Costumes Bíblicos: A Criação

Israel Institute of Biblical Studies

A Criação

A CRIAÇÃO
Na assembleia da eternidade passada, a decisão divina foi tomada.
E, até hoje, os anjos e os mortais tendem a se sobressaltar maravilhados ao ponderar sobre as implicações desse plano forjado insondavelmente. No tempo certo, o Filho de Deus, isento de pecados,visitaria um planeta amaldiçoado e derramaria Seu sangue por seus habitantes pecadores. Algo mais inesperado e imerecido poderia ser imaginado?
Mas muitas coisas devem primeiro acontecer e preparar essa jornada gloriosa dos céus para a terra. A começar, o homem e seu universo deveriam ser criados. Então, dentre muitas nações, uma em particular seria escolhida para servir de canal  com Deus. Por fim, todos os eventos, lugares e personalidades que desempenhassem um papel nessa linda história deveriam ser cuidadosa e apuradamente registrados.
Na agenda divina, 30 autores humanos foram chamados para descrever detalhadamente essa história soberana. Moisés foi o primeiro, e Malaquias, o último escritor. Contudo, Deus não tinha pressa alguma para completar Seu maravilhoso manuscrito. Mil anos transpirariam entre o primeiro e o último dos livros do Antigo Testamento. Em seguida, mais 400 anos passariam antes do começo do Novo Testamento.
O estágio da criação
Há 1.189 capítulos na Palavra de Deus. Sem dúvida, os mais importantes entre todos são os 11 primeiros, pois eles servem efetivamente como uma fundação vigorosa sobre a qual estão assentados firmemente os 1.178 capítulos restantes. Se compreendemos corretamente a história divina apresentada nesses capítulos iniciais, então nos aparece uma imagem clara e concisa da origem, do propósito e do futuro de todas as coisas.
Não é possível insistir exageradamente sobre a necessidade de aceitar esses primeiros capítulos de modo literal, factual, real e histórico, caso se deva conhecer o passado e agradar a Deus adequadamente! Note as seguintes palavras de Jesus e do evangelista aos Hebreus:
Se vos falei de coisas terrestres, e não crestes, como crereis, se vos falar das celestiais?
João 3:12
Pela fé entendemos que os mundos pela palavra de Deus foram criados; de maneira que aquilo que se vê não foi feito do que é aparente [...]Ora, sem fé é impossível agradar-lhe; porque é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe, e que é galardoador dos que o buscam.
Hebreus 11:3,6
Quatro eventos estupendos transpiram durante esse estágio fundante. Todos eles deixam o pensamento maravilhado. Os três últimos alteram radical e eternamente o curso da história:
  1. A origem de todas as coisas.
  2. A queda do homem.
  3. O dilúvio universal.
  4. A torre de Babel.
Podemos sentir-nos confusos e deprimidos ao final desse estágio. Como uma história iniciada com tanta majestade se encerraria com tamanha idolatria em Babel?
Mas esse é apenas o primeiro estágio da história. Devemos continuar lendo em busca de respostas.
Gênesis é o livro dos começos. Ele conta a história do início da raça humana em geral e do início da raça hebraica em particular. A Bíblia hebraica intitula esse livro de bere'shith ("no princípio"), conforme a primeira palavra do texto hebraico. As páginas de Gênesis introduzem os conceitos básicos da mensagem bíblica. Deus é apresentado como um ser pessoal absoluto que se importa com Sua criação e com a luta humana no mundo caído.
Gênesis ofereceu a Israel uma explicação sobre seu lugar na história do mundo. Ali, Moisés explica como o plano original de Deus para a criação foi arruinado pelo pecado e como Israel foi separado para o propósito especial de mediar as bênçãos redentoras de Deus ao mundo. Como história divina do mundo, Gênesis abrange mais tempo do que qualquer outro livro bíblico.
Esse livro também enfatiza a importância da aliança abraâmica, que deu a Israel o direito à terra (Gn 12.1-3; 15.18-21). Uma vez que, em breve, teria de tomar a terra lutando contra os cananeus, Israel tinha necessidade de compreender que a vontade de Deus para a nação era que ela os exterminasse (Gn 9.25; 15.16). Sendo assim, o livro tinha por objetivo fazer com que a geração de Moisés confiasse em Deus ao entender melhor sua herança passada, seu propósito presente e seu destino futuro enquanto aguardava a entrada na Terra Prometida.
Criação (Gn 1--2)
Destaque do hebraico
Criar. Hebraico ליצור (bara). A palavra hebraica bara', tanto na modalidade ativa quanto na passiva, sempre transmite a ideia de "criar". Com Deus na posição de sujeito, ela aparece 48 vezes na Bíblia hebraica, das quais 21 encontra-se em Gênesis. O sujeito desse verbo nunca é o homem. Ele sugere a criação de algo novo (Jr 31.22). Bara', termo empregado em Gênesis 1.1, expressa a criação inicial. Está escrito que Deus criou os seres do mar (Gn 1.21), os corpos celestes (Is 40.26), o vento (Am 4.13), o coração puro (Sl 51.10), as palavras de louvor (Is 57.19), os novos céus e a nova terra (Is 65.17). Somente Deus é aquele que cria, e Ele o faz como expressão de Sua própria vontade soberana.

