COSTUMES BÍBLICOS

A Verdadeira Resposta de Deus quando Moisés perguntou por Seu Nome

שֵׁמוֹת Shemot ÊXODO
Qual é o Seu Nome?
No Capítulo 3 do Livro de Êxodo (Shemot - em Hebraico e segundo Livro da Torá), a partir do versículo 13 ao 15, Moisés pede a Deus que lhe diga Seu nome para quando os filhos de Israel lhe perguntar, ele saiba, com segurança lhes informar. (Textos originais da Torá):👇

|E Moisés disse a Deus: Eis que quando eu vier aos filhos de Israel e lhes disser: ‘O Deus de vossos pais enviou-me a vós’ – ele dirão para mim: ‘Qual é o Seu nome?’ – e o que direi a eles? 14 E Deus disse a Moisés: “Serei o que desejar ser.” E disse: “Assim dirás aos filhos de Israel: Serei enviou-me a vós.” 15 E Deus disse ainda a Moisés: “Assim dirás aos filhos de Israel: O Eterno, Deus de vossos pais – o Deus de Abrahão, o Deus de Isaac e o Deus de Jacob –, enviou-me a vós. Este é o Meu nome para sempre, e este é o Meu memorial para todas as gerações.|

13.: dirão para mim: ‘Qual é o Seu nome (shem - Nome em Hebraico)?’ Poderemos entender a pergunta de Moisés apenas se nos lembrarmos dos principais objetivos da sua missão. Afinal, os nomes de Deus, Eterno (Tetragrama) e Shadai, eram definitivamente conhecidos por eles desde o tempo dos patriarcas.
De tudo o que havia sido dito até agora, ficou claro para Moisés que sua missão era dupla: a primeira, ligada ao Faraó – salvar o povo da escravidão; e a segunda, a principal e incomparavelmente mais difícil, ligada aos filhos de Israel – educá-los e prepará-los para um elevado objetivo: tornarem-se o povo de Deus, que era o propósito de toda a redenção, conforme expresso claramente no versículo anterior.
Se sua missão nesse estágio incluísse apenas a redenção da escravidão, ela teria sido dirigida apenas ao Faraó. No entanto, Moisés entendeu que a principal função era ligar-se a Israel para torná-los dignos da redenção, aproximando-os assim de seu propósito primordial e supremo. Ele não tinha dúvidas sobre o que diria ao Faraó, mas, com relação ao povo de Israel, pediu um esclarecimento.
Daí a sua pergunta: “Quando eu vier aos filhos de Israel e lhes disser que o Deus de seus pais me enviou para salvá-los” – algo que prefigura um novo tipo de relacionamento entre Deus e o povo – “Por qual nome devo chamar aquele que me enviou?” O próprio nome deve dar-lhes a chave para entender essa nova relação com Deus e a nova dinâmica que passaria a vigorar.
Toda nossa percepção [judaica] de Deus é baseada nos Seus nomes. Tudo o que devemos saber sobre Deus, tudo o que Deus revela sobre Si mesmo, não é destinado aos nossos olhos, mas aos nossos ouvidos. E os nomes que utilizamos para nos referirmos a Ele revelam nossa percepção de Sua atitude em relação a nós e do nosso relacionamento com Ele. Daí a expressão de grande significado: “Conhecer o nome”, tal como: “Mantê-lo-ei a salvo, pois conhece o Meu nome” (Salmo 91:14); “E confiarão em Ti todos os que conheceram o Teu nome” (ibid. 9:11 - [Talmud]).
Entretanto, somente se o nosso relacionamento com Deus nos convocar a agir será necessário “conhecer o nome de Deus”. Mas se a nossa função não é atuar, mas permanecermos passivos e sermos salvos e abençoados por Ele, não há necessidade de conhecermos o Seu nome. Somente quando é nosso dever participar ativamente do serviço Divino, como servos de Deus, nos é necessário “conhecer corretamente o Seu nome”, pois através dessa informação estaremos conscientes do conceito que nos guiará em nosso comportamento para com Ele, assim como os pensamentos que determinarão as nossas ações, ou a ausência delas, de acordo com a Sua vontade.
A pergunta de Moisés sobre qual nome Divino ele deveria apresentar aos filhos de Israel em sua missão é como se dissesse: Que conceito Divino ele devia mostrar a eles para gerar mudanças no espírito deles e incentivá-los a trocar voluntariamente a servidão do Faraó pelo serviço Divino?

