Costumes Bíblicos: Evangelho de Marcos caps. 10 ao 16

Israel Institute of Biblical Studies

Evangelho de Marcos caps. 10 ao 16

Evangelhos
Evangelho de Marcos caps. 10 ao 16
Mc 10: A caminho de Jerusalém
Jesus deixou a Galiléia e se dirigiu para o sul. Ele ficou algum tempo na Peréia, no lado leste do rio Jordão (1), antes de ir a Jerusalém, passando por Jericó (32,46).
As cartas do NT podem esclarecer a organização deste capítulo. Paulo, por exemplo, também reuniu conselhos para maridos e mulheres, filhos, senhores e escravos, líderes (veja, p. ex., Ef 5.22--6.9).
Vs. 1-12: Divórcio. Veja a nota em Mt 19.1-15.
Vs. 13-16: Jesus abençoa as crianças. Veja também Mt 19.13-15; Lc 18.15-17. Esta é a segunda vez que Jesus segura uma ou mais crianças para ensinar uma lição (veja 9.36-37). Aqui Ele repetiu isso. Para entrar no reino de Deus, devemos nos tornar, não infantis, mas como crianças, recebendo Jesus com fé humilde e cheia de amor (15). As crianças (assim como as mulheres) não eram valorizadas na sociedade judaica da época, mas Jesus as acolheu e valorizou.
Vs. 17-31: O perigo das riquezas. Veja Mt 19.16-30; Lc 18.18-30. Este incidente não implica que todos os seguidores de Cristo devem abrir mão de tudo que têm. Ele estava falando para um homem, não todos, e neste caso os bens daquele homem o impediam de se tornar discípulo. Qualquer coisa que ocupe o primeiro lugar em nossa vida - o lugar é de Deus (Mc 12.29-30) - deve ser eliminada. Com um só olhar (21) Jesus viu o cerne do problema daquele homem. "Vá, venda tudo", disse ele, "depois venha e me siga".
E chamando a si a multidão, com os seus discípulos, disse-lhes: Se alguém quiser vir após mim, negue-se a si mesmo, e tome a sua cruz, e siga-me.
Porque qualquer que quiser salvar a sua vida, perdê-la-á, mas, qualquer que perder a sua vida por amor de mim e do evangelho, esse a salvará.

