COSTUMES BÍBLICOS: REGENTES DO NORTE

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Acazias à Oseias

Acazias (1Rs 22.40 -- 2Rs 1.18; 2Cr 20.35-37)
Reinado: 2 anos (853 a.C. -- 852 a.C.).
Era o filho mais velho de Acabe e Jezabel.
Convenceu Josafá a participar de um empreendimento de construção de navios em Eziom-Gebr (2Cr 20.35-37).
Sofreu uma queda severa (e, por fim, fatal) do alto de seu palácio na Samaria (2Rs 1.2).
Em busca de cura para seus ferimentos, ele apelou ao deus pagão Baal-Zebube. Todavia, por causa disso, acabou recebendo a condenação de Elias, a quem esse regente tentou prender sem obter sucesso (2Rs 1.2,3).
Jorão (2Rs 3.1 --9.26; 2Cr 22.5-7)
Reinado: 12 anos (852 a.C. -- 841 a.C.).
Era filho mais novo de Acabe e irmão de Acazias.
Tal como seu pai e seu irmão, ele convenceu Josafá a paticipar de uma aliança, dessa vez, relativa a uma campanha militar contra os moabitas. Foi nessa ocasião em que o profeta Eliseu realizou um milagre (em favor de Josafá) sobre o campo de batalha, o qual trouxe aliados vitória contra Moabe (2Rs 3.1-27).
Eliseu posteriormente ajudou Jorão ao avisá-lo dos muitos planos de emboscada dos sírios (2Rs 6.8-10).
Então, Eliseu recusou-se a permitir que Jorão assassinasse alguns soldados sírios que estavam protegidos sobrenaturalmente por Deus (2Rs 6.21,22).
Jorão estava no trono quando Deus usou quatro leprosos para salvar a cidade de Samaria da fome (2Rs 7).
Ele também era o rei com quem Naamã, o leproso sírio, reuniu-se (2Rs 5.4-7).
Ao final, ele foi assassinado por Jéu no vale de Jezreel (2Rs 9.21-26).

Jéu (2Rs 9.1--10.36; 2Cr 22.7-9).

Reinado: 28 anos (841 a.C. ---814 a.C.).
Ele foi ungido por um jovem profeta sob o comando de Eliseu (2Rs 9.1-3) e ordenou a execução da dinastia de Acabe, que incluía Jorão e Jezabel.
Dirigiu sua carruagem para o vale de Jezreel, onde executou Jorão e Acazias, o sexto rei de Judá (não confundir com o irmão mais velho de Jorão, 2Rs 9.21-29).
Ele logo abriu caminho para a cidade de Jezreel, onde matou Jezabel (2Rs 9.30-37).
Depois disso, ele pediu e recebeu as cabeças de todos os 70 filhos de Acabe que viviam na cidade de Samaria (2Rs 10.1-7).
Ele continuou sua purgação de sangue, matando até mesmo os descendentes e os amigos de Acabe (2Rs 10.11-17).
Por fim, Jéu enganou todos os sacerdotes de Baal ao reuni-los em uma grande convenção em Jezreel. Em seguida , o novo rei ordenou a morte de cada um deles (2Rs 10.18-28).

Detalhes

Elias recebera ordens para ungir Jéu como rei (1Rs 19.16), mas, por alguma razão, não fez isso. Consequentemente, foi Eliseu quem cumpriu essa ordem ao empregar os serviços de um jovem pregador (2Rs 9.1-3).
Jéu tornou-se célebre por habilidade ao conduzir carruagens (2Rs 9.20) e ao derramar o sangue. Ele executou:

  • O rei do sul, Acazias, neto de Josafá (2Rs 9.27).
  • O rei do norte, Jorão, a quem Jéu sucedeu (2Rs 9.24).
  • Jezabel (2Rs 9.30-37).
  • Os 70 filhos de Acabe (2Rs 10.1,11).
  • Quarenta e dois príncipes reais de Judá (2Rs 10.14).
  • Os adoradores de Baal (2Rs 10.25).

