Costumes Bíblicos: A DOUTRINA DO NOVO NASCIMENTO

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A DOUTRINA DO NOVO NASCIMENTO

NICODEMOS E JESUS
Uma das passagens mais conhecidas nos Evangelhos é o diálogo entre Jesus e Nicodemos, em João 3: 1-21. Vários textos encontrados no Talmud mencionam um “Nakdimon ben Gurion”. Há uma boa chance de estarmos falando sobre uma e a mesma pessoa. Os seguintes pontos emergem à medida que folheamos a literatura extra-bíblica judaica:
Nakdimon ben Gurion foi responsável por não apenas proferir uma oração que causou a queda da chuva, mas também proferiu uma oração subsequente que fez o sol brilhar. “Somente pelo sol de cada um dos três homens o sol brilhou, e eles são Moisés, Josué e Naquidon ben Gurion.” (Tratado Ta'anith , III.19b; Gittin , 56a; Avodah Zarah , 25a.)
Nakdimon ben Gurion era um homem de grande riqueza, listado entre três ricos habitantes de Jerusalém que doaram seus recursos para abastecer Jerusalém por três anos durante o cerco das tropas de Vespasiano durante a Guerra Judaica. (Tratado Gittin, 56a.)
Um Nakdimon ben Gurion também é mencionado em Ketuboth 65-67, como um homem de grande riqueza que, ao arranjar o casamento de sua filha, alcançou um milhão de denários de ouro, mas mais tarde foi empobrecido pela queda de Jerusalém ou por seu próprio orgulho em dar esmola.
Na Guerra Judaica , 2.451, Josefo confirma a grande riqueza de Nakdimon ben Gurion.
Com exceção de Josefo, os textos que mencionam Nakdimon ben Gurion são todos muito posteriores ao Evangelho de João, embora eles possam de fato preservar as tradições anteriores. Todas essas evidências juntas indicam que, se Nicodemos de João é o Nakdimon ben Gurion (o qual ele provavelmente é) mencionado em Josefo e na literatura talmúdica, muito do comportamento de Nicodemos no Evangelho pode ser melhor entendido agora que sabemos um pouco mais sobre ele.(Fonte: Israel Biblical - Por Dr. Eli Lizorkin-Eyzenberg)
O tema central da conversa de Jesus e Nicodemos será a necessidade de um novo nascimento, de uma regeneração espiritual que faz a pessoa se tornar membro do reino de Deus. Desta grande doutrina, Jesus passará a outros pontos fundamentais da fé cristã e, levantando o véu que cobria o futuro, mostrará o Messias debaixo da figura de uma vítima que generosamente se sacrifica pela salvação do mundo.
Toda a cena é admirável por sua simplicidade, por sua dignidade e por sua aprazível serenidade. Conforme seu costume, Jesus se esforçará, mesmo com escasso resultado no princípio, em elevar o espírito do seu interlocutor às regiões superiores. De quanta honra Jesus o cobriu, revelando-lhe maravilhas tão admiráveis e abrindo-lhe tão grandiosos horizontes!
Tornemos a imaginar os dois interlocutores sentados um perto do outro em um modesto divã, em um aposento mobiliado de maneira simples, ao modo oriental, e iluminado apenas por uma pequena lâmpada de barro, colocada sobre um candelabro.
Após a saudação de costume, Nicodemos diz respeitosamente a Jesus: Rabi, bem sabemos que és Mestre vindo de Deus, porque ninguém pode fazer estes sinais que tu fazes, se Deus não for com ele (Jo 3.2). Estas palavras muito significativas revelam que outros israelitas das classes superiores tinham experimentado, como Nicodemos, a influência dos milagres e da pregação de Jesus; daí o verbo no plural: sabemos. Com isto, Nicodemos reconheceu também o direito que Jesus tinha de ensinar as Escrituras, mesmo que não tivesse recebido nenhum título oficial para isso, pois o próprio Deus o autorizara diretamente, concedendo-lhe poder para realizar milagres entre o povo.
O Salvador respondeu: Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer de novo não pode ver o Reino de Deus (Jo 3.3). Os comentaristas têm observado que esta resposta está além de uma linguagem externa para Nicodemos; refere-se ao pensamento íntimo de Jesus.
Rabino lendo a Torá, tendo na
testa um filactério. Nicodemos
se vestia como ele.
O que é necessário fazer, pergunta Nicodemos, que atitude devem ser praticadas para se gozar dos bens do reino que o Messias ia fundar em breve? Antes de todas as coisas, Jesus lhe diz que é preciso regenerar-se espiritualmente e, pela intervenção divina, ser transformado intimamente em todo o seu ser moral.
Nicodemos, que não compreende o que Jesus diz, pede-lhe uma explicação: Como pode um homem nascer, sendo velho? Porventura, pode tornar a entrar no ventre de sua mãe e nascer? (Jo 3.4). Logo, percebe-se que Nicodemos ainda permanecia no terreno puramente natural, enquanto Jesus queria levantá-lo às altas regiões do espiritual. Contudo, por diversas passagens do Antigo Testamento, Nicodemos poderia lembrar que existe uma renovação espiritual da alma e do coração (Sl 51.9-12; 86.4,5; Ez 11.19,20; 36.26-28).
