Costumes Bíblicos: As Bodas de Caná

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As Bodas de Caná

AS BODAS DE CANÁ
O Primeiro Milagre realizado pelo Salvador!
Voltemos ao texto sagrado que, depois de nos ter revelado a ciência sobrenatural de Cristo, mostra-nos também a onipotência divina.
Três dias depois de Jesus ter recebido Filipe e Natanael como discípulos, foram celebradas umas bodas em Caná da Galileia, aldeia situada a uns seis quilômetros a noroeste de Nazaré, ao longo do caminho que ia desta última aldeia a Tiberíades e a Cafarnaum. Segundo outra opinião, relativamente recente, Caná da Galileia ficaria ao norte, a uns 16 quilômetros de Nazaré, cidade onde nascera Natanael (Jo 21.2).
Quem vem de Nazaré, encontra, do lado direito da estrada, antes de entrar no povoado, uma fonte muito grande, a mesma que, sem dúvida, forneceu a água que foi transformada milagrosamente em vinho. Naquela região, a campina é fértil e bem cultivada. Existem ali cercas vivas formadas por espinhosos cactos que cercam e protegem os campos. Algumas vinhas produzem uvas que dão excelente vinho tinto.
Os três dias antes mencionados foram mais do que suficientes para que Jesus e seus discípulos percorressem a distância de 90 quilômetros, aproximadamente, que separava Caná da Galileia da Betânia às margens do Jordão.
Deixando de citar, conforme o costume, seus pormenores secundários, o autor do quarto evangelho vai diretamente ao fato principal. Depois de ter dito que a mãe de Jesus participou do casamento, o que prova que Maria tinha com os noivos algum grau de parentesco ou de forte amizade, o evangelista fala da chegada de Jesus e de seus discípulos a Caná, e também do convite para que comparecessem à festa.
Os antigos comentaristas gostam de destacar a graciosa cortesia com que o divino Mestre se dignou de aceitar e honrar com sua presença um convite de casamento. Não fora ele próprio que se casara com a nossa natureza para santificar tanto as nossas alegrias como os nossos padecimentos?
Um lamentável incidente quase trouxe uma grande tristeza àquela festa. Os cônjuges eram de condição humilde. A presença de vários servidores na casa era, evidentemente, extraordinária e transitória. De repente, surgem seis ou sete hóspedes inesperados. Sem contar que, entre os judeus, as comemorações nupciais se prolongavam, normalmente, durante vários dias - três, sete ou mais (Gn 29.27; Jz 14.10-18).
CANÁ DA GALILEIA. Vista panorâmica
Antes do final da festa, o vinho acabou. Imediatamente, Maria, cujo delicado coração não permitiria que os recém-casados se vissem em uma situação humilhante, procurou uma solução para o problema. Ali estava seu filho; a intervenção dele poderia evitar todo aquele transtorno. Então, ela se aproximou de Jesus e lhe disse em voz baixa: Não tem vinho (Jo 2.3).
Seria um lamentável engano não ser nestas poucas palavras mais do que a simples comunicação de um fato. Mas elas contêm, na realidade, um pedido, ainda que indireto, para que Jesus ajudasse os recém-casados com algum recurso sobrenatural. Esta discreta súplica lembra outra semelhante feita pelas irmãs de Lázaro, quando enviaram a Jesus a seguinte mensagem: eis que está enfermo aquele que tu amas (Jo 11.3).
Nos dois casos, o que realmente se desejava e esperava era um milagre. O fato de Jesus não ter realizado antes daquelas bodas nenhum milagre, como nos comunica o narrador, não era razão bastante para deter Maria, que conhecia muito bem a perfeita vontade e o poder sem limites de Jesus. Ao vê-lo rodeado de discípulos, Maria entendeu que ele poderia muito bem inaugurar ali o seu ministério messiânico e sair da voluntária obscuridade em que até então tinha vivido.
