COSTUMES BÍBLICOS

O ESPÍRITO SANTO GOSTA DE FALAR

O Espírito Santo é um ótimo Comunicador.
Ao recebermos o Espírito de Deus, nossa maneira de falar muda imediatamente. "E, depois disso, derramarei do meu Espírito sobre todos os povos. Os seus filhos e as suas filhas profetizarão..." (Joel 2.28; ver também Atos 2.16-18).
O Espírito Santo influenciou as palavras de milhares no Dia de Pentecostes. "E viram o que parecia línguas de fogo, que se separaram e pousaram sobre cada um deles. Todos ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a falar noutras línguas, conforme o Espírito os capacitava" (At 2.3,4).
O Espírito Santo estava em ação quando Jesus deu ordens aos apóstolos, antes de subir ao céu. "Até o dia em que foi elevado aos céus, depois de ter dado instruções por meio do Espírito Santo aos apóstolos que havia escolhido" (At 1.2).
O Espírito Santo influencia nossas conversas com outras pessoas. "Mas receberão poder quando o Espírito Santo descer sobre vocês, e serão minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judeia e Samaria, e até os confins da terra" (At 1.8).
O Espírito Santo nos dá ousadia e audácia para falar com outras pessoas. "Depois de orarem, tremeu o lugar em que estavam reunidos; todos ficaram cheios do Espírito Santo e anunciavam corajosamente a palavra de Deus" (At 4.31).
O Espírito Santo nos fala sobre a motivação das pessoas ao nosso redor. "O Espírito me disse que não hesitasse em ir com eles...(At 11.12a).
A primeira evidência do Espírito Santo em nossa vida é a mudança no teor de nossas conversas. O Espírito Santo nos leva a defender a causa de Jesus Cristo. Isso se tornou óbvio na vida de Pedro. Ele era fraco e sentia-se intimidado por outras pessoas antes do Pentecostes. Depois disso, tornou-se audacioso: "Então Pedro, cheio do Espírito Santo, disse-lhes: [...]'Saibam os senhores e todo o povo de Israel que por meio do nome de Jesus Cristo, o Nazareno, a quem os senhores crucificaram, mas a quem Deus ressuscitou dos mortos, este homem está aí curado diante dos senhores [...] Não há salvação em nenhum outro, pois, debaixo do céu não há nenhum outro nome dado aos homens pelo qual devamos ser salvos'. Vendo a coragem de Pedro e de João, e percebendo que eram homens comuns e sem instrução, ficaram admirados e reconheceram que eles haviam estado com Jesus" (At 4.8,10,12,13).
O Espírito Santo fala mais do que qualquer outra pessoa nesta terra. Ele conhece a todos. Discerne as fraquezas de cada ser humano que criou. Sabe comunicar-se em todas as línguas. Pode falar em todos os lugares ao mesmo tempo. Pode falar com milhares de pessoas simultaneamente. "Aquele que tem ouvidos ouça o que o Espírito diz às igrejas" (Ap 2.7,11,17; 3.6,13,22).
O Espírito Santo espera que prestemos atenção continuamente à Sua voz. "Hoje, se vocês ouvirem a sua voz, não endureçam o coração..." (Sl 95.7b,8a)
O Espírito Santo nos ensina. "[Ele] lhes ensinará todas as coisas" (Jo 14.26b).
O Espírito Santo nos lembra os princípios ensinados por Jesus. "[Ele] lhes fará lembrar tudo o que eu lhes disse" (Jo 14.26c).
O Espírito Santo nos convence do pecado. "Quando ele vier, convencerá o mundo do pecando, da justiça e do juízo" (Jo 16.8).
O Espírito Santo conversa conosco a respeito do futuro. "[Ele] lhes anunciará o que está por vir" (Jo 16.13c).
O Espírito Santo fala conosco a respeito das pessoas com quem devemos conversar. "E o Espírito disse a Filipe: 'Aproxime-se dessa carruagem e acompanhe-a'" (At 8.29).
Filipe e o etíope
O Espírito Santo nos fala a respeito de nossas tarefas específicas no Reino de Deus. "Enquanto adoravam o Senhor e jejuavam, disse o Espírito Santo: 'Separem-me Barnabé e Saulo para a obra a que os tenho chamado'" (At 13.2).
O Espírito Santo nos mostra o local onde desempenhar nossas tarefas no Reino de Deus. "Enviados pelo Espírito Santo, desceram a Selêucia e dali navegaram para Chipre" (At 13.4).
O Espírito Santo sabe onde nossos dons são mais necessários (ver Atos 8).
O Espírito Santo conhece as pessoas que podem solucionar os questionamentos que nos deixam confusos (ver Atos 8).
O Espírito Santo nos leva miraculosamente a conhecer pessoas que irão agradar-se de nossa companhia (ver Atos 8).
O Espírito Santo nos revela aqueles sobre quem o julgamento irá cair. "Então Saulo, também chamado Paulo, cheio do Espírito Santo, olhou firmemente para Elimas e disse: "Filho do Diabo e inimigo de tudo o que é justo! Você está cheio de toda espécie de engano e maldade. Quando é que vai parar de perverter os retos caminhos do Senhor?" (At 13.9,10)
O Espírito Santo nos revela aqueles que nos vêem como inimigo (At 13.9,10).
O Espírito Santo nos mostra quem está possesso por espíritos demoníacos (At 13.9,10).
O Espírito Santo nos revela a diferença entre as questões importantes e as secundárias. "Pareceu bem ao Espírito Santo e a nós não impor a vocês nada além das seguintes exigências necessárias" (At 15.28).
O Espírito Santo nos mostra qual é o local de provisão e suprimento. "Saia daqui, vá para o leste e esconda-se perto do riacho de Querite, a leste do Jordão. Você beberá do riacho, e dei ordens aos corvos para o alimentarem lé" (1Rs 17.3,4). Esta realidade ficou evidente na vida de Elias.
O Espírito Santo nos revela problemas na vida de outras pessoas. Samuel teve essa experiência quando era garoto. Deus falou com ele a respeito de Eli, seu líder espiritual (1Sm 3.11).
O Espírito Santo em nosso íntimo se torna uma fonte de agitação para os ímpios (ver Atos 6.10).
Por isso é importante que tenhamos um local especial para nos encontrarmos com ó Espírito Santo todos os dias. Chamo meu cômodo particular [um lugar tão simples da minha sala] de oração de Lugar Secreto.
Devemos afastar-nos das vozes das pessoas quando realmente desejamos ouvir a voz do Espírito Santo.

  • A solidão é necessária para alcançarmos intimidade.
  • A intimidade é necessária para recebermos  conhecimento espiritual.
  • O conhecimento espiritual é necessário para experimentarmos mudanças.
Só podemos experimentar mudanças quando o Espírito Santo fala conosco.