14.: Serei o que desejar ser. Se Eu quiser transmitir um conceito sobre Mim mesmo, algo que provocará uma mudança decisiva naquela pessoa que o entender e se apegar a ele; que o elevará acima e além de todas as outras criaturas e o trará a um contato pessoal, direto e profundo comigo, devo apresentar Meu nome e dizer sobre Mim mesmo: “Serei o que desejar ser”.
Todas as outras criaturas são o que devem ser; a existência delas depende da vontade do Único que pode dizer “Eu sou”, assim como “serei o que desejar ser”. Este nome expressa a essência pessoal, absoluta e livre de Deus. E como Deus não diz aqui “Eu sou”, mas “serei”, Ele enfatiza que o futuro depende inteiramente de Sua vontade e que Ele é livre e independente para moldá-lo da forma que Lhe aprouver. Este nome dá expressão ao entendimento judaico característico da Divindade, um conceito completamente novo, que a humanidade aprenderá através da redenção de Israel do Egito, o que acabará por levar à redenção do mundo inteiro.
O pensamento não judaico vê Deus, no máximo, como a origem da existência física do mundo, desde que este foi criado. Mesmo quando esse pensamento transcende a percepção do Criador como parte do mundo (imanência)* – considerada heresia – e reconhece Sua existência além do mundo (transcendência), ainda limita a ação Divina ao passado. Em um único momento isolado, Deus esteve em contato com o mundo: o momento em que tudo foi trazido do potencial – da vontade Divina – à realidade; isto é, à existência concreta. Daquele momento em diante – de acordo com essa visão – a obra de Deus, o Seu mundo, estava completa. E tudo, mesmo o futuro mais distante, é apenas um resultado obrigatório das leis gerais que foram embutidas no mundo no momento de sua fundação.
De acordo com essa visão, tudo é governado por leis constantes e imutáveis, que, se tanto, foram criadas em algum momento pelo poder colossal de uma fonte suprema. Assim, somente o homem, com o que parece ser seu poder de livre-arbítrio, é capaz de delinear um novo futuro – aparentemente. Mas a questão é: como é possível que Deus e o mundo sejam limitados dessa forma, enquanto o homem é livre para escolher? Portanto, a fim de salvar a dignidade do Deus limitado e privado de liberdade, essa visão é forçada a negar também a liberdade do ser humano. E essa liberdade, essa realidade absoluta e conhecida por qualquer pessoa, que contradiz a visão idólatra a respeito do mundo e de Deus é, assim, apresentada como a maior das ilusões. O homem não é livre. O que ele imagina serem suas decisões espontâneas nada mais é que as consequências inconscientes das influências enraizadas e provenientes de seu passado. E, assim, no céu e na terra e em toda a vastidão do Universo, não há alguém que possa dizer “eu serei”! Pois não há alguém que possa dizer “eu desejo ser”!
O nome Divino “Serei o que desejar ser” (Eheiê) se opõe a esta ideia vã – a negação da liberdade Divina e humana – e a destrói em suas fundações ao colocar em seu lugar a verdade: é Deus quem determina o futuro livremente, juntamente com o ser humano livre cujo futuro está em suas próprias mãos.
Uma analogia a essa ideia está no encerramento da descrição da Criação. As palavras que finalizam a formação do Gênesis – “que Deus criara para fazer” (Gênesis 2:3) – declaram que a obra Divina não foi concluída no ato da Criação; estava apenas começando: o Céu e a Terra foram criados para que Deus continuasse o Seu trabalho. Ele nomeou o homem, a última das criaturas, para continuar a obra Divina, e confiou a ele toda a Criação.
As palavras de encerramento “que Deus criara para fazer” marcam a transição entre o final da obra Divina que cria na natureza e o início da obra Divina que cria na história humana: a determinação de como será o futuro, até o fim dos tempos. Isso também está sinalizado nas palavras do Rabi Pinchás, em nome do Rabi Hoshaia (Ialcut Shimoní, Gênesis 16): “(Deus) repousou da obra de Seu mundo, mas não repousou da obra dos justos e dos ímpios, pois age com estes e age com estes; mostra a estes o futuro que os espera e mostra a estes o futuro que os espera.”
Somente a partir deste versículo de transição é que Deus é referido pelo nome do Tetragrama, o Deus do futuro (como está escrito no Gênesis 2:4), ao lado do nome que o designa como o Criador do mundo: Deus (Elohim).*
*A imanência de Deus foi defendida por, entre outros filósofos, Baruch Espinoza, e consiste na ideia de que a Divindade não transcende a existência física, mas é a causa de tudo que está nela e de que nada existe além dela. Sua filosofia foi posteriormente resumida pela famosa frase “Deus sive Natura” – “Deus, ou seja, a Natureza” – Deus é a natureza e a natureza é Deus. Tal teoria considera que o processo de produção da vida está contido na própria vida e não tem origem numa fonte externa a ela. A heresia presente nessa ideia – conforme apontado pelo Rabino Hirsch – está na afirmação de que Deus é a existência física, ou a Natureza, pois sendo esta finita e limitada, Deus seria também finito e limitado, ao passo que, segundo o judaísmo, uma vez que cada coisa limitada resulta da restrição da plenitude de Deus, o próprio Deus deve transcender (existir além) dessas várias coisas limitadas.

