Costumes Bíblicos: Evangelho de Mateus caps. 5 ao 11

Evangelho de Mateus caps. 5 ao 11

Evangelhos
Evangelho de Mateus caps. 5 ao 11
Mt 5--7
Seguindo Jesus:
O Sermão do Monte
Veja também Lc 6.20-49. O "sermão" é a primeira e mais longa das cinco seções em que Mateus reuniu o ensinamento de Jesus. Sentado na encosta do monte, com seus seguidores à volta, Jesus mostrou aos seus discípulos como devem viver. Esta não era uma simples lista de regras. Toda a atitude deles bem como a mentalidade devia ser transformada: de dentro pra fora. O alvo deles é colocar em prática a bondade típica de Deus, ou seja, uma bondade que não tem limites (5.48).
Mt 5.1-16: A verdadeira felicidade
Jesus tem um conceito de felicidade que é bem diferente daquele que as pessoas normalmente têm. Em geral se pensa que felizes são os ricos, os ambiciosos, os poderosos. Jesus não pensa assim. Verdadeiramente felizes são aqueles que reconhecem a sua dependência de Deus (os "humildes de espírito", v. 3), confiando em Deus e não em seus próprios recursos. As características do povo de Deus são o sofrimento (4), a mansidão (5), o desejo de estar em paz com Deus e de ver a justiça prevalecer (6), a prontidão em perdoar (7), o coração voltado para Deus (8), e a promoção da paz (9).
"Vocês são a luz do mundo", 
disse Jesus aos seus discípulos.
"Não se pode esconder uma cidade 
construída sobre o monte".
 Tsefat (Safed), no norte da Galiléia, 

é uma cidade assim.

Sua recompensa será receber o que desejam. E suas vidas causam um impacto no mundo: eles adicionam o tempero à vida, impedem a deterioração (13), iluminam o caminho (14). Pelo que fazem e dizem e como reagem, são para os outros um pequeno reflexo de Deus - para que outros vejam e glorifiquem a Deus (16).
Mt 5.17-48: Um novo padrão
Talvez alguns tivessem pensado, com base na atitude de Jesus diante do sábado e de outras leis, que ele queria eliminar a lei por completo. Estavam enganados. Ele veio para cumprir a lei que Deus através de Moisés É muito fácil fazer uma leitura superficial e legalista lei, contentar-se em cumprir o que diz a letra. Mas é o espírito, o princípio por trás da lei, que revela a vontade de Deus.
Nos vs. 21-48, Jesus traz seis exemplos, introduzidos com as palavras: "Ouvistes o que foi dito... eu, porém, vos digo.." Eles mostra como os princípios expressos na Lei devem ser aplicados. Em cada caso -- homicídio (21- 26; Êx 20.13), adultério (27-30; Êx 20.14), divórcio (31-32; Dt 24.1-4), juramentos (33-37; Nm 30.2; veja também Mt 23.16-22), vingança (38-42; Êx 21.24), amor ao próximo (43-48; Lv 19.18; veja também Lc 10.29-37) -- o padrão passa a ser mais elevado. Jesus mostra como o pecado começa na mente e na vontade. É ali que ele deve ser combatido. Os tribunais punem apenas o malfeitor, enquanto que, aos olhos de Deus, os pensamentos e as motivações por trás dos atos também são culpáveis.
A Lei e os Profetas (17) Isto é, todos os preceitos do AT. Há três divisões na Bíblia hebraica: a Lei (Gênesis a Deuteronômio); os Profetas (anteriores: Josué, Juízes, Samuel, Reis; e posteriores: todos os profetas, exceto Daniel); e os Escritos (o restante do "AT").
V. 22 Até um insulto trivial indica uma atitude de desprezo/ódio que é culpável.
V. 23 Uma oferta a Deus não significa nada, se não houver reconciliação com o próximo.
Vs. 31-32 Na época de Moisés, a mulher podia ser repudiada por qualquer motivo. A lei mosaica dava certa segurança à mulher. Jesus voltou ao propósito e significado inicial do casamento. O vínculo que se estabelece quando os dois se tornam "uma só carne" é indissolúvel. O divórcio está fora de cogitação, exceto quando um dos cônjuges já rompeu a união. Veja 19.3-9.
Mt 6.1-18: Ajuda aos necessitados, oração e jejum
Quando o assunto é a prática da religião, o que interessa, também, são as motivações, os pensamentos, as intenções - tudo que se passa no interior da pessoa. Deus não recompensa manifestações externas de piedade. Assim, Jesus pede aos seus seguidores que ajudem, orem, jejuem (as três "mais importantes exigências práticas em termos de piedade pessoal no judaísmo daquela época") sem chamar a atenção para si. Deus os recompensará. A oração deve ser simples, confiante: como filhos que chegam a um Pai amoroso, ansiosos por agradar, conscientes de suas falhas. Tudo isso transparece oração modelo que Jesus ensinou aos seus discípulos (9-13) e que nós conhecemos como a oração do "Pai Nosso" (veja também Lc 11.2-4).

