Costumes Bíblicos: Filipenses

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Filipenses

FILIPENSES

RESUMO
Paulo, na prisão, aguardando sentença, escreve para a amada igreja de Filipos, que o apoiava em sua atividade apostólica. O tema da carta é a alegria.
Na época de Paulo, Filipos, assim como Corinto, era uma colônia romana, e ficava junto à Via Egnatia, a grande estrada que ligava a parte leste à parte oeste do Império Romano. Depois das batalhas de otaviano contra Brutus e Cássio e, mais tarde, contra seu antigo aliado Antônio, a cidade foi ocupada por colonos vindos da Itália. Esses se orgulhavam de seus direitos e privilégios especiais e eram extremamente leais a Roma. Em Filipos, como na província da Macedônia como um todo, as mulheres desfrutavam de um status elevado. Participavam ativamente da vida pública e dos negócios, situação esta que se refletia na igreja.
Quem eram os filipenses?
A igreja de Filipos, no norte da Grécia, foi a primeira que Paulo fundou na Europa. Isto se deu por volta de 50 d.C., durante sua segunda viagem missionária (veja At 16.12-40). Quando Paulo, Silas e Timóteo partiram, Lucas, o médico permaneceu. Filipos era um centro médico, e possivelmente era a cidade natal de Lucas. Sem dúvida, ele deve ter se empenhado para que a igreja ficasse ativa e continuasse a expansão evangelística.
A epístola revela uma igreja que sofria (1.29) e corria alguns riscos de divisão interna (1.27; 2.2). Possivelmente havia uma tendência à doutrina do perfeccionismo (3.12-13). Mas essa epístola foi escrita para incentivar o progresso, e não para resolver problemas. Isto explica a advertência contra alguns cristãos de origem judaica que insistiam que cristãos de origem gentílica deviam ser circuncidados e observar a lei judaica (veja 3.2-3). Paulo amava essa igreja e se alegrava com seu progresso (as palavras "alegria" e "alegrar-se" - ou sinônimos delas - são usadas 16 vezes nesta breve epístola).
A epístola
Paulo estava "em cadeias" quando escreveu essa carta (1.13). Se isso se refere ao período de sua prisão domiciliar, enquanto aguardava a audiência com o Imperador, em Roma (At 28.16,30-31), a data é do início da década de 60. Mas as condições que ele descreve parecem mais severas do que o relato de Atos dá a entender: o julgamento era iminente, e havia uma possibilidade real de morte. Timóteo, mas não lucas (considerando-se 2.20-21), estava com ele. Portanto, é possível que essa "prisão" tenha sido uma anterior, aquela de Cesaréia, ou outra não registrada em Atos (os romanos não condenavam pessoas à prisão, simplesmente as deixavam sob custódia, aguardando julgamento). Já houve quem defendesse a hipótese de que Paulo escreveu da prisão em Éfeso, o que mudaria a data de autoria para 54 d.C. aproximadamente. Não podemos ter certeza em nenhum dos casos.
Por que Paulo escreveu?