Bem como aqui, nesta aproximação crucial de Deus com a humanidade, no momento que Ele faz a semeadura do futuro do homem, o nome “Serei o que desejar ser” expressa essa verdade e a proclama com absoluta certeza como a pedra fundamental e a pedra angular de toda verdade e do bem. E para este propósito do futuro da humanidade, propósito assegurado pelo desejo absoluto de Deus, o ser humano é convocado a utilizar o seu poder para moldar o futuro – a serviço do Eterno – ou seja, fazer da vontade de Deus a sua própria vontade.
Estas palavras – “Serei o que desejar ser” – rompem as ataduras do homem, através das quais é aprisionado por qualquer outro tipo força, e deixam-no ereto e livre para o serviço Divino, para a construção do futuro em parceria com Deus. E a garantia de que esse futuro será totalmente concretizado está no fato de que Deus, em Sua total liberdade, criou o mundo visando este futuro. Portanto, mesmo situações e eventos aparentemente contrários a este objetivo, devem inevitavelmente aproximar a humanidade desse futuro seguro e elevado. Os judeus expressam esta confiança na repetida declaração do Cadish, presente em suas orações: “Que o Seu grandioso nome seja enaltecido e santificado no mundo que Ele criou conforme a Sua vontade”. Em outras palavras: “O grandioso nome de Deus será reconhecido, em toda a sua grandeza e santidade, no mundo que Ele criou de acordo com a Sua livre vontade.”

15.: aos (el) filhos de Israel. Parece haver uma diferença entre “assim dirás aos (lê)”, do versículo anterior, e “assim dirás aos (el)”, deste versículo. A letra de relação lámed (lê) aponta a um apelo que não é diretamente voltado ao povo de Israel, mas sim, em prol do povo de Israel, a fim de ensiná-los; talvez este apelo tivesse sido dirigido aos anciãos. Já a palavra “aos” (el) neste versículo indica um apelo direto ao povo de Israel.
De acordo com isso, o nome “Serei o que desejar serfoi dito apenas a Moisés. Quanto ao povo, bastava ensiná-los “Serei”; ele devia fazê-los entender que o futuro está nas mãos de Deus, mesmo sem basear tal ensinamento na Sua liberdade única e absoluta. E mesmo esse conceito, que confere certo grau de percepção da personalidade do Eterno – “Serei” – devia ser entregue, primeiramente, apenas em prol de Israel, a seus professores e líderes. Mas a mensagem destinada ao povo de Israel devia ser baseada não na compreensão da personalidade que cria o futuro, mas na compreensão da atividade Divina dentro do futuro. Em vez do nome “Serei” (Eheiê), deve ser usado o Tetragrama, que significa “trazer todas as coisas à existência”.
Mesmo este nome, que ficou conhecido por todo o povo de Israel, é cuidadosamente mantido apenas no interior do coração. Não é permitido pronunciá-lo da maneira como é escrito, nem pensar sobre ele (Shemot Rabá 3:7). Podemos apenas refletir sobre sua relação próxima com o futuro dos homens e das nações. Nós pronunciamos somente o nome Ado-nai, “meu Senhor”, o nome dado por uma pessoa que se coloca a serviço do Criador do futuro, todo o tempo em que ela vive e atua neste mundo.
Este é o Meu nome para sempre, e este é o Meu memorial para todas as gerações. “Este”, o nome do Tetragrama, “é o Meu nome para sempre” – para o futuro. “E este”, seu significado prático para o povo nada mais é do que “Meu memorial” – o nome Ado-nai, que os coloca sob o Meu serviço. Este é o sentido em que se deve pensar sobre Mim geração após geração.
(Texto montado e editado aqui por Costumes Bíblicos com partículas de artigo publicados originalmente em sefer editora e livraria)