EXECUTANDO A DINASTIA DE ACABE

Deus ordenou a Jéu que executasse a dinastia de Acabe, incluindo Jezabel (2Rs 9.1-10), mas não sancionou os outros assassinatos.
Ao ser ungido, Jéu cavalgou até Jezreel para executar o rei Jorão, o filho mais novo de Acabe. O rei do sul, Acazias, sobrinho do rei do norte, estava visitando seu tio.
Jéu foi avistado enquanto ainda caminhava pelo vale. Tanto Jorão como Acazias, temendo uma rebelião, saíram para encontrar-se com Jéu, esperando arranjar uma forma pacífica de atender as demandas. Mas o homem, recentemente ungido, desprezou os pedidos de Jorão e assassinou os dois reis, tio e sobrinho, com uma saraiva de flechas mortais. O corpo do assassinado rei do norte foi jogado no campo de Nabote, onde Acabe, pai do regente morto, despejara o próprio Nabote (2Rs 9.25-29).
Jéu entrou em Jezreel, avistou Jezabel, que o insultava de uma janela do alto de uma edificação, e ordenou que ela fosse lançada para baixo. Suas ordens foram obedecidas, ela morreu, e o corpo dela foi logo comido por cães selvagens da cidade. Desse modo, a sóbria profecia de Elias para Acabe foi cumprida à risca (compare 1Rs 21.23 com 2Rs 9.30-36).
Jéu então demandou literalmente as cabeças dos 70 filhos de Acabe, que estavam todos vivendo em Samaria. As muitas cabeças decepadas foram embaladas em cestos e entregues para Jéu em Jezreel (2Rs 10.1-8).
Jéu continuou sua purgação de sangue, matando todos os descendentes e amigos de Acabe, incluindo os 42 parentes de Acazias (2Rs 10.11-14). O novo rei do norte ordenou que todos os sacerdotes de Baal se reunisse em Jezreel para uma seção extraordinária, fingindo que ele também se tornaria um adorador desse deus pagão. Durante essa reunião, Jéu ordenou que todos os seguidores de Baal fossem mortos. Assim, queimou o altar deles, demoliu o templo daqueles seguidores e transformou-o em um banheiro público. Por causa de sua obediência a Deus relativa à destruição da dinastia de Acabe, Jéu recebeu a promessa de que sua própria dinastia continuaria até a quarta geração (2Rs 10.30).
Apesar de suas reformas, Jéu continuou a adorar os bezerros de ouro instituídos por Jeroboão (2Rs 10.29-31) e morreu sem deixar para trás esses mesmos pecados.

Jeoacaz (2Rs 13.1-9).

Reinado: 17 anos (814 a.C. -- 798 a.C.).
Ele era filho de Jéu
Durante todo o seu reinado, foi oprimido pelo rei sírio Hazael, que, ao final, conseguiu reduzir as tropas israelitas a 50 cavaleiros, dez carros de guerras e dez mil soldados de infantaria (2Rs 13.7).
Durante algum tempo, ele demonstrou algum remorso (tal como o próprio Acabe fizera antes, veja 1Rs 21.27-29). Todavia, aparentemente, não se tratava de arrependimento verdadeiro (2Rs 13.4-6).

Jeoás (2Rs 13.10 --14.16; 2Cr 25.17-24).

Reinado: 16 anos (798 a.C. --782 a.C.).
Ele era filho de Jeoacaz.
Visitou Eliseu em seu leito de morte (2Rs 13.14-20).
Derrotou Amazias (nono rei de Judá) no campo de batalha (2Cr 25.17-24).
Narrou a segunda das duas fábulas do Antigo Testamento para ridicularizar as pretensões arrogantes de Amazias (2Cr 25.18).
Ele levou Amazias de volta para Jerusalém como prisioneiro e depois abandonou a cidade, conduzindo reféns e riquezas pilhadas.

Jeroboão II (2Rs 14.23-29).

Reinado: 41 anos (793 a.C. -- 753 a.C.).
Era filho de Jeoás.
Governou durante muito tempo do que qualquer outro regente do norte.
Foi um dos mais importantes monarcas israelitas do norte.
Recuperou os territórios próximos ao mar Morto, perdidos anteriormente pelos israelitas. Essas terras haviam sido conquistadas pelos sírios (2Rs 3.5; 14.25-27). Deus permitiu que ele prosperasse e expandisse seu reino, apesar de seus hábitos ímpios e em razão da misericórdia divina lançada sobre a condição miserável do povo israelita naquele tempo (2Rs 14.25,26).
O profeta Jonas viveu e ministrou durante o reinado de Jeroboão II. Jonas predisse a restauração da terra israelita pela condução desse monarca (2Rs 14.25).

