Costumes Bíblicos: Evangelho de Lucas caps. 1 ao 4

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Evangelho de Lucas caps. 1 ao 4

Evangelhos
Evangelho de Lucas caps. 1 ao 4
Lc 1.5 - 2.52
João e Jesus: a história de dois nascimentos
Nem Marcos nem João revelam interesse pela história do nascimento de Jesus, e Mateus dá destaque a Jesus como o Messias da linhagem real de Davi. Apenas Lucas conta o nascimento de João Batista, e seu relato mais completo do nascimento de Jesus nos fornece a maioria dos detalhes que conhecemos. Para aquelas informações privilegiadas que só ele tem, Lucas certamente deve ter entrevistando Maria, a mãe de Jesus. A linguagem e as idéias desses capítulos refletem as fontes judaicas de que ele se valeu.
Lc 1.5-25: O sacerdote e o anjo 
Uma nova era estava raiando, anunciada por acontecimentos maravilhosos. Lucas mostra que Deus estava intimamente envolvido nos acontecimentos que levaram ao nascimento de Jesus Cristo.
No AT, um longo período de esterilidade frequentemente terminava com o nascimento de alguém que tinha um papel importante a desempenhar nos planos e propósitos de Deus. Isto se verifica nos casos de Isaque, Jacó, Samuel, Sansão. O mesmo aconteceu com Zacarias e Isabel. Ambos eram pessoas boas (piedosas), de famílias sacerdotais, que sofriam há muito tempo com a dor e o estigma de não terem filhos, apesar das suas orações.
Zacarias estava em Jerusalém para seu período anual de duas semanas de serviço como sacerdote. Naquele ano, recebeu a maior de todas as honras: foi escolhido para oferecer o incenso, sozinho no Templo. E naquele momento o anjo de Deus anunciou que o profundo desejo íntimo desse casal seria respondido. Deus lhes daria, e assim cumpriria os seus propósitos mais amplos para a nação, e para o mundo. João estava destinado a ser a ponte entre o "antigo" e o "novo". Ele seria o novo Elias, proclamando o Messias desde muito prometido e esperado. Mais isso ia muito além de tudo que Zacarias podia imaginar, e, em consequência, ele ficou mudo.
V. 15 Compare a dedicação de Sansão a Deus (Jz 13.4-5) e as regras relativas aos nazireus (Nm 6).
Gabriel (19) "O poderoso de Deus" que explicou a visão e a profecia de Daniel (Dn 8.16; 9.21).
Lc 1.26-38: O anúncio do nascimento de Jesus
Seis meses após o encontro de Zacarias com o anjo, o anjo Gabriel foi enviado para anunciar o nascimento do "Filho do Deus Altíssimo". Quem recebeu a mensagem foi a jovem escolhida para ser a mãe dele. Maria reagiu de forma bem diferente de Zacarias. A maneira tranquila com que ela aceito uma situação que causaria escândalo e que , possivelmente, podia levar à anulação do seu contrato de casamento, revela o tipo de mulher que Deus escolheu. Veja também "Maria, a mãe de Jesus" e "O nascimento de uma virgem".
Lc 1.39-56: Maria visita Isabel
Ao ouvir que Isabel também estava grávida, Maria partiu numa viagem de quatro ou cinco dias, saindo de Nazaré e indo ao sul, até "uma cidade que ficava na região montanhosa da Judéia". O encontro entre essas duas parentas foi de alegria e significado especiais. Seus pensamentos e sentimentos estão cristalizados na benção de Isabel e no cântico de louvor de Maria. É possível que ela tenha elaborado mentalmente o texto de seu cântico durante a viagem. Ele está repleto de ecos do AT, palavras que Maria devia conhecer e amar desde a infância, especialmente o cântico de Ana, a mãe de Samuel (veja 1Sm 2.1-10).
O que aconteceu quando Maria voltou para casa está registrado em Mt 1.18-25.
Lc 1.57-80: "O nome dele vai ser João" 
O fato de o filho não receber o nome de alguém da família, aliado ao fato de Zacarias repentinamente ter recuperado a fala, ao ficar cheio do Espírito Santo, levando-o a expressar os seus pensamentos reprimidos num cântico profético (o "Benedictus"), causaram um profundo impacto nas pessoas da região. Todos esperavam grandes coisas de João.