Quatro maneiras pelas quais o Espírito Santo fala conosco:

  1. O Espírito Santo fala conosco através de homens e de mulheres de Deus. Essas pessoas maravilhosas inspiram nossa fé e ajudam-nos a corrigir nosso foco espiritual. Quando obedecemos às instruções do Espírito Santo, transmitidas por um servo de Deus, [o quê hoje está, infelizmente, difícil de encontrá-los! Servos fieis e leais à voz do Espírito Santo!] prosperaremos além de nossa imaginação. "Tenham fé no Senhor, o seu Deus, e vocês serão sustentados; tenham fé nos profetas do Senhor, e terão a vitória" (2Cr 20.20b). [O homem, a mulher de Deus, vai saber se o seu líder espiritual está realmente sendo leal ao Espírito Santo, quando está recebendo alguma instrução ou orientação. Se esse líder, falou com fidelidade, você vai prosperá naquilo para qual a instrução foi enviada! Caso contrário..corra! Corra depressa para os braços do Espírito Santo, Ele não deixará você sem resposta. E quanto ao líder..claro, ele prestará contas à ELE![Espírito Santo]. As palavras do Espírito Santo nos estimulam e trazem vida. "O Espírito dá vida; a carne não produz nada que se aproveite. As palavras que eu lhes disse são espírito e vida" (Jo 6.63). Se seu pastor tem-se mostrado que é fiel ao Espírito Santo e sua conduta revela isso, agradeça a Deus por ele, pois foi um presente do Espírito Santo em sua vida. Ele o adverte, consola e fortalece. Quando ouvimos a pregação [da Palavra] por um homem de Deus, as chances de sermos bem-sucedidos se multiplicam.
  2. O Espírito Santo nos fala através de nossa consciência. Quando Estêvão, cheio de fé e poder, realizou grandes maravilhas e milagres entre o povo, alguns* o confrontaram. A consciência deles reagiu ao que estavam vendo. "Mas não podiam resistir à sabedoria e ao Espírito com que ele [Estêvão] falava" (At 6.10). Eles ficaram tão irritados, que se revoltaram e apedrejaram aquele homem de Deus. O Espírito Santo usou a própria consciência deles para condená-los.* Membros da chamada Sinagoga dos Libertos
  3. O Espírito Santo nos fala através das Escrituras. Ele instigou os homens da antiguidade a registrarem as palavras santas de Deus para nós. Devemos imaginar que cada palavra é como uma semente. Dentro de cada uma está a fragrância invisível e poderosa chamada gozo; um gozo incomum é a essência oculta em cada palavra de Deus. Quando lemos ou ouvimos as palavras dEle e as acolhemos, a semente santa é lançada no solo de nossa vida. Uma explosão de gozo inexplicável surge dessas sementes como uma fragrância estimulante. Não consigo explicar isso, mas sinto acontecer todos os dias em minha vida. No momento em que leio a Palavra de Deus, mudanças começam a ocorrer em meu íntimo.
  4. O Espírito Santo fala conosco através de acontecimentos. O povo de Israel aprendeu a temer a Deus por meio do julgamento do Senhor sobre Corá e sobre outras pessoas* . Na Igreja Primitiva, a morte súbita de Ananias e Safira* foi usada para estimular o temor a Deus entre os cristãos. {Não foi usada por causa da oferta, do dinheiro, como muitos pregam, pondo o medo e o terror a alguns membros de muitas, digo, da maioria das congregações, se não derem ofertas e dízimos! Mas para estimular o uso da verdade e desprezar a mentira! Sempre! Em qualquer ocasião ou circunstância!] *Ver Números 16 e Atos 5.1-11
Nove assuntos sobre os quais o Espírito Santo fala conosco:
  
  1. O Espírito Santo fala conosco a respeito de nossos pecados. '"Venham, vamos refletir juntos', diz o Senhor. 'Embora os seus pecados sejam vermelhos como escarlate, eles se tornarão brancos como a neve; embora sejam rubros como púrpura, como a lã se tornarão'" (Is 1.18).
  2. O Espírito Santo fala conosco a respeito de achegar-nos à Sua Presença. "Virão muitos povos e dirão: 'Venham, subamos ao monte do Senhor, ao templo do Deus de Jacó, para que ele nos ensine os seus caminhos, e assim andemos em suas veredas'. Pois a lei sairá de Sião, de Jerusalém virá a palavra do Senhor" (Is 2.3). [Uma referência ao Templo do Milênio - Veja mais aqui: O TEMPLO DO MILÊNIO e GEOGRAFIA DO MILÊNIO]
  3. O Espírito Santo fala conosco sobre prestação de contas. "Assim, cada um de nós prestará contas de si mesmo a Deus" (Rm 14.12). [Veja sobre O TRIBUNAL DE CRISTO]
  4. O Espírito Santo fala [sobre obediência] com os filhos. "Filhos, obedeçam a seus pais no Senhor, pois isso é justo. 'Honra teu pai e tua mãe' - este é o primeiro mandamento com promessa - 'para que tudo te corra bem e tenhas longa vida sobre a terra'" (Ef 6.1-3). [Entrando em extinção entre os "cristãos"!]
  5. O Espírito Santo fala [sobre amor] com os maridos. "Maridos, ame cada um a sua mulher, assim como Cristo amou a igreja e entregou-se por ela [...] Da mesma forma, os maridos devem amar cada um a sua mulher como a seu próprio corpo..." (Ef 5.25,28). [Entrando em extinção entre os "cristãos"!]
  6. O Espírito Santo fala [sobre submissão] com as esposas. "Mulheres, sujeite-se cada uma a seu marido, como ao Senhor" (Ef 5.22). [Entrando em extinção entre os "cristãos"!] [Mas os quê permanecerem fiéis, serão salvos! (Jo 15.10; 1Jo 2.24)
  7. O Espírito Santo fala com o Pai a nosso respeito. "Da mesma forma o Espírito nos ajuda em nossa fraqueza, pois não sabemos como orar, mas o próprio Espírito intercede por nós com gemidos inexprimíveis. E aquele que sonda os corações conhece a intenção do Espírito, porque o Espírito intercede pelos santos de acordo com a vontade de Deus" (Rm 8.26,27). [Por isto, há oração que não são respondidas! Entenderam? Quando não se ora no Espírito e faz-se pedidos egoístas. Sem o acordo do Pai!]
  8. O Espírito Santo fala conosco e confirma que pertencemos a Deus. "O próprio Espírito testemunha ao nosso espírito que somos filhos de Deus" (Rm 8.16).
  9. O Espírito Santo fala conosco a respeito de lançarmos uma semente importante na vida de outros durante um período de crise em nossa vida. "E todos os que estavam dispostos, cujo coração os impeliu a isso, trouxeram uma oferta ao Senhor para a obra da Tenda do Encontro, para todos os seus serviços e para as vestes sagradas" (Êx 35.21). Quando o Espírito Santo fala a respeito de uma semente financeira, Ele tem uma grande colheita em mente para nós. Isso aconteceu com a viúva de Sarepta. O homem de Deus foi até ela, e disse-lhe que lançasse uma semente. Isso não tinha sido ideia dele. O Espírito Santo o havia instruído a agir assim enquanto estava assentado diante do ribeiro de Querite. Elias obedeceu a Deus. A viúva obedeceu ao profeta. O suprimento continuou ao longo dos dias de fome na terra. [Aqui temos que tomar bastante cuidado e sermos sensíveis à voz do Espírito Santo. Infelizmente, hoje em dia, há nas congregações, muitos lobos devoradores, idólatras e falsos, esganados por dinheiro, usando a Palavra do Senhor! Por isso, que devemos criar o hábito de conversar sempre com o Espírito Santo de Deus, para nos tornarmos conhecedores da Sua vontade, reconhecendo que é Ele que está falando conosco. E no momento oportuno, ofertarmos ao Senhor com alegria! Amém?]
  • Quando o Espírito Santo fala, mudanças começam a ocorrer.
  • Quando o Espírito Santo fala, nosso coração se enche de gozo.
  • Quando o Espírito Santo falar, obedeça-Lhe.
Lembremos sempre: O Espírito Santo gosta de falar.