Zacarias (2Rs 14.29 -- 15.12).

Reinado: 6 meses (753 a.C. -- 752 a.C.).
Era filho de Jeroboão II.
Foi assassinado por um rebelde chamado Salum (2Rs 15.10).
Zacarias era tataraneto de Jéu e o quarto regente da mesma dinastia. Com sua morte, a linhagem cessou, cumprindo a profecia feita a Jéu (veja 2Rs 10.30; 14.29; 15.8-12).

Salum (2Rs 15.10-15).

Reinado: 1 mês (752 a.C.).
Foi assassinado por um guerreiro cruel chamado Menaém.

Menaém (2Rs 15.14-22).

Reinado: 10 anos (752 a.C. -- 742 a.C.).
Ele foi um dos mais brutais ditadores a sentar-se no trono do norte.
Recompensou toda e qualquer oposição de seus súditos com chacinas indiscriminadas, que incluíam rasgar o ventre de mulheres grávidas (2Rs 15.16).
Com um grande suborno, comprou o rei assírio Tiglate-Pileser, que invadira Israel naquele tempo (2Rs 15.19).

Pecaías (2Rs 15.22-26).

Reinado: 2 anos (742 a.C. -- 740 a.C.).
Era o filho de Menaém.
Foi assassinado pelo comandante de seu exército, Peca (2Rs 15.25).

Peca (2Rs 15.27-31; 2Cr 28.5-8).

Reinado: 20 anos (740 a.C. -- 732 a.C.). NOTA: apenas oito anos são analisados aqui (740 a.C. -- 732 a.C.). Considera-se que os 12 primeiros anos (752 a.C. -- 740 a.C.) tiveram sua regência partilhada por um acordo, primeiro com Menaém, depois com Pecaías.
Ele juntou-se à Síria em uma frustada tentativa de ataque contra o rei judeu Acaz. Síria e Israel desejavam punir Judá por não contribuir com o esforço para interromper o crescimento da ameaça assíria (2Cr 28.5-8).
Durante seu reinado, Tiglate-Pileser, o rei assírio, invadiu Israel e conquistou algumas de suas cidades, tanto ao norte, quanto ao leste (2Rs 15.29).
Peca foi assassinado por Oseias (2Rs 15.30).

Oseias (2Rs 15.30; 17.1-6).

Reinado: 9 anos (732 a.C. -- 722 a.C.).
Ele foi o último monarca do reino do norte.
Depois de tonar-se um vassalo do rei assírio Salmanaser, Oseias aliou-se ao Egito em uma rebelião contra a Assíria.
Por causa disso, ele foi aprisionado por Salmanaser, e o povo do reino do norte foi exilado na Assíria (2Rs 17.4-6). Assim, encerrou-se a história dos reis do norte e a de Oseias, o último deles.

Acabe

Acabe (1Rs 16.28 -- 22.40; 2Cr 18.1-34).
Reinado: 22 anos (874 a.C. -- 853 a.C.).
Ele casou-se com Jezabel (1Rs 16.31).
Foi-lhe permitido derrotar os sírios por duas vezes (1Rs 20).
Foi denunciado por Elias:
  • Por estimular a adoração a Baal (1Rs 18.18,19).
  • Por sua atuação no assassinato de Nabote (1Rs 21.20-22).
Ele enganou o piedoso rei Josafá (quarto rei de Judá) com um duplo comprometimento:
  • Uma aliança matrimonial que uniu Atalia, a filha ímpia de Acabe, com Jourão, filho de Josafá (2Rs 8.18; 2Cr 18.1).
  • Uma aliança militar que uniu Acabe e Josafá em uma guerra contra a Síria (1Rs 22).
A morte de Jezabel, ímpia esposa de Acabe, foi profetizada por Elias (1Rs 21.23).
A morte do próprio Acabe também foi profetizada por Elias, bem como pelo profeta Micaías (1Rs 21.22; 22.17).
Ele foi assassinado em batalha contra os sírios (1Rs 22.29-38).

