COSTUMES BÍBLICOS: O Povo do Livro


O Povo do Livro

O Povo do Livro

Era como chamavam os nômades hebreus. E foi reforçado esse título de "o povo do livro", no período do exílio dos judeus e da destruição do Primeiro Templo, com um movimento de estudo intensivo da Lei liderado por Esdras (no século 5 a.C.)
Luz para o espírito, regra para a vontade, a Torá animava, impregnava, todos os ápices da existência, e o judeu piedoso não pronunciava as duas sílabas desse inefável nome sem um estremecimento de amor. Na Torá se associavam os preceitos mosaicas do Pentateuco, os grandes ensinamentos dos profetas e todo um conjunto de textos espirituais: os Salmos, o Cântico dos cânticos e outros, nos quais a alma humana se eleva à procura de Deus. Estudada, comentada e analisada sem cessar pelos escribas, a Torá satisfazia todas as necessidades e tinha respostas para todas as circunstâncias.

A maneira pela qual Moshê ensinou a Torá ao povo foi a seguinte: depois que Moshê recebeu o preceito de D'us , ele o ensinou a Aaron ; então, na presença de Aaron, aos filhos de Aaron; então novamente, na presença de Aarão e seus filhos, aos Setenta Anciãos de Israel ; enfim, na presença de todos estes discípulos, a todo o povo de Israel. Tendo Moisés saído, todo o procedimento foi repetido, sendo Aarão o professor. Depois que Aaron terminou, seus filhos serviram como professores; finalmente os Anciãos assumiram, repetindo o preceito ao povo pela quarta vez.
O resultado desse estudo intensivo foi que cada partido estudou a Torá quatro vezes completamente, e assim ela foi completa e permanentemente retida na memória tanto dos líderes quanto do povo.
No final dos quarenta anos de peregrinação no deserto, cinco semanas antes de sua morte, Moisés repetiu a Torá aos filhos de Israel pela última vez, e mais uma vez a explicou completamente. Ele o escreveu nos "Cinco Livros de Moshê", conforme ditado a ele por D'us . A Torá foi escrita em treze cópias, uma para cada tribo e uma para ser colocada na Arca Sagrada no Santuário.

Uma Nação Santa

Na época em que a Torá foi dada ao povo de Israel há mais de 32 séculos (2.448 anos, ou 26 gerações, após a criação do mundo), e por muitos séculos depois, a maioria dos povos da terra viveu em um estado de ilegalidade, violência e imoralidade. No Sinai, Israel foi designado por Deus para ser "um reino de sacerdotes e uma nação sagrada", para ensinar ao mundo a verdade sobre o Criador e a maneira como Ele deseja que a raça humana viva nesta terra. No Monte Sinai, o povo judeu comprometeu-se solenemente a aderir à Torá e a seus preceitos em todos os momentos e em todos os lugares, para que fossem de fato um símbolo vivo de um povo divinamente inspirado. De acordo com esta aliança solene entre D'us e Israel, reafirmada muitas vezes na Torá, o destino e o destino do povo judeu seriam determinados por sua fé em D'us e sua lealdade aos preceitos da Torá. O povo judeu foi feito o portador da tocha da sabedoria Divina no mundo, até o grande dia em que "toda a terra será preenchida com o conhecimento de D'us como as águas enchem o oceano".
Ao povo de Deus, a profunda piedade animava a cada instante. Um humilde judeu recitava, com toda a sua alma, todas as manhãs e noites, o famoso texto: [Shema] Escuta, ó Israel, e louvava a Deus com as expressões das dezoito bênçãos, cujo total lembrava o número das vértebras do corpo humano que deveriam inclinar-se durante a oração.
Às vezes, alguns judeus mais rigorosos se isolavam no deserto para meditar. João Batista, certamente, não foi o único que se retirou para o ermo. Não longe de Betábara, existiam verdadeiras comunidades de homens consagrados, que viviam somente para orar, meditar e preparar cópias dos rolos das Escrituras inspiradas por Deus.
A principal dessas comunidades - a dos essênios - ficava perto do mar Morto. Depois de um ou dois anos de prova, o adepto desse grupo aceitava não possuir mais nada como seu, doando seus bens à comunidade na qual passaria a viver, abrindo mão do convívio com as mulheres (ainda que saibamos que um desses grupos permitia casamentos, para assegurar a perpetuação da raça) e participando coletivamente das refeições com grande sobriedade.
Mar Morto/Israel
Um ritual, abundante em banhos de unção com azeites e uso de roupas limpas, acompanhava cada ato da jornada diária de cada um. Para comer, o essênio vestia-se de linho branco. Junto a minuciosas observâncias que incrementavam as prescrições da Lei (o ato de enterrar os excrementos, por exemplo), os essênios se esforçavam quanto podiam em favor da busca espiritual que, às vezes, levava-os bem longe dos caminhos do judaísmo oficial, conduzindo-os para junto da filosofia do neopitagorismo, mas que testemunhava a importância que Israel concedia aos assuntos espirituais.
Esse mesmo fervor, espalhado entre todo o povo judeu, era o que tornava tão difícil o silêncio com que, havia muitos séculos, Deus parecia ter-se cercado. Já que o Altíssimo não se manifestava mais, será que teria desaparecido a antiga ternura existente entre Ele e Sua querida nação? Será que sua aliança havia sido abolida? Esse temor oprimia o coração de todo judeu crente e patriota, pois a fé e a pátria estavam intimamente ligadas em Israel, e o aparente abandono divino não lhe soava como merecido.

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O Povo do Livro no Brasil

“A presença de judeus entre os primeiros povoadores do Brasil é um fato histórico, incontestável, certíssimo”, nas palavras de Moysés Kahan em seu livro Judeidade. A história dos judeus no Brasil começou com a chegada dos primeiros portugueses em 1500. Eram os “cristãos-novos” fugidos da Inquisição, vindos nas caravelas de Pedro Álvares Cabral quando este aportou no Brasil.
As primeiras figuras que podemos citar são Gaspar de Lemos, o judeu, e Fernando de Noronha:
Gaspar de Lemos, o judeu, também conhecido como Gaspar da Gama (por ter sido adotado por Vasco da Gama, nas Índias) ou Gaspar das Índias, capitão-mor de Pedro Álvares Cabral, do navio dos que levavam os mantimentos da expedição que descobriu o Brasil, era homem que falava muitos idiomas, recebia cartas diretas do rei d. Manuel, era respeitado pelos seus conhecimentos marítimos, e segundo Afrânio Peixoto e Alexandre Von Humboldt é considerado “co-descobridor do Brasil”.
Fernando de Noronha, dois anos apenas após o descobrimento do Brasil, lidera um grupo de judeus portugueses e apresenta a d. Manuel a primeira proposta de colonização do território brasileiro, que é aceita e firmada em 1503. (…) O projeto secreto de Fernando de Noronha, motivado por Gaspar de Lemos, era o de utilizar a nova colônia como refúgio para os judeus perseguidos.
D. Manoel I, rei de Portugal, era conhecido como “O Venturoso”, “Rei da Pimenta” e também como “Rei dos Judeus”, pela formidável presença destes últimos nas frotas descobridoras. Um dos motivos desta presença é a especialidade que os judeus sefaradim da Península Ibérica tinham dos conhecimentos de navegação marítma. O famoso estudioso astrônomo Avraham Zacuto, autor do Almanach Perpetuum, tinha uma academia de estudos do mar onde foram aperfeiçoadas as cartas marítimas, o astrolábio e a bússola.
Para aqueles que eram perseguidos na Península Ibérica, que tinham de escolher entre a morte e o batismo, a promessa de descobrir novos mundos enchia os olhos de uma nova vida, tranquila, longe de brutalidades, onde poderiam exercer sua cultura e religião em paz.

Os nomes dos Estados Brasileiros

Os nomes dos estados brasileiros são uma possível prova desta forte presença. Embora reconhecidos como oriundos dos dialetos indígenas, os falantes da língua podem perceber que se tratam de palavras bastante simples do vocabulário hebraico:
Pará – pará, em hebraico, significa vaca. O território apresentava boas condições para criação de gado, com umidade e pastos.
Ceará – ceará, em hebraico, quer dizer ventania, tempestade. Os navios passaram por uma tempestade ou forte ventania, atracando neste território apos o episódio. Ou simplesmente, um território com fortes ventanias, pela costa marítima.
Bahia – Ba, em hebraico, nela; I-á, em hebraico, um dos nomes de Deus, formando “nela há Deus”. Foi o local onde os judeus esperançosos aportaram e viram a boa perspectiva de vida, louvando a Deus.
Maranhão – marrano, em português, é a nomenclatura pejorativa para cristãos-novos. Seria ‘o grande marrano’.
Maceió – maassê, em hebraico, é obra; I-á, em hebraico, é um dos nomes de Deus, formando obra de Deus, provavelmente em virtude da exuberância de suas paisagens virgens.
Goiás – gói, em hebraico, significa povo; az, em hebraico, forte, formando “povo forte”. Território habitado por tribos indígenas de fortes guerreiros.
Recife – retsíf, em hebraico, é recife, quanto à evidente presença deste fenômeno natural na costa do território.
Amazonas – am, em hebraico, quer dizer povo; zoná, em hebraico, mulher indecorosa ou nua, formando “povo de mulheres nuas”, quanto à presença de tribos indígenas que andavam sem roupas, o que foi um choque para os europeus.

O nome do Brasil

Podemos falar um pouco também do nome do país. Brasil tem sua origem na presença do recurso natural pau-brasil, também conhecido como pau-ferro, devido à sua resistência mais forte, que repelia ataques de cupins, por exemplo. É interessante comentar que as letras de Brasil em hebraico são as mesmas da palavra barzel, ferro em hebraico.
Todas estas coincidências linguísticas foram muito estudadas pelo mesmo Moysés Kahan, já citado. Ele explica que podemos falar em uma “língua geral”, uma língua falada no litoral do Brasil pré-jesuítico, a língua da expansão portuguesa que surgiu no Brasil quinhentista como instrumento de comunicação, formada de vocábulos estrangeiros misturados com línguas indígenas, vocábulos estes acomodados foneticamente ao colorido local. O fato de haver entre os primeiros povoadores do Brasil muitos judeus nos leva a crer que eles fizeram grande uso do hebraico em suas relações com a gente da terra, já que a ciência e o comércio judaicos dominavam os continentes, e o hebraico servia-lhes de veiculo de difusão e intercâmbio.
Entre as palavras tupis é possível destacar várias que coincidem com o hebraico. Talvez isso explique os nomes dos estados que mencionamos anteriormente. Porém, mais incrível do que simples coincidências de palavras é analisar a presença no tupi de nomes de objetos que os indígenas não conheciam ou com os quais não tiveram contato antes. Estas palavras, obviamente, foram emprestadas do vocabulário dos estrangeiros que apresentaram tais objetos ao povo local.
Para concluir, podemos usar as palavras do crítico Wilson Martins:
Antes de ser propriamente uma colônia portuguesa, o Brasil já foi uma colônia… judaica!

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E peço isto: que o vosso amor cresça mais e mais em ciência e em todo o conhecimento,
Para que aproveis as coisas excelentes, para que sejais sinceros, e sem escândalo algum até ao dia de Cristo;
Cheios dos frutos de justiça, que são por Jesus Cristo, para glória e louvor de Deus.
Filipenses 1:9-11

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