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A PALAVRA DE DEUS
O ESPÍRITO SANTO EM ATOS











Eleição e missão dos Setenta discípulos

A ELEIÇÃO DOS SETENTA
Embora, não seja necessário determinar com precisão a sequência dos fatos desta época da vida de Jesus, parece-nos que pouco antes da Festa dos Tabernáculos deve-se registrar o episódio relativo aos Setenta; que também pode ter acontecido ao fim da estada de Jesus em Jerusalém, por ocasião desta solenidade.
O motivo pelo qual Jesus convocou tão grande número de novos auxiliares é claramente manifestado. Como o tempo urgia, ele quis evangelizar em muitos lugares onde ainda não havia exercido seu ministério. Não podendo dedicar mais do que algumas horas a cada um deles, seria necessário que sua breve estada fosse preparada de maneira que produzisse o maior fruto possível.
A pregação preliminar desses discípulos, como antes a dos apóstolos, seria utilíssima para despertar os ânimos e preparar os corações. Por isso, Jesus organizou um grupo especial, cujos membros escolheu entre os mais idôneos e zelosos de seus seguidores, para enviá-lo, diante de si, a todas as cidades e aldeias que se propunha a visitar pessoalmente.
Quantos foram exatamente escolhidos? Setenta, segundo a maioria dos estudiosos. Antes de enviar esses novos pregadores pelos distritos meridionais da Palestina, Jesus lhes deu algumas instruções a respeito da missão deles:
E dizia-lhes: Grande é, em verdade, a seara, mas os obreiros são poucos; rogai, pois, ao Senhor da seara que envie obreiros para a sua seara.
Ide; eis que vos mando como cordeiros ao meio de lobos.
Não leveis bolsa, nem alforje, nem alparcas; e a ninguém saudeis pelo caminho.
E, em qualquer casa onde entrardes, dizei primeiro: Paz seja nesta casa.
E, se ali houver algum filho de paz, repousará sobre ele a vossa paz; e, se não, voltará para vós.
E ficai na mesma casa, comendo e bebendo do que eles tiverem, pois digno é o obreiro de seu salário. Não andeis de casa em casa.
E, em qualquer cidade em que entrardes, e vos receberem, comei do que vos for oferecido.
E curai os enfermos que nela houver, e dizei-lhes: É chegado a vós o reino de Deus.
Mas em qualquer cidade, em que entrardes e vos não receberem, saindo por suas ruas, dizei:
Até o pó, que da vossa cidade se nos pegou, sacudimos sobre vós. Sabei, contudo, isto, que já o reino de Deus é chegado a vós.E digo-vos que mais tolerância haverá naquele dia para Sodoma do que para aquela cidade. (Lc 10:2-12)
Salvo alguns pormenores, essas recomendações são as mesmas que lemos na primeira parte do discurso de Jesus aos apóstolos em ocasião parecida. Jesus indica primeiro o motivo que o impulsionava a enviar tantos obreiros ao campo: o grão estava maduro, e a colheita se anunciava abundantemente. Por outro lado, inspira neles o conhecimento de sua fraqueza pessoal, recordando-lhes que seriam como ovelhas entre lobos cruéis.
Depois, Jesus lhes ensina como teriam de proceder quando chegassem às cidades e às aldeias, enquanto durasse a estada deles; como deveriam proceder se fossem bem acolhidos, se fossem rejeitados e quando se retirassem. Os discípulos não deveriam fazer preparativos de viagem, nem levar equipamentos inúteis, nem gastar tempo em conversas ociosas. Deveriam confiar na hospitalidade de seus conterrâneos, deixar sem demora os lugares onde não quisessem recebê-los, e anunciar-lhes os castigos divinos a que se expunham. O tema geral da pregação era o mesmo de João Batista, dos apóstolos e do próprio Jesus Cristo.
Jesus também fala sobre cidades que não receberiam seus enviados, e esse pensamento traz à memória dele recordações pessoais extremamente dolorosas. Três cidades impenitentes haviam permanecido incrédulas acerca dele. Ele se despede delas com um terrível adeus, que é um tríplice anátema:
Ai de ti, Corazim, ai de ti, Betsaida! Porque, se em Tiro e em Sidom se fizessem as maravilhas que em vós foram feitas, já há muito, assentadas em saco e cinza, se teriam arrependido.
Portanto, para Tiro e Sidom haverá menos rigor, no juízo, do que para vós.
E tu, Cafarnaum, que te levantaste até ao céu, até ao inferno serás abatida.Quem vos ouve a vós, a mim me ouve; e quem vos rejeita a vós, a mim me rejeita; e quem a mim me rejeita, rejeita aquele que me enviou. (Lc 10:13-16)
O coração de Jesus devia estar muito ferido quando, apesar de sua paciência, mansidão e misericórdia inefáveis, deixou escapar tais maldições! Depois de tudo o que os moradores dessas cidades haviam visto e ouvido sobre Jesus no decurso dos meses, que desculpa poderiam alegar para sua indiferença e sua incredulidade?
Mesmo a ímpia Sodoma e as cidades pagãs de Tiro e Sidom teriam se convertido se recebessem graça semelhante à que foi concedida a Corazim, a Betsaida e a Cafarnaum; teriam mostrado humildemente seu arrependimento ao modo daqueles tempos distantes: cobrindo-se com vestes de grossos tecidos e salpicado de cinzas a cabeça.
Das três cidades que o Salvador reprova, Corazim era a menos conhecida. Ela não é mencionada nos livros do Antigo Testamento nem nos de Flávio Josefo. O Talmude cita a excelente qualidade do trigo dela.
Os palestinólogos modernos a identificam com o lugar chamado Kerezaeth, cujas importantes ruínas se vêm em um vale a três quilômetros a nordeste de Tell-Hum (Cafarnaum), a alguma distância do lago. Este lugar, já nos tempos de Eusébio e Jerônimo, estava deserto.
Para não deixar seus discípulos com a triste impressão desses anátemas, o Mestre concluiu sua instrução pastoral com uma sentença das mais consoladoras. Quem vos ouve a vós, a mim me ouve; e quem vos rejeita a vós, a mim me rejeita; e quem a mim me rejeita, rejeita aquele que me enviou (Lc 10.16). Jesus os fez representantes dele e de Seu Pai Celestial. Não eram seus enviados? Pois bem, em todos os tempos e em todos os países, o embaixador representa integralmente a sua nação.
