COSTUMES BÍBLICOS: A Bíblia do ponto de vista de um cientista


A Bíblia do ponto de vista de um cientista

A busca pela verdade religiosa é semelhante à busca pela verdade científica. Se queremos saber como Deus é, temos que descobrir o que Ele fez e como Ele tem se manifestado.
Para nos ajudar nessa busca pela verdade, o registro mais importante de que dispomos e que se trata de experiências religiosas é a Bíblia.
A Bíblia como fonte de evidência
A Bíblia hebraica - aquilo que os cristãos chamam de Antigo Testamento - trata de como Deus se revelou a alguns pastores nômades, como Abraão; como Deus libertou os descendentes dessa gente da escravidão no Egito; como Deus estava envolvido com a história do povo de Israel, tanto em situações de juízo como de salvação.

No Novo Testamento lemos como Deus agiu para revelar-se de maneira nova e mais clara. Os Evangelhos falam sobre a vida, morte e ressurreição de Jesus, enquanto as outras obras (como as cartas de Paulo) - muitas das quais são anteriores aos evangelhos - contam como os primeiros cristãos estavam maravilhados com a nova vida que encontraram em Cristo.
Quando lemos a Bíblia como um registro de experiências religiosas das quais podemos aprender sobre a relação de Deus com a humanidade - como evidência na nossa busca pela verdade - estamos necessariamente sujeitando-a, até certo ponto, a nosso julgamento. Devemos decidir se estamos lendo um relato histórico ou uma simples narrativa, se o que é dito reflete a vontade de Deus ou as tradições humanas.
"Jamais poderemos confinar Deus dentro de nossas definições."
Creio que precisamos ler a Bíblia desta forma, mas certamente precisamos lê-la também de outras maneiras. De modo especial, não devemos apenas julgá-la, mas também deixar que ela nos julgue.
A abordagem de um cientista
Não importa o que façamos, as experiências que temos afetam nossos pensamentos e influenciam nosso modo de pensar. Passei( descrição do autor) 30 anos da minha vida trabalhando como físico teórico, tentando usar a matemática para entender alguns dos padrões incríveis bem como a ordem que existe no mundo físico. Seja num sentido positivo ou negativo (e sem dúvida, por ambos ao mesmo tempo), isto afeta a maneira como penso sobre todo tipo de coisas.
Gosto de começar com os fenômenos, com coisas que aconteceram, e depois tentar criar uma explicação a partir disto. Meu lema é este: "Comece com casos específicos e só então tente entender o que está acontecendo em geral".
Este tipo de pensamento indutivo é natural no caso do cientista, e isto por duas razões.
  • Estamos procurando idéias que têm razões que as sustentem; essas razões vão estar na evidência que estamos considerando, os eventos que motivam nossa crença.
  • Aprendemos que o mundo é cheio de surpresas. Isto significa que é muito difícil prever de antemão quais serão as idéias gerais corretas. Somente a experiência pode nos mostrar isto. Na realidade, esse elemento de surpresa é uma das coisas que torna a pesquisa científica tão compensadora e interessante. Nunca se sabe o que se vai descobrir no momento seguinte. Por exemplo, todos os dias da minha vida (relato do autor) como físico teórico usei as ideias da mecânica quântica. Essa teoria descreve como as coisas se comportam numa escala bem reduzida do tamanho de átomos ou menor ainda. No final das contas, o comportamento daquilo que é muito pequeno é totalmente diferente da maneira como nós experimentamos o mundo na escala "normal" de nosso dia a dia.
Parece que vivemos num mundo que é previsível e que pode ser descrito. Sabemos onde as coisas estão e o que estão fazendo. Tudo isto muda quando vamos ao nível dos átomos.
O elétron, por exemplo, é uma das partes que compõe o átomo. Se você sabe onde ele está, não pode saber o que está fazendo, não pode saber onde ele está! (Isto se chama princípio da incerteza de Heisenberg).
O mundo quântico é indefinido e indescritível. Não podemos imaginar em termos cotidianos como ele é. No entanto, podemos entendê-lo, usando a matemática e o conjunto especial de idéias quânticas que aprendemos a partir de uma abordagem indutiva dos fenômenos atômicos.
Ninguém podia imaginar anteriormente que a matéria se comportava desta maneira tão estranha quando observada subatomicamente. Na realidade, pessoas extremamente inteligentes levaram 25 anos para entender o que estava acontecendo.
Para entender a natureza, é preciso deixar o mundo físico mostrar como ela é. Você deve começar por baixo, com a maneira como as coisas se comportam, e a partir daí ir avançando na formulação de uma teoria adequada.
A maneira de pensar ditada pelo bom senso não será adequada para nos dizer, por si mesma, como Deus é. Teremos que tentar descobrir com base no que Ele realmente revelou a respeito de si mesmo. Ver a Bíblia como fonte de evidência sobre como Deus tem agido na história e, acima de tudo, em Jesus Cristo, é uma estratégia natural a ser seguida por um pensador indutivo.
Na verdade, vejo que há muito em comum entre a maneira em que busco a verdade na ciência e a maneira em que busco a verdade na religião. As pessoas às vezes se surpreendem pelo fato de eu ser cientista e pastor (relato do autor). Pensam que é uma combinação estranha, ou talvez desonesta. Sua surpresa ocorre porque não percebem que a verdade é tão importante na religião quanto na ciência.
Acredita-se em geral que a fé é uma questão de fechar os olhos e fazer força para acreditar no impossível porque alguma autoridade que não pode ser questionada manda que você creia.
Muito pelo contrário!
O salto de fé é um salto para a luz não para a escuridão. Envolve compromisso com o que entendemos para que possamos aprender e entender mais. É preciso fazer isto na ciência. É preciso confiar que o mundo físico faz sentido e que a teoria que você aceita hoje lhe dá alguma noção de como Ele é, para que se possa progredir e obter maior conhecimento e formular uma teoria melhor. Se não se arriscar, nunca conseguirá enxergar nada.!
O mesmo é necessário na busca religiosa da verdade. Jamais poderemos confinar Deus dentro de nossas definições. Ele sempre excederá nossas expectativas e mostrará que é um Deus de surpresas. Sempre há mais para aprender.
"O salto de fé é um salto para a luz não para a escuridão".
Cuidado, leitor!
No entanto, há uma diferença importante entre crença científica e fé religiosa. Esta última é muito mais exigente e perigosa. Creio plenamente na teoria quântica, mas esta crença não ameaça mudar a minha vida de forma significante. Porém não posso acreditar em Deus sem saber que devo obedecer à sua vontade para mim à medida que esta me é revelada. Deus não existe apenas para satisfazer minha curiosidade intelectual; Ele deve ser honrado e respeitado e amado como meu Criador e Salvador.
Então cuidado! Ler a Bíblia pode mudar sua vida.!