Detalhes

Acabe construiu um templo para Baal em Samaria (1Rs 16.32).
Ele foi mais perverso do que Onri, seu pai (1Rs 16.33, veja também 1Rs 21.25,26).
No começo de seu reinado, uma profecia de 500 anos de idade foi cumprida. Tratava-se da profecia relativa à reconstrução de Jericó (1Rs 16.34; compare com Js 6.26; confira aqui: O ESTÁGIO DA CONQUISTA).

ELIAS

Elias confrontou Acabe e avisou-o de que seus pecados bem como os dos israelitas trariam uma seca de três anos e meio (1Rs 17.1; Tg 5.17).
Acabe viu os sacerdotes de Baal derrotados e destruídos por Elias no monte Carmelo (1Rs 18.1-40).
Deus lhe permitiu derrotar os sírios arrogantes em duas ocasiões, tudo para provar que o SENHOR é o Senhor sobre todas as coisas (1Rs 20.23,28).
Nessa época, o rei Ben-Hadade, da Síria, declarou guerra contra Acabe, que primeiro tentou aplacar o ganancioso monarca sírio com um suborno. Todavia, tão logo esse artifício falhou, Acabe decidiu lutar (1Rs 20.1-11). Um profeta sem nome (possivelmente Elias) garantiu a vitória sobre os sírios ao rei israelita, predição que logo foi cumprida (1Rs 20.13-19). Os sírios, ao serem derrotados, acreditaram que isso ocorrera devido ao fator geográfico, dando a entender que a batalha ocorrera em terreno montanhoso, com as tropas israelitas adquirindo tremenda vantagem. Os sírios concluíram que o Deus de Israel era um Deus dos montes. Consequentemente, fizeram planos para lutar novamente, dessa vez, batendo contra os israelitas em terreno plano. Eles não poderiam estar mais equivocados.
Os sírios atacaram e foram, mais uma vez, derrotados inteiramente, perdendo 127 mil homens de infantaria. O vitorioso Acabe desobedeceu às ordens de Deus e poupou a vida de Ben-Hadade (tal como Saul fizera com Agague, 1Sm 15.8,31-33). O profeta de Deus, então, anunciou que Acabe, por consequência de seus atos, teria sua vida trocada pela de Ben-Hadade (1Rs 20.32-43),  profecia que se cumpriu três anos depois (veja 1Rs 22.29-37).

O VINHEDO DE NABOTE

Acabe tentou, mas não conseguiu comprar o seleto vinhedo perto de seu palácio, o qual era possuído por um homem de Jezreel chamado Nabote. Antes, Samuel alertara contra o confisco de terras por parte dos reis israelitas (1Sm 8.14). Mesmo que o jezreelita desejasse vender seu vinhedo, a lei levítica o proibia (veja Lv 25.23; Nm 36.7; Ez 46.18). Acabe retornou para o palácio com o aspecto taciturno, e Jezabel foi informada acerca da recusa de Nabote. A rainha disse a seu tristonho rei que se alegrasse, pois ele logo possuiria aquele vinhedo. Então, ela escreveu uma carta com o nome de Acabe, usou o selo dele para fechá-la e a enviou aos líderes civis de Jezreel, onde Nabote vivia. Na carta, Jezabel ordenou que esses líderes convocassem os cidadãos jezreelitas em uma reunião de jejum e oração. Em seguida, deviam chamar Nabote à frente e ofertar dois testemunhos mentirosos sobre ele, acusando-o de amaldiçoar Deus e o rei. O possuidor do vinhedo desejado por Acabe deveria então ser levado para fora e assassinado. Essa ordem terrível foi cumprida à risca (1Rs 21.4-14). Os filhos de Nabote também foram apedrejados (veja 2Rs 9.26). A ímpia Jezabel, uma fanática adoradora de Baal, soube apelar à Lei Mosaica com sagacidade e obter assim dois testemunhos contra o acusado (Lv 24.16; Dt 17.6).
Esse tipo de julgamento simulado teria sua contraparte definitiva nove séculos depois, em abril, quando o Poderoso Criador seria julgado por suas criaturas miseráveis (veja Mt 26.59-68). Jezabel recebeu as notícias de Jezreel, e Acabe desceu alegremente até o vinhedo para reivindicá-lo (1Rs 21.15,16).

