Costumes Bíblicos: Para entender Hebreus

Para entender Hebreus


Hebreus

PARA ENTENDER HEBREUS
Hebreus é um livro intrigante e poderoso. Não sabemos quem o escreveu, nem onde moravam e quem eram exatamente as pessoas para as quais foi, originalmente, escrito. Porém, sua mensagem nos conduz às profundezas de Deus e nos aponta os princípios fundamentais do discipulado cristão.
Seu autor é essencialmente um pregador, totalmente dedicado a Deus e com preocupação pastoral por uma comunidade em crise. Mas a sua paixão é expressa através de uma obra cuidadosamente estruturada e redigida. Tanto a mente quanto o coração estão bem comprometidos.
O tema principal do autor é Deus e sua missão de salvação. A linguagem e as analogias usadas têm muito a ver com o culto e o nosso meio de acesso a deus. Em tudo isso, Jesus têm um papel fundamental. Para o autor de Hebreus, olhar firmemente para Jesus (Hb 12.2) significa contemplar a vida e a natureza de Deus.
A introdução desse sermão declara que o Filho de Deus é "o resplendor da glória de Deus e a expressão exata do seu Ser" (Hb 1.3). O Filho de Deus se tornou "carne e sangue" (Hb 2.14) naquele que conhecemos como Jesus, expressando assim o desejo e compromisso de Deus de encontrar-se conosco onde nós estamos e levar-nos à glória da usa presença. Essa verdade transformadora deve ser um impulso à fé e à esperança, mesmo quando as circunstâncias nos levam aos limites da resistência.
Hebreus ressalta a importância de Jesus de forma singular. O autor apresenta Jesus como o grande sumo sacerdote - uma analogia que, no NT, é exclusiva de Hebreus. É um símbolo que teria significado especial para pessoas de origem judaica. É, também, uma visão perceptiva muito reveladora em todas as épocas e em todos os lugares.
O sacerdócio de Jesus é a concretização do desejo que Deus tem de que todos o conheçam, tenham livre e confiante acesso à sua presença, e recebam a vida que ele tem a oferecer. Para Deus em Cristo, isto significou assumir completamente a vida humana e passar por sofrimento incalculável. Também significou romper os limites da compreensão que o judaísmo daquele tempo tinha a respeito de sacerdócio.
Na tradição judaica, os sacerdotes eram responsáveis por um detalhado conjunto de ritos cujo objetivo era possibilitar um acesso seguro e a comunicação com um Deus Santo. Esse sistema (detalhado especificamente em Levítico) era visto como a maneira que Deus tinha de lidar positivamente com o pecado e a impureza dos seres humanos.
Os sacrifícios estavam no centro de tudo. Um sacrifício da maior importância era oferecido anualmente no dia de expiação (veja Lv 16). Nesse dia, o sumo sacerdote (e somente ele) entrava no "Lugar Santíssimo", a parte mais sagrada do tabernáculo (e posteriormente do Templo) onde se acreditava que Deus habitava de forma toda especial. Em favor de todo o povo ele oferecia o sangue do animal sacrificado, orando para que através daquela oferta, com o arrependimento que simbolizava, Deus tirasse os pecados do povo. Era um sacrifício que tinha de ser repetido anualmente por um sumo sacerdote que, apesar de todos os rituais de purificação pelos quais passava, continuava sendo um homem pecador.
Ele era também, a exemplo de todos os outros sacerdotes, descendente de uma tribo específica. Somente os homens da tribo de Levi e da casa de Arão podiam ser sacerdotes (Lv 8). Na verdade, ser sacerdote dependia do nascimento na família certa.
O que Hebreus está dizendo, entretanto, é que deus fez uma nova aliança, na qual o sacrifício e o sacerdócio assumem um significado totalmente diferente. Aquilo que o sistema antigo representava é cumprido por iniciativa e ação de Deus. Pela vida, morte e obra continuada de Jesus (que é a expressão exata de Deus), Deus e a humanidade foram aproximados. As "sombras" das coisas passados dão lugar à realidade. Os únicos sacrifícios que continuam sendo adequados são os sacrifícios de louvor e generosidade (Hb 13.15-16).
Aqui está um Deus que não se encaixa em tradições e expectativas existentes (e isso é parte do que significa aquela "ordem de Melquisedeque" que aparece em Hb 7). Jesus não veio da tribo certa para ser sacerdote (Hb 7.13-14). Deus fez algo novo. E Jesus não se interpõe de forma alguma entre a humanidade e Deus. Tampouco age simplesmente em nosso favor. Pelo contrário, Jesus abre o caminho para que todos se aproximem com confiança do "Lugar Santíssimo". Através de Jesus, somos todos convidados a um relacionamento pessoal e íntimo com Deus.
Jesus de Nazaré
Em Jesus, o coração de Deus é ao mesmo tempo manifesto e partido. Pois Jesus é, ao mesmo tempo, o sacerdote e a vítima. Em Jesus, Deus oferece a sua vida, por nós e para nós. Não há outro sacerdócio igual a esse. Este é o "fim" do sacerdócio. Deste sacerdócio todos podem provar os frutos. Dele todos são convidados a compartilhar.


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