Os próprios amigos de Nicodemos, os rabinos, não chamavam seus alunos de meninos recém-nascidos? Mas os preconceitos farisaicos dele o cegavam. E, talvez, Nicodemos também estivesse fingindo não entender para saber a verdade que Jesus queria comunicar. Então, o Mestre respondeu: Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer da água e do Espírito não pode entrar no Reino de Deus (Jo 3.5).
Eis outra regra do método pedagógico de Jesus. Diante de uma explicação que Nicodemos lhe pede, Jesus responde repetindo quase as mesmas palavras, porém realçando-as e dando-lhes outro ângulo para torná-las ainda mais claras. O renascimento que se exige como condição para se entrar no reino de Deus consiste, pois, no batismo, que se compõe de dois elementos: um material, a água, e o outro, espiritual e divino, o Espírito Santo. Agora vejamos: o batismo é precisamente aquilo que o precursor havia anunciado como  instituição reservada ao Messias, em oposição a seu simples batismo de água, incapaz de apagar pecados.
Com uma comparação fundamental na lei das semelhanças, Jesus explica a necessidade da regeneração por meio do batismo cristão: O que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é espírito (Jo 3.6).
A carne significa a natureza humana, com seus instintos corrompidos; o espírito, a natureza espiritual, com suas inclinações celestiais e aspirações superiores. Mas, conforme disse vigorosamente Paulo (1Co 15.50), a carne e o sangue não podem herdar o reino de Deus (1Co 15.50). É necessário que o Espírito Santo os transforme e espiritualize. Esta transformação é o resultado da atuação do Espírito Santo dentro da pessoa.
Indo ainda mais longe, Jesus recorre a uma expressiva imagem para declarar a possibilidade, a realidade e a natureza imaterial do renascimento cristão: O vento assopra onde quer, e ouves a sua voz, mas não sabes donde vem, nem para onde vai; assim é todo aquele que é nascido do Espírito (Jo 3.8). O vento é, com efeito, um dos elementos mais sutis do nosso mundo atual. E, ainda hoje, com todos os progressos da meteorologia, ele  encerra vários mistérios. Sua presença é notada por um zumbido e por seus efeitos. A nova vida que o batismo com o Espírito Santo nos proporciona é também misteriosa e, na maioria dos casos, só podemos ver suas evidências pelos seus resultados.
Nicodemos, porém, não compreendia ainda este mistério e confessa ingenuamente: Como pode ser isto? (Jo 3.9). Jesus respondeu-lhe, não sem certa ironia: Tu és mestre em Israel e não sabe isso? (Jo 3.10). Como doutor da lei e encarregado de instruir as pessoas, Nicodemos deveria conhecer, ainda que somente em seu conjunto, estas doutrinas que, conforme já dissemos, podem ser lidas em vários textos do Antigo Testamento.
Contudo, será que Nicodemos, tal como os outros, teria uma venda sobre os olhos quando lia as Escrituras (2Co 3.13)? Por sorte, ele havia se deparado com o verdadeiro Mestre de Israel, que, com delicada bondade, faria inesquecíveis revelações sobre a natureza superior, sobre a missão que tinha de cumprir aqui na terra e sobre o resultado de sua vinda ao mundo.
Neste ponto, o diálogo se transformou em um eloquente monólogo, e o doutor da lei manteve silêncio, contentando-se apenas em escutar o Mestre divino com respeitosa atenção. O pensamento de Jesus tomou um novo vôo, elevando-se às mais altas regiões. Citaremos, na íntegra, esta admirável página, na qual tudo se enlaça estritamente como os elos de uma corrente:
Na verdade, na verdade te digo que nós dizemos o que sabemos, e testificamos o que vimos; e não aceitais o nosso testemunho.
Se vos falei de coisas terrestres, e não crestes, como crereis, se vos falar das celestiais?
Ora, ninguém subiu ao céu, senão o que desceu do céu, o Filho do homem, que está no céu.
E, como Moisés levantou a serpente no deserto, assim importa que o Filho do homem seja levantado;
Para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.
Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.
Porque Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para que condenasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele.
Quem crê nele não é condenado; mas quem não crê já está condenado, porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus.
E a condenação é esta: Que a luz veio ao mundo, e os homens amaram mais as trevas do que a luz, porque as suas obras eram más.
Porque todo aquele que faz o mal odeia a luz, e não vem para a luz, para que as suas obras não sejam reprovadas.
Mas quem pratica a verdade vem para a luz, a fim de que as suas obras sejam manifestas, porque são feitas em Deus. (Jo 3:11-21)

