota que, de alguma forma, Jesus se dedicava ao aprendizado da Torá e estava recebendo algum tipo de formação, pois "o menino crescia, tornava-se, robusto, enchia-se de sabedoria; e a graça de Deus estava com ele" (Lc 2.40).
O evangelista Lucas, se referindo ao menino Jesus com doze anos, faz memória de um importante ritual judaico chamado de bar mitzvá,. Eis o texto: "Três dias depois, eles o encontraram no Templo, sentado em meio aos doutores, ouvindo-os e interrogando-os; e todos os que o ouviam ficavam extasiados com sua inteligência e com suas respostas" (Lc 2.46-47).

Acreditamos que a narrativa faz alusão ao rito de passagem, da tradição judaica. Marcando a maioridade religiosa de Jesus. Ou seja, o menino nessa idade não responde por suas culpas, seus pais são responsáveis. Entretanto, ao passar pelo rito, se torna adulto e deve assumir suas responsabilidades diante da comunidade. Passando, a responder por seus atos perante Deus, segundo a Lei. Jesus, conversando com os doutores da Lei, exerce seu direito de participar da comunidade religiosa. Direito que lhe é concedido agora que se tornou homem. Tem garantido por sua cultura voz e vez na vida da comunidade. Pode perscrutar a Torá para dela encontrar normas de vida. Ele demonstra grande sabedoria e impressiona seus interlocutores. É a primeira vez que Jesus fala a comunidade.
Embora sua ética e sua conduta sejam muito próximas e facilmente comparadas a dos fariseus. Jesus traz também alguns elementos de pensamentos dos essênios. Outro grupo de sua época. O que indica que teve contato com esse grupo. Em certa ocasião, Yeshua (Jesus) deu ordens a Shimon (Pedro) e Yohanan (João) para se prepararem para a Páscoa antes da chegada dos discípulos: “Entrai numa cidade e procurai um homem carregando um cântaro de água. Siga-o e peça ao responsável para oferecer hospitalidade. Ele lhe mostrará uma sala grande. Foi exatamente isso que aconteceu (Lucas 22:7-13).
Quando Josefo Flávio descreve a rede diaconal que os essênios, um grupo judeu que era igual em número aos fariseus , ele escreve: “Eles não têm uma cidade certa, mas muitos deles habitam em todas as cidades; e se algum de sua seita vier de outros lugares, o que eles têm eles dão a eles … há, em cada cidade onde eles moram, alguém designado especialmente para cuidar de estranhos…” (Guerras 2:124). Josefo também confirmou o que já sabemos de outras fontes: muitos dos essênios não se casaram – optando por se dedicar totalmente a Deus.
Então, por que os discípulos precisavam procurar um homem carregando uma jarra de água? A resposta é simples.
Em uma sociedade agrícola, era dever exclusivo das mulheres carregar água. Um homem carregando uma jarra de água só poderia significar uma coisa – esse homem adulto não tinha esposa e, portanto, devia pertencer à comunidade essênia!
Jesus conhecia o futuro? Absolutamente! Ele estava familiarizado com a rede diaconal do movimento essênio e sabia exatamente o que aconteceria a seguir.
Sua proposta de vida radical por vezes ultrapassa a dos essênios e dos fariseus. Entretanto, está profundamente enraizado nas mais nobres e antigas tradições de seu povo. Essa postura da vida permite-nos afirmar que Jesus foi um judeu singular, que vive e ensinou a fé judaica como poucos.
É preciso compreender que o cristianismo nasce no meio judaico, a partir dos ensinamentos de um judeu, Jesus de Nazaré. Por mais que se queira é impossível dissociar a pessoa de Jesus da descendência de Abraão (Mt 1.1). Fazer isso, por si só, é um desrespeito contra a própria história do cristianismo que se encontra enraizado no judaísmo. Jesus não é alguém fora do contexto, embora seja superior a todos os homens em sabedoria e santidade.
Segundo Flusser, [Vilém Flusser foi um filósofo Checo-brasileiro. Autodidata, durante a Segunda Guerra, fugindo do nazismo, mudou-se para o Brasil, estabelecendo-se em São Paulo, onde atuou por cerca de 20 anos como professor de filosofia, jornalista, conferencista e escritor.] pode-se facilmente comparar o seu conjunto de ensinamentos sobre as bem-aventuranças com escritos judaicos da época como os pré essênicos, e o "Testamento de Judá": 

E haverá um só povo e uma só língua;
E não mais existirá o espírito do erro de Belial,
Pois ele será lançado ao fogo para todo o sempre.
E aqueles que morreram no sofrimento ressuscitarão na alegria,
E aqueles que se encontram na penúria tornar-se-ão ricos,
E aqueles que passam por necessidade saciar-se-ão na fartura,
E aqueles que são fracos receberão sua força, E aqueles que foram levados à morte, em nome do Senhor, acordarão para vida.
E os cervos de Jacó correrão com satisfação,
E as águias de Israel voarão com alegria
(Mas os descrentes lamentarão e os pecadores chorarão),
E todos glorificarão o Senhor para todo o sempre.

E Jesus ensinou as multidões no sermão da montanha:

Vendo ele as multidões, subiu à montanha. Ao sentar-se, aproximaram-se dele os seus discípulos. E pôs-se a falar e os ensinava, dizendo:

'Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o Reino dos Céus.
Bem-aventurados os mansos, porque herdarão a terra.
Bem-aventurados os aflitos, porque serão consolados.
Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados.
Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia.
Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus.
Bem-aventurados os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus.
Bem-aventurados os que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o Reino dos Céus.
Bem-aventurados sois, quando vos injuriarem e vos perseguirem e, mentindo, disserem todo mal contra vós por causa de mim.
Alegrai-vos e regozijai-vos, porque será grande a vossa recompensa nos céus, pois foi assim que perseguiram os profetas, que vieram antes de vós'. (Mt 5.1-12)

Na verdade Jesus eleva os ensinamentos judaicos a outro nível, mas sem nunca deixar de ser judeu.
Seus ensinamentos, suas práticas, a partir da Torá, são tão superiores que causam incomodo em alguns. Principalmente nos mais próximos. Os poderosos de seu tempo, os que mais temem os ensinamentos de Jesus não são os fariseus que eram essencialmente homens do povo, mas aqueles ligados a aristocracia porque tinham mais a perder, no caso os saduceus. Eles não acreditavam na vida eterna, seja através da ressurreição, ou mesmo em julgamento futuro. Nessa perspectiva de valores, esses são os que mais têm a perder, pois tudo o que acreditam ter, enquanto privilégios ou vantagens vigoram apenas nessa vida. Estando, portanto, muito mais ligados à necessidade de se manter na posição em que estão. Sentiam-se ameaçados pela pregação de Jesus, que não era visto como mais um mestre, mas sim como alguém com imenso potencial de lhes causar grande prejuízo.
Isto fez com que alguns como Caifás, que era o sumo sacerdote na época, tramasse a morte de Jesus junto a Pilatos. Alguém com um ensinamento forte e provocador assim continha potencial de causar sérios problemas. Colocando em risco os privilégios do grupo dos saduceus e o poder da autoridade romana. O que torna evidente o fato de dizer que: "os judeus mataram Jesus" é um erro. Não foram os judeus que mataram Jesus. Em primeiro lugar, poder-se-ia dizer, do ponto de vista teológico, quem matou Jesus foi o pecado de toda humanidade. Afinal, Ele se fez pecado por causa de nós (2Cor 5.21). Em segundo lugar, de forma mais objetiva, dir-se-ia que foram os romanos que mataram Jesus com a contribuição de alguns judeus. De modo especial os saduceus, pois esses estavam ligados ao poder romano e tinham muitos interesses em conservar seus privilégios.
A aliança de Deus com o povo judeu nunca foi rompida, tampouco revogada ou substituída (Rm 11.29). O próprio Jesus nunca negou essa aliança.
Ao olhar atentamente os ensinamentos do Mestre e Senhor Jesus, ao responder fielmente seu chamado saber-se-ia que não há prova de amor maior do que amar ao seu próximo como a nós mesmos (Mc 12.31). Pois esse amor não julga o próximo (Mt 7.1-5). Entender-se-ia que seu sacrifício foi para redimir toda a humanidade e que para tal contribuímos de alguma forma (Lc 24.25-27). Buscar-se-ia a paz e a harmonia entre os homens e jamais a discórdia e a perseguição. Se compreendesse verdadeiramente os seus ensinamentos os cristãos viveriam essas práticas e não apenas carregariam o nome. O problema é que, muitas vezes, se distorce o que Jesus ensinou a partir de uma visão fundamentalista. Por isso fica-se na superfície da fé e não se torna capaz de avançar a profundidade do mistério da salvação.
Os judeus esperam a vinda do Messias, para os cristãos ele já veio e segundo sua promessa retornará. O que importa é que, seja a primeira, ou seja, a segunda vez que se espera, o fato mistagógico é que juntos, judeus e cristãos, esperam pela eternidade junto de Deus, enquanto espera-se deve-se viver seus ensinamentos de forma integral.
A espera judaica pelo Messias não é em vão. Ela pode se tornar para nós cristãos um poderoso estímulo para manter viva a dimensão escatológica de nossa fé. Como eles, também vivemos em expectativa. A diferença é que para nós aquele que está por vir terá os traços do Jesus que já veio e já se faz presente e atuante no meio de nós!

(Este estudo foi montado aqui por Costumes Bíblicos com partículas de artigos do Livro Coleção Judaísmo e Cristianismo: Jesus, o Mestre entre os Sábios-pag 75 2.9 e com partes de artigos publicados originalmente em Israel Bible Center)

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Filipenses 1:9-11

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