Os dois primeiros capítulos de Gênesis descrevem a obra original de Deus: a criação. Desde o versículo inicial, Gênesis pressupõe a existência de Deus (Elohim) e o fato da criação. O conhecimento da criação original também ajudaria a nação a compreender como o pecado impactou negativamente o mundo maravilhoso que Deus havia criado. O conhecimento dos seis dias de trabalho de Deus, bem como de Seu dia de descanso, ajudaria Israel a entender a base da semana de trabalho (Êx 20.8-11) e do descanso sabático como símbolo da aliança mosaica. O fato de o homem ser o ápice da obra criativa de Deus evidencia-se em sua designação como aquele que carrega a imagem de Deus (Gn 1.26,27). O homem e a mulher receberam o cargo de administradores teocráticos, devendo governar a criação de Deus em Seu nome (Gn 1.28; 2.8-20). O gerenciamento humano da criação (Gn 2.15), bem como a presença da árvore da vida e da árvore do conhecimento do bem e do mal (Gn 2.9,17), lembrariam o público de Moisés de que eles também tinham a responsabilidade de obedecer a fim de experimentar as bênçãos de Deus (Lv 26; Dt 28).
PAPÉIS E RELACIONAMENTOS ENTRE O PAI E A SUA CRIAÇÃO
Qual foi o papel do Pai na criação?
A analogia:
Pergunta: quem criou o universo? De acordo com Davi, o Pai criou todas as coisas (Sl 19.1). Contudo, João declara que o Filho fez isso (Jo 1.3,4).
Finalmente, em outras passagens, a Bíblia diz que o Espírito Santo realizou o ato inicial da criação. No que devemos acreditar? A resposta evidentemente é que todas as três Pessoas da Trindade tiveram um papel a cumprir. Observe a seguinte ilustração: um importante executivo decide construir uma casa espaçosa e cara. Então ele contrata um arquiteto para fazer o projeto necessário para a sua casa. O arquiteto, por sua vez, contrata um empreiteiro competente para seguir sua planta. Nesta ilustração, o executivo é o Pai, o arquiteto é o Filho e o empreiteiro é o Espírito Santo. Os seguintes versículos referem-se à obra deste Empreiteiro divino:
Envias o teu Espírito, e são criados, e assim renovas a face da terra. (Sl 104.30)
Pelo seu Espírito ornou os céus; a sua mão formou a serpente enroscadiça. (Jó 26.13)
O Espírito de Deus me fez; e a inspiração do Todo-Poderoso me deu vida. (Jó 33.4)
As atribuições:
Na criação, o Pai aparentemente se responsabilizou pessoalmente em quatro áreas:
  1. A vegetação (Sl 104.14,16; Mt 6.28-30).
  2. A vida animal (Sl 104.14,16-18,20,21,27; Mt 10.29).
  3. O clima (Sl 135.6,7; 147.8,16-18; 148.8).
  4. As estações (Gn 8.22; At 14.17).

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