Costumes Bíblicos: UM REI VITORIOSO

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UM REI VITORIOSO

UM REI VITORIOSO FIGURADO PELO CETRO E PELA ESTRELA 
Depois da morte de Abraão, foi renovada a promessa messiânica a Isaque (Gn 26.3,4) e a Jacó (Gn 28.13,14; 35.11-14), transformados, por sua vez, em mediadores da bênção divina para toda a humanidade. Ao mesmo tempo, tal promessa ficou mais circunscrita e tornou-se mais concreta, graças a eliminações sucessivas (de Cam, dos irmãos de Abraão, de Ismael, de Esaú), as quais visavam separar o santo do profano.
Pouco antes de morrer, Jacó, com iluminação do alto, pronunciou também neste sentido uma célebre profecia (Gn 49.8-12) na qual, predizendo o futuro de seus filhos e de sua posteridade, anunciou, em majestosa linguagem, que o Salvador do mundo faria parte da tribo de Judá e que teria em suas mãos o cetro real. Com Davi, a realeza ficou vinculada a esta gloriosa tribo, e, conforme demonstra a árvore genealógica de Jesus [leia aqui] relatada por Mateus (Mt 1.2-16), o último herdeiro daquele rei foi o Messias.
Alguns séculos mais tarde, Balaão, chamado pelo rei de Moabe para amaldiçoar os hebreus, que estavam a ponto de penetrar na Terra Prometida e ameaçavam seu território, acabou abençoando-os com quatro profecias sucessivas, das quais a última tem grande relevância messiânica: Vê-lo-ei, mas não agora, contemplá-lo-ei, mas não de perto; uma estrela procederá de Jacó e um cetro subirá de Israel, que ferirá os termos dos moabitas, e destruirá todos os filhos de Sete. (Nm 24:17). A profecia de Jacó foi reiterada: o Messias aparece uma vez mais como um Rei vitorioso, representado pelo cetro e pela estrela.
Depois de ter-se particularizado pouco a pouco, a promessa divina dá com Moisés um passo mais à frente na mesma direção. O grande legislador de Israel acolheu as profecias que acabamos de citar, as quais seriam transmitida às gerações futuras, e recebeu também ele outra profecia da boca do Senhor: Eis que lhes suscitarei um profeta do meio de seus irmãos, como tu, e porei as minhas palavras na sua boca, e ele lhes falará tudo o que eu lhe ordenar. E será que qualquer que não ouvir as minas palavras, que ele falar em meu nome, eu o requererei dele (Dt 18.18,19).
Disto concluímos que Cristo deveria cumprir, como Moisés, as funções de legislador, de mediador e de profeta. Por isso, o próprio Jesus disse: Não cuideis que eu vos hei de acusar para com o Pai. Há um que vos acusa, Moisés, em quem vós esperais. Porque, se vós crêsseis em Moisés, creríeis em mim, porque de mim escreveu ele (Jo 5.45,46).

OS RELATOS EVANGÉLICOS

Penetremos ainda mais na medula dos fatos, para conhecermos melhor a índole própria de duas narrações evangélicas. Em correspondência sempre com o pano de fundo, cada um dos narradores permanece fiel ao seu próprio plano e à sua tendência geral.
Mateus, judeu que escreve para judeus, mostra-nos, desde o princípio, Jesus como o Filho por excelência de Davi e de Abraão, o Rei supremo de Israel, o Messias, que desde o seu aparecimento neste mundo começou a cumprir as profecias (Mt 1.22-23; 2.4-6,15,17-18,23). E Lucas é um grego que se dirige aos gregos. Discípulo e amigo de Paulo, Lucas se compraz em apresentar Jesus como o Filho de Adão, como irmão de todos os homens, como Redentor da humanidade.
Tal é a ideia que se distingue nas duas narrações relativas a Jesus. Mas nos reservam, às vezes, a surpresa de os relatos atingirem objetivos diferentes do que talvez tenham sido proposto pelos autores o relato de Mateus [escrito para os judeus] torna-se universal, enquanto o de Lucas [escrito para os gentios], de certo modo, torna-se particular [israelita]. Assim, quando esperaríamos encontrar no primeiro evangelho os episódios referentes ao precursor, à circuncisão e ao resgate de Jesus, à purificação de Maria, posto que são episódios puramente judaicos, foi Lucas quem nos conservou esta recordação.
Do mesmo modo, pareceria natural que achássemos no terceiro evangelho relatos sobre a adoração dos sábios, pois que estes personagens representam as primícias da gentilidade que vem até o berço do Redentor, mas é no primeiro evangelho que lemos sua história. Esta espécie de transposição é prova manifesta da lealdade dos dois evangelistas [Lucas e Mateus]. Ao contarem a história da infância de Jesus, eles não foram guiados por nenhum preconceito doutrinário, ainda que assim tenham procedido muitas vezes aqueles que atacam os evangelhos. Expuseram simplesmente os fatos tais como haviam chegado ao seu conhecimento.

