Costumes Bíblicos: Sacerdócio no Antigo Testamento

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Sacerdócio no Antigo Testamento

O Sumo Sacerdote.
Era o responsável em cuidar do
 Tabernáculo,local onde as pessoas
 vinham para adorar a Deus.

SACERDOTES NO ANTIGO TESTAMENTO

Em todas as religiões existem líderes que exercem uma função especial no relacionamento com a divindade. Da qualidade e honestidade do trabalho dos sacerdotes depende a experiência, mais ou menos positiva, que o povo tem de Deus e até mesmo o nível de vida em sociedade. Israel não era diferente neste particular, embora houvesse também algumas diferenças significativas, em comparação com outros povos.
Os líderes religiosos de Israel eram os sacerdotes e os levitas. Eles eram especialistas em religião, responsáveis pelo bom relacionamento entre Deus e o povo.

As funções dos sacerdotes

Deus chamava sacerdotes para o exercício de uma série de importantes tarefas. Em Dt 33.8-10 aparece uma antiga descrição dessas tarefas.. Esse texto se refere à tribo de Levi, que havia revelado um zelo todo especial por Deus (confira Êx 32.26-29). Diante disso, Deus pediu aos levitas que fossem em exemplo e se tornassem líderes religiosos:
  • Deveriam ensinar a Lei de Deus aos demais israelitas. Nisto se incluíam, não apenas instruções éticas mais amplas (Os 4.1-6), mas também decisões sobre casos difíceis de natureza ritual e legal (Dt 17.8-12).
  • Eles cuidavam, também, dos lugares sagrados e santuários, onde eram oferecidos incenso e sacrifícios em favor do povo.
  • Outra responsabilidade era o Urim e Tumim, o meio oficial de se lanças sortes, levando a uma resposta de Deus em forma de "sim" ou "não". O Urim e o Tumim ficavam no peitoral do sacerdote, e eram usados por solicitação de pessoas ou do rei. (1Sm 23.9-12; 28.6).

Desenvolvimento histórico

O desenvolvimento histórico do sacerdócio ao longo da história de Israel é um tanto complexo. Datar e interpretar os textos de que dispomos nem sempre é tarefa fácil. Vários textos nos dão vislumbres do sacerdócio em vários momentos do AT:
  • Os próprios patriarcas exercem a função sacerdotal de oferecer sacrifícios (Gn 32.54).
  • A tribo de Levi recebe um ministério sacerdotal específico (Êx 32.26-29).
  • Arão e seus filhos são consagrados sacerdotes, e os demais clãs levíticos são seus auxiliares (veja abaixo).
  • Um grande conflito entre levitas  que queriam o mesmo status dos sacerdotes (Nm 16--17).
  • Um levita peregrino de caráter duvidoso é apontado para ser especialista religioso (Jz 17--18).
  • Eli e seus filhos: uma pequena "empresa" familiar tomando conta do Templo em Siló (1Sm 1--2).
  • Um sacerdócio que cresce em número e prestígio juntamente com o crescimento da monarquia. O sumo sacerdote era, em determinados momentos, um importante líder político, além de ser um líder religioso (2Rs 11).
  • Um grupo de levitas compondo salmos para uso do povo (Sl 50 e Sl 73--83 são da autoria de Asafe, um levita). Os sacerdotes e levitas eram responsáveis pelo relacionamento pessoal e cúltico do povo de Deus
  • Vários grupos de levitas cantores, instrumentistas e porteiros participando do culto no Templo (1Cr 15).

Esta estampa do sumo
sacerdote é baseada
na descrição em Êx 28.
Mostra a sobrepeliz azul
com os sininhos em volta
da borda;a estola sacerdotal
amarrada  com um cinto;
e o peitoral com as
12 pedras preciosas,uma para
 cada uma das tribos.
Na mão do sumo sacerdote
 está o bastão de Arão (Nm 17).
 

Uma visão fundamental para culto

A descrição mais detalhada do sacerdócio se encontra em Êxodo, Levítico e Números. Esses textos são, muitas vezes, atribuídos a uma fonte sacerdotal (P), que, segundo muitos eruditos , assumiu uma forma escrita num período mais recente da história do povo de Deus do AT. No entanto, é possível que um texto mais recente inclua material mais antigo. Assim, outros eruditos sustentam que o núcleo fundamental dessas instruções de natureza sacerdotal é, de fato, antigo, por mais que admitam a possibilidade de que, com o passar do tempo, esse material foi retrabalhado e interpretado por vários editores.
Roupas cerimoniais do
  antigo templo israelita
usadas  no
Tabernáculo Mosaico
 e sucessivos templos
 israelitas de Salomão,
 Herodes e outros.
Seja como for, os textos sacerdotais nos propiciam uma visão fundamental de como devia ser organizado o culto a Deus na vida do povo. Arão e sua família foram consagrados por Deus para oficiarem no santuário. Assim, tinham de seguir padrões elevadíssimos de pureza e santidade. Os levitas estavam encarregados de ajudar os sacerdotes nas funções deles e zelar pelo tabernáculo (Nm 8).
Quando oficiavam, Arão e seus filhos usavam vestes suntuosas que refletiam a santidade e função especial que desempenhavam. Em nome do povo, eles ofereciam a Deus sacrifícios que tinham a finalidade de resolver o problema do pecado e da impureza, possibilitando, desta maneira, que Deus habitasse entre o seu povo (Lv 15.31; veja "Sacrifícios"). As ofertas pacíficas, que eram outro tipo de sacrifício,fortaleciam os laços de comunhão dentro da comunidade e com Deus. Em nome de Deus, os sacerdotes instruíam o povo em assuntos relacionados com o culto (Lv 10.10). O sumo sacerdote tinha de observar normas rigorosas de santidade, pois era quem chegava mais próximo de Deus. No Dia da Expiação, ele oferecia sacrifícios por seus pecados e pela impureza de todo o povo (Lv 16; veja também "As grandes festas religiosas").

Um sacerdócio fora do padrão

Nos primeiros tempos, os sacerdotes serviam a Deus em lugares altos e santuários locais (p. ex., 1Sm 21). No entanto, nesses lugares muitas vezes se adorava deuses estranhos, e não o SENHOR. Uma solução para este problema foi centralizar tudo em Jerusalém, onde ficava o templo nacional. Este foi um dos objetivos da reforma de Josias (2Rs 23).
Nem mesmo em Jerusalém os sacerdotes estavam imunes às tentações que acompanhavam os privilégios do ofício que Deus lhes havia dado. Uma dessas tentações era preocupar-se tanto com a manutenção da ordem vigente que tudo que lhes interessava era seu próprio conforto, levando-os a ignorar a situação espiritual desesperadora do povo. Em muitos momentos os profetas condenaram os sacerdotes, porque estes desviavam o povo do caminho e não ensinavam a Torá (Jr 18.18).
É claro que havia exceções, como podemos ver no caso de Ezequiel, que era ao mesmo tempo profeta e sacerdote. Ele censura os sacerdotes negligentes e apóstatas  (Ez 8; 22.26), mas, ao fazê-lo, se utiliza de linguagem e figuras do âmbito sacerdotal. Depois da destruição de Jerusalém, suas promessas de salvação e a visão do futuro que ele projeta estão relacionadas com a reconstrução do templo e o restabelecimento do sacerdócio (Ez 40--48).

Um reino de sacerdotes

É possível que o sacerdócio como grupo distinto tenha surgido no momento em que foi organizada a nação, mas todo o Israel foi chamado para ser um "reino de sacerdotes e nação santa" (Êx 19.6). O povo deveria fazer o que os sacerdotes faziam, ensinando às outras nações o conhecimento de Deus. Este conceito de missão e testemunho corporativo foi retomado no NT (1Pe 2.9).
O propósito dos fariseus era fazer com que um grupo maior de pessoas observasse níveis de santidade sacerdotal. Entretanto, a tendência era aplicar isto acima de tudo ao âmbito cúltico, e Jesus os censurou severamente por negligenciarem pontos mais importantes da Lei (Mt 23).
O autor da carta aos Hebreus examina a fundo o significado da pessoa e obra de Cristo em relação com a figura do sumo sacerdote que aparece no AT. A função sacerdotal específica de oferecer sacrifícios pelos pecados se tornou obsoleta diante da morte de Cristo. Diante disto, a igreja apostólica evitou descrever os seus líderes usando linguagem sacerdotal.  Mas o NT descreve, também, como pessoas especializadas assumiram as outras funções sacerdotais de ensinar, liderar e orientar. No AT, era função dos sacerdotes possibilitar que o povo crescesse em conhecimento e santidade. Apesar da ruptura ou descontinuidade trazida pela morte e ressurreição de Cristo, este continuou sendo um ideal para a igreja e a sua liderança no NT. 

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