No deserto (80) Tanto João quanto Jesus foram "forjados" fara os seus ministérios no deserto. Desde muito havia uma associação entre deserto e inspiração profética. Na época de João, a comunidade essênia (cujos textos, conhecidos como "Pergaminhos do Mar Morto", foram descobertos a partir de 1947) estava sediada no deserto da Judéia, nas proximidades da extremidade norte do mar Morto. Alguns sugerem que João foi criado por esse grupo de essênios ou por algum outro grupo que vivia no deserto, afastando-se dele quando chegou à idade adulta para tornar pública a mensagem especial que havia recebido de Deus.
 Lc 2.1-20: O nascimento de Jesus 
Belém, que fica 9 km ao sul de Jerusalém e 110 km ao sul do Nazaré, tinha uma longa história. Ali haviam morado Boaz e Rute e aquela era a cidade natal do rei Davi. Mas para Jesus não havia um lugar especial na cidade. Seu berço foi uma manjedoura que era usada para dar comida aos animais e que ficava no estábulo de algum proprietário que teve pena do casal desabrigado naquele momento de flagrante necessidade.
Assim nasceu "o Messias, o Senhor", o Salvador enviado por Deus. E a mensagem, "glória a Deus... e paz na terra", foi levada por coros de anjos a simples pastores que cuidavam de seus rebanhos nas colinas de Belém.
V. 2 Veja "O recenseamento".
Manjedoura (7) Nas casas dos pobres os animais eram, muitas vezes, "abrigados" numa parte inferior da área em que ficavam as pessoas.
Uma típica manjedoura numa casa em Belém
Lc 2.21-40: Jesus é reconhecido no Templo: Simeão e Ana
Para entender o contexto judaico do costume descrito aqui, veja Lv 12. Quarenta dias após o nascimento de Jesus, os pais o apresentaram ao sacerdote no Templo. Eles não tinham dinheiro suficiente para sacrificar um cordeiro; assim ofereceram duas rolinhas ou dois pombinhos. Tudo transcorria de forma normal - até Simeão ver o bebê. Este judeu piedoso não só reconheceu no menino o Messias que, segundo promessa de Deus, ele viria antes de morrer, mas também viu nele o cumprimento do propósito salvador de Deus para todo o mundo. Ana, a exemplo de Simeão, viu cumprir-se a esperança de toda uma vida nesse breve encontro.
O tema principal do capítulo é a alegria diante do nascimento desse bebê. As palavras que Simeão falou para Maria (35) contrastam em muito com esse tom geral.
V. 39 Mt 2 complementa o que ocorreu antes de a família se instalar em Nazaré.
Lc 2.41-52: Jesus impressiona os mestres do Templo
Esta história é tudo que sabemos sobre a infância de Jesus. Ela deve ter sido aquela história que ocupava um lugar todo especial na memória de Maria, possivelmente como o primeiro indício do que viria a acontecer em dias futuros.
Aos 12 anos, o menino judeu se preparava para ganhar a condição de adulto na comunidade religiosa (o bar mitzvah de nosso dias). Portanto, essa visita a Jerusalém era especial para Jesus. Visitantes afluíam à cidade para a Páscoa, viajando em grandes grupos por medida de segurança. (Veja "As grandes festas religiosas"; também "A Páscoa e a última  ceia".)
Os pais de Jesus só tiveram motivo para suspeitar de desaparecimento dele no final do dia. No outro dia voltaram a Jerusalém e no dia seguinte o encontraram no Templo. Para Jesus, vindo da distante Nazaré, numa rara visita a Jerusalém, aquela era uma oportunidade para debater com os melhores mestres que não podia ser desperdiçada. Ele se esqueceu completamente de seus pais. "Meu Pai" tinha prioridade. Este foi o primeiro indício de que Jesus sabia de seu relacionamento especial com Deus. Nada sabemos do que se passou nos 18 anos seguintes.
V. 49 Os judeus normalmente diriam "nosso Pai" ou "o Pai celeste".
Lc 3.1--4.13
João Batista e Jesus
Lc 3.1-20: A mensagem de João
Veja também Mt 3; Mc 1.2-8. Os detalhes históricos de Lucas tornam possível datar o ministério de João (e o início do ministério de Jesus, alguns meses depois) de aproximadamente 27 a 29 d.C.