Os Samaritanos

Os israelitas samaritanos definiram sua própria existência em termos exclusivamente israelitas. Os samaritanos chamavam a si mesmos – “os filhos de Israel” e “os guardas” (shomrim). Fontes judaicas se referem aos samaritanos como “kutim”. O termo provavelmente está relacionado a um local no Iraque de onde os exilados não-israelitas foram importados para Samaria. (2 Reis 17:24)
O nome Kutim ou Kutites foi usado em contraste com o termo “shomrim” que significa “guardiões” – os termos que eles reservavam para si mesmos. Os escritos israelitas judeus enfatizavam a identidade estrangeira da religião e prática samaritana em contraste com a verdadeira fé de Israel. Os israelitas samaritanos acreditavam que tal identificação negava seu direito histórico de pertencer ao povo de Israel. Em seu próprio entendimento, os israelitas samaritanos eram o remanescente fiel das tribos do norte – os guardiões da antiga fé.

Os samaritanos sempre se opuseram à adoração do Deus de Israel em Jerusalém , acreditando que o centro da adoração de Israel estava associado ao Monte Gerizim – o monte da bênção da aliança de YHWH (Deuteronômio 27:12). Por outro lado, os israelitas judeus/judeus acreditavam que o Monte Sião em Jerusalém era o epicentro da atividade espiritual em Israel. Uma das razões para a rejeição dos escritos proféticos judaicos pelos israelitas samaritanos era que os profetas hebreus apoiavam Jerusalém e a dinastia davídica.
Eles tinham um credo quádruplo:

Um Deus – YHWH,
Um Profeta – Moisés,
Um Livro – Torá, e
Um Lugar–Monte Gerizim.

A maioria dos israelitas judeus dos dias de Jesus concordava com os israelitas samaritanos em dois destes pontos: “um só Deus” e “um só Livro”. Eles discordaram sobre a identidade do local de culto e sobre outros livros que também deveriam ter sido aceitos pelo povo de Israel – os Profetas e os Escritos.
Os samaritanos acreditavam que os israelitas da Judéia haviam tomado o caminho errado em sua prática religiosa da antiga fé israelita, que eles tachavam de herética, assim como os judeus fizeram da expressão de fé do samaritano. A relação entre esses dois grupos antigos pode ser comparada às agudas divergências entre os muçulmanos xiitas e sunitas de hoje. Para quem está de fora, ambos os grupos são muçulmanos, mas não para os xiitas e sunitas. Para eles – um é verdadeiro e o outro é falso; um é real e o outro é um impostor. O conflito samaritano-judaico foi muito semelhante nesse sentido. De muitas maneiras, esse conflito definiu a polêmica interna-israelita do primeiro século.
Como foi mencionado antes, os samaritanos não devem ser confundidos com um grupo de pessoas sincréticas que também viviam em Samaria (gentios samaritanos), que provavelmente foram as pessoas que abordaram os retornados a Jerusalém para ajudá-los a construir o Templo de Jerusalém e foram rejeitados. por eles. (Esdras 4:1-2) Devido à sua teologia, os israelitas samaritanos, remanescentes do Reino do Norte de Israel, não podiam apoiar a construção do Templo em Jerusalém. Em 2 Crônicas 30:1-31:6 somos informados de que nem todas as pessoas do reino do norte de Israel foram exiladas pelos assírios. A maioria deles permaneceu mesmo após a conquista assíria da terra no século 8 aC, preservando antigas tradições israelitas que difeririam das inovações posteriores da versão judaica da fé de Israel.
Os israelitas samaritanos usavam o que agora é chamado de “hebraico samaritano” em uma escrita que é descendente direta do paleo-hebraico (hebraico antigo) , enquanto os israelitas judeus com o tempo adotaram uma nova forma de letras quadradas e estilizadas que faziam parte do o alfabeto aramaico. Além disso, na época de Jesus, os israelitas samaritanos também estavam fortemente helenizados na própria Samaria e na diáspora. Assim como os israelitas judeus tinham a Septuaginta, os israelitas samaritanos tinham sua própria tradução da Torá para o grego, chamada Samaritikon .
E, por fim, os israelitas samaritanos acreditavam que sua versão da Torá era a versão original e a Torá judaica era a versão editada , que havia sido alterada pelos judeus da Babilônia. Por outro lado, os judeus acusaram a Torá samaritana de representar uma edição editada para refletir as opiniões dos samaritanos. Como você pode ver, esse não foi um relacionamento fácil.