As pessoas podem escolher suas prioridades. Elas podem correr atrás de dinheiro e bens materiais, como podem dar maior importância a Deus e assuntos espirituais. Mas não podem fazer as duas coisas ao mesmo tempo. Cada um precisa decidir quais são as suas próprias prioridades. Aqueles que colocam Deus em primeiro lugar podem ter a certeza de que ele conhece todas as suas necessidades e não deixará de supri-las. Não precisam se preocupar.
Mt 6.19-34: Prioridades
Vs. 22-23 Pensava-se que os olhos eram janelas que deixavam a luz entrar no corpo. Há, aqui, um jogo de palavras aqui: "bons" (22) = generosos; "maus" (23) = gananciosos.
Mt 7: O que fazer - e o que não fazer
Não sejam críticos demais (1-5); sejam criteriosos (6). Nunca deixem de orar (7-11).
O v. 12 resume o Sermão do Monte: "Façam aos outros o que querem que eles façam a vocês". Esta é a essência da Lei e dos Profetas. Portanto:
• Certifique-se de que você está no caminho certo, o caminho que leva para a vida eterna (13-14).
• Cuidado para não ser enganado; saiba distinguir o verdadeiro do falso "pelos frutos" (15-20).
• Palavras não bastam; muitos se enganam neste particular (21-23).
• A coisa certa a fazer é colocar o ensino de Cristo em prática: uma casa construída na rocha resiste à tempestade (24-27).
Com o fim do "sermão", Mateus ressalta a autoridade que distinguia Jesus de todos os outros mestres e impressionava os seus ouvintes.
Mt 8.1--9.34 Curas e ensinamento
Mt 8.1--9.8: Curas
Jesus não era insensível às necessidades humanas. Ensinar, pregar e curar andavam de mãos dadas: sua autoridade transparecia no que ele dizia e fazia.
Mt 8.1-4: O leproso. Para os judeus, os leprosos eram imundos e não podiam ser tocados. Jesus poderia ter curado o homem com um olhar, ou uma palavra, mas em vez disso ele estendeu a mão e o tocou. (Para as regras relativas à lepra, veja Lv 13--14; o termo "lepra" na Bíblia abrange várias doenças de pele.)
Mt 8.4-13: O servo do centurião. A missão de Jesus era para o povo de Israel, mas nem mesmo entre o povo ele havia encontrado uma fé como a do oficial romano, que reconheceu autoridade quando se deparou com ela. (Veja também 15.21-28).
Mt 8.14-15: Em Cafarnaum, Jesus usou o seu poder para curar doenças e demonstrar a sua autoridade sobre poderes demoníacos que estavam causando muitos males. Mateus aplicou as palavras de Isaías literalmente ao ministério de cura de Jesus.
Mt 8.18-21: A resposta de Jesus a dois candidatos ao discipulado dá uma lição sobre comprometimento.
Mt 8.23-34: É significativo que Mateus tenha colocado a história em que Jesus acalma dois homens violentos e perigosos logo após a história que mostra que ele tinha controle sobre uma violenta tempestade. Nos seus registros, Marcos e Lucas enfatizam apenas um dos homens, "Legião" ou "Multidão" (Mc 5.1-17; Lc 8.26-37). Talvez ele se basearam em tradições diferentes. Também é possível que Mateus tinha em mente as duas testemunhas necessárias para validar um depoimento na forma da lei. Jesus restaurou ambos à sanidade. Mas os moradores de Gadara - uma das Dez Cidades (gregas), que ficava 10 Km a sudoeste do mar da Galiléia - ficaram tão apavorados que mandaram Jesus embora.
Mt 9.1-8: O homem paralítico. Jesus operou  uma cura física para mostrar que a cura espiritual, o perdão dos pecados , era igualmente real.
Filho do Homem (8.20) Título que Jesus usava com
Os primeiros discípulos de
Jesus eram pescadores!


frequência para falar de si mesmo. Ele enfatiza a sua humanidade (Sl 8.4), mas também indica algo que vai além dela (Dn 7.13-14).










