Costumes Bíblicos: A BELEZA DOS SALMOS - PARTE II

Israel Institute of Biblical Studies

A BELEZA DOS SALMOS - PARTE II

PARTE II
Salmos penitenciais (Sl 6; 32; 38; 51; 102; 130; 143).
Não menos do que cinco entre sete Salmos penitenciais foram escritos por Davi. Ele escreveu os Salmos 6,32,38,51 e 143. Já os Salmos 32,38 e 51 são analisados aqui:
A. Salmo 32.
Esse salmo deve ser relacionado ao Salmo 51. Este último descreve as emoções de Davi ao confessar seu pecado de adultério e assassinato (2Sm 11), enquanto o primeiro descreve seus sentimentos antes de tal confissão ter sido feita, quando o terrível peso da culpa ainda pesava excessivamente sobre ele. Em Romanos 4.7,8, Paulo cita o primeiro de dois versos desse Salmo para ilustrar uma das grandes doutrinas das Escrituras, aquela da imputação. A imputação é o ato de alguém que impõe algo ao fardo de outra pessoa. Há três imputações principais na Bíblia:
  1. A da natureza do pecado de Adão sobre a humanidade (Rm 3.23; 5.12).
  2. A do pecado do homem sobre Cristo (Is 53.5,6; 2Co 5.14-21; Hb 2.9; 1Pe 2.24).
  3. A da justiça de Cristo sobre o pecador que crê (Rm 4.6-24; Fp 3.9; Tg 2.23).
C. Salmo 38.
Certamente, esse salmo deve figurar entre as passagens mais notáveis de toda a Bíblia. Se não for por outra razão, que seja em função de absoluta sinceridade. Essa oração piedosa demonstra que a Bíblia é não apenas um livro que o homem não conseguiria escrever se quisesse, mas também um livro que esse mesmo homem não escreveria se pudesse! Eis Davi, o mais doce dos cantores israelitas, o ungido do Senhor, o homem segundo o coração de Deus. (Veja REI DAVI) Contudo, ao estudar cuidadosamente a linguagem dessa oração, torna-se impossível escapar da chocante impressão de que Davi estava corrompido com os mesmos tipos de vícios frequentemente associados à vida e as práticas imorais (veja Sl 38.3-1).
B. Salmo 51.
Nós já observamos o contexto no qual Davi escreveu esse salmo.
  1. Ele começa essa grande confissão fazendo o que Deus espera de todo crente pecador - que reconheça livremente seu pecado. O Pai aceitará nossas lágrimas, mas não nossas desculpas. Davi se recusa a desculpar seus fracassos, apelando à sociedade, hereditariedade, à pobreza ou ao ambiente.
  2. No verso 4, ele afirma que pecou contra ti somente. Em sentido técnico, obviamente, isso não é verdade. Davi pecou contra si mesmo, contra Bete-Seba, contra Urias e contra toda a nação israelita, que se espelhava em seu amado rei. Mas seu pecado contra Deus foi tão sério e estupendo, que todas as outras partes envolvidas esvaneceram. A última parte desse verso foi citada por Paulo para provar a condenação universal da humanidade (Rm 3.4).
  3. No verso 7, Davi clama para ser purgado (ou purificado) com hissopo. Talvez, sua mente tenha voltado até a noite da primeira Páscoa de sua nação, quase cinco séculos antes. Sem dúvida, o salmista ouvira aquela narração muita vezes (Êx 12.21-23). Então, Deus purificou-o. Mais tarde, o Grande Filho de Davi performaria esse ministério a todos os cristãos em todos os lugares (Hb 1.3). Davi desejava ser ministrado, para que ele pudesse tornar-se mais branco do que a neve. Quase três séculos depois, Isaías usaria as palavras de Davi para comunicar a mensagem de Deus para a pecadora nação israelita (Is 1.18).
  4. No verso 11, Davi faz uma oração de que, todavia, nenhum cristão precisa ou deveria precisar hoje. No cenáculo, nosso Senhor prometeu: E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador, para que fique convosco para sempre (Jo 14.16). [Também precisamos está atentos pelo motivo de que o Espírito Santo não compartilha com nosso corpo em práticas do pecado. Ele pode sim, se entristecer e se afastar de nós! (Ef 4.30; 1Ts 5.19). Portanto devemos ter cuidado, porque as Escrituras menciona pecados para a morte!! (Hb 6.4-6)]
  5. Contudo, cada filho de Deus precisará, em algum momento, fazer a oração com as palavras de Davi no verso 12. Toda a igreja em Éfeso precisou orar com essas palavras, tal como Jesus as ensinara (Ap 2.4). Quando essa alegria e o primeiro amor retornarem, o arrependimento dos pecadores efetivamente ocorrerá, tal como mencionado no verso 13.
  6. Esse salmo confessional traz muitas verdades preciosas, mas, talvez, a maior de todas elas é encontrada nos versos 16 e 17. A razão para tanto era muito simples - não havia sacrifício para o pecado do adultério. Em vez disso, quem fosse culpado de adultério deveria ser levado para fora e apedrejado até a morte (Lv 20.10). Portanto, Davi ignorou as ofertas de expiação do Levítico e entregou-se completamente à misericórdia e à graça de Deus.
Salmos imprecatórios (Sl 35,55,58,59,69,83,109,137,140).
A. A definição desses Salmos: imprecar é orar contra, invocar o mal sobre alguém ou algo.
B. Os problemas envolvidos nesses Salmos: como conciliar essas frases com a admoestação de Jesus para amar os inimigos, abençoá-los e orar por eles, fazendo-lhes o bem (Mt 5.44)?
C. A resposta sugerida para esses Salmos (retirada do livreto de Dr.Roy L.Alderich, Notes to Lectures on the Psalms):

  1. Os Salmos são inspirados, e o Espírito Santo tem direito de denunciar o pecado e os pecadores.
  2. Eles estão em harmonia com a Lei (Sl 28.4; Jr 50.15).
  3. Essa punição contra o mal e os malfeitores está em harmonia com os ensinamentos do evangelho e das cartas do Novo Testamento (Mt 18.6; 23.33; 26.24; Gl 1.8,9; 5.12; 2Ts 2.10-12; Tg 5.3; 2Pe 2.12,22; Jd 1.13,15; Ap 14.10,11).
  4. As Escrituras também pronunciam maldições contra os israelitas, porque eles caem em pecado e em idolatria (Lv 26; Dt 27--28; Is 5.24,25; 28.13; etc.).
  5. Privadamente, Davi praticara grande paciência, mas, em seus Salmos, ele fazia da causa de Deus a sua própria causa (Sl 5.10,11).
  6. Os homens do Oriente Médio, na Antiguidade, estavam acostumados a usar palavras mais fortes do que as do ocidental de hoje. Naquela época, as denúncias eram mais exageradas, tanto quanto os louvores eram mais veementes. [Eu fico com a Antiguidade!]
  7. Muitas das imprecações foram enunciadas por simpatia em relação aos feridos e oprimidos (Sl 10.8-10).
  8. Alguns desses Salmos são orações pelo sucesso no campo de batalha (Sl 144.5-7). Muitas das guerras israelitas eram certamente aprovadas por Deus.
  9. Algumas das petições referiam-se a predições das Escrituras (Sl 137.8,9). O salmista possuía diante dele uma profecia direta em que a queda da Babilônia era profetizada nos mesmos termos de Isaías 13.16 (também Jr 50.15; 51.6,36).
  10. Alguns tratam dos traidores de Cristo  (Sl 40,55,60). O Salmo 69.22-25 descreve-nos a punição que acabou recaindo sobre Judas. Já o Salmo 109 faz parte do conjunto de "Salmos de Iscariotes".
  11. Os ímpios, no livro de Salmos, são considerados como apóstatas ou pecadores confirmados. A punição deles está de acordo com a soberania de Deus e também com o caráter profético de cada Salmo. Muitos deles predizem os dias finais da terra e o julgamento contra os ímpios.
  12. A graça é manifestada em avisos francos e repetidos aos pecadores (Sl 2.12).
  13. Sem cometer violência contra a língua hebraica, é possível mudar a forma imperativa para o futuro. Assim, em vez de sejam errantes, poderíamos ter, "eles errarão". A oração, então, torna-se uma profecia (veja Sl 109.8-10).
D. Um breve exame desses salmos:
  1. Salmo 25. Esse é o primeiro de nove Salmos imprecatórios (veja Sl 35.1-8). Mas também deve ser considerado que Davi, em primeiro lugar, orou fervorosamente por seus ferozes inimigos, apesar da crueldade destes em relação ao salmista (veja Sl 35.12-16). Esse também é o primeiro dos quatro "Salmos de Iscariotes", ou seja, passagens que descrevem profeticamente a traição de Judas no Novo Testamento. Os outros três são: 41.9; 55.12-14; 109.6-8. Orações imprecatórias também aparecem nos Salmos 55.9; 58.6-9; 59.11-15; 69.22-28; 83.9-17; 109.6-20.
  2. Salmo 137. Eis uma oração imprecatória dupla: a) Para que Deus julgasse Edom por sua traição durante a captura de Jerusalém pelos babilônios (Sl 137.7). b) Para que Deus julgasse a própria Babilônia (veja Sl 137.8,9). Essas palavras não descrevem uma espécie de exército de elite israelita correndo pelos arredores e atacando os corpos de pequenos bebês babilônios. Afinal, historicamente falando, foi a Babilônia que conquistou os israelitas, e não o contrário. Portanto, essa passagem pode ser considerada uma profecia relativa aos persas, que efetivamente derrotaram os babilônios (veja Is 13.16; Dn 5). Essa lei divina de retribuição está aqui implicada, tal como estava em Êxodo 32.34; Salmo 7.16; Provérbios 11.19,21; Gálatas 6.7.
  3. Salmo 140. Veja os versos 8-10 para oração imprecatória.
Salmos de ascensão gradual.
A. Quem os escreveu? Uma teoria comumente defendida afirma que eles foram compostos por três homens.
  1. Ezequias escreveu dez Salmos (Sl 120,121,123,125,126,128,129,130,132,134).
  2. Salomão escreveu um deles (Sl 127).
  3. Davi escreveu quatro deles (Sl 122,124,131,133).
B. Por que eles foram escritos? Muitos os atribuem aos eventos da história: por volta de 728 a.C., Deus curou um rei judeu chamado Ezequias de uma enfermidade fatal. Isaías 38 registra a oração de agradecimento do rei agraciado. Ela foi composta depois de sua recuperação. Alguns estudiosos (incluindo Thirtle, Lightfoot e Scroggie) acreditam que as dez "canções de ascensão" anônimas no grupo de 15 (Sl 120--134) também foram escritas por Ezequias. Com efeito, elas realmente possuem similaridades estilísticas; é possível, portanto, que Ezequias tenha escrito as dez canções anônimas de ascensão em memória aos dez passos (ou degraus) da sombra sobre o relógio de sol (2Rs 20.9-11) e, em seguida, tenha adicionado cinco Salmos, até então inéditos, escritos por (Davi e) Salomão (veja Pv 25.1) e que eram adequados ao contexto. Desse modo, foi possível reunir 15 canções em honra aos 15 anos que Deus adicionou à vida dele (veja 2Rs 20.6).
C. Como esses Salmos deveriam ser cantados? Listamos abaixo as muitas teorias:
  1. A antiga tradição judaica afirma que eles eram cantados quando o coro ascendia ao êxtase semicircular das estrelas, conduzindo a corte dos homens no templo.
  2. Os ascensos devem referir-se aos estágios da peregrinação a Jerusalém, cantados pelos viajantes ao longo do caminho que passavam pelos muitos dias festivos de cada ano.
  3. Ascenso significa "uma canção em coro mais alto", com os cantores posicionando-se em degraus de um lugar alto.
  4. A referência também pode ser musical, indicando que as notas crescem por graus sucessivos.
Salmos de aleluia (Sl 113--118).
Esses seis salmos eram cantados na noite de Páscoa (veja imagem abaixo Salmos de Halel). Foram declamados pelo Salvador e por Seus discípulos em Mateus 26.30. Ainda são recitados na Palestina 18 vezes ao ano em muitas ocasiões e 21 vezes anualmente pelos judeus que não estão na Terra Santa.

Salmos históricos (Sl 78,105,106).
Esses três Salmos descrevem a história dos israelitas e podem ser assim resumidos:
A. Os pecados dos israelitas.

  1. Eles recusaram-se a caminhar na Lei de Deus (Sl 78.10).
  2. Eles esqueceram-se das obras do Altíssimo (Sl 78.11,42; 106.13).
  3. Eles falaram contra Deus (Sl 78.19).
  4. Eles não confiaram na salvação divina (Sl 78.22).
  5. Eles mentiram para Deus (Sl 78.36).
  6. Eles ofenderam o Todo-poderoso (Sl 78.40).
  7. Eles pensaram que Ele era limitado (Sl 78.41).
  8. Eles adoraram imagens esculpidas (Sl 78.58; 106.19).
  9. Eles invejaram seu líder, Moisés (Sl 106.16).
  10. Eles desprezaram a Terra Prometida (Sl 106.24).
  11. Eles murmuraram em suas tendas (Sl 106.25).
  12. Eles comeram os sacrifícios dos mortos (Sl 106.28).
  13. Eles misturaram-se aos pagãos (Sl 106.35).
  14. Eles sacrificaram seus filhos e filhas aos demônios (Sl 106.37).
  15. Eles derramaram sangue inocente (Sl 106.38-40).
B. A graça de Deus.

  1. Deus lembrou-se do concerto quando os israelitas clamaram-lhe (Sl 105.8-11).
  2. Ele dividiu o mar (Sl 78.13).
  3. Ele conduziu-os com uma nuvem durante o dia (Sl 78.14).
  4. Ele conduziu-os com fogo durante a noite (Sl 78.14).
  5. Ele deu-lhes a água que saiu da rocha (Sl 78.15).
  6. Ele fez chover maná para eles (Sl 78.24).
  7. Ele estava cheio de compaixão e perdoou a iniquidade deles (Sl 78.38).
  8. Ele deu-lhes sinais no Egito (Sl 78.43; 105.27-36).
  9. Ele conduziu-os até a entrada da Terra Prometida (Sl 78.54).
  10. Ele expulsou os gentios diante deles (Sl 78.55).
  11. Ele escolheu Davi para liderá-los (Sl  78.70,71).
  12. Ele não deixou que alguém os ferisse (Sl 105.14).
  13. Ele alimentou-os (Sl 78.72).
  14. Em nome do povo, Ele reprovou reis (Sl 105.14).
  15. Ele elevou-os por intermédio de José (Sl 105.17).
  16. Ele deu-lhes as riquezas do Egito (Sl 105.37).
  17. Ele manteve-os fortes (SL 105.37).
  18. Ele perdoou-os continuamente (Sl 106.43).
  19. Ele ouviu continuamente o clamor deles (Sl 106.44).
Salmos acrósticos (Sl 9,10,25,34,37,111,112,119,145).
Esses nove Salmos também são chamados de Salmos alfabéticos.
Afinal, cada linha desses salmos começa com a letra seguinte do alfabeto hebraico de 22 letras.
O Salmo 119 é certamente o mais famoso dos acrósticos. Ele tem 22 estrofes correspondentes a cada uma das letras do alfabeto hebraico, na ordem. Cada estrofe tem oito versos, somando um total de 176. Os versos, em cada estrofe, começam todos com a mesma letra hebraica. Nem todos dentre esses Salmos completam-se segundo esse arranjo, ou seja, alguns têm uma ou mais letras faltando:
A. Nos Salmos 9, 10 e 25 faltam muitas letras.
B. Nos Salmos 34 e 45 faltam uma letra.
C. Nos Salmos 37,111,112 e 119 nenhuma letra está faltando.
É razoável supor que o dispositivo acróstico era empregado para ajudar a memória.

Salmos messiânicos.
A. Salmo 2: prediz a destruição dos pagãos em meio à tribulação, prediz também o Reino milenar de Cristo. Esse salmo tem quatro partes:

  1. A rebelião do homem (Sl 2.1-3).
  2. A reação de Deus (Sl 2.4-6).
  3. O governo do Filho (Sl 2.7-9).
  4. A recomendação do salmista (Sl 2.10-12).
Passagens messiânicas: Salmo 2.2 é citado em Atos dos Apóstolos 4.26; Salmo 2.7 é citado em Atos dos Apóstolos 13.33.
B. Salmo 8: prediz o Reino milenar de Cristo. (Veja sobre o REINO DE CRISTO NO MILÊNIO) Pode-se comparar o Salmo 8.6 com Isaías 53.1. Enquanto o Salmo afirma que bastou o dedo de Deus para criar o homem, Isaías diz que nos redimir custará as mãos do Altíssimo! Em outras palavras, a redenção é muito mais custosa do que a criação.
C. Salmo 16: prediz a morte e a ressurreição de Cristo.
Passagem messiânica: Salmo 16.10 citado em Ato dos Apóstolos 2.27.
D. Salmo 22: prediz os sofrimentos intensos de Cristo. Esse salmo tem duas partes:
  1. Os gemidos do crucificado (Sl 22.1-21).
  2. As canções do glorificado (Sl 22.22-31).
Foi sugerido que Pedro teria esse salmo em mente ao escrever 1 Pedro 1.10,11. Se isso é verdade, então, os versículos 1-21 falam do sofrimento, enquanto os versículos 22-31 descrevem a glória.
Passagens messiânicas:
  1. Salmo 22.1 citado em Mateus 27.46 por Cristo na cruz.
  2. Salmo 22.8 em Mateus 27.43 pelos ímpios líderes israelitas diante da cruz.
  3. Salmo 22.16 cumprido em Mateus 27.35 pelos soldados romanos diante da cruz.
  4. Salmo 22.18 cumprido em Marcos 15.24 pelos soldados romanos diante da cruz.
  5. Salmo 22.22 citado em Hebreus 2.12.
E. Salmo 23: prediz o gentil ministério pastoral de Cristo.
Passagem messiânica: Salmo 23.1 (embora essa citação não apareça literalmente no Novo Testamento, o próprio Jesus refere-se a ela em João 10.1-18).
Ele é conhecido como a pérola do livro de Salmos. Contém três partes:
  1. A ovelha e o Pastor (Sl 23.1-13; fala sobre provisão).
  2. O Guia e o viajante (Sl 23.3,4; fala sobre direção).
  3. O Anfitrião e o convidado (Sl 23.5,6; fala sobre comunhão).
F. Salmo 24: prediz a entrada triunfal de Cristo nos céus.
Esse salmo, embora originalmente escrito para celebrar a entrada de Davi na cidade de Jerusalém recentemente capturada e sua subsequente inauguração como rei, também pode descrever a entrada vitoriosa do Salvador na glória, depois de Ele ter realizado Sua obra de redenção e ter ascendido do monte das Oliveiras. O Salmo era cantado por dois coros:
1. Versos 1-6 eram cantados ao pé do monte sobre o qual se erguia Jerusalém.

  • Coro A cantava os versos 1-3.
  • Coro B respondia cantando os versos 4-6.

2. Versos 7-10 eram cantados diante dos portões da cidade.

  • Coro A cantava o verso 7.
  • Coro B cantava a primeira parte do verso 8.
  • Coro A cantava a segunda parte do verso 8.
  • Coro B cantava a primeira parte do verso 10.
  • Coro A cantava a segunda parte do verso 10.
Passagem messiânica: Salmo 24.7-10 (embora esses versos não sejam diretamente citados no Novo Testamento, eles são mencionados genericamente em Atos dos Apóstolos 2.32,33).
G. Salmo 31: prediz os pensamentos e as palavras do Salvador na cruz.
Passagem messiânica: Salmo 31.5 foi diretamente citado por Jesus pouco antes de morrer no Calvário, tal como transcrito em Lucas 23.46. O apóstolo Paulo posteriormente se referia ao Salmo 31.19 em 1 Coríntios 2.9.
H. Salmo 40: prediz a obediência de Cristo enquanto Ele estava na terra.
Passagem messiânica: Salmo 40.6,7 citado em Hebreus 10.5-7.
I. Salmo 41: prediz a traição do Salvador por Judas.
Esse é o primeiro dos três Salmos que falam da futura traição. Os outros são os Salmos 55 e 109.
Passagem messiânica: Salmo 41.9, uma referência a Judas em João 13.18.
J. Salmo 45: prediz a beleza e o casamento de Cristo. (Veja O CASAMENTO DO CORDEIRO)
Esse Salmo provavelmente tinha suas raízes históricas no casamento de Salomão com a filha do rei do Egito (1Rs 3.1), mas certamente é emprestado à interpretação do casamento de Cristo em Apocalipse 10.7-9. Esse Salmo tem duas partes:
1. Parte um: características do noivo (Sl 45.1-8).

  • Ele era o mais belo de todos.
  • Suas palavras eram cheias de graça.
  • Ele possuía as maiores bênçãos possíveis de Deus.
  • Ele era um defensor da verdade, da humildade e da justiça.
  • Ele derrotava todos os seus inimigos.
  • Seu trono duraria eternamente.
  • A justiça era seu cetro real.
  • Ele amava o bem e odiava a injustiça.
  • Suas vestes eram perfumadas com mirra, aloés e cássia.
2. Parte dois: os privilégios da noiva (Sl 45.8-17).
  • Ela viveria em um palácio de marfim cheio de canções amáveis.
  • Ela seria presenteada com as mais finas roupas e as mais preciosas joias.
  • Ela seria amada eternamente por seu noivo.
Passagem messiânica: Salmo 45.6,7 citado em Hebreus 1.8,9.
K. Salmo 68: prediz a gloriosa vitória de Cristo e Sua entrada triunfal nos céus.
Passagem messiânica: Salmo 68.18 citado em Efésios 4.8.
L. Salmo 69: prediz o zelo e os sofrimentos de Cristo.
Passagem messiânica: Salmo 69.9 citado em João 2.17; Salmo 69.21 cumprido em Mateus 27.34,48.
M. Salmo 72: prediz o Reino milenar de Cristo. (Veja O REINO DE CRISTO NO MILÊNIO)
Não é absolutamente certo se esse Salmo é uma oração de Salomão para Deus ou uma oração de Davi sobre Salomão. De todo modo, ela descreve vividamente o glorioso Reino milenar do grandioso Filho de Davi, o Senhor Jesus Cristo. Tal Reino é caracterizado por numerosas bênçãos:

  1. Os pobres terão justiça (Sl 72.2).
  2. As montanhas e as colinas florescerão (Sl 72.3).
  3. Todos os opressores serão esmagados (Sl 72.4).
  4. A regência de Cristo será tão mansa e gentil como a chuva da primavera sobre os campos (Sl 72.6).
  5. Todos os bons homens prosperarão abundantemente (Sl 72.7).
  6. O Reino de Cristo se estenderá aos confins da terra (Sl 72.8).
  7. Todas as nações lhe darão frutos e o servirão (Sl 72.10,11).
  8. Todos os povos abençoarão e louvarão a Cristo (Sl 72.15).
  9. O nome de Jesus será honrado e durará eternamente (Sl 72.17).
Passagem messiânica: Salmo 72.8 é mencionado por João em Apocalipse 11.15.
N. Salmo 89: prediz a fidelidade imutável de Deus em relação à dinastia de Davi, imutabilidade mantida por intermédio de Cristo, apesar da contínua desobediência de seus descendentes. Esse Salmo foi escrito por Etã, o ezraíta, um sábio notável que viveu durante o reinado de Salomão (1Rs 4.31). Embora não possamos ter certeza, esse Salmo pode exprimir os pensamentos de Salomão durante seus últimos anos quando, como consequência de seus pecados, o rei enfrentou tempos difíceis (veja 1Rs 11).
Passagem messiânica: Salmo 89.27 mencionado por Paulo em Filipenses 2.9-11.
O. Salmo 102: prediz a eternidade de Cristo.
Esse Salmo pode ser atribuído aos últimos anos do exílio babilônico. Seu propósito seria encorajar os judeus a retornarem e a reconstruírem Jerusalém. Ele também se refere à segunda vinda do grande Rei da Cidade Santa (Sl 102.16). (Veja A SEGUNDA VINDA DE CRISTO)
Passagem messiânica: Salmo 102.25-27 citado em Hebreus 1.10-12.
P. Salmo 109: prediz a traição de Judas e sua terrível punição.
Passagem messiânica: Salmo 109.8 citado por Pedro em Atos dos Apóstolos 1.20.
Q. Salmo 110: prediz o eterno sacerdócio de Cristo.
Cristo é associado a cinco títulos nesse Salmo.
  1. Ele é Deus (Sl 110.1).
  2. Ele é Rei (Sl 110.2).
  3. Ele é Sacerdote (Sl 110.4).
  4. Ele é Juiz (Sl 110.6).
  5. Ele é um poderoso guerreiro (Sl 110.6).
O povo de Cristo tem dois papéis nesse Salmo.
  1. Sacerdotal: O teu povo se apresentará voluntariamente (de forma literal: "Eles irão fazer ofertas livremente"; Sl 110.3, compare com Ap 1.6).
  2. Guerreiro: No dia do teu poder (literalmente: "Teu exército"; Sl 110.3, compare com Ef 6.11).
Passagens messiânicas: Salmo 110.1: esse verso tem mais citações no Novo Testamento do que qualquer outra passagem bíblica do Antigo Testamento. Em pelo menos quatro ocasiões, ele é repetido:
  1. Mateus 22.41-46 (para designar a divindade de Cristo).
  2. Em Atos dos Apóstolos 2.34,35 (para designar a identidade de Cristo).
  3. Em Hebreus 1.13 (como pergunta, para designar a superioridade de Cristo).
  4. Em Hebreus 10.12,13 (para designar a completude da obra de Cristo).
Salmo 110.4: esse verso é encontrado não menos do que em três passagens do Novo Testamento, todas elas descrevendo o sumo sacerdócio de Jesus:
  1. Em Hebreus 5.6 (para qualificar esse sumo sacerdócio conforme a ordem de Melquisedeque).
  2. Em Hebreus 6.20 (para conceder imutabilidade a esse sumo sacerdócio).
  3. Em Hebreus 7.21 (para expor a necessidade desse sumo sacerdócio).
R. Salmo 118: prediz que Cristo será a pedra vital na edificação de Deus, rejeitada pelos homens, mas eleita pelo Senhor.
Esse Salmo, frequentemente usado durante a Festa dos Tabernáculos, pode ter sido cantado pelo Salvador enquanto Ele ia para o Getsêmani.
Passagem messiânica: Salmo 118.26 citado por Mateus 21.9 ao descrever a entrada triunfal aclamada pela multidão.

VEJA:
PARTE I


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