Marcos 8:34-35
Vs. 32-45: A morte iminente e a ressurreição de Jesus. Jesus repetiu esse anúncio pela terceira vez (veja 8.31; 9.31). Veja Mt 20.17-34.
Vs. 46-52: A cura do cego Bartimeu. Esta história pode ser considerada o fechamento da "moldura" desta seção, que começa com a cura de outro cego (8.22-26), e como símbolo da cegueira ( e do esclarecimento) dos discípulos. Veja também Mt 20.29-34 (em que há dois cegos); Lc 18.35-43. Esta história é bela e altamente expressiva. Somente Marcos dá o nome desse mendigo: Bartimeu. Ele estava tão determinado a pedir que Jesus lhe restaurasse a visão que jogou a sua capa para o lado, deu um salto, e correu na direção de Jesus. Ele foi seguindo Jesus pelo caminho e, por isso, tudo indica que Pedro o conheceu pessoalmente.
V. 12 Sobre regras relativas ao divórcio, veja "Jesus e as mulheres".
Mc 11--13 Jesus em Jerusalém
Mc 11.1-11: O Messias entra em sua cidade
Veja introdução a Mt 21; e veja também Lc 19.28-44. Veja também ("Jesus e as cidades")
Mc 11.12-26: A figueira; Jesus purifica o Templo
Veja em Mt 21.18-22; 21.12-17.
Mc 11.27--12.12: Jesus no Templo - com autoridade de quem?
Veja a nota em Mt 21.23-46. Jesus, o carpinteiro vindo do norte, que não havia recebido instrução formal na lei judaica, andava entre os pórticos sombreados do Templo, ensinando os seus seguidores ao melhor estilo de um rabino bem qualificado. Não é de admirar que os "profissionais" da religião viessem questionar a sua autoridade. A resposta de Jesus, e a parábola condenatória que se seguiu, reduziu-os ao silêncio. Eles se retiraram para se refazer e planejar um novo ataque.
Mc 12.13-44: Perguntas para testar Jesus
Veja também Mt 22.15-46; Lc 20.19--21.4. Lc 20.19-20 dá o contexto dessas perguntas.
Vs. 13-17: Esta questão se destinava a verificar qual era a posição política de Jesus. Será que ele tomaria o partido dos zelotes, recusando-se a pagar imposto? A resposta de Jesus é um claro repúdio à ideologia desses: é possível dar a César e a Deus.
Vs. 18-27: Os saduceus tentaram ridicularizar a idéia da ressurreição com um absurdo exemplo de casamento segundo a lei do levirato (veja Rute, cap. 3). Mas, se vieram buscar lã, saíram tosquiados, porque há uma ressurreição - para uma vida em que já não haverá união sexual nem procriação, porque a morte deixou de existir.
Vs. 28-34: A terceira pergunta era honesta. Com 613 mandamentos para escolher, Jesus respondeu com as palavras do credo de Israel (o Shema: Dt 6.4-5) e Lv 19.18. Se os fariseus esperavam uma resposta não ortodoxa (Mt 22.34-35), ficaram desapontados. A sabedoria impressionante de Jesus silenciou os seus oponentes - mas ele não havia acabado de lidar com eles (35-40).
Os escribas (mestres da Lei) interpretavam a profecia de que o Messias seria um filho de Davi de forma literal, ou seja, era uma questão de descendência física. Para delírio da multidão, Jesus mostrou que o salmo messiânico do próprio Davi tornava essa interpretação insustentável (35-37).
O breve incidente relatado nos vs. 41.44 aparece em nítido contraste com a autopromoção dos líderes religiosos (38-40). O que importa para Deus não é a quantidade de dinheiro, mas a quantidade de amor e sacrifício que ele representa.
V. 15 O imposto devia ser pago em moeda romana. O denário trazia uma imagem da cabeça do imperador Tibério.
Filho de Davi (35) Mt 1 e Lc 3 mostram que Jesus realmente era descendente de Davi. Mas ele é muito mais do que isso: ele é o Filho de Deus - filho de Davi e Senhor de Davi.
Vs. 41-42 No pátio das Mulheres havia 13 gazofilácios em forma de trombeta. Uma "viúva pobre" era a pessoa mais pobre entre os pobres.
Mc 13: Acontecimentos futuros, para Jerusalém e para o mundo
Veja as notas em Mt 24. Veja também Lc 21; 17.22-37. Parte da linguagem que Jesus usou e as coisas que descreveu ecoam profecias do AT sobre o fim dos tempos bem como a linguagem simbólica das obras "apocalípticas", que seus ouvintes conheciam (veja sobre o Apocalipse). Exemplos disso aparecem nos vs. 7-8 (batalhas, terremotos, fomes) e 24-25 (eclipses do sol e da lua...).
Mc 14--16
A morte e ressurreição de Jesus
Mc 14.1-11: Conspiração e traição
Veja também Mt 26.6-13; Jo 12.1-8. O ministério público de Jesus estava chegando ao fim. Com a aproximação da festa da Páscoa (veja Mt 26), os acontecimentos se sucedem rapidamente e chegam a um ponto culminante. Contra um pano de fundo de ódio e conspiração, ganha destaque a história da mulher que ungiu o Senhor (3-9).
Era um gesto de cortesia bastante comum derramar um pouco de perfume nos convidados quando estes chegavam. Perfume era usado, também, para ungir o corpo de alguém que havia morrido. E a palavra "Messias" significa "ungido" para o serviço de Deus. Talvez percebendo intuitivamente que uma tragédia estava por acontecer, Maria (veja Jo 12.3) derramou todo o precioso óleo perfumado que havia  naquele frasco, num gesto extravagante de afeição. (Veja "Jesus e as mulheres"). (Um trabalhador ganhava um denário ou uma "moeda de prata" por dia.  Este artigo de luxo valia o salário de quase um ano.) João (12.1-8) colocou este episódio alguns dias antes e nos conta também que Judas era ladrão.

