Costumes Bíblicos: JESUS, o bom Pastor

Israel Institute of Biblical Studies

JESUS, o bom Pastor

JESUS, O BOM PASTOR
O amor do Salvador para com os homens e sua abnegação, que chegaria até o sacrifício vicário, revelam-se nessa alegoria. O quadro é fiel nos mínimos aspectos dos costumes pastoris do antigo Oriente. Tudo nele é de luminosa claridade: o Pastor supremo, os outros pastores que obedecem às suas ordens, os pastores mercenários, os ladrões, os lobos que devastam o rebanho, as ovelhas - todos esses personagens são fáceis de identificarmos, de modo que uma simples leitura basta para interpretar a alegoria. Por fim, dessa vez Jesus pode falar sem que seus adversários o interrompam. Haverá, pois, paz e doçura nessa nova cena.
Lembremos também, antes de citar e explicar brevemente esse formoso texto, que a imagem aqui desenvolvida aparece com frequência nos escritos do Antigo Testamento, onde algumas vezes se comparam os dirigentes de Israel a pastores, sejam bons, sejam maus; outras vezes, o próprio Deus é representado como o Pastor supremo da nação teocrática.
Em várias passagens dos evangelhos, Jesus nos é apresentado como Pastor. Pedro o chama de sumo pastor (1Pe 5.4); o escritor de Hebreus diz que Jesus é o grande pastor das ovelhas (Hb 13.20); João, no Apocalipse, mostra-nos Jesus conduzindo os povos ao modo de um pastor (Ap 7.17). Também vários pais da Igreja reproduzem esse símbolo, que a arte cristã dos primeiros séculos usou em seus quadros, em suas esculturas e em diversos monumentos.
A alegoria do bom Pastor consta de duas partes, entre as quais o evangelista insere uma breve fórmula explicativa. A primeira descreve a condição e o proceder de um pastor vigilante, dedicado por inteiro ao seu rebanho:
Na verdade, na verdade vos digo que aquele que não entra pela porta no curral das ovelhas, mas sobe por outra parte, é ladrão e salteador.
Aquele, porém, que entra pela porta é o pastor das ovelhas.
A este o porteiro abre, e as ovelhas ouvem a sua voz, e chama pelo nome às suas ovelhas, e as traz para fora.
E, quando tira para fora as suas ovelhas, vai adiante delas, e as ovelhas o seguem, porque conhecem a sua voz.
Mas de modo nenhum seguirão o estranho, antes fugirão dele, porque não conhecem a voz dos estranhos. (João 10:1-5)
Na Palestina, as ovelhas são, muitas vezes, a parte mais considerável do gado. À noite, elas são recolhidas ao rebanho em redis, construídos no campo com muro de pedra ou simplesmente com uma palha de madeira, segundo o uso em todo o Oriente bíblico. No fundo, só há uma cobertura onde podem guarnecer-se as ovelhas. Um guardião vela durante a noite para defender o aprisco das feras e dos ladrões. Pela manhã, cada pastor vai encarregar-se de suas ovelhas e conduzi-las aos pastos. Qualquer que quiser entrar de noite no redil com boas intenções entra, naturalmente, pela porta que o porteiro lhe abre; mas os que vão roubar ou mesmo degolar as ovelhas, tentam penetrar no recinto sem fazer barulho.
Com essa viva descrição, Jesus alude à antiga prática oriental de dar a cada ovelha o nome de sua cor, tamanho ou de qualquer outra particularidade. Quando o pastor conduz suas ovelhas a pastar, põe-se não atrás delas, segundo acontece no Ocidente, mas à frente delas, e vai chamando-as por seus nomes. Elas o seguem com docilidade e, mesmo quando vários rebanhos estão misturados em um só aprisco durante a noite, cada um deles se separa dos outros ao ouvir a voz de seu pastor!! [Lembrei-me de que o SENHOR tinha o costume, também, de dar nomes aos seus discípulos, segundo suas particularidades e ou características e personalidades! Como no caso de Simão à quem chamou de Pedro (Mc 3.16) e os irmãos João e Tiago, filhos de Zebedeu, à quem chamou de Boanerges, filhos do trovão!! (Mc 3.17)Incrível, não?]
O evangelista interrompe por um momento a alegoria para advertir que Jesus se referia aos fariseus, então presentes no auditório. Jesus disse-lhes esta parábolas, mas eles não entenderam o que era que lhes dizia (Jo 10.6). Não é de estranhar que os fariseus não entendessem o sentido dela. Como haveriam de reconhecer-se como ladrões vulgares que assaltavam o redil? Jesus prosseguiu aplicando, especialmente a si mesmo, uma determinada circunstância da alegoria:
Tornou, pois, Jesus a dizer-lhes: Em verdade, em verdade vos digo que eu sou a porta das ovelhas.
Todos quantos vieram antes de mim são ladrões e salteadores; mas as ovelhas não os ouviram.
Eu sou a porta; se alguém entrar por mim, salvar-se-á, e entrará, e sairá, e achará pastagens.
O ladrão não vem senão a roubar, a matar, e a destruir; eu vim para que tenham vida, e a tenham com abundância. (João 10:7-10)