(O texto é parte de um artigo publicado originalmente em Israel Bible Center/Editado com pequenas alterações por Costumes Bíblicos)

Hagar

HAGAR
Uma das mulheres mais interessantes da Bíblia é Hagar , a segunda esposa de Abraão e mãe de Ismael . As tribos árabes e beduínas afirmam ser descendentes de Ismael, filho de Abraão e Agar.
De acordo com o Midrash , Hagar era filha do rei Faraó do Egito. Quando ela viu o milagre que Deus realizou por causa de Sarah , para salvá-la das mãos do rei egípcio durante a visita de Abraham lá, ela disse: "É melhor ser uma escrava na casa de Sarah do que uma princesa em minha casa ser."

Seu nome "Hagar", de acordo com o hebraico, (Midrash-Bíblia dos hebreus) decorre desse início de sua associação com a casa de Abraão. Vem de "Ha-Agar", o que significa que esta é a recompensa.
Gênesis 16 nos apresenta a serva egípcia de Sarai, Agar. Depois que Agar concebe de Abrão, ela começa a ter menos estima por Sarai (16:4). Como resultado, Sarai começa a maltratar Hagar para que ela fuja (16:6). Este relato de uma egípcia (Hagar) sendo maltratada e fugindo de uma hebraica (Sarai) é o inverso dos hebreus sendo maltratados e fugindo dos egípcios em Êxodo — Gênesis 16 prenuncia eventos futuros, oferecendo ao leitor uma imagem espelhada do que acontecerá a Israel durante o cativeiro egípcio.
Agar tornou-se a empregada doméstica de Sara, mas quando Sara não foi abençoada com filhos, ela persuadiu Abraão a tomar Hagar como sua segunda esposa. Sarah esperava poder criar os filhos de Hagar e merecer a bênção de Deus dessa forma, para que ela também pudesse ser abençoada com um filho.
Abraão seguiu o conselho de Sara e se casou com Hagar.
Quando as esperanças de Sarah começaram a se concretizar, isso trouxe um sofrimento inesperado. Pois, assim que Hagar percebeu que teria um filho, ela começou a menosprezar sua senhora, que aparentemente não poderia ter um.
Sarah lembrou a Hagar que ela, Sarah, era a esposa, e Hagar era apenas sua empregada, e ela fez Hagar trabalhar mais do que nunca. Hagar então fugiu para o deserto. Lá, um anjo de Deus apareceu para ela e ordenou que ela voltasse para Sarah e a tratasse com o respeito devido a uma esposa e senhora. Ele disse a ela que por isso ela 'mereceria dar à luz um filho cuja voz Deus ouviria (Yishma-El), que seria forte, feroz, um homem selvagem e respeitado entre seu povo.
Os Sábios judeus dão muito crédito a Hagar por não ter ficado com medo de ter visto o anjo divino, enquanto até mesmo Manoah, como o T'nach(A Bíblia Hebraica) os diz, temia que ele morresse por ter visto um anjo de Deus. Isso, dizem os Sábios, mostra como Hagar era piedosa e como ela se adaptou à vida santa da casa de Abraão, onde os anjos iam e vinham como convidados constantes.
Mais tarde, após o retorno de Hagar e o nascimento de Ismael, as coisas correram bem para todos os envolvidos. Sara também foi abençoada com um filho, Isaque . Ismael já tinha treze anos e parecia ter herdado uma natureza selvagem dos ancestrais de sua mãe, pois era uma má influência para Isaque. De acordo com uma visão dos Sábios, Hagar era uma verdadeira crente no Deus de Avraham. A Torá diz que Ismael zombou de Isaque e muitas vezes tentou assustá-lo. Novamente Sara insistiu que Abraão mandasse Hagar e Ismael embora se Isaque fosse impedido de seguir os maus caminhos de Ismael.
Abraão estava muito relutante em mandar Hagar embora, e especialmente seu filho. Mas Deus disse a ele para fazer o que Sarah desejava e Ishmael ainda se tornaria o pai de uma grande nação.
Agar e Ismael se perderam no deserto perto de Beer-Seba e ficaram sem água. Uma terrível morte de sede os ameaçava, mas eles foram salvos por um milagre divino. Hagar colocou seu filho na sombra de um arbusto e se afastou um pouco, não suportando vê-lo sofrer, quando um anjo apareceu novamente para ela, assegurando-lhe que Deus havia visto o sofrimento de seu filho e o salvaria. Ele viveria e se tornaria o pai de uma nação poderosa. Enquanto o anjo falava, Hagar imediatamente notou um poço próximo.
Os Sábios dizem que Hagar mostrou então que sua fé em Deus não era genuína. Pois quando seu filho sofreu, ela duvidou da promessa de Deus.
Muitos dos antigos Sábios falam favoravelmente de Hagar, que nunca se casou novamente. Ela morava junto com seu filho, que construiu sua casa na beira do deserto e se tornou um caçador famoso. Os Sábios dizem que ele possuía a túnica de Adão , que havia tirado do rei Nimrod . (Este casaco deu ao usuário poder sobre os animais).
Apesar de viver com Ismael tão longe da influência de Abraão, Hagar permaneceu fiel a ele. Portanto, após a morte de Sara, o próprio Isaque foi até ela e a levou de volta para seu pai para ser novamente a esposa de seu pai. A Torá agora a chama de " Keturah ", que significa "amarrada" a Abraão, pois ela manteve seu vínculo fiel a Abraão; [UAU!!] e também significa um adorno", por suas boas ações. Como a Torá diz, ela deu mais filhos a Abraão. Nenhum, porém, foi tão importante quanto Ismael.
O Midrash diz que não apenas Hagar se reuniu com Abraham, mas seu filho também se tornou um penitente e voltou para Deus a quem ele havia servido na casa de seu pai e a quem havia abandonado durante sua vida selvagem como caçador e governante das nações. Abraão assim viveu para ver Ismael tornar-se seu verdadeiro filho.
Mais adiante na Bíblia, encontramos Hagar indiretamente mencionada mais uma vez como a mãe de várias tribos de hagaritas, vizinhas das tribos de Israel . Eles viviam na Transjordânia ("Ever HaYarden") e foram expulsos pelos israelitas .
Interessantes são também as lendas que os muçulmanos contam sobre Hagar e que, em geral, concordam com os relatos da própria tradição israelita. Para eles, Hagar era a ancestral de seu profeta Maomé e, naturalmente, atribuem a ela todos os tipos de milagres, dos quais nem a Torá nem os Midrashim os contam.
Hagar, como os Sábios a descrevem, era uma mulher humilde e piedosa. De fato, poucos tiveram o privilégio de ter um anjo de Deus falando com eles duas vezes e produzindo milagres para eles.
Também é relatado, no hebraico, que quando Hagar desrespeita sua senhora, Sarai começa a “afligi-la” ( ענה ; anah ) até que ela “fuja” ( ברח ; barach ). Êxodo usa as mesmas palavras hebraicas para descrever Faraó “afligindo” ( ענתו ; anoto , 1:11) os israelitas até que eles “fujam” ( ברח ; barach ) do Egito no êxodo (14:5). A aflição de Hagar e a fuga de Sarai prenunciam a aflição de Israel e a fuga de Faraó. Além disso, “Hagar” consiste em duas palavras hebraicas: הָ ( ha ; “o”) e גֵר ( ger ; “estranho”). Hagar, “a estrangeira” do Egito, fornece uma base para a injunção posterior de Deus sobre Israel para “amar o estrangeiro ( הַגֵּר ; hager ) porque vocês foram estrangeiros ( גרים ; gerim ) na terra do Egito” (Dt 10:19 cf. Lv 19:34).
Finalmente, depois que Deus cuidou de Hagar no deserto, ela chamou o Senhor de “Deus que vê ( ראי ; roi )” (Gn 16:13). Esta cena antecipa o uso da mesma palavra hebraica em Êxodo 3:7, quando Deus diz: “Eu certamente vi ( ראה ראיתי ; raoh raiti ) a aflição do meu povo que está no Egito” (cf. 3:9; 4 :31). A história de Sarai e Hagar aponta para o que Deus tornará mais explícito à medida que a história de Israel se desenrola: Israel é o povo especialmente escolhido e amado por Deus, mas Deus também cuida com amor daqueles que estão fora de Israel — pessoas como Hagar, a própria personificação de “ o estranho."