Jesus disse-lhe: Mulher, que tenho eu contigo? Ainda não é chegada a minha hora (Jo 2.4). À primeira vista, estas palavras nos soam estranhas, parecem frias, quase duras, e como encerrando uma reprovação de Jesus para com sua mãe.
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NA PALESTINA
Alguns comentaristas acham até que o convite de Maria soou como uma espécie de intromissão dela no terreno reservado exclusivamente a Jesus, em seu ministério messiânico. O grande pregador grego do século III, João Crisóstomo, achava que aquele pedido de Maria revelava um sentimento de vanglória da mãe que queria ver o filho brilhar no meio de uma festa de casamento. Mas estudemos atentamente a resposta de Jesus para encontrar seu verdadeiro sentido. Comecemos por considerar que a expressão mulher não tinha nada nas línguas antigas que não fosse honroso. Era muito usual entre os judeus: Ò mulher, grande é a tua fé (Mt 15.28b). Mulher, estás livre da tua enfermidade (Lc 13.12). Mulher, crê-me que a hora vem em que nem neste monte nem em Jerusalém adorareis o Pai (Jo4.21) e também entre os gregos.
A prova de que Jesus não demonstrou nenhuma desatenção para com sua mãe é que ele não hesitou em empregar a mesma palavra - mulher - em relação a Maria, quando ele estava na cruz,ao confiá-la aos cuidados de João (Jo 19.25,26).
A expressão que tenho eu contigo? - frequentemente encontrada na Bíblia com diversas variantes (Js 22.24; Jz 11.12; 2Sm 19.22; 1Rs 17.18; 2Rs 3.13; 2Cr 35.21; Mt 8.29; Mc 1.24; Lc 8.28) e que não é desconhecida pelos clássicos gregos e latinos - implica comumente a recusa, mais ou menos velada, de uma responsabilidade. Mas seu significado especial depende muito das circunstâncias de cada caso.
Pois bem, no caso que estamos analisando, as circunstâncias tiram da frase toda a sua aspereza. Por outro lado, as palavras ainda não é chegada a minha hora atenuam e suavizam as expressões anteriores e, em parte, dão a chave para a sua devida interpretação. No quarto evangelho, fala-se normalmente da hora de Jesus (mais de trinta vezes), referindo-se, sobretudo, ao tempo de sua Paixão (Jo 7.30; 8.20; 12.23-27; 13.1; 17.1). Mas em João 2 tem outro significado. Denota um tempo preciso, determinado antecipadamente pelo plano divino (Jo 7.6). Como se tratasse do primeiro milagre, nada mais justo que, para efetuá-lo, Jesus esperasse a hora de Seu Pai. O Salvador queria, pois, dar a entender que, por mais que ele desejasse atender ao pedido de sua mãe, o início de seu ministério não dependia da vontade dela, mas unicamente de Deus, cuja vontade deve ser sempre obedecida.
A resposta de Jesus em João 2.4 é semelhante àquela outra que ele deu quando criança à sua mãe no templo de Jerusalém, em Lucas 2.49. Muito mais do que naquela época distante, ele precisa entregar-se aos assuntos de Seu Pai celestial sem submeter-se às influências externas, ainda que fossem sugestões daqueles a quem ele amava. Assim, pois, sem intenção alguma de censurar sua mãe, Jesus lembra-lhe um importante princípio: o de sua inteira dependência do Pai, sempre que tivesse de falar e agir como Messias, o Filho de Deus.
Diante disso, Maria pôde entender o que Jesus estava querendo dizer, por isso não insistiu. Por outro lado, ela também compreendeu que a negativa de seu filho não era absoluta - não seria este o significado das palavras ainda não chegou a minha hora? Então, a mãe de Jesus não se perturbou em sua confiança; antes, fez a alguns serventes a seguinte recomendação: Fazei tudo quanto ele vos disser (Jo 2.5).