A PROFECIA DE ELIAS RELATIVA A PUNIÇÃO

Deus ordenou Elias a confrontar Acabe no vinhedo de Nabote e a pronunciar a maldição dos céus sobre o rei e sua descendência. Furioso e certamente aterrorizado, Acabe ouviu as severas palavras de Elias relativas à sua punição (1Rs 21.19,21-24). Posteriormente, todas as predições do profeta se cumpririam literalmente.

  • Cães lamberam o sangue de Acabe, tal como fizeram com o sangue de Nabote (1Rs 22.38).
  • Os descendentes dele foram destruídos. Acazias, seu filho mais velho,morreu devido aos ferimentos de uma queda do terraço de seu palácio (2Rs 1.2,17), e Jorão, seu filho mais novo, foi assassinado por Jéu (2Rs 9.24), tendo o corpo lançado sobre o mesmo campo onde Nabote fora enterrado (2Rs 9.25).
  • A perversa esposa de Acabe, Jezabel, foi comida pelos cães selvagens de Jezreel (2Rs 9.30-36).
Ao ouvir essas terríveis profecias, Acabe humilhou-se, obtendo de Deus a dispensa para não ver seus filhos sendo mortos. Todavia, esse arrependimento foi apenas temporário e superficial (1Rs 21.27-29).

LUTANDO CONTRA OS SÍRIOS

Nessa época, Acabe desejou fazer com Josafá (então rei de Judá) uma aliança contra o rei Ben-Hadade, que traíra um acerto feito três anos antes ao continuar posicionando tropas sírias em Ramote-Gileade (1Rs 22.1-4; confira 1Rs 20.34). Se Acabe tivesse feito como Deus ordenara-lhe, tal situação não teria surgido. Josafá não tinha absolutamente nada a ganhar em termos materiais, mas muito a perder em termos morais. Todavia, sua resposta ao chamado de Acabe foi trágica: Serei como tu és, e o meu povo, como o teu povo, e os meus cavalos, como os teus cavalos (1Rs 22.4).
Josafá evidentemente tinha segundas intenções relativas a essa aliança súbita, pois ele desejava que Acabe atendesse ao seguinte imperativo: Consulta, porém, primeiro hoje a palavra do SENHOR (1Rs 22.5; cf. 2Cr 18.4).
Acabe convocou 400 profetas. Para um homem, eles predisseram vitória (2Cr 18.5,6). Esses eram homens sobre os quais Jeremias falaria mais tarde (veja Jr 23.21). Josafá, ainda cheio de dúvidas, perguntou se haveria algum outro profeta por perto. Acabe respondeu nervosamente que sim: Ainda há um homem por quem podemos consultar ao SENHOR; porém eu o aborreço, porque nunca profetiza de mim bem, mas só mal (1Rs 22.8). Talvez a maior realização de Micaías foi ser odiado por Acabe. O impiedoso rei odiava esse profeta tal como um homem tolo despreza o médico que o diagnóstica com câncer! Acabe relutantemente mandou chamar Acaías. O mensageiro preveniu o profeta a não contradizer o relato da maioria. Contudo, Micaías respondeu: Vive o SENHOR, que o que o SENHOR me disser isso falarei (1Rs 22.14).
Enquanto isso, um dentre os 400 profetas, Zedequias, fez e empregou trombetas de ferro para proclamar a vitória de Acabe sobre os sírios (esse procedimento deveria imitar o simbolismo de Dt 33.17). Por fim, Micaías chegou e levantou-se diante do rei israelita. O profeta imitou sarcasticamente os outros: Sobe e serás prósperos, porque o SENHOR a entregará na mão do rei (1Rs 22.15). Acabe, contudo, esganiçou-se: Até quantas vezes te conjurarei, que me não fales senão a verdade em nome do SENHOR? (1Rs 22.16).
Acabe provavelmente disse isso para impressionar Josafá. O escárnio de Micaías tornou-se, então, um juízo sóbrio: Vi todo o Israel disperso pelos montes, como ovelhas que não têm pastor; e disse o SENHOR: Estes não têm senhor; torne cada um em paz para sua casa (1Rs 22.17).
Acabe explodiu novamente, dizendo a Josafá: Não te disse eu que ele nunca profetizará de mim bem, senão só mal? (1Rs 22.18).
Micaías continuou e afirmou que Deus permitiria que um espírito mentiroso enganasse os profetas de Acabe, para que este fosse enganado e levado ao campo de batalha para morrer. Zedequias, o profeta do ímpio rei, esbofeteou Micaías. Nosso Senhor (Jo 18.22) e o apóstolo Paulo (At 23.2) posteriormente enfrentariam um insulto mordaz como esse. Acabe ordenou que Micaías fosse aprisionado e colocado sob uma dieta de pão e água até que o próprio rei israelita retornasse da batalha em segurança até sua casa. Com o rei saindo para guerrear, Micaías afirmou que, se o monarca voltasse efetivamente seguro, isso significaria que Deus não teria falado por de si (1Rs 22.28).