Maria derramou perfume precioso na cabeça de Jesus. Esses vidros de perfume são daquela época.
Mc 14.12-25: A última ceia Veja Mt 26.14-29.
Mc 14.26-52: Jesus é preso no Getsêmani
Veja as notas em Mt 26.30-56. Aparentemente não faria sentido mencionar o jovem (51-52) a não ser que fosse o próprio Marcos.
Mc 14.53--15.15: Julgamento e negação
Veja Lc 22.54-57.
Quanto ao julgamento, o tribunal judaico que condenou Jesus foi o Sinédrio, o Conselho Superior de Jerusalém. Seus 71 conselheiros vinham de famílias influentes: líderes religiosos, escribas, fariseus e saduceus. O sumo sacerdote do ano presidia.
O Sinédrio tinha amplos poderes em questões civis e religiosas na Judéia, mas sob o governo romano não tinha o poder de executar a sentença de morte. Assim sendo, era necessário que Jesus fosse levado também ao governador romano e acusado de algo que fosse digno de pena de morte segundo a lei romana. A blasfêmia era suficiente para os judeus. Para ter certeza de que Pilatos ratificaria a sentença, a melhor acusação era traição.
O processo judaico não foi nada regular. Foi realizado à noite. Não houve testemunhas de defesa. As testemunhas da acusação se contradiziam. E a pena de morte, que só deveria ser pronunciada no dia após o julgamento (o dia judaico ia de pôr-do-sol a pôr-do-sol), foi aplicada imediatamente.
Mc 15.16-41: A cruz
Jesus agora estava totalmente abandonado, isolado dos soldados, tendo por perto a multidão de curiosos que zombavam e o pequeno grupo de mulheres que o amavam o suficiente para poderem suportar a dor daquele último olhar.
Os autores dos Evangelhos não enfatizam a dor física e o horror daquelas horas que Jesus passou na cruz. Mas por que ele morreu? Os autores dos Evangelhos e de todo o NT consideram a morte de Jesus o clímax da sua missão, o cumprimento final do propósito de Deus. Seu sofrimento foi "por nós e pela nossa salvação". Com a sua morte ele pagou toda a dívida dos pecados do mundo, de uma vez por todas. Nas palavras do próprio Jesus, registradas nos relatos da última ceia, seu corpo foi dado e seu sangue foi derramado para fazer uma nova aliança entre Deus e a humanidade. Com a sua morte ele nos reconciliou com Deus, possibilitando o dom gratuito da vida eterna.
V. 21 Em Cirene, no norte da África, havia uma expressiva colônia judaica. Alexandre e Rufo evidentemente se tornaram cristãos. Este deve ser o mesmo Rufo mencionado em Rm 16.13.
Filho de Deus (39) No grego, se usava essa expressão para descrever uma pessoa heróica: "um grande homem".
Salomé (40) Mulher de Zebedeu; mãe de Tiago e João (Mt 27.56).
Mc 15.42-47: O sepultamento
A morte de um crucificado era um processo lento que muitas vezes durava dois dias ou mais. Mas às "três da tarde" (33) Jesus já estava morto. José membro do Sinédrio e discípulo de Jesus (Mt 27.57), evitou o que seria a desonra final: um sepultamento na vala comum.
Dia de preparação (42) O dia antes do sábado, que começava às 6 da tarde.
Mc 16: A ressurreição
Veja as notas em Lc 24. Para uma razão desconhecida - provavelmente porque as mais antigas cópias do Evangelho foram danificadas - os melhores manuscritos de Marcos que possuímos terminam abruptamente em 16.8. Os vs. 9-20 representam tentativas antigas de dar ao Evangelho um final mais aceitável.

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