Em Gálatas, Paulo tenta dissuadir seu público gentio de ser circuncidado, oferecendo uma alegoria sobre Sara e Hagar (Gl 4:21-31). Paulo chama Hagar de “escrava” que representa o “Monte Sinai” (4:22-25). Uma interpretação comum dessa retórica é que “Hagar” significa “judaísmo” baseado na observância da Torá, e a “mulher livre” (isto é, Sara) corresponde a um “cristianismo” livre da Lei. Nesta leitura, Paulo ridiculariza o judaísmo em favor do novo movimento cristão. No entanto, um exame mais detalhado de Gálatas e outras epístolas paulinas mostra que Paulo não denigre o judaísmo (ou judeus que não seguem Yeshua); em vez disso, “Hagar” representa os companheiros de Paulo, seguidores de Jesus, que desejam que os gentios sejam circuncidados.
Paulo diz que Hagar “corresponde à Jerusalém atual, pois ela é escrava com seus filhos” (Gl 4:25). Então, com referência a si mesmo e a outros que aderem à sua versão do evangelho, Paulo afirma que “a Jerusalém de cima é livre e ela é nossa mãe” (4:26). Em uma leitura superficial desses versículos, pode-se interpretar a “atual Jerusalém” em “escravidão” como judeus que seguem a Lei em vez de Jesus. Por outro lado, a “Jerusalém de cima” se referiria aos “cristãos” judeus cujas vidas são encontradas “no Messias” (Gl 3:28) em vez de na Torá. No entanto, há uma maneira fácil de mostrar que essa interpretação antijudaísmo é imprecisa.; ou seja, procurando todas as referências a “Jerusalém” no corpus paulino e vendo como ele usa o termo. Quando os leitores da Bíblia fazem isso, eles veem que o uso de “Jerusalém” por Paulo sempre se refere à assembléia de Jesus (também conhecida como “igreja”) e nunca aos judeus que não seguem a Jesus ou ao judaísmo tradicional.
Em Romanos, Paulo declara: “Vou a Jerusalém trazendo ajuda aos santos. Pois a Macedônia e a Acaia tiveram o prazer de fazer alguma contribuição para os pobres entre os santos em Jerusalém ... para que meu serviço em Jerusalém seja aceitável aos santos ”(Rm 15: 25-26, 31). Neste caso, quando Paulo diz “Jerusalém”, ele se refere ao grupo de seguidores de Jesus na cidade. Da mesma forma, Paulo fala aos coríntios sobre sua intenção de “levar a vossa dádiva a Jerusalém” (1 Coríntios 16:3) – com o que ele quer dizer uma doação monetária da igreja de Corinto para os crentes em Jerusalém. No próprio Gálatas, Paulo observa que quando ele encontrou Yeshua pela primeira vez, ele não foi a “Jerusalém para aqueles que eram apóstolos antes de mim” (Gl 1:17), mas somente depois de três anos ele foi “a Jerusalém para visitar Cefas” (1:18; cf. 2:1). Nesses casos, Paulo usa “Jerusalém” para significar a sede da assembléia de Jesus.
Uma vez que, para Paulo, “Jerusalém” sempre se refere à igreja, quando ele descreve “Hagar” como a “Jerusalém atual”, ele deve estar falando de uma facção dentro de seu próprio movimento messiânico. Anteriormente, em Gálatas, Paulo alude a divergências entre os seguidores do evangelho, dizendo aos gálatas que “há alguns que vos perturbam e querem perverter o evangelho do Messias” (Gl 1:7). Esta afirmação só faz sentido se existir um grupo dentro do movimento de Jesus que está contando aos gálatas uma versão do evangelho que entra em conflito com a proibição paulina contra a circuncisão dos gentios.— de fato, Paulo alude a essa facção da circuncisão várias vezes ao longo da carta (cf. Gl 2:12; 5:2-3, 11-12; 6:12-13). É este subgrupo em desacordo com a pregação de Paulo que o apóstolo chama de “Hagar” e “a atual Jerusalém” em Gálatas 4. A alçada paulina não se estende aos judeus que não são afiliados a Jesus; em vez disso, “Hagar” representa qualquer seguidor de Jesus (independentemente da etnia) que exigiria a circuncisão para os gentios.

(Esse texto foi montado aqui por Costumes Bíblicos com pedaços de artigos publicados originalmente em Israel Bible Center e em Chabad.org)



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