8.21-22 O discípulo queria primeiro sepultar o seu pai depois seguir Jesus. Isso não significava necessariamente que seu pai já estava morto. "Permite-me ir primeiro sepultar meu pai" é uma forma coloquial de dizer: "Um dia te seguirei, quando o meu pai tiver morrido e eu estiver livre para vir". A resposta de Jesus anula uma das obrigações mais importantes da sociedade judaica (sepultar os pais); ele choca os seus ouvintes, para mostrar que segui-lo é uma prioridade absoluta.
8.23-27 veja também Mc 4.36-41, onde aparecem alguns detalhes diferentes.
A sua própria cidade (9.1) Cafarnaum (veja 4.13).
Mt 9.9-17: O chamado de Mateus; a questão do jejum
Em marcos (2.13-17) e Lucas (5.27-32), o cobrador de impostos se chama Levi, e a festa acontece em sua casa. É possível que "Mateus" fosse o primeiro nome de Levi, assim como "Pedro" era o Simão. A presença de Jesus entre tais pessoas escandalizou os piedosos fariseus. Os seguidores de João também ficaram intrigados. Por que Jesus comia, ao passo que João jejuava? Lucas (5.36-37) dá a resposta de Jesus de forma bem clara. Seu ensino radicalmente novo não cabia no molde ou na fôrma do velho legalismo. Esse ensino precisava encontrar novas formas de expressão, pois, do contrário, o velho seria destruído e o novo se estragaria.
E, vendo as multidões, teve grande compaixão delas, porque andavam cansadas e desgarradas, como ovelhas que não têm pastor.
Então, disse aos seus discípulos: A seara é realmente grande, mas poucos os ceifeiros.
Rogai, pois, ao Senhor da seara, que mande ceifeiros para a sua seara.

