Costumes Bíblicos: A SEGREGAÇÃO SOCIAL E RELIGIOSA DOS LEPROSOS

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A SEGREGAÇÃO SOCIAL E RELIGIOSA DOS LEPROSOS

Monte Arbel, fica no mar da Galiléia.
Sua altura e encostas íngremes,
particularmente no lado oriental,
proporcionam vistas
mágicas do Mar da Galileia
Apesar de seu cansaço natural, resultante de uma jornada tão longa e pesada, o zeloso Pastor das almas, no dia seguinte bem cedo (quando a transição da noite de Sábado para o domingo ainda não tinha sido concluída), já estava de pé e, sem ser percebido por ninguém, deixou silenciosamente a casa onde estava.
Uma das particularidades notáveis do lago de Genesaré é que ele está cercado de áreas desertas. Esses lugares solitários, situados nas mesetas ou escondidos nos buracos, abundantes e perto da praia, ofereciam refúgios adequados para repouso e a oração. Foi em um desses lugares que Jesus se recolheu para orar.
Para poder ficar completamente unido ao seu Pai celestial pela oração, Jesus deixou a casa de seu discípulo. Porém, fez isso também para fugir dos aplausos dos habitantes de Cafarnaum, cuja admiração e alvoroço haviam sido despertados com os milagres da véspera. Jesus, sobretudo, conforme demonstra a narração, queria executar, sem demora, um grande plano no que havia traçado em seu espírito.Entretanto, os discípulos, ao perceberem a ausência dele, e cheios de inquietação, começaram a procurá-lo, guiados por Pedro. Todos te buscam (Mc 1.37), disseram-lhe os seus discípulos quando o encontraram.
Para ser mais exato, assim que a aurora despontou, as multidões já haviam chegado para ver o poderoso e misericordioso Jesus. Mas o Filho de Deus não encarnara apenas para dispensar suas bênçãos a uma cidade privilegiada. Pela resposta que Jesus deu aos discípulos, fez questão de dizer que muitos outros filhos de Israel também tinham direito à sua pregação e aos seus milagres: Vamos às aldeias vizinhas, para que eu ali também pregue, porque para isso vim (Mc 1.38). Tal era, na verdade, a primeira função que seu Pai celestial lhe havia confiado: anunciar o estabelecimento iminente do reino dos céus e estabelecer os seus fundamentos.
LEPRA - Como a lepra é contagiosa, o legislador hebreu havia ordenado rigorosas regras para isolar, quanto possível, a pessoa acometida por esse mal. Assim, uma vez comprovada a terrível enfermidade, após minucioso exame, os doentes eram declarado legalmente impuros e imediatamente afastados das cidades.
Para que os outros soubessem de sua desgraça, os leprosos tinham de usar vestidos esfarrapados, caminhar com a cabeça descoberta e a barba coberta com véu, e avisar aos transeuntes gritando "Imundo, imundo" (Lv 13.45,46; Nm 5.2; 2Rs 7.3; 15.5).
Desamparados dessa forma, os leprosos se transformavam em párias da sociedade, e muitos ficavam reduzidos, na maioria das vezes, à mendicância. Para que pudessem tornar sua vida mais tolerável, costumavam se reunir em pequenos grupos e dividir suas misérias (2Rs 7.3; Lc 17.12).
No aspecto religioso, os leprosos não eram propriamente excomungados entre os judeus. Podiam assistir às cerimônias do culto nas sinagogas, mas em condições humilhantes: deviam entrar primeiro e sair por último, e colocar-se em um lugar à parte. Mas o conceito que geralmente tinham das causas da enfermidades aumentava cada vez mais a rejeição contra eles. Os judeus tinham a convicção de que aquele mal tão horrível era fruto do castigo de Deus por causa de grandes pecados (Nm 129-15; 2Rs 5.27; 2Cr 26.19-21). Por isso, o nome hebraico para lepra é tezaraat, ou seja, um golpe dado por Deus, como se fosse um açoite divino sobre o pecador.
Sumo Sacerdote lendo a Torá no Shul.
Lucas, sendo médico, apontou uma circunstância que revela quão triste era a situação do leproso que se lançou aos pés do Salvador. Ele estava cheio de lepra (Lc 5.2a). Seus pés, suas mãos e todo o seu rosto mostravam as marcas visíveis da enfermidade. Mas a confiança do leproso na onipotência de Jesus era firmíssima: Senhor, se quiseres, bem podes limpar-me (Lc 5.12b).
Contudo, será que Jesus teria alguma consideração por aquele leproso? O doente, ainda que não tivesse certeza disso, esperava ansiosamente que Jesus se compadecesse dele. E não aconteceu diferente. Jesus, imediatamente, comoveu-se diante da situação daquele homem, conforme registrou Marcos, o evangelista mais fiel em registrar os sentimentos do Salvador; E Jesus, movido de grande compaixão, estendeu a mão, e tocou-o, e disse-lhe: Quero, sê limpo! (Mc 1.41).