A MANEIRA SINGULAR DE CADA EVANGELISTA APRESENTAR OS FATOS

Existe outra advertência importante que, com frequência, tem-se repetido a propósito do conteúdo dos dois evangelhos. Nas histórias de Mateus, todos os acontecimentos [sobre o nascimento de Jesus] giram, por assim dizer, em torno de José; na de Lucas, o centro são Maria e Jesus. Ambas as seções são fáceis de demonstrar.
Segundo Mateus, é a José que o anjo anuncia o Salvador, cuja mãe seria Maria. Ele é quem recebe, como chefe da família, a ordem de conduzir o mais rápido possível o divino menino para o Egito, para arrancá-Lo das emboscadas de Herodes. José é quem, passado o perigo, recebe a ordem de voltar com Jesus à Palestina.
Segundo Lucas, todos os acontecimentos parecem convergir para a mãe de Jesus. Não é sobre ela que está o holofote durante a anunciação, a visitação, o nascimento, a purificação e a apresentação no Templo do menino Jesus?
A cada momento, o escritor sagrado põe diante de nossos olhos a doce figura dela e registra com particular cuidado seus atos, suas palavras e até seus pensamentos.
Os relatos sobre a infância de Jesus em cada evangelho são muito ricos e notáveis. Os acontecimentos estão expostos com graça, cheios de nobreza e, ao mesmo tempo, com fresca e esplendorosa simplicidade, acrescentando encanto sobre encanto. A arte mais hábil não teria podido traduzir algo melhor. Cada cena está narrada de forma que melhor corresponda à sua índole. O trágico se associa com o idílico de maneira surpreendente.
No início, tal como no resto do evangelho, Mateus, como escritor, é mais popular e menos elegante que Lucas. Mas sua narração não está desprovida de maestria, pois reconhecemos um poderoso colorido nela. Com algumas palavras, ele pinta em cores vivas a angústia de José. Descreve maravilhosamente sua perfeita e muda obediência às ordens divinas que exigiam dele duríssimos sacrifícios. O breve quadro que Mateus traça do martírio das inocentes vítimas de Belém é vivo e dramático.
Já a narração de Lucas é encantadora. Além dele ter sido o historiador por excelência da infância de Jesus, deixou-nos descrições que são pinturas belíssimas, cujas pinceladas arrebatam a alma e o coração. Os relatos evangélicos são puros como o ar que flutua acima das colinas e, ao mesmo tempo, estão cheios de idílica suavidade. [Leia mais um pouco, sobre a infância de Jesus, AQUI]
Nesse evangelho, vemos a mãe isolada, amável, feliz e, porém, cheia de cuidados; o santo e gracioso menino, que trouxe aos homens riquezas insondáveis de verdade e de paz; a simplicidade do lugar do nascimento de Jesus e a grandeza de sua missão; o mundo desatento e envolvido em tarefas que não levam à vida eterna, inconsciente da boa nova que o Filho de Deus veio trazer para transformar e abençoar a todos; os pastores em vigília sob as estrelas silenciosas; o cântico de um coro de anjos que irrompe o silêncio da noite; o miserável e duro Herodes, cuja crueldade à medida que ele se aproxima da morte, contrastando com o doce menino que trazia a paz e a boa vontade aos homens; os sábios que vieram do distante Oriente em busca da luz e da esperança do novo Rei.
Por meio de tudo isto - pessoas, anjos, sonhos, fatos, palavras e a presença do Deus Eterno que ama os homens, ainda que caídos, e que dá início à obra de salvação e renovação da humanidade -, é produzida uma narração que se assemelha a um quadro de beleza sem igual; uma pintura iluminada e exaltada pelo amor celestial. Para produzir toda esta beleza, Lucas não recorreu a artifícios literários, e sim ao seu encanto como escritor, à sua sinceridade e simplicidade.

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Filipenses 1:9-11

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