Os vs. 10-14, que explicam o significado de "frutos dignos de arrependimento" (8), aparecem apenas em Lucas. O arrependimento genuíno se mostrará na vida diária - em bondade, generosidade, honestidade. Aos soldados foi dito: "Não pratiquem extorsão; não acusem ninguém falsamente; contentem-se com o seu salário".
Anás e Caifás (2) Anás foi o sumo sacerdote de 6 a 15 d.C.; Caifás, seu genro, de 18 a 36 d.C. Anás continuou sendo tão influente que os nomes dos dois aparecem lado a lado.
Vs. 19-20  Veja notas em Mc 6.14-29.
Lc 3.21-22: O batismo de Jesus
Veja Mt 3. Apenas Lucas informa que Jesus estava orando quando o Espírito Santo desceu na forma de uma pomba e foi ouvida a voz de Deus.
O céu se abriu (21) Ou seja, aquilo que se seguiu foi uma revelação de Deus.
V. 22 A pomba se tornou o símbolo do Espírito Santo para os cristãos. Para os judeus, ela representava Israel.
Lc 3.23-38: A genealogia de Jesus 
Veja notas Mt 1.1-17. Lucas faz da genealogia o prefácio do ministério de Jesus. Jesus havia atingido a idade com a qual um sacerdote de linhagem sacerdotal comprovada podia assumir as suas funções. Diferentemente de Mateus, Lucas faz com que genealogia termine em Adão, "filho de Deus". As duas listas são quase idênticas de Abraão a Davi, mas depois disto divergem. Como "filho de Adão", Jesus é verdadeiro homem; como "filho de Davi", ele é o Messias. Seu status singular de "Filho de Deus" já ficou claro nos primeiros capítulos de Lucas (1.31,35).
Lc 4.1-13: A tentação
Veja notas em Mt 4; Mc 1.9-13. Mateus e Lucas começam com a mesma tentação, mas diferem na ordem das outras duas. Lucas não se preocupa com o lugar de onde os "reinos do mundo" foram vistos; a glória e a autoridade oferecidas eram mais importantes.
O grande alvo do ataque de Satanás foi o relacionamento de Jesus com seu Pai: "Se és o Filho de Deus..." Essas tentativas de minar sua confiança e criar dúvidas não são muito diferentes da abordagem da serpente em Gn 3: "É assim que Deus disse...?" Mas dessa vez o agente do mal não teve êxito, Jesus teve a última palavra, e foi deixado em paz - por algum tempo (13).
Lc 4.14
Jesus em ação na Galiléia
Lc 4.14-30: "Não é este o filho de Jose?"
Lucas decidiu começar com o "sermão" principal de Jesus na sinagoga de Nazaré, onde ele morava, embora este não tenha sido o primeiro episódio de seu ministério. A admiração pelo ensinamento de Jesus logo se transformou em hostilidade. E quando ele deu a entender que, por causa da incredulidade deles, o evangelho seria oferecido a não judeus, o povo se preparou para linchá-lo. Veja também Mt 13.53-58; Mc 6.1-6.
A sinagoga (16-17) Qualquer homem judeu podia ser convidado a participar das orações, das leituras e do sermão do culto. O líder se levantava para orar e fazer as leituras, e se sentava para ensinar (20).
Vs. 26-27 Veja 1Rs 17.8-16; 2Rs 5.1-14.
Lc 4.31-44: Um sábado em Cafarnaum
Veja Mc 1.21-45. A partir deste ponto, Lucas seguiu a narrativa de Marcos. No entanto, ao colocar lado a lado as duas histórias do que aconteceu na sinagoga e naquele sábado, ele ressaltou a diferença entre as reações das pessoas diante de Jesus. Também acrescentou detalhes bem peculiares. A "febre alta", mencionada no v. 38, é um termo médico, e ele nos diz que Jesus pôs as suas mãos sobre os que ele curou. (40).
Demônio (33) "No mundo antigo, acreditava-se que muitos problemas eram causados por espíritos malignos. A Bíblia fala pouco sobre possessão demoníaca antes e depois da encarnação, mas muito durante o ministério de Jesus...; esse fenômeno é parte do conflito entre Jesus, que veio para destruir as obras do diabo, e o mal" (Leon Morris).
Judéia (44) O termo é usado para a Palestina em geral, e não apenas para a região mais ao sul. Jesus foi para lá posteriormente.



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