A ausência desses novos missionários não seria longa. Depois de terem visitado as cidades, completado a sua pregação e tirado dela o devido fruto, os setenta se reuniram com Jesus de novo, no dia e no lugar que lhes havia assinalado. Lucas, sem tecer pormenores, descreve em poucas palavras a deliciosa cena que aconteceu durante o retorno dos discípulos: E voltaram os setenta com alegria, dizendo: Senhor, pelo teu nome, até os demônios se nos sujeitam. (Lc 10:17)
A alegria que enchia o coração deles e irradiava em cada rosto pode ser vislumbrada neste brevíssimo resumo: até os demônios se nos sujeitam. Por esta declaração, entendemos que os setenta discípulos não esperavam esse poder particular. Eles o assinalaram com ingênua simplicidade, como se fosse a maior vitória que poderiam ter no curso de sua recente missão. De fato, não parece que o Senhor lhes tenha comunicado, em termos explícitos, o poder de expulsar demônios; contudo haviam libertado os possessos, invocando o nome de Jesus Cristo.
Contudo, Jesus lhes deu primeiro esta majestosa resposta: Eu via Satanás, como um raio, cair do céu (Lc 10.18). Com essas palavras, referia-se ele à queda de Satanás, anterior à criação do homem, tal como brevemente João a esboça no livro de Apocalipse? Assim entenderam, segundo Orígenes, vários pais da Igreja, os quais acrescentaram que o Salvador quis lembrar a seus discípulos tão terrível exemplo, para levá-los à humildade, porque os via impressionados pelas vitórias sobre os demônios.
Depois, o Mestre acrescentou:
Eis que vos dou poder para pisar serpentes e escorpiões, e toda a força do inimigo, e nada vos fará dano algum.Mas, não vos alegreis porque se vos sujeitem os espíritos; alegrai-vos antes por estarem os vossos nomes escritos nos céus.(Lc 10:19,20)
Para explicar aos discípulos o sucesso de seus exorcismos, o Mestre lhes ensina que, sem eles saberem, os havia provido de poderes irresistíveis contra os demônios, representados aqui pelos animais perigosos. Depois de sua ressurreição, Jesus renovará essa imunidade, estendendo ainda mais os limites dela.
No entanto, provando e compartilhando sua alegria, o Mestre lhes sugere um motivo muito mais elevado de confiança e alegria. Grande bênção, sem dúvida, é o dom de expulsar os espíritos malignos dos possessos; mas, comparado à posse do céu, é um privilégio secundário, que nem mesmo assegura essa posse àqueles que têm recebido tal dom. Saber que alguém está destinado ao céu, que seu nome está escrito na lista dos escolhidos, é uma fonte de alegria superior, na qual se pode descansar com doce segurança.
Naquela mesma hora se alegrou Jesus no Espírito Santo, e disse: Graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra, que escondeste estas coisas aos sábios e inteligentes, e as revelaste às criancinhas; assim é, ó Pai, porque assim te aprouve. (Lc 10:21)
O Espírito divino, que dirigia todos os movimentos da alma de Jesus, inundou-se de vivíssima alegria. Esse fato é único na história do Salvador. Entre tantos motivos de tristeza, o Mestre se sentia alegre por contemplar em espírito os admiráveis frutos de seu ministério e de seus inumeráveis sacrifícios.
Nesse divino arrebatamento, Jesus pronunciou algumas sentenças de inefável formosura e de inesgotável profundidade. E de forma poética resumiu magnificamente a doutrina cristã. Com a terna efusão de seu coração, Jesus expressou primeiro seus sentimentos amorosos para com Seu Pai Celestial. Ao mesmo tempo, ofereceu-lhe louvor e ações de graças por ocasião de dois fatos em que especialmente resplandecem a providência divina com respeito ao reino dos céus: de um lado, o Pai oculta seus mistérios aos sábios segundo a carne e, de outro, revela seus segredos aos pequenos e aos humildes. Ao orgulho pela inteligência, responde com o silêncio; à simplicidade e à humildade, com iluminações maravilhosas.
Os sábios aqui representam os escribas; as criancinhas, os apóstolos, os discípulos, e muitos outros pequeninos diante do mundo - a estes, eram dadas as mais divinas revelações. Não que a intelectualidade seja por si mesma obstáculo à boa recepção do evangelho; mas ela não é o fator preponderante. Para apropriar-se dos ensinamentos de Jesus e caminhar após o Mestre, requer-se apenas boa vontade e qualidades morais. Depois de ter dado testemunho da providência do Pai, Jesus se detém durante um momento. Então, prossegue com nova força em seus louvores: Assim é, ó Pai, porque assim assim te aprouve (Lc 10.21).
As palavras que seguem são de valor inestimável para a teologia, porque afirmam, com clareza e força invencíveis, a divindade de nosso Senhor Jesus Cristo, que conclui sua orientação aos setenta discípulos com outra interessante sentença, congratulando-se de que eles tivessem sido os escolhidos do Pai para receber tão sublimes revelações: E, voltando-se para os discípulos, disse-lhes em particular: Bem-aventurados os olhos que vêem o que vós vedes.
Pois vos digo que muitos profetas e reis desejaram ver o que vós vedes, e não o viram; e ouvir o que ouvis, e não o ouviram. (Lc 10:23,24)
Eles entendiam de alguma maneira o privilégio que lhes havia concedido Deus, mas Jesus queria fincar mais firmemente no espírito e no coração de cada um deles a ideia de que haviam recebido uma graça extraordinária, um benefício singular. Jesus dá a entender que os profetas de Israel e os reis santos desejaram ardentemente vê-lo com seus olhos e ouvi-lo com seus próprios ouvidos. Contudo, nem Davi, nem Josias, nem Ezequiel, nem Isaías, nem Jeremias, nem Daniel, nem tantos outros desfrutaram desse grande privilégio.
Saber que alguém está destinado ao céu, que seu nome está escrito na lista dos escolhidos, é uma fonte de alegria superior, na qual se pode descansar com doce segurança. 