Nome de Deus e Física Quântica

“Einstein, não diga a Deus o que fazer!” Essa foi a famosa réplica de Niels Bohr – um dos criadores da física quântica – ao mais celebrado cientista do século XX. Albert Einstein estava insatisfeito com o que chamava de teoria quântica “assustadora”, que implicava que a realidade era quase aleatória, ilógica, impossível de entender. No nível observável mais fundamental da existência física, as menores expressões de energia e massa se comportavam de uma maneira totalmente desconcertante. Como muitas pessoas, Einstein achou isso difícil de aceitar e, por isso, argumentou que “Deus não joga dados” (ou seja, o universo natural é – ou “deveria” ser – ordenado).
Surpreendentemente, a antiga Bíblia hebraica tem algumas coisas em comum com a física quântica moderna! Na verdade, a Bíblia expressa uma visão geral bastante semelhante do universo. Qohelet/Eclesiastes 7:24 é um dos muitos versículos que falam do grande e insondável mistério da realidade: “O que veio a existir está longe e fundo, fundo! Quem pode procurá-lo? (Compare, por exemplo, Is 40:28, 55:8-9; Sl 92:5/6, 139:6; Jó 5:9, 11:7; Ec 3:11, 8:17.) Provavelmente Bohr gostei mais desses versos do que Einstein.
Outra possível semelhança entre a física quântica e a Bíblia hebraica diz respeito ao nome de quatro letras de Deus – יהוה ( YHWH ) . As pessoas se perguntam e discutem sobre esse nome há muitos séculos. Um grande número de diferentes teorias tenta definir sua pronúncia adequada e significado original. Uma das ideias mais populares é que o nome de Deus na Bíblia Hebraica é uma forma verbal que expressa passado, presente e futuro de uma só vez! De acordo com esta interpretação, o nome YHWH significa algo como “aquele que era-é-será”. Esta é uma ideia muito antiga que pode remontar à tradução da Septuaginta judaico-grego (ca. 200 AC/BC) e ao Livro do Apocalipse (século I DC/CE).
Se fôssemos traduzir essa compreensão do nome de Deus para a linguagem da física quântica, poderíamos chamá-la de “uma superposição de todos os estados possíveis”. De fato, a mecânica quântica postula que as partículas ou ondas que aparentemente compõem nosso universo (e nós) podem existir em todos os estados possíveis ao mesmo tempo – até que alguém realize uma “medição”. Depois de medir a localização de uma partícula, ela “colapsa” em um único local específico. Talvez o nome de Deus, YHWH , seja semelhante: comunica o Ser em todos os estados, dimensões e tempos simultaneamente – e se você tentar definir o significado mais especificamente, acaba reduzindo-o a apenas um aspecto.
Esta não é de forma alguma a única maneira possível de entender o nome יהוה ( YHWH ) , e nem mesmo é necessariamente a mais plausível.


(Esse texto é parte de um artigo publicado originalmente no livro Manual Bíblico SBB por John Polkinghorn e em Israel Bible Center-Editado aqui por Costumes Bíblicos)

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Filipenses 1:9-11

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