FOTO:Colina de Aijalom, onde havia um bosque no qual Jônatas encontrou mel e quebrou o voto de seu pai Saul, sendo quase morto por este (1Sm 14.24-52). Jesus é o mel que suaviza os vales e adoça a amargura da nossa vida. 
Jesus é a porta das ovelhas, aquela por onde os pastores que estão sob suas ordens entram legitimamente no redil para cuidar do rebanho. Já os salteadores e os ladrões penetram no aprisco por caminhos tortuosos, procurando dissimular sua presença vão até lá com más intenções: para roubar, matar e destruir o rebanho. O bom Pastor, muito pelo contrário, veio do céu à terra, posto que é o Filho de Deus que se fez homem, expressamente para comunicar às suas ovelhas a verdadeira vida, uma vida bem-aventurada, a vida no que tem de mais elevado, em toda a sua plenitude.
Jesus, completando o quadro, ao assinalar a diferença que há entre o pastor verdadeiro e o simples mercenário, destaca duas qualidades principais que um pastor precisa ter para ser digno de tal nome: o espírito de sacrifício, levado até as últimas consequências, e um conhecimento íntimo de suas ovelhas:
Eu sou o bom Pastor; o bom Pastor dá a sua vida pelas ovelhas.
Mas o mercenário, e o que não é pastor, de quem não são as ovelhas, vê vir o lobo, e deixa as ovelhas, e foge; e o lobo as arrebata e dispersa as ovelhas.
Ora, o mercenário foge, porque é mercenário, e não tem cuidado das ovelhas.
Eu sou o bom Pastor, e conheço as minhas ovelhas, e das minhas sou conhecido.
Assim como o Pai me conhece a mim, também eu conheço o Pai, e dou a minha vida pelas ovelhas.
Ainda tenho outras ovelhas que não são deste aprisco; também me convém agregar estas, e elas ouvirão a minha voz, e haverá um rebanho e um Pastor. (João 10:11-16)
Pela segunda vez, o Salvador declara - e com quanta verdade e amor - que ele é o bom Pastor por excelência. Disso dá uma prova peremptória (Dicio: que permite): ele, não contente em prestar a suas ovelhas carinhosos cuidados, daria finalmente sua vida por elas; enquanto o mercenário, egoísta e covarde, fugiria ao surgir o perigo, desamparado-as indefesas, à mercê dos lobos.
O mútuo conhecimento que se estabelece entre as ovelhas e o bom Pastor é tão íntimo que Jesus compara-o às estreitas relações, de ordem superior, que há entre ele e seu Pai. Depois, dirigindo seu olhar para o porvir e para as mais longínquas regiões, Jesus contempla outras inumeráveis ovelhas dispersas pelo mundo gentio [eu e você] e manifesta o ardente desejo de seu coração de dar-lhes a vida e a salvação.
Como conclusão dessa sublime alegoria, Jesus indica o motivo por que está disposto a sacrificar-se por seu rebanho: com essa doação generosa e completa de si mesmo, obedeceria às ordens de seu Pai e salvaria a humanidade.
Por isto o Pai me ama, porque dou a minha vida para tornar a tomá-la.
Ninguém ma tira de mim, mas eu de mim mesmo a dou; tenho poder para a dar, e poder para tornar a tomá-la. Este mandamento recebi de meu Pai. (João 10:17,18)
O Pai ama o Filho desde toda a eternidade. Porém, desde a encarnação de Cristo, ama-o com renovado amor por seu espírito de sacrifício!
Outras duas circunstâncias são dignas de nota: primeiro, a inteira liberalidade com que o Salvador daria a sua vida pela salvação do mundo, conformando-se assim plenamente ao plano divino; depois, sua ressurreição, pela qual sairia vitoriosamente de seu túmulo para desfrutar de vida nova e muito mais gloriosa.
Como consequência desse discurso, surgiu uma discussão entre os ouvintes de Jesus, que os separou em dois campos opostos. Uns diziam: Tem demônio e está fora de si; por que o ouvis? (Jo 10.20). Estes pertenciam ao grupo hostil ao Senhor Jesus. Eles viam com desgosto a atenção que se dava às suas palavras e a influência que estas exerciam no povo. Mas outros replicavam, com muita razão: estas palavras não são de endemoninhado; pode, porventura, um demônio abrir os olhos aos cegos? (Jo 10.21). O raciocínio destes últimos, que se apoiava ao mesmo tempo na pregação e nos milagres do Salvador, era corretíssimo. Certamente, não ficaram apenas nessa afirmação, mas também tomaram francamente o partido de Jesus, reconhecendo-o como Messias. Aleluia!

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Filipenses 1:9-11

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