Havia ali, na sala ou no pátio, seis enormes talhas de pedra de duas ou três metretas cada uma. (Metreta é uma palavra grega que significa medida e, naquela época, designava a maior medida de capacidade que existia para líquidos). Se, como parece provável, tratava-se da metreta ática, que equivalia a uns quarenta litros, cada talha poderia conter de oitenta a cento e vinte litros, e as seis juntas , quatrocentos e oitenta a setecentos e vinte litros.
Talhas de Pedra
O narrador salienta que essas talhas serviam para abluções e purificações litúrgicas dos judeus. De fato, conforme mais adiante Marcos nos dirá (7.3,4):
Porque os fariseus, e todos os judeus, conservando a tradição dos antigos, não comem sem lavar as mãos muitas vezes;
E, quando voltam do mercado, se não se lavarem, não comem. E muitas outras coisas há que receberam para observar, como lavar os copos, e os jarros, e os vasos de metal e as camas.
Sendo assim, era, pois, necessária uma grande quantidade de água em todos os lares israelitas. E mais ainda quando realizavam uma grande festa.
De repente, Jesus se volta para os servos e lhes diz: Enchei de água essas talhas. E encheram-nas até em cima (Jo 2.7). Já havia chegado a sua hora! Uma voz interior o havia advertido a respeito, e ele obedeceu prontamente. Entre esta ordem e a resposta que dera à sua mãe, tinha transcorrido um tempo brevíssimo.
Resplandecia na pessoa do Salvador tal majestade que os servidores, por mais extraordinário ou estranho que lhes parecesse seu pedido, obedeceram-no sem vacilar. Além do mais, já estavam prevenidos pela advertência de Maria.
As talhas que ficaram vazias, pelo menos a maioria delas, por conta das abluções dos convidados, logo foram cheias até em cima - fato registrado pelo evangelista para indicar a magnitude do milagre. Instantes depois, Jesus voltou a dizer: Tirai agora e levai ao mestre-sala. E levaram (Jo 2.8).
Quando o convidado ou servidor encarregado desta função provou o líquido que lhe fora oferecido, e cuja procedência desconhecia, comprovou que se tratava de um excelente vinho. Como tinham colocado à sua disposição um tipo de vinho comum, que por sinal já havia acabado, ele supôs que o recém-casado estava querendo dar aos convidados uma grande e alegre surpresa com a súbita apresentação desta bebida de melhor qualidade. Aproximou-se, pois, do esposo e lhe disse, familiarmente: Todo homem põe primeiro o vinho bom e, quando já têm bebido bem, então, o inferior; mas tu guardaste até agora o bom vinho (Jo 2.10). E desta forma aquele homem comprovou, a seu modo, sem perceber a realidade do milagre, a transformação da água em vinho.
Alguns intérpretes racionalistas se escandalizaram pelo fato de Jesus ter realizado um "milagre de luxo". Mas nós, pelo contrário, admiramos a régia intervenção de Jesus, impedindo que os noivos passassem vergonha.
O narrador, cuja habitual brevidade já temos comentado, deixa em silêncio a admiração das testemunhas do milagre, o agradecimento dos esposos e a constatação do acontecido que, certamente, o mestre-sala teve de fazer, contentando-se tão-somente em relatar aquilo que foi o princípio dos sinais, ou seja, dos milagres do Salvador. Não deixa, porém, de mencionar também o venturoso resultado desse grande prodígio: E os seus discípulos creram nele (Jo 2.11b). Antes, porém, no início do versículo, afirma o seguinte: Jesus principiou assim os seus sinais em Caná da Galileia e manifestou a sua glória (Jo 2.11a).
Ao manifestar o seu poder criador, Jesus estava testemunhando a verdade de sua missão e a grandeza de sua natureza; e seus discípulos, cuja fé era muito viva, procuravam um novo motivo para crer nele e unir-se mais intimamente ao Mestre!

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Filipenses 1:9-11

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