A BELEZA DOS SALMOS - PARTE II

PARTE II
Salmos penitenciais (Sl 6; 32; 38; 51; 102; 130; 143).
Não menos do que cinco entre sete Salmos penitenciais foram escritos por Davi. Ele escreveu os Salmos 6,32,38,51 e 143. Já os Salmos 32,38 e 51 são analisados aqui:
A. Salmo 32.
Esse salmo deve ser relacionado ao Salmo 51. Este último descreve as emoções de Davi ao confessar seu pecado de adultério e assassinato (2Sm 11), enquanto o primeiro descreve seus sentimentos antes de tal confissão ter sido feita, quando o terrível peso da culpa ainda pesava excessivamente sobre ele. Em Romanos 4.7,8, Paulo cita o primeiro de dois versos desse Salmo para ilustrar uma das grandes doutrinas das Escrituras, aquela da imputação. A imputação é o ato de alguém que impõe algo ao fardo de outra pessoa. Há três imputações principais na Bíblia:
  1. A da natureza do pecado de Adão sobre a humanidade (Rm 3.23; 5.12).
  2. A do pecado do homem sobre Cristo (Is 53.5,6; 2Co 5.14-21; Hb 2.9; 1Pe 2.24).
  3. A da justiça de Cristo sobre o pecador que crê (Rm 4.6-24; Fp 3.9; Tg 2.23).
B. Salmo 38.
Certamente, esse salmo deve figurar entre as passagens mais notáveis de toda a Bíblia. Se não for por outra razão, que seja em função de absoluta sinceridade. Essa oração piedosa demonstra que a Bíblia é não apenas um livro que o homem não conseguiria escrever se quisesse, mas também um livro que esse mesmo homem não escreveria se pudesse! Eis Davi, o mais doce dos cantores israelitas, o ungido do Senhor, o homem segundo o coração de Deus. (Veja REI DAVI) Contudo, ao estudar cuidadosamente a linguagem dessa oração, torna-se impossível escapar da chocante impressão de que Davi estava corrompido com os mesmos tipos de vícios frequentemente associados à vida e as práticas imorais (veja Sl 38.3-1).
C. Salmo 51.
Nós já observamos o contexto no qual Davi escreveu esse salmo.
  1. Ele começa essa grande confissão fazendo o que Deus espera de todo crente pecador - que reconheça livremente seu pecado. O Pai aceitará nossas lágrimas, mas não nossas desculpas. Davi se recusa a desculpar seus fracassos, apelando à sociedade, hereditariedade, à pobreza ou ao ambiente.
  2. No verso 4, ele afirma que pecou contra ti somente. Em sentido técnico, obviamente, isso não é verdade. Davi pecou contra si mesmo, contra Bete-Seba, contra Urias e contra toda a nação israelita, que se espelhava em seu amado rei. Mas seu pecado contra Deus foi tão sério e estupendo, que todas as outras partes envolvidas esvaneceram. A última parte desse verso foi citada por Paulo para provar a condenação universal da humanidade (Rm 3.4).
  3. No verso 7, Davi clama para ser purgado (ou purificado) com hissopo. Talvez, sua mente tenha voltado até a noite da primeira Páscoa de sua nação, quase cinco séculos antes. Sem dúvida, o salmista ouvira aquela narração muita vezes (Êx 12.21-23). Então, Deus purificou-o. Mais tarde, o Grande Filho de Davi performaria esse ministério a todos os cristãos em todos os lugares (Hb 1.3). Davi desejava ser ministrado, para que ele pudesse tornar-se mais branco do que a neve. Quase três séculos depois, Isaías usaria as palavras de Davi para comunicar a mensagem de Deus para a pecadora nação israelita (Is 1.18).
  4. No verso 11, Davi faz uma oração de que, todavia, nenhum cristão precisa ou deveria precisar hoje. No cenáculo, nosso Senhor prometeu: E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador, para que fique convosco para sempre (Jo 14.16). [Também precisamos está atentos pelo motivo de que o Espírito Santo não compartilha com nosso corpo em práticas do pecado. Ele pode sim, se entristecer e se afastar de nós! (Ef 4.30; 1Ts 5.19). Portanto devemos ter cuidado, porque as Escrituras menciona pecados para a morte!! (Hb 6.4-6)]
  5. Contudo, cada filho de Deus precisará, em algum momento, fazer a oração com as palavras de Davi no verso 12. Toda a igreja em Éfeso precisou orar com essas palavras, tal como Jesus as ensinara (Ap 2.4). Quando essa alegria e o primeiro amor retornarem, o arrependimento dos pecadores efetivamente ocorrerá, tal como mencionado no verso 13.
  6. Esse salmo confessional traz muitas verdades preciosas, mas, talvez, a maior de todas elas é encontrada nos versos 16 e 17. A razão para tanto era muito simples - não havia sacrifício para o pecado do adultério. Em vez disso, quem fosse culpado de adultério deveria ser levado para fora e apedrejado até a morte (Lv 20.10). Portanto, Davi ignorou as ofertas de expiação do Levítico e entregou-se completamente à misericórdia e à graça de Deus.
Salmos imprecatórios (Sl 35,55,58,59,69,83,109,137,140).
A. A definição desses Salmos: imprecar é orar contra, invocar o mal sobre alguém ou algo.
B. Os problemas envolvidos nesses Salmos: como conciliar essas frases com a admoestação de Jesus para amar os inimigos, abençoá-los e orar por eles, fazendo-lhes o bem (Mt 5.44)?
C. A resposta sugerida para esses Salmos (retirada do livreto de Dr.Roy L.Alderich, Notes to Lectures on the Psalms):