Mateus 9:36-38
Publicanos (9-10) O imposto que coletavam era provavelmente uma taxa alfandegária. Os publicanos ou cobradores "eram odiados por colaborarem com os romanos e extorquirem dinheiro. Como uma categoria, eles eram considerados desonestos... Portanto, Mateus possivelmente era o mais rico dentre os apóstolos" (Leon Morris). Quando deixou seu emprego, ele não tinha como recuperá-lo.
Mt 9.18-34: Mais curas
Vs. 18-36: A filha de Jairo; a mulher com hemorragia (veja Mc 5.21-43; Lc 8.40-56).
Vs. 27-31: Dois cegos. O motivo do segredo (30) não é explicado. Supostamente Jesus queria evitar que seus milagres dessem ao povo a impressão errada sobre a sua missão.
Vs. 32-34: O mudo endemoninhado.
V. 23 Muitas vezes músicos eram contratados para tocar músicas fúnebres na casa em que uma pessoa havia morrido.
Mt 9.35--10.42
A missão dos doze
Em Mateus, esta é a segunda seção de ensinamentos de Jesus. Veja também Mc 6.7-13; Lc 9.1-6 e outras passagens paralelas.
Da observação a respeito da compaixão de Jesus pelo povo, a "colheita" de Deus (9.36-37), passa-se diretamente ao relato da escolha dos doze (veja "Os doze discípulos de Jesus"). A escolha e o treinamento deste grupo reduzido de discípulos foi uma parte vital da missão de Jesus. A palavra "apóstolo" significa "mensageiro" e a tarefa de difundir a menagem sobre Jesus caberia a eles depois da morte e ressurreição do Mestre.
Agora, depois de chamá-los, ele os envia pela primeira vez, dando-lhes a sua própria autoridade para curar. Ele lhes deu instruções (algumas apenas temporárias; veja Lc 22.35-36) e os advertiu a respeito do tipo de recepção que provavelmente teriam, agora e no futuro. Eles deviam estar preparados para enfrentar dificuldades, confiar no cuidado de Deus e não ter medo de ninguém.
10.1 Os doze representam o novo povo de Deus, assim como as 12 tribos representavam o antigo.
O publicano (10.3) Parece que Mateus não conseguia esquecer que fora um dos marginalizados daquele tempo.
10.23 Aqui se percebe um eco de Dn 7.13. O assunto é autoridade/soberania, não a "segunda vinda" de Jesus. Talvez aqui ele esteja se referindo a seu retorno triunfante da morte no dia da ressurreição.
Belzebu (10.25) Nem mesmo os inimigos de Jesus negavam que ele expulsava demônios, por mais que tenham feito de tudo para desacreditá-lo. Parece que os judeus pegaram o nome de um deus pagão (dos cananeus), que na sua própria língua soava como "senhor do excremento", e o aplicaram a um chefe dos demônios, possivelmente Satanás.
Eirados (10.27) O telhado horizontal da casa formava um terraço, onde as pessoas se reuniam para conversar e discutir.
10.28 Somente Deus tem esse poder, e não Satanás. NTLH explica: "Porém tenham medo de Deus".
10.34-35 A divisão é o resultado do ensino de Jesus. Muitas vezes a Bíblia expressa consequências ou resultados como se fossem intenções deliberadas.
10.39 "Quem acha a sua vida", isto é, quem nega a sua fé para salvar a própria pele.
Mt 11
As reivindicações de Jesus
Esta é uma das seções narrativas de Mateus, embora contenha também muitos ensinamentos.
Mt 11.1-19: "És tu aquele?"
João, preso por Antipas (o filho mais moço de Herodes o Grande; governador da Galiléia e Peréia), ficou intrigado com os relatos sobre Jesus. Ele esperava que o Messias viesse julgar. A resposta de Jesus lembrou João de outro aspecto da obra do Messias (previsto em Is 35.5-6; 61.1), que ele estava cumprindo. João não caiu no conceito de Jesus só porque teve as suas dúvidas. Ele era o maior dos profetas, o Elias dos últimos tempos previsto por Malaquias (4.5). Mas João, apesar de proclamar o novo reino de Cristo, pertencia à velha ordem, e neste sentido não fazia parte do reino. Assim, a pessoa mais humilde no reino é mais privilegiada do que João.
V. 12 Jesus podia estar se referindo a militantes zelotes, dos quais ele se distanciava; ou, então, ao fato de que o reino abrir as suas portas aos desesperados (veja Lc 16.16).
Vs. 16-17 Como crianças birrentas, os contemporâneos de Jesus se recusavam a "brincar de casamento" com ele, ou a "brincar de enterro" com João. Eles não queriam ouvir nem boas novas, nem as advertências.
V. 19 Esta é a Sabedoria de Deus. A frase significa: "para saber, tem que viver"; ou, "para conhecer o gosto, tem que provar".
Mt 11.20-30: "Vinde a mim"
Jesus fez a maioria dos seus milagres numa pequena região que fica na extremidade norte  do mar da Galiléia, nos arredores de Cafarnaum, Corazim e Betsaida. Houve muita agitação por causa deles. Mas como sinais do reino vindouro, seu objetivo era mudar a vida das pessoas, levar ao arrependimento. Mas isto não aconteceu, e assim o juízo de Deus sobre esse obstinado ceticismo era inevitável. Se o povo de Tiro e Sidom (dois portos marítimos de muita riqueza e impiedade que foram denunciados pelos profetas: veja, p. ex., Is 23), ou até mesmo Sodoma (conhecida pela proverbial devassidão: Gn 19), tivesse visto o que aqueles galileus puderam ver, teria vestido roupa feita de pano grosseiro e colocado cinzas na cabeça para demonstrar tristeza pelos seus pecados e sua intenção de mudar.
Foram pessoas comuns que aceitaram Jesus, e ele se agradou disto. Para todos os que estão sobrecarregados, ele oferece alívio. Aqueles que entram para o seu serviço verão que ele não é um chefe opressor.
"Nosso Senhor não inventou o códice da lei canônica. Ele não ditou a Suma Teológica de Tomás Aquino. Ele sentou na encosta de um monte, acomodou-se num barco que balançava perto da praia. Falou nas sinagogas e na casa das pessoas. As ilustrações usadas eram as imagens mais simples da vida rural."
Morris West
Filho (de Deus) (27) Jesus reivindicou um relacionamento singular com Deus. A figura ou ilustração do pai e do filho diz que o seu relacionamento com Deus é parecido com isso. "Filhos de" era uma expressão hebraica comum que transmitia a idéia de natureza ou características em comum. "Assim, quando o NT diz que Jesus é 'o Filho de Deus', está afirmando que Jesus compartilhava as características e a natureza do próprio Deus. Ele estava afirmando que era de fato e verdadeiramente divino" (John Drane). 

Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei.
Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e encontrareis descanso para as vossas almas.
Porque o meu jugo é suave e o meu fardo é leve.

Mateus 11:28-30

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