Os rabinos judeus, crendo não terem feito o bastante para piorar as rigorosas regras ditadas por Moisés com relação aos leprosos, estavam muito longe de demonstrar a esses infelizes a compaixão de que, como homens e compatriotas, eram merecedores. Alguns religiosos se orgulhavam de lançar pedras sobre os leprosos para afastá-los do seu caminho; outros fugiam e se escondiam assim que viam um leproso. E outros não comiam um ovo comprado em uma rua onde morasse um leproso. Mas como era diferente a conduta de Jesus com relação àquelas pessoas!
Ao ver o triste e desventurado homem lançar-se a seus pés, Jesus sentiu profunda compaixão. É interessante observar aqui que o autor da carta aos Hebreus menciona também, por três vezes, o sentimento de compaixão de Cristo (Hb 2.17; 4.15; 5.2). A compaixão que Jesus sentiu por aquele homem foi manifesta com palavras e obras: E Jesus, movido de grande compaixão, estendeu a mão, e tocou-o, e disse-lhe: Quero, sê limpo! (Mc 1.41)
A lei proibia esse contato, mas, quando o  amor se une ao poder, fica acima da própria lei. Assim que Jesus pronunciou aquelas doces palavras, que como eco correspondia à súplica do leproso: Quero, sê limpo!, o doente ficou imediatamente curado, conforme observa os três evangelistas. Foi um milagre de primeira grandeza, pois, com a cura da horrível enfermidade, as marcas e os estragos produzidos no rosto e nos membros daquele leproso também desapareceram. Porém, imediatamente muda-se a cena, quando Jesus, em tom severo, dá ao leproso curado essas duas ordens: Olha, não digas nada a ninguém; porém, mostra-te ao sacerdote e oferece pela tua purificação o que Moisés determinou, para lhes servir de testemunho (Mc 1.44).
Há pouco tempo, havíamos ouvido, a propósito da libertação de um possesso, a primeira sequência desta ordem. Jesus sabia muito bem que não era possível impedir que a notícia se espalhasse, já que normalmente ele realizava seus milagres diante de muitas testemunhas (Mt 4.23,24; 8.16; 9.6-8; 11.4; 12.15,16,2; 14.1,21). Também não podia desejar que ficasse desconhecido, pois tinha por finalidade fazer muitos judeus crerem que ele havia sido enviado por Deus e, com isso, obter maior autoridade e credibilidade para suas pregações. Por outro lado, como seria possível conter totalmente os impulsos de gratidão de todos aqueles que estavam sendo alcançados por tão grandes benefícios? Mas Jesus se esforçava para diminuir o rumor de seus grandiosos feitos, para não dar ocasião a agitações profanas e políticas. O silêncio que impunha era uma boa prova de que ele não buscava a admiração da multidão. [e, sim, a fé para que houvesse salvação].
No presente caso, Jesus previra que o leproso, uma pessoa de natureza ardente, tentaria elevar os ânimos e, vendo-se curado totalmente, dispensaria as obrigações legais que lhe foram impostas a cumprir. Daí a outra recomendação, não menos importante, com que Jesus lembrou a esse homem que, antes de voltar à sociedade, ele era obrigado, em primeiro lugar, a comprovar sua cura pelos exames do sacerdote encarregado desse ofício na religião judaica. Em segundo lugar, o ex-leproso deveria ir até Jerusalém para oferecer as vítimas prescritas desde o tempo de Moisés: para os ricos, uma ovelha de um ano e dois cordeiros; para os pobres, um cordeiro e duas pombas (Lv 14.1-32).
Com muita razão, Jesus queria evitar que o exercício de seu poder curador contrariasse as prescrições importantes da lei. Pois bem, a lei continha uma ordem urgente, e era preciso devolver ao leproso seus privilégios sociais, e este direito cabia aos sacerdotes. Ao próprio Salvador Jesus Cristo, importava esta comprovação oficial, pois assim estaria dando um testemunho irrecusável aos sacerdotes quanto ao respeito dele à lei de Moisés, de cuja violação não tardariam em acusá-lo.
O enfermo, porém, assim que saiu da presença de Jesus, começou a espalhar a notícia de que foi alvo de um milagre do Senhor. Esta indiscrição, abem da verdade, muito natural, resultou em embaraçosas consequências para o Salvador; este já não podia entrar abertamente e em pleno dia nas cidades sem provocar aclamações populares que lhe eram uma carga prejudicial e, em parte, atrapalhavam seu ministério.
Então, Jesus se viu constrangido a renunciar, por algum tempo, a seus desígnios de ativíssimo apostolado em povoações importantes. Além disso, ele amava a vida retirada, e a praticou escolhendo lugares solitários, onde se entregava à oração. Contudo, não podia ocultar-se durante muito tempo, pois as multidões, desejosas como estavam, conforme nos informa Lucas, de ouvir e de ser curadas de suas enfermidades, conseguiam descobrir o lugar em que o Mestre se encontrava retirado, e Jesus as acolhia com sua bondade inesgotável.

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Filipenses 1:9-11

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