SUA MORTE

Acabe e Josafá procederam às pressas para Ramote-Gileade. Às vésperas da batalha, o rei israelita sugeriu que o monarca de Judá vestisse suas roupas reais, enquanto o próprio Acabe usaria as roupas de um soldado de infantaria. O regente do sul concordou. Aparentemente, Josafá era, muitas vezes, totalmente estúpido (1Rs 22.29,30).
Josafá foi imediatamente alvejado no campo de batalha. Os sírios equivocadamente o tomaram por Acabe. O tolo e amedrontado rei judeu clamou a Deus por libertação e saiu ileso da luta contra os sírios, que então perceberam que ele não era o rei israelita (1Rs 22.31-33; 2Cr 18.30-32). Um dos soldados sírios, contudo, atirou uma flecha ao acaso contra as tropas israelitas e acabou atingindo o disfarçado Acabe na abertura entre as fivelas e as couraças.
O ferimento foi mortal. Ofegante, Acabe mal conseguia dar as ordens para que fosse colocado sobre sua carruagem e levado apressadamente para sua casa. Tão logo o sol se pôs no ocidente, ele morreu (1Rs 22.34-37; 2Cr 18.33,34).
Acabe foi enterrado em Samaria. Sua carruagem ensanguentada foi levada até um lavatório próximo, para que fosse limpa. Lá, o sangue do ímpio rei regente foi lambido pelos cães, tal como Elias predissera (1Rs 22.37,38). Acabe foi sucedido por seu filho mais velho, Acazias, que prolongou os costumes impiedosos de seu pai (1Rs 22.52,53).

Reinado de Nadabe ao de Onri

A - NADABE (1Rs 15.25-28).
Reinado: 2 anos (910 a.C. -- 909 a.C.).
Ele era filho de Jeroboão.
Foi assassinado por um rebelde chamado Baasa.
Nadabe foi assim o primeiro de sete reis do norte a ser assassinado enquanto ainda estava em seu ofício real.
B - BAASA (1Rs 15.27-16.7; 2Cr 16.1-6).
Reinado: 22 anos (909 a.C. -- 886 a.C.).
Ao matar Nadabe e seus parentes, inconscientemente, Baasa cumpriu a profecia revelada à esposa de Jeroboão por Aías, o profeta (compare 1Rs 14.14 com 1Rs 15.29).
Baasa declarou guerra contra Asa (terceiro rei de Judá) e começou a construir uma fortaleza murada em Ramá para controlar a rota para Judá, esperando, desse modo, cortar todos os negócios com Jerusalém (2Cr 16.1).
Ele foi rejeitado por Deus como consequência de seu pecado. Jéu, o profeta, predisse que os descendentes de Baasa sofreriam a mesma punição imposta pelo Altíssimo sobre Jeroboão (1Rs 16.1-4).
C - ELÁ (1Rs 16.6-14).
Reinado: 2 anos (886 a.C. -- 885 a.C.).
Ele era filho de Baasa.
Enquanto estava bêbado, Elá foi assassinado por Zinri, o comandante das suas tropas de carros reais.
D - Zinri (1Rs 16.9-20).
Reinado: 7 anos (885 a.C.).
Ele cumpriu a profecia de Jéu ao assassinar a descendência de Baasa (compare 1Rs 16.3,7 com 1Rs 16.12).
Zinri foi enganado por um ardil de Onri, o novo general israelita, no palