COSTUMES BÍBLICOS: O Pior Dia do Calendário Judaico-Tisha B'av (Nono dia do mês de Av-Julho)


O Pior Dia do Calendário Judaico-Tisha B'av (Nono dia do mês de Av-Julho)

Tishá BeAv: Um dia de luto para todo o povo judeu
É uma data marcada pela destruição do Primeiro Templo, em 586 a.e.c. por Nabucodonosor, Rei da Babilônia, e a destruição do Segundo Templo, no ano 70 e.c. por Tito, filho do imperador romano Vespasiano. Essa data também está associada ao início da expulsão dos judeus da Espanha, em 1942, por ordem da Coroa Espanhola. Todos esses acontecimentos transformaram Tishá BeAv no principal dia de luto do calendário Judaico.
Muitas práticas são observadas durante este período: Tishá BeAv é um dia de jejum, não há cerimônias de casamento, judeus religiosos não cortam o cabelo, nem ouvem músicas.

A leitura do Echá – O Livro Bíblico das Lamentações é uma das práticas deste dia e descreve o lamento sobre a destruição do Primeiro Templo. O Echá foi escrito, de acordo com a tradição, pelo profeta Jeremias. As lamentações descrevem a situação de extrema tristeza de Jerusalém e do Povo Judeu após a destruição.
O texto justifica o decreto da destruição imposto por Deus ao povo judeu pelos seus pecados, mas também contém palavras de conforto e súplicas a Deus para perdoar seu povo e devolvê-lo à sua antiga condição. Existe um costume de ler as Lamentações à luz de velas, enquanto senta-se no chão.
Em Tishá BeAv muitos Israelenses vão até o Muro Ocidental, o último remanescente do Templo, para a leitura do livro das Lamentações.
Tisha B'av (Nono dia do mês de Av) é um jejum que dura desde o pôr do sol da noite anterior até o anoitecer. Além do jejum, o dia 9 de Av traz consigo proibições e tradições adicionais que incluem sentar em bancos baixos, sem banho, sem perfumes, sem música. Antes do início do jejum, comem uma refeição de ovo mergulhado em cinzas. É sem dúvida o pior dia do calendário judaico: um dia tão miserável que nem mesmo eles(judeus) se envolvem na grande alegria do estudo da Torá.
Neste dia comemoram vários grandes desastres que aconteceram ao povo judeu na história, sendo o mais importante a destruição do Primeiro Templo pelos babilônios e a destruição do Segundo Templo pelos romanos . Além de uma lista de desastres antigos, também marcam outras tragédias históricas, incluindo o início da Primeira Cruzada (1096), as expulsões de judeus da Inglaterra (1290), França (1306) e Espanha (1492), o início da Guerra I (1914) e o início da liquidação em massa do gueto de Varsóvia (1942).
Uma das questões mais vivas em torno de Tisha B'av emerge do fato da situação atual: o estado de Israel renasceu. Por que, quando o povo judeu está alegre com o retorno a Sião, quando sentem que o alvorecer da redenção está próximo, quando vivem em uma Jerusalém reconstruída, por que ainda deveriam lamentar nesta data? De fato, o luto contínuo não sugere uma certa ingratidão? Uma incapacidade de ver o significado divino do retorno e a reconstrução?
Não são, os judeus, os primeiros a fazerem esta pergunta. No século 6 aC, Zacarias viveu e profetizou para a comunidade que havia retornado do exílio na Babilônia e começou a reconstruir o Templo quando convidado a fazê-lo pelo rei persa Ciro. Em uma situação que lembra muito a de hoje, exatamente a mesma pergunta foi feita: ainda devem chorar?
De acordo com Zc 7:1-3, “No quarto ano do rei Dario, a palavra do Senhor veio a Zacarias no quarto dia do nono mês, que é Chislev. Agora, o povo de Betel havia enviado Sharezer e Regem-melech e seus homens, para ... perguntar aos sacerdotes da Casa do Senhor de Gosts e aos profetas: 'Devo lamentar e jejuar no quinto mês, como fiz por isso? muitos anos?'” Em outras palavras, agora que os exilados retornaram a Sião e agora que a reconstrução está em andamento, ainda devem jejuar e lamentar pelo que perderam? "Não deveríamos agora nos concentrar no futuro, na alegria, no que recuperamos? Não é isso – o retorno à nossa Terra e a reconstrução do nosso Templo – não é tudo o que sempre desejamos?
O profeta se recusa a cair nessa. Em vez de responder à pergunta como foi feita, Zacarias aborda a verdadeira questão subjacente à pergunta: quando voltamos verdadeiramente? Como é a verdadeira reconstrução? Sua resposta é desafiadora, lembrando-nos que o que Deus exige é que “ façamos julgamentos verdadeiros, mostremos bondade e misericórdia cada um para com seu irmão, não oprima a viúva, o órfão, o estrangeiro ou o pobre; e nenhum de vós planeje no coração o mal contra seu irmão ” (Zacarias 7:9-10).
Zacarias nos lembra que nosso fracasso em fazê-lo é o motivo pelo qual fomos exilados e que, no fundo, é isso que lamentamos – e devemos continuar a lamentar – em Tisha B'Av. Um retorno à terra e uma Jerusalém reconstruída são necessários, mas sem dúvida não são suficientes. É somente com esta verdadeira reconstrução e este profundo retorno a que somos chamados, que mereceremos o jubiloso jejum prometido em Zacarias 8:18-19. Isso, nosso retorno atual e nossa reconstrução atual, não é tão bom quanto parece. Somos chamados a mais e prometemos mais."

Em 9 de Av-Julho (5252/1492): A expulsão da Espanha

Segundo uma tradição antiga, após a destruição do primeiro Templo alguns dos exilados emigraram para a Espanha e estabeleceram ali uma comunidade judaica. Dentre eles havia descendentes da Casa de David, e Dom Isaac Abravanel, o principal líder comunitário na época da expulsão dos judeus da Espanha, concluiu que provinha dessa linhagem.
Após a destruição do segundo Templo e a dispersão dos judeus pela Europa, grande parte dos exilados se estabeleceu na Espanha, e com o tempo a comunidade judaica espanhola acabou se tornando a maior do continente europeu. Muitas coletividades foram fundadas, floresceram e se tornaram grandes em Torá, em sabedoria, em riqueza e prestígio, a ponto da Espanha se tornar o principal centro de judaísmo da diáspora, especialmente após o período dos Gueoním [por volta de 1038], com o fechamento das academias babilônicas de Sura e Pumbedita.
O judaísmo espanhol manteve-se florescente por cerca de 1.400 anos, mas chegou ao fim em 5252 (1492), quando a família real espanhola aderiu aos esforços da Igreja católica para erradicar o judaísmo de suas terras.
Os judeus espanhóis foram vítimas de perseguições cruéis muito antes de serem expulsos do país. Varios éditos severos foram promulgados contra eles, fazendo com que centenas de milhares perecessem ou se vissem obrigados a converter-se. Mesmo quem se convertia era torturado de diversas formas, pois os espanhóis desconfiavam da lealdade deles para com a nova religião assumida. As suas riquezas eram saqueadas e eles eram abandonados nas mãos de turbas instigadas pela Igreja. Até que em 5252 (1492), no dia 9 de Av, os judeus remanescentes foram expulsos. E assim, os últimos sobreviventes dessa comunidade tão antiga e vibrante –cerca de 300 mil pessoas – deixaram a Espanha.
Os exilados não tinham para onde ir. Empobrecidos e alquebrados por toda a aflição e opressão que precedeu a expulsão, cheios de medo e incerteza quanto ao que o futuro lhes reservava, sem saber onde conseguiriam um lugar para descansar, eles levantaram os olhos para o céu, orando para que Deus agisse com misericórdia sobre o que restara de Seu povo. Eles condenaram a terra e as pessoas que os torturaram e os saquearam: “Maldito seja esse povo e amaldiçoada seja essa terra! Nós nunca voltaremos a ela nem buscaremos o seu bem-estar!”

Com cânticos e louvores

Os exilados abandonaram a Espanha em grupos, e muitos saíram durante as Três Semanas, entre 17 de Tamuz e 9 de Av. Embora nesses dias de luto pela destruição dos Templos e da Terra de Israel a música seja proibida, os sábios daquela geração permitiram que músicos acompanhassem a saída dos exilados tocando os seus instrumentos, com o intuito de fortalecer o espírito do povo e infundir nele esperança e fé em Deus. Apesar de expulsos, os judeus entoaram cânticos dando graças a Deus por terem resistido à prova não se convertendo, e por terem tido o mérito de santificar o nome de Deus saindo da Espanha. Uma outra razão para os sábios terem permitido o acompanhamento musical foi ensinar que não se deve manifestar pesar pela troca de um exílio por outro, mas só se deve chorar ao deixar Jerusalém.

Mas apesar de tudo isso…

“Mesmo assim, não nos esquecemos de Ti nem abandonamos a fidelidade à Tua aliança. Não desfaleceram os nossos corações, nem de Teu caminho se desviaram nossos passos. Mesmo nos sentindo esmagados, como se os monstros das profundidades nos atacassem, ou encobertos pelas sombras da morte, não esquecemos o nome do Eterno nem estendemos nossas mãos a deuses estranhos. Acaso disso não Se aperceberá o Eterno, Ele que conhece os segredos de todos os corações? Por Tua causa e por honrar Teu nome somos mortos diariamente, e vistos como rebanho no matadouro. Desperta, ó Eterno! Por que pareces dormir? Ergue-Te! Não nos abandones jamais. Por que ocultas a Tua face e ignoras a nossa opressão e sofrimento? Prostrada até o pó está a nossa alma; desfalecido sobre o chão jaz o nosso corpo. Levanta-Te, vem em nossa ajuda e nos redime por Tua imensa magnanimidade” (Salmos 44:18-27).

(O Texto foi montado aqui com partículas de artigos da editora Sefer e de artigos de Israel Bible Center/Modificado e editado aqui por Costumes Bíblicos)

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