  1. Os Salmos são inspirados, e o Espírito Santo tem direito de denunciar o pecado e os pecadores.
  2. Eles estão em harmonia com a Lei (Sl 28.4; Jr 50.15).
  3. Essa punição contra o mal e os malfeitores está em harmonia com os ensinamentos do evangelho e das cartas do Novo Testamento (Mt 18.6; 23.33; 26.24; Gl 1.8,9; 5.12; 2Ts 2.10-12; Tg 5.3; 2Pe 2.12,22; Jd 1.13,15; Ap 14.10,11).
  4. As Escrituras também pronunciam maldições contra os israelitas, porque eles caem em pecado e em idolatria (Lv 26; Dt 27--28; Is 5.24,25; 28.13; etc.).
  5. Privadamente, Davi praticara grande paciência, mas, em seus Salmos, ele fazia da causa de Deus a sua própria causa (Sl 5.10,11).
  6. Os homens do Oriente Médio, na Antiguidade, estavam acostumados a usar palavras mais fortes do que as do ocidental de hoje. Naquela época, as denúncias eram mais exageradas, tanto quanto os louvores eram mais veementes. [Eu fico com a Antiguidade!]
  7. Muitas das imprecações foram enunciadas por simpatia em relação aos feridos e oprimidos (Sl 10.8-10).
  8. Alguns desses Salmos são orações pelo sucesso no campo de batalha (Sl 144.5-7). Muitas das guerras israelitas eram certamente aprovadas por Deus.
  9. Algumas das petições referiam-se a predições das Escrituras (Sl 137.8,9). O salmista possuía diante dele uma profecia direta em que a queda da Babilônia era profetizada nos mesmos termos de Isaías 13.16 (também Jr 50.15; 51.6,36).
  10. Alguns tratam dos traidores de Cristo  (Sl 40,55,60). O Salmo 69.22-25 descreve-nos a punição que acabou recaindo sobre Judas. Já o Salmo 109 faz parte do conjunto de "Salmos de Iscariotes".
  11. Os ímpios, no livro de Salmos, são considerados como apóstatas ou pecadores confirmados. A punição deles está de acordo com a soberania de Deus e também com o caráter profético de cada Salmo. Muitos deles predizem os dias finais da terra e o julgamento contra os ímpios.
  12. A graça é manifestada em avisos francos e repetidos aos pecadores (Sl 2.12).
  13. Sem cometer violência contra a língua hebraica, é possível mudar a forma imperativa para o futuro. Assim, em vez de sejam errantes, poderíamos ter, "eles errarão". A oração, então, torna-se uma profecia (veja Sl 109.8-10).
D. Um breve exame desses salmos:
  1. Salmo 25. Esse é o primeiro de nove Salmos imprecatórios (veja Sl 35.1-8). Mas também deve ser considerado que Davi, em primeiro lugar, orou fervorosamente por seus ferozes inimigos, apesar da crueldade destes em relação ao salmista (veja Sl 35.12-16). Esse também é o primeiro dos quatro "Salmos de Iscariotes", ou seja, passagens que descrevem profeticamente a traição de Judas no Novo Testamento. Os outros três são: 41.9; 55.12-14; 109.6-8. Orações imprecatórias também aparecem nos Salmos 55.9; 58.6-9; 59.11-15; 69.22-28; 83.9-17; 109.6-20.
  2. Salmo 137. Eis uma oração imprecatória dupla: a) Para que Deus julgasse Edom por sua traição durante a captura de Jerusalém pelos babilônios (Sl 137.7). b) Para que Deus julgasse a própria Babilônia (veja Sl 137.8,9). Essas palavras não descrevem uma espécie de exército de elite israelita correndo pelos arredores e atacando os corpos de pequenos bebês babilônios. Afinal, historicamente falando, foi a Babilônia que conquistou os israelitas, e não o contrário. Portanto, essa passagem pode ser considerada uma profecia relativa aos persas, que efetivamente derrotaram os babilônios (veja Is 13.16; Dn 5). Essa lei divina de retribuição está aqui implicada, tal como estava em Êxodo 32.34; Salmo 7.16; Provérbios 11.19,21; Gálatas 6.7.
  3. Salmo 140. Veja os versos 8-10 para oração imprecatória.
Salmos de ascensão gradual.
A. Quem os escreveu? Uma teoria comumente defendida afirma que eles foram compostos por três homens.
  1. Ezequias escreveu dez Salmos (Sl 120,121,123,125,126,128,129,130,132,134).
  2. Salomão escreveu um deles (Sl 127).
  3. Davi escreveu quatro deles (Sl 122,124,131,133).
B. Por que eles foram escritos? Muitos os atribuem aos eventos da história: por volta de 728 a.C., Deus curou um rei judeu chamado Ezequias de uma enfermidade fatal. Isaías 38 registra a oração de agradecimento do rei agraciado. Ela foi composta depois de sua recuperação. Alguns estudiosos (incluindo Thirtle, Lightfoot e Scroggie) acreditam que as dez "canções de ascensão" anônimas no grupo de 15 (Sl 120--134) também foram escritas por Ezequias. Com efeito, elas realmente possuem similaridades estilísticas; é possível, portanto, que Ezequias tenha escrito as dez canções anônimas de ascensão em memória aos dez passos (ou degraus) da sombra sobre o relógio de sol (2Rs 20.9-11) e, em seguida, tenha adicionado cinco Salmos, até então inéditos, escritos por (Davi e) Salomão (veja Pv 25.1) e que eram adequados ao contexto. Desse modo, foi possível reunir 15 canções em honra aos 15 anos que Deus adicionou à vida dele (veja 2Rs 20.6).
C. Como esses Salmos deveriam ser cantados? Listamos abaixo as muitas teorias:
  1. A antiga tradição judaica afirma que eles eram cantados quando o coro ascendia ao êxtase semicircular das estrelas, conduzindo a corte dos homens no templo.
  2. Os ascensos devem referir-se aos estágios da peregrinação a Jerusalém, cantados pelos viajantes ao longo do caminho que passavam pelos muitos dias festivos de cada ano.
  3. Ascenso significa "uma canção em coro mais alto", com os cantores posicionando-se em degraus de um lugar alto.
  4. A referência também pode ser musical, indicando que as notas crescem por graus sucessivos.
Salmos de aleluia (Sl 113--118).
Esses seis salmos eram cantados na noite de Páscoa (veja imagem abaixo Salmos de Halel). Foram declamados pelo Salvador e por Seus discípulos em Mateus 26.30. Ainda são recitados na Palestina 18 vezes ao ano em muitas ocasiões e 21 vezes anualmente pelos judeus que não estão na Terra Santa.

Salmos históricos (Sl 78,105,106).
Esses três Salmos descrevem a história dos israelitas e podem ser assim resumidos:
A. Os pecados dos israelitas.

  1. Eles recusaram-se a caminhar na Lei de Deus (Sl 78.10).
  2. Eles esqueceram-se das obras do Altíssimo (Sl 78.11,42; 106.13).
  3. Eles falaram contra Deus (Sl 78.19).
  4. Eles não confiaram na salvação divina (Sl 78.22).
  5. Eles mentiram para Deus (Sl 78.36).
  6. Eles ofenderam o Todo-poderoso (Sl 78.40).
  7. Eles pensaram que Ele era limitado (Sl 78.41).
  8. Eles adoraram imagens esculpidas (Sl 78.58; 106.19).
  9. Eles invejaram seu líder, Moisés (Sl 106.16).
  10. Eles desprezaram a Terra Prometida (Sl 106.24).
  11. Eles murmuraram em suas tendas (Sl 106.25).
  12. Eles comeram os sacrifícios dos mortos (Sl 106.28).
  13. Eles misturaram-se aos pagãos (Sl 106.35).
  14. Eles sacrificaram seus filhos e filhas aos demônios (Sl 106.37).
  15. Eles derramaram sangue inocente (Sl 106.38-40).
B. A graça de Deus.

  1. Deus lembrou-se do concerto quando os israelitas clamaram-lhe (Sl 105.8-11).
  2. Ele dividiu o mar (Sl 78.13).
  3. Ele conduziu-os com uma nuvem durante o dia (Sl 78.14).
  4. Ele conduziu-os com fogo durante a noite (Sl 78.14).
  5. Ele deu-lhes a água que saiu da rocha (Sl 78.15).
  6. Ele fez chover maná para eles (Sl 78.24).
  7. Ele estava cheio de compaixão e perdoou a iniquidade deles (Sl 78.38).
  8. Ele deu-lhes sinais no Egito (Sl 78.43; 105.27-36).
  9. Ele conduziu-os até a entrada da Terra Prometida (Sl 78.54).
  10. Ele expulsou os gentios diante deles (Sl 78.55).
  11. Ele escolheu Davi para liderá-los (Sl  78.70,71).
  12. Ele não deixou que alguém os ferisse (Sl 105.14).
  13. Ele alimentou-os (Sl 78.72).
  14. Em nome do povo, Ele reprovou reis (Sl 105.14).
  15. Ele elevou-os por intermédio de José (Sl 105.17).
  16. Ele deu-lhes as riquezas do Egito (Sl 105.37).
  17. Ele manteve-os fortes (SL 105.37).
  18. Ele perdoou-os continuamente (Sl 106.43).
  19. Ele ouviu continuamente o clamor deles (Sl 106.44).
Salmos acrósticos (Sl 9,10,25,34,37,111,112,119,145).
Esses nove Salmos também são chamados de Salmos alfabéticos.
Afinal, cada linha desses salmos começa com a letra seguinte do alfabeto hebraico de 22 letras.
O Salmo 119 é certamente o mais famoso dos acrósticos. Ele tem 22 estrofes correspondentes a cada uma das letras do alfabeto hebraico, na ordem. Cada estrofe tem oito versos, somando um total de 176. Os versos, em cada estrofe, começam todos com a mesma letra hebraica. Nem todos dentre esses Salmos completam-se segundo esse arranjo, ou seja, alguns têm uma ou mais letras faltando:
A. Nos Salmos 9, 10 e 25 faltam muitas letras.
B. Nos Salmos 34 e 45 faltam uma letra.
C. Nos Salmos 37,111,112 e 119 nenhuma letra está faltando.
É razoável supor que o dispositivo acróstico era empregado para ajudar a memória.

Salmos messiânicos.
A. Salmo 2: prediz a destruição dos pagãos em meio à tribulação, prediz também o Reino milenar de Cristo. Esse salmo tem quatro partes:

  1. A rebelião do homem (Sl 2.1-3).
  2. A reação de Deus (Sl 2.4-6).
  3. O governo do Filho (Sl 2.7-9).
  4. A recomendação do salmista (Sl 2.10-12).
Passagens messiânicas: Salmo 2.2 é citado em Atos dos Apóstolos 4.26; Salmo 2.7 é citado em Atos dos Apóstolos 13.33.
B. Salmo 8: prediz o Reino milenar de Cristo. (Veja sobre o REINO DE CRISTO NO MILÊNIO) Pode-se comparar o Salmo 8.6 com Isaías 53.1. Enquanto o Salmo afirma que bastou o dedo de Deus para criar o homem, Isaías diz que nos redimir custará as mãos do Altíssimo! Em outras palavras, a redenção é muito mais custosa do que a criação.
C. Salmo 16: prediz a morte e a ressurreição de Cristo.
Passagem messiânica: Salmo 16.10 citado em Ato dos Apóstolos 2.27.
D. Salmo 22: prediz os sofrimentos intensos de Cristo. Esse salmo tem duas partes:
  1. Os gemidos do crucificado (Sl 22.1-21).
  2. As canções do glorificado (Sl 22.22-31).
Foi sugerido que Pedro teria esse salmo em mente ao escrever 1 Pedro 1.10,11. Se isso é verdade, então, os versículos 1-21 falam do sofrimento, enquanto os versículos 22-31 descrevem a glória.
Passagens messiânicas:
  1. Salmo 22.1 citado em Mateus 27.46 por Cristo na cruz.
  2. Salmo 22.8 em Mateus 27.43 pelos ímpios líderes israelitas diante da cruz.
  3. Salmo 22.16 cumprido em Mateus 27.35 pelos soldados romanos diante da cruz.
  4. Salmo 22.18 cumprido em Marcos 15.24 pelos soldados romanos diante da cruz.
  5. Salmo 22.22 citado em Hebreus 2.12.
E. Salmo 23: prediz o gentil ministério pastoral de Cristo.
Passagem messiânica: Salmo 23.1 (embora essa citação não apareça literalmente no Novo Testamento, o próprio Jesus refere-se a ela em João 10.1-18).
Ele é conhecido como a pérola do livro de Salmos. Contém três partes:
  1. A ovelha e o Pastor (Sl 23.1-13; fala sobre provisão).
  2. O Guia e o viajante (Sl 23.3,4; fala sobre direção).
  3. O Anfitrião e o convidado (Sl 23.5,6; fala sobre comunhão).
F. Salmo 24: prediz a entrada triunfal de Cristo nos céus.
Esse salmo, embora originalmente escrito para celebrar a entrada de Davi na cidade de Jerusalém recentemente capturada e sua subsequente inauguração como rei, também pode descrever a entrada vitoriosa do Salvador na glória, depois de Ele ter realizado Sua obra de redenção e ter ascendido do monte das Oliveiras. O Salmo era cantado por dois coros:
1. Versos 1-6 eram cantados ao pé do monte sobre o qual se erguia Jerusalém.

  • Coro A cantava os versos 1-3.
  • Coro B respondia cantando os versos 4-6.

2. Versos 7-10 eram cantados diante dos portões da cidade.

  • Coro A cantava o verso 7.
  • Coro B cantava a primeira parte do verso 8.
  • Coro A cantava a segunda parte do verso 8.
  • Coro B cantava a primeira parte do verso 10.
  • Coro A cantava a segunda parte do verso 10.
Passagem messiânica: Salmo 24.7-10 (embora esses versos não sejam diretamente citados no Novo Testamento, eles são mencionados genericamente em Atos dos Apóstolos 2.32,33).
G. Salmo 31: prediz os pensamentos e as palavras do Salvador na cruz.
Passagem messiânica: Salmo 31.5 foi diretamente citado por Jesus pouco antes de morrer no Calvário, tal como transcrito em Lucas 23.46. O apóstolo Paulo posteriormente se referia ao Salmo 31.19 em 1 Coríntios 2.9.
H. Salmo 40: prediz a obediência de Cristo enquanto Ele estava na terra.
Passagem messiânica: Salmo 40.6,7 citado em Hebreus 10.5-7.
I. Salmo 41: prediz a traição do Salvador por Judas.
Esse é o primeiro dos três Salmos que falam da futura traição. Os outros são os Salmos 55 e 109.
Passagem messiânica: Salmo 41.9, uma referência a Judas em João 13.18.
J. Salmo 45: prediz a beleza e o casamento de Cristo. (Veja O CASAMENTO DO CORDEIRO)
Esse Salmo provavelmente tinha suas raízes históricas no casamento de Salomão com a filha do rei do Egito (1Rs 3.1), mas certamente é emprestado à interpretação do casamento de Cristo em Apocalipse 10.7-9. Esse Salmo tem duas partes:
1. Parte um: características do noivo (Sl 45.1-8).

  • Ele era o mais belo de todos.
  • Suas palavras eram cheias de graça.
  • Ele possuía as maiores bênçãos possíveis de Deus.
  • Ele era um defensor da verdade, da humildade e da justiça.
  • Ele derrotava todos os seus inimigos.
  • Seu trono duraria eternamente.
  • A justiça era seu cetro real.
  • Ele amava o bem e odiava a injustiça.
  • Suas vestes eram perfumadas com mirra, aloés e cássia.
2. Parte dois: os privilégios da noiva (Sl 45.8-17).
  • Ela viveria em um palácio de marfim cheio de canções amáveis.
  • Ela seria presenteada com as mais finas roupas e as mais preciosas joias.
  • Ela seria amada eternamente por seu noivo.
Passagem messiânica: Salmo 45.6,7 citado em Hebreus 1.8,9.
K. Salmo 68: prediz a gloriosa vitória de Cristo e Sua entrada triunfal nos céus.
Passagem messiânica: Salmo 68.18 citado em Efésios 4.8.
L. Salmo 69: prediz o zelo e os sofrimentos de Cristo.
Passagem messiânica: Salmo 69.9 citado em João 2.17; Salmo 69.21 cumprido em Mateus 27.34,48.
M. Salmo 72: prediz o Reino milenar de Cristo. (Veja O REINO DE CRISTO NO MILÊNIO)
Não é absolutamente certo se esse Salmo é uma oração de Salomão para Deus ou uma oração de Davi sobre Salomão. De todo modo, ela descreve vividamente o glorioso Reino milenar do grandioso Filho de Davi, o Senhor Jesus Cristo. Tal Reino é caracterizado por numerosas bênçãos:

  1. Os pobres terão justiça (Sl 72.2).
  2. As montanhas e as colinas florescerão (Sl 72.3).
  3. Todos os opressores serão esmagados (Sl 72.4).
  4. A regência de Cristo será tão mansa e gentil como a chuva da primavera sobre os campos (Sl 72.6).
  5. Todos os bons homens prosperarão abundantemente (Sl 72.7).
  6. O Reino de Cristo se estenderá aos confins da terra (Sl 72.8).
  7. Todas as nações lhe darão frutos e o servirão (Sl 72.10,11).
  8. Todos os povos abençoarão e louvarão a Cristo (Sl 72.15).
  9. O nome de Jesus será honrado e durará eternamente (Sl 72.17).
Passagem messiânica: Salmo 72.8 é mencionado por João em Apocalipse 11.15.
N. Salmo 89: prediz a fidelidade imutável de Deus em relação à dinastia de Davi, imutabilidade mantida por intermédio de Cristo, apesar da contínua desobediência de seus descendentes. Esse Salmo foi escrito por Etã, o ezraíta, um sábio notável que viveu durante o reinado de Salomão (1Rs 4.31). Embora não possamos ter certeza, esse Salmo pode exprimir os pensamentos de Salomão durante seus últimos anos quando, como consequência de seus pecados, o rei enfrentou tempos difíceis (veja 1Rs 11).
Passagem messiânica: Salmo 89.27 mencionado por Paulo em Filipenses 2.9-11.
O. Salmo 102: prediz a eternidade de Cristo.
Esse Salmo pode ser atribuído aos últimos anos do exílio babilônico. Seu propósito seria encorajar os judeus a retornarem e a reconstruírem Jerusalém. Ele também se refere à segunda vinda do grande Rei da Cidade Santa (Sl 102.16). (Veja A SEGUNDA VINDA DE CRISTO)
Passagem messiânica: Salmo 102.25-27 citado em Hebreus 1.10-12.
P. Salmo 109: prediz a traição de Judas e sua terrível punição.
Passagem messiânica: Salmo 109.8 citado por Pedro em Atos dos Apóstolos 1.20.
Q. Salmo 110: prediz o eterno sacerdócio de Cristo.
Cristo é associado a cinco títulos nesse Salmo.
  1. Ele é Deus (Sl 110.1).
  2. Ele é Rei (Sl 110.2).
  3. Ele é Sacerdote (Sl 110.4).
  4. Ele é Juiz (Sl 110.6).
  5. Ele é um poderoso guerreiro (Sl 110.6).
O povo de Cristo tem dois papéis nesse Salmo.
  1. Sacerdotal: O teu povo se apresentará voluntariamente (de forma literal: "Eles irão fazer ofertas livremente"; Sl 110.3, compare com Ap 1.6).
  2. Guerreiro: No dia do teu poder (literalmente: "Teu exército"; Sl 110.3, compare com Ef 6.11).
Passagens messiânicas: Salmo 110.1: esse verso tem mais citações no Novo Testamento do que qualquer outra passagem bíblica do Antigo Testamento. Em pelo menos quatro ocasiões, ele é repetido:
  1. Mateus 22.41-46 (para designar a divindade de Cristo).
  2. Em Atos dos Apóstolos 2.34,35 (para designar a identidade de Cristo).
  3. Em Hebreus 1.13 (como pergunta, para designar a superioridade de Cristo).
  4. Em Hebreus 10.12,13 (para designar a completude da obra de Cristo).
Salmo 110.4: esse verso é encontrado não menos do que em três passagens do Novo Testamento, todas elas descrevendo o sumo sacerdócio de Jesus:
  1. Em Hebreus 5.6 (para qualificar esse sumo sacerdócio conforme a ordem de Melquisedeque).
  2. Em Hebreus 6.20 (para conceder imutabilidade a esse sumo sacerdócio).
  3. Em Hebreus 7.21 (para expor a necessidade desse sumo sacerdócio).
R. Salmo 118: prediz que Cristo será a pedra vital na edificação de Deus, rejeitada pelos homens, mas eleita pelo Senhor.
Esse Salmo, frequentemente usado durante a Festa dos Tabernáculos, pode ter sido cantado pelo Salvador enquanto Ele ia para o Getsêmani.
Passagem messiânica: Salmo 118.26 citado por Mateus 21.9 ao descrever a entrada triunfal aclamada pela multidão.

VEJA:
PARTE I


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