AS IDEIAS GERAIS DO ENSINO DE JESUS A NICODEMOS

Indicaremos, em poucas palavras, a ordem geral das ideias que esses versículos nos trazem e insistiremos em alguns pontos particulares.
Três ideias principais se desenvolvem sucessivamente.
  1. Não obstante Jesus trazer ao mundo uma doutrina nova, superior àquela que até então se conhecia, esta merece ser crida por sua palavra, porque ele veio do céu e morreria um dia na cruz pela redenção da raça humana. Por desventura, nem todos os homens se salvarão, porque nem todos aceitarão crer no Filho de Deus nem fazer as obras que ele manda que sejam feitas. Mas aqueles que se perdem, serão, eles próprios, culpados de sua condenação.
  2. O segundo ponto que devemos observar nessa exposição de Jesus é a sua beleza imensamente comovedora. Vemos, por antecipação, a cruz de Jesus levantada como sinal infalível da salvação. O fato histórico e impalpável símbolo da morte do Salvador no Calvário ocorreu no deserto de Faram, durante o quadragésimo e último ano das peregrinações do povo hebreu. Como os israelitas estavam cansados de tanto peregrinar, lançaram ao céu uma daquelas queixas blasfemas, e Deus os castigou enviando uma multidão de serpentes abrasadoras, cujas picadas semeavam, em todas as partes do acampamento, a morte. Imediatamente, tiveram de arrepender-se e implorar a divina misericórdia, que não lhes fora recusada. Mas o Senhor determinou vincular a cura a um sinal exterior. Sua ordem foi: E disse o Senhor a Moisés: Faze-te uma serpente ardente, e põe-na sobre uma haste; e será que viverá todo o que, tendo sido picado, olhar para ela.
    E Moisés fez uma serpente de metal, e pô-la sobre uma haste; e sucedia que, picando alguma serpente a alguém, quando esse olhava para a serpente de metal, vivia.(Nm 21:8,9).
  3. A serpente de bronze era, pois, símbolo da salvação, com vantagem de exigir e despertar a fé, virtude tão amada por Deus. Um olhar de fé e de contrição dirigido ao divino Cordeiro crucificado produziria resultados ainda mais admiráveis. Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. (Jo 3:16). Esta é a finalidade generosa e dupla da morte do Salvador, cuja razão última, soberanamente inefável, não é outra senão o amor infinito de Deus que, para salvar a linhagem humana, caída e gravemente culpada (Jo 1.10; 6.33,51; 7.7; 12.31; 17.14,25), não vacilou em sacrificar o seu Filho unigênito, fazendo-o morrer em uma cruz. Sem medo de exagero, podemos dizer que esta passagem é uma das mais belas e consoladoras de toda a Bíblia. A palavra de Jesus, sem perder sua sensibilidade habitual, adquire aqui uma majestade incomparável. E tanto maior é a doçura dessas palavras quanto mais terríveis são as que se seguem. Apesar do valor infinito do sacrifício expiatório oferecido a Deus pelo Messias, nem todos os homens se salvarão. Mas o Cristo - e este pensamento é de uma delicadeza insuperável - não quer exercer outra função senão a de Salvador. A função de juiz que condena não se harmoniza nem com seu amor nem com o amor de seu Pai. Se muitos pecadores forem condenados para sempre, terão de culpar-se unicamente a si mesmos, e também às suas próprias obras e à sua consciência.
Qual foi a conclusão prática da conversa de Jesus com Nicodemos? O evangelista não diz expressamente; porém, não é arriscado supor que a alma sincera e leal de Nicodemos tenha ficado vivamente impressionada a recebido favoravelmente a boa semente que, pouco a pouco, haveria de germinar, crescer e frutificar, até transformá-lo em um discípulo do Salvador e em um amigo.
Nicodemos é, pois, aquele que um dia defendeu Jesus perante o Sinédrio, que havia dado ordem de prendê-lo sem prévio julgamento. Porventura, condena a nossa lei um homem sem primeiro o ouvir e ter conhecido o que ele faz? (Jo 7.51). E, assim mesmo, sem medo algum, ele se ocuparia, com José de Arimateia, da sepultura de Jesus e renderia ao sagrado corpo do Mestre as últimas honras, com uma piedosa prodigalidade, reveladora do profundo amor que tinha para com Cristo (Jo 19.39-41).

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