Paulo tinha vários motivos para escrever. Queria explicar por que estava mandando Epafrodito de volta. Queria agradecer aos filipenses pelo donativo que haviam mandado (e também certificar-se de que não enviariam outro, criando um ciclo de "dar um presente e esperar um em troca", conforme as convenções da época). Ele tinha notícias para dar. E o que ouvira sobre eles o motivou a incentivá-los e aconselhá-los. Outras notícias chegaram a ele enquanto escrevia, o que tornou necessário acrescentar uma palavra de advertência (3.1b).
Fp 1.1-2: Saudações introdutórias
A epístola é de Paulo "e Timóteo", o jovem que estava com Paulo quando a igreja foi fundada, e que em breve seria enviado outra vez a Filipos (2.19). Os "servos de Cristo Jesus" escreveram aos "santos": não uma elite, mas todo o povo de Deus, homens e mulheres separados para o serviço de Deus. Os "bispos" (líderes da igreja) e "diáconos" recebem menção especial.
Fp 1.3-11: Paulo ora pela igreja
Na oração de Paulo, destacam-se os temas do amor, da alegria (uma palavra chave da epístola), e da gratidão. Ele pede a Deus que dê aos leitores da carta cada vez mais sabedoria e entendimento, para que a vida deles seja moldada conforme o padrão de Deus.
O primeiro dia (5) Veja At 16.12-40.
Minhas algemas (7) Veja Introdução acima.
Fp 1.12-26: Notícias pessoais
Paulo fala do passado (12), do presente (13-18), e do futuro (19-26), pesando as alternativas de viver ou morrer. Na vida ou na morte, Cristo era tudo para Paulo, e ele não sabia o que devia escolher. A necessidade dos cristãos filipenses fez com que a balança pendesse para o lado da vida.
As coisas que me aconteceram (12) Se Paulo escreve de Roma, isso inclui tentativa de linchamento, tratamento injusto, conspirações, prisão, naufrágio e longa detenção sob vigilância constante.
Toda a guarda pretoriana/do palácio (13) A força imperial de elite à qual pertenciam os soldados que vigiavam Paulo. Normalmente, quem estava sob prisão domiciliar era vigiado 24 horas por dia. O prisioneiro era responsável por sua moradia e sua alimentação.
Libertação (19) Se a decisão judicial fosse desfavorável, a morte o libertaria para estar na presença de Cristo; se fosse favorável, ele seria liberto para servir a igreja.
O viver é Cristo... (21) Ter mais e mais de Cristo, tornar-se mais e mais parecido com ele, até que, ao morrer, o processo se complete num momento glorioso.
Fp 1.27--2.18: Um apelo por união
A divisão na igreja era mais do que uma possibilidade remota (veja, por exemplo, 4.2). Paulo incentiva todos a deixarem de lado o orgulho, e viverem, trabalharem e pensarem como se fossem um. Somente isto estaria à altura ou seria digno daquele cuja vida é o exemplo supremo de humildade. Jesus abriu mão de tudo que por direito era seu -- inclusive a sua vida -- e por isso Deus lhe deu a mais alta honra (é provável que Fp 2.5-11 seja um trecho de um hino em louvor a Cristo usado naquele tempo; algumas traduções modernas, como NTLH, reconhecem isso, colocando esse texto em formato poético). Assim, os seguidores de Jesus precisam "desenvolver" a sua salvação, colocando em prática a nova vida que receberam de Deus (12-16).
Subsistindo em forma de Deus (2.6) Isto significa que ele tinha a natureza de Deus (veja NTLH), e não apenas a aparência externa (o mesmo vale para o uso da palavra "forma" no v.7).

