Costumes Bíblicos: A Incrível História do Salmo 23





A Incrível História do Salmo 23

Enquanto a maioria dos estudiosos conhecem o Salmo do Pastor, há alguém, um único em numeroso grupo que conhecia, o Pastor do Salmo!
Talvez seja este o problema de muitos em nosso tempo. Eles até têm uma boa quantidade de informações técnicas sobre Deus. Mas pouco ou nenhum relacionamento com Ele. E por isso encontram-se tão perdidos.
Leiamos o que o Salmo 23 diz:

O SENHOR é o meu pastor: nada me faltará.
Deitar-me faz em verdes pastos, guia-me mansamente a águas tranquilas.
Refrigera a minha alma; guia-me pelas veredas da justiça, por amor do seu nome.
Ainda que eu andasse pelo vale da sombra da morte, não temeria mal algum, porque tu estás comigo; a tua vara e o teu cajado me consolam.
Preparas uma mesa perante mim na presença dos meus inimigos, unges a minha cabeça com óleo, o meu cálice trasborda.
Certamente que a bondade e a misericórdia me seguirão todos os dias da minha vida: e habitarei na casa do Senhor por longos dias.
Estabelecida a existência história de Davi, falta-nos agora conhecer o ambiente cultural em que ele viveu como pastor de ovelhas antes de assumir o trono sobre Israel. Foi nesse tempo, segundo a opinião de muitos, que Davi escreveu o Salmo 23.
O trabalho de um pastor de ovelhas no Oriente Médio é tremendamente interessante. Práticas típicas dos tempos bíblicos são ainda utilizadas hoje por grupos minoritários como beduínos e famílias de origem árabes. Devido ao clima seco da região desértica, as pastagens de ovelhas são feitas geralmente longe do curral nas poucas regiões de oásis onde há água e um puco de vegetação para alimentar o rebanho. As águas do En-Gedi diversas vezes citadas na Bíblia, são manancial que surgem em pleno deserto da Judeia e que serviu muitas vezes de paragem para de pastores nos dias de Davi. Um verdadeiro oásis no meio do nada. Isso significa que muitas vezes, especialmente naquele tempo, o pastor teria que preparar cedo o seu rebanho para atravessar o deserto em busca de um local com as características do En-Gedi aonde ele e o seu rebanho deveriam passar o dia. Essa travessia poderia durar horas e deveria ser feita todos os dias. As ovelhas deveriam sair bem cedo, na verdade, de madrugada. Um pouco antes do amanhecer. Isto é, antes do Sol se tornasse forte demais impossibilitando a travessia. Repetindo então, temos: o oásis, o curral e entre ambos o deserto a ser enfrentado diariamente.
Devido a sua natureza coletiva, as ovelhas não se dão bem com criações de isolamento. Elas vivem melhor em rebanho junto a companhia de outras ovelhas. Atravessar o deserto com esses animais, nem sempre é uma tarefa fácil devido a certas peculiaridades próprias das ovelhas que dificultam o processo. Como vocês sabem, as ovelhas são animais mamíferos com o peso médio de 50 kg na fase adulta podendo fornecer de 4 a 12 kg de lã a cada tosquia. Mas é aonde pára essa descrição técnica que inicia as peculiaridades vistas pelo pastor.
É comum ver no oriente médio, duas pessoas cuidando do rebanho. As vezes um jovem e um ancião,  uma moça e um rapazinho adolescente ou então uma criança. O motivo para esse comportamento está no fato de que a ovelha geralmente é um animal de que não aceita bem a troca de proprietário. Ela se acostuma tanto com o anterior, que fica deprimida com a sua ausência (ref. Jo 16.22). Recusando inclusive, a água ou comida que lhes seria dada pelo novo pastor que ainda lhe é um estranho. Por isso é costume vender ovelhas adultas, caso o pastor não esteja junto, para um matadouro. E nunca para outro pastor com o qual elas teriam dificuldades de se adaptar por melhor que sejam tratadas.
Para remediar esta situação, caso haja a necessidade do pastor de ovelhas se ausentar do rebanho por um tempo ou até mesmo definitivamente em caso de morte, a estratégia é colocar um segundo co-pastor frente do rebanho. Então as ovelhas, nesse caso, estariam acostumadas com esse e assim poderiam superar a ausência do primeiro. Como você vê, a relação pastor-ovelha, é bem mais forte do que poderíamos imaginar. Daí a beleza de sermos considerados, poeticamente, ovelhas que podem chamar o seu Deus, o Deus Altíssimo de O meu Pastor. Aquele que garante que nada me faltará. Aliás, uma breve análise na língua hebraica, o idioma original desse Salmo nos revela uma interessante surpresa. Quando o texto original diz Adonai Elohim está usando um título pra Deus, um pronome de tratamento, uma forma de chamá-Lo cujo sentido deveria ser vertido por Senhor o meu Pastor. E o complemento: nada me faltará, não tem originalmente o sentido de, terei tudo o que desejo conforme poderia se deduzir da tradução em português; mas sim de, de nada terei falta ainda que eu não tenha tudo.
Voltando a falar da ovinocultura oriental, outra coisa bastante marcante as ovelhas de um modo geral, é o seu constante senso de medo, de terror. Elas praticamente não possuem elementos naturais de auto defesa como garras, dentes afiados ou venenos. Logo é provavelmente em virtude disso, que elas tem medo praticamente de qualquer coisa. Nalgum casos, até do seu próprio reflexo na água. O barulho das correntezas também pode assustá-las. E é por isso que após a estafante travessia pelo deserto, o pastor deve conduzi-las às águas de descanso, isto é, águas que descansam e ao mesmo tempo, águas que sejam tranquilas para não assustá-las a ponto de impedir que saciam a sua sede. Que curioso! Imagine um animal que mesmo na frente de um manancial de água, morre de sede apenas porque tem medo! Pois este é o comportamento muito semelhante ao de todos nós. Exatamente. É semelhante ao comportamento humano. Afinal de contas, quantas pessoas há que perde a oportunidade de amor, carinho, vitória da vida apenas porque tem medo. Medo de amar, medo de servir, medo de se arriscar. Medo de Deus. São como ovelhas. Ovelhas sedentas, porém medrosas. Se tornam infelizes de tanto querer ser felizes.
Certo beduíno uma vez explicou que nalguma ocasiões, o pastor tem de pegar água com as próprias mãos e trazer até a boca da ovelha, para que a mesma possa beber e não morrer de sede! Isso aumenta ainda mais o sentido do pastor aplicado a Deus. Quando é dito que Ele nos leva à águas tranquilas e refrigera a nossa alma mesmo em meio aos nossos infernos existenciais. Mesmo em meio aos nossos temores.
Imagine agora a aparente monotonia de um dia de atividade pastoril do Oriente Médio! Os típicos pastores palestinos, a sua tarefa é vigiar as ovelhas. Não deixando que nenhum mal lhes aconteça e cuidando para que não passem necessidade. As roupas de um pastor, não são as mais bonitas que uma pessoa pode ter. E o sol escaldante do deserto castiga-lhes a pele todos os dias. Ele sabe que essa será novamente a sua rotina na manhã seguinte. Mas o pastor não se importa. Ele gosta do que faz e ama o seu rebanho.
Esse comportamento ilustra muito bem algumas comparações que Cristo faz a Sua Pessoa e a figura de um pastor de ovelhas. Através desse contexto, amplia-se mais o sentido profundo das palavras de Cristo que certa vez declarou na Bíblia: "Eu sou o bom Pastor. O bom Pastor da a vida por suas ovelhas. (Jo 10.11)
Cristo com certeza conviveu com muitos pastores de ovelhas numa sociedade que era predominantemente artesã e pastoril. O povo que o ouvia, compreendeu de modo bem claro a comparação que Ele fez ao equiparar o Seu amor pela humanidade ao de um pastor pelo seu rebanho.
Chega finalmente a tardinha e é hora de todos voltarem para o curral. O ideal é sair no momento em que não se pegue o escaldante sol do dia, nem o gelado vento da noite, que, pasmem, permeia as madrugadas do deserto obrigando todos a se agasalharem muito bem.
Foi talvez imaginando o caminho de volta ao aprisco, que Davi compôs "ele me guia pelas veredas da justiça por amor do seu nome". Isto quer dizer que Ele  me leva por caminhos retos, não tortuosos. Com Ele, estamos seguros de estarmos voltando para casa. Estar de volta para o lar.
O Deserto da Judeia
Mas o texto abre espaço para a possibilidade de provações ao longo do caminho. Noutras palavras, a companhia do bom pastor, oferece conforto e segurança. Mas não garante uma paisagem constantemente tranquila. Existe a possibilidade de andar pelo vale da sombra da morte. Alguns comentaristas supõe que o vale da sombra da morte descrito no Salmo, seria um lugar real, geograficamente parecido com este da foto ao lado.
Caminhos íngremes, e apertados em meio as rochas que oferece muitos riscos para a vida do rebanho desde o ataque de animais que ficavam nos penhascos até mesmo a queda em meio ao terreno bastante escorregadio. Por isso o nome "vale da sombra da morte". Isto é, os vales em que há constante riscos de morte.
Mas, se esse trajeto era inevitável, para poder voltar então pra casa, por que não enfrentá-lo? E como fazer pra que animais tão medrosos como as ovelhas, atravessassem uma região tão difícil e tão perigosa como esta? Bem, neste ponto, alguns pastores desenvolveram uma técnica de adestramento, bastante curiosa; bastante inusitada. Eles cantam ou tocam para que as ovelhas ao som de sua voz, se acalmem. Elas então formam uma fila indiana, exatamente como essa da foto ao lado, e passam através do lugar perigoso. Isto não é incrível?!
Elas simplesmente reconhece a voz do seu pastor, e, tal fenômeno nos faz lembrar aquela outra comparação feita por Cristo ao dizer certa vez: "As minhas ovelhas ouvem a minha voz e me seguem" (Jo 10.27).
E se uma ovelha caísse? Como o pastor poderia resgatá-la? Bom, para isto, ele contava com um instrumento chamado cajado. Que normalmente se aparece como esse da foto, relacionada ao Antigo Oriente Médio. O que poucos sabem, é que o cajado poderia ter três funções; e duas delas estão relacionadas no Salmo. Daí a expressão: "a tua vara e o teu cajado". O cajado normalmente usado, era pra tocar o rebanho. Principalmente quando uma ou outra ovelha, começava a sair do grupo, dispersando-se. Aí, a sua função entrava como vara. O pastor batia na ovelha desobediente, fazendo-a voltar para o grupo. Devido ao fato de muitas ovelhas caírem em buracos de difícil acesso, a ponta teria a forma de um gancho [como na foto ao lado]. Literalmente, então, o pastor pescava a sua ovelha quando o seu corpo era machucado e estava fora do alcance da extensão do seu braço. Mas esta mesma ponta, guardava, muitas vezes, um segredo. Havia um encaixe embutido que a fazia se transformar rapidamente numa lança mortal que o pastor usaria em casos de perigo para o rebanho. Principalmente num ataque de um predador. Ao lado disso, é claro, havia um estilingue, ou funda, usado também, por muitos garotos palestinos até hoje na região do Oriente Médio. Como você ver, o mesmo instrumento tinha uma função protetora; a lança, salvadora; o cajado, e disciplinar; a vara. O mesmo Deus Pastor que acolhe e protege, também castiga aos que ama. Não para fazê-los sofrer, mas, para aprimorá-los. Sabendo que muitas vezes, a dor é o que nos ensina em certos momentos, que, de outro modo, não aprenderíamos. Essa afinal, é a dinâmica de nossa vida. Se sofrermos demais, não suportaremos. Mas se sofremos de menos, nunca saberemos quão mau é o mau e não desejaremos nos livrar dele. Por isso que Deus de maneira infinitamente sábia, administra a dosagem de varas, lanças e cajados em nossa caminhada pelo vale da sombra da morte, até chegarmos novamente ao lar que Ele prometeu. E por falar em lar, é emocionante ver a cena de um rebanho chegando ao aprisco. Elas parecem saber de algum modo, que estão chegando em casa. Que o deserto ficou para trás. Ali, o pastor costuma dar-lhes uma última refeição, que supri as suas energias, aquelas gastas na travessia do deserto. E elas estarão prontas pra dormir. Mas antes disso, o último trabalho deve ser feito. Uma recontagem das ovelhas. Todo pastor do Oriente Médio, conta várias vezes as suas ovelhas durante o dia. Sempre com o objetivo de verificar se não está faltando nenhuma. As condições adversas do lugar, somadas a falta de cercas, tornam o deserto, um local traiçoeiro para o rebanho, com possibilidade de extravio do grupo. Daí as constantes contagens e recontagens do rebanho. Aliás, Jesus também, lançou certa vez, mão desse costume, para contar a história ou parábola, de um pastor que tinha 100 ovelhas, e ao perceber que uma lhes faltava, deixou todas as outras no aprisco e voltou estrada a fora,, para encontrar aquela que havia ficado para trás no deserto. Ao encontrá-la, qual não foi a sua felicidade em festejar o achado do animal e comemorar com todos! Da mesma maneira, Ele nos diz que somos preciosos pra Deus. Poderia ser apenas uma ovelha. Porém, para Ele, ela era tão preciosa. Se tornava mais do que uma, ela era única em meio ao seu rebanho. Como o Próprio Cristo nos ensinou, tal parábola, ilustra o amor de Deus pelos seres humanos. Apesar de possuir bilhões e bilhões de filhos em todas as épocas e mundos, Ele nos trata como se fossemos os únicos de todo Universo. E comemora nossos acertos e conversões como se fossemos o mais precioso tesouro do Seu baú de riquezas!
Ter um pastor que nos cuida, é mais do que ter um pensamento positivo ou um otimismo mental. É sentir-se, literalmente amparado. Protegido por alguém que verdadeiramente nos ama. E como isso nos faz bem a alma e refrigera o nosso ser, ao atravessarmos o caótico deserto dessa existência!
Afinal, Ele nos fornece oásis que alivia nossa travessia e garantem que todo sofrimento, por mais duro que seja, será passageiro. Pois um dia habitaremos para sempre na casa que Ele mesmo, preparou para nós! Não será apenas por um tempo, mas será para todo sempre! NÓS AO LADO DO BOM PASTOR!
Creio que você, a partir de agora, não lerá mais da mesma forma este Salmo!
(Tema escrito sob o comentário de Dr.Rodrigo Silva-arqueólogo/Escrito, editado e modificado aqui por Costumes Bíblicos)

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Filipenses 1:9-11

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