Costumes Bíblicos: O Povo do Livro

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O Povo do Livro



O alicerce da comunidade judaica, durante os quatro séculos que precederam a vinda do Messias, foi a Lei, a Torá. Luz para o espírito, regra para a vontade, a Torá animava, impregnava, todos os ápices da existência, e o judeu piedoso não pronunciava as duas sílabas desse inefável nome sem um estremecimento de amor. Na Torá se associavam os preceitos mosaicas do Pentateuco, os grandes ensinamentos dos profetas e todo um conjunto de textos espirituais: os Salmos, o Cântico dos cânticos e outros, nos quais a alma humana se eleva à procura de Deus. Estudada, comentada e analisada sem cessar pelos escribas, a Torá satisfazia todas as necessidades e tinha respostas para todas as circunstâncias.
Ao povo de Deus, a profunda piedade animava a cada instante. Um humilde judeu recitava, com toda a sua alma, todas as manhãs e noites, o famoso texto: [Shema] Escuta, ó Israel, e louvava a Deus com as expressões das dezoito bênçãos, cujo total lembrava o número das vértebras do corpo humano que deveriam inclinar-se durante a oração.
Às vezes, alguns judeus mais rigorosos se isolavam no deserto para meditar. João Batista, certamente, não foi o único que se retirou para o ermo. Não longe de Betábara, existiam verdadeiras comunidades de homens consagrados, que viviam somente para orar, meditar e preparar cópias dos rolos das Escrituras inspiradas por Deus.
A principal dessas comunidades - a dos essênios - ficava perto do mar Morto. Depois de um ou dois anos de prova, o adepto desse grupo aceitava não possuir mais nada como seu, doando seus bens à comunidade na qual passaria a viver, abrindo mão do convívio com as mulheres (ainda que saibamos que um desses grupos permitia casamentos, para assegurar a perpetuação da raça) e participando coletivamente das refeições com grande sobriedade.
mar Morto
MAR MORTO
Um ritual, abundante em banhos de unção com azeites e uso de roupas limpas, acompanhava cada ato da jornada diária de cada um. Para comer, o essênio vestia-se de linho branco. Junto a minuciosas observâncias que incrementavam as prescrições da Lei (o ato de enterrar os excrementos, por exemplo), os essênios se esforçavam quanto podiam em favor da busca espiritual que, às vezes, levava-os bem longe dos caminhos do judaísmo oficial,conduzindo-os para junto da filosofia do neopitagorismo, mas que testemunhava a importância que Israel concedia aos assuntos espirituais.
Esse mesmo fervor, espalhado entre todo o povo judeu, era o que tornava tão difícil o silêncio com que, havia muitos séculos, Deus parecia ter-se cercado. Já que o Altíssimo não se manifestava mais, será que teria desaparecido a antiga ternura existente entre Ele e Sua querida nação? Será que sua aliança havia sido abolida? Esse temor oprimia o coração de todo judeu crente e patriota, pois a fé e a pátria estavam intimamente ligadas em Israel, e o aparente abandono divino não lhe soava como merecido.
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