Da antiga Filipos só sobrou um monte de pedras e algumas colunas. Na época de Paulo, ela era  uma colônia romana e cidade importante junto à Via Egnatia. Ruínas de uma igreja bizantina, ao fundo, mostram a influência duradoura da missão de Paulo.
 A si mesmo se esvaziou (2.7) "Abriu mão de tudo o que era seu", "despojou-se". Ao se tornar homem, Jesus reteve sua natureza essencial como Deus, mas renunciou a seu status e voluntariamente aceitou limitações a sua onipotência e onipresença, por exemplo. Ele levou uma vida de obediência humilde, limitada aos recursos que Deus dá aos seres humanos: o poder de seu Espírito; a orientação da sua palavra; a oração, etc.
Nome que está acima de todo nome (2.9) O nome supremo, "Senhor", é a forma grega de "Yahweh", o nome de Deus.
Dia de Cristo (2.16) O dia seu retorno.
Libação/oferta (2.17) A morte de Paulo seria apenas o toque final, o último retoque a ser acrescentado à verdadeira oferta, a fé e a vida da igreja.
Fp 2.19-30: Paulo recomenda seus companheiros de trabalho
Vs. 19-23: Timóteo (veja 1.1-2).
Vs. 25-30: Epafrodito. Os filipenses o enviaram para ajudar Paulo. Ao enviá-lo de volta, Paulo trata de deixar bem claro que ele realizou bem o seu trabalho.
Fp 3: Advertência e exemplo
Paulo estava por encerrar a sua carta (3.1a), quando notícias alarmantes o obrigaram a continuar escrevendo. Ele não se importava em repetir o que já havia escrito, e para os filipenses isso representava segurança (3.1b). Eles deviam tomar cuidado com os "cães" (termo de desprezo usado pelos judeus a respeito dos gentios), os judaizantes, aquele grupo de cristãos de origem judaica que seguia Paulo por toda parte, insistindo que os convertidos gentios fossem circuncidados e passassem a guardar a lei (apesar da decisão oficial de At 15.19-29). Na verdade, eles estavam alterando toda a base da salvação, transformando-a de "pela fé somente" em "pela fé e com o acréscimo de..." Isto explica a ira de Paulo.
A verdadeira circuncisão (3, NTLH) O verdadeiro Israel, o verdadeiro povo de Deus.
Lucro... perda (7-8) Deus não tem uma contabilidade de crédito e débito (embora Paulo acreditasse que Deus recompensa aqueles que fazem a sua vontade e o servem bem aqui na terra). Esse é um conceito rabínico que está por trás das palavras de Jesus em Mt 16.26.
Prossigo... (12-16) Como o atleta ou cavaleiro, que não perde tempo olhando para trás, mas concentra todo o esforço para cruzar a linha de chegada. Paulo rejeita a idéia de que a perfeição pode ser alcançada aqui e agora. (Porém, ele incentiva os cristãos a "crescer" e atingir a maturidade.)
O deus deles é o ventre (19) Isto é, seus apetites, tudo o que eles desejam.
Nossa pátria (20) Ou, "nossa cidadania". Eles deviam se considerar membros de uma colônia celestial, cidadãos do céu que vivem na terra. Os filipenses, que se orgulhavam do fato de serem uma colônia romana, devem ter entendido rapidamente o que isso significava.
Fp 4: Orientação e incentivo
V. 1: Um apelo geral.
Vs. 2-3: Duas mulheres, Evódia e Síntique, haviam  brigado. Como Paulo trata disso numa carta pública, supõe-se que era mais do que uma questão particular. Isso sugere que elas estavam entre líderes da igreja (os "cooperadores" de Paulo, 3).
Vs. 4-9: Alegrem-se, alegrem-se! A orientação vem de um homem acorrentado, ameaçado de morte; um homem que fora apedrejado, espancado e perseguido pelos inimigos. Mas experiências que deixariam outras pessoas amargas deixavam Paulo transbordando de alegria! Como ele conseguia?! A chave está nos vs. 6-7: Paulo sabia como e onde descarregar as suas ansiedades e encher sua mente com coisas boas e positivas (8). Ele também aprendeu o segredo do contentamento, em todas as circunstâncias (12): com a força que vinha de Cristo, ele podia enfrentar qualquer situação (13).
Ao fundo Templo de Júlio César
 e Arco Augusto
À direita Templo de Castor e Pólux
Casa de César/palácio do Imperador (22)Vs. 10-20: O apóstolo agradece pelos donativos recebidos. Desde o início eles o apoiaram (15), com uma generosidade que se estendia a todos os necessitados (2Co 8.1-5). Sem contar o custo, eles se doaram a si mesmos e tudo que tinham. Não é de admirar que Paulo tenha amado esses cristãos: um grupo de homens e mulheres fiéis, leais, atenciosos, generosos e dedicados.
Cristãos que faziam parte do pessoal a serviço do Imperador (o palácio imperial, se Paulo estava em Roma).




"Prossigo para o alvo, para o prêmio", escreveu Paulo, descrevendo sua vida cristã. Assim como o cocheiro dessa quadriga romana, todo o esforço de Paulo visava a alcançar esse alvo.




"Há apenas uma marca de um verdadeiro cristão: a vida dedicada a Jesus Cristo em fé e amor."
Marcus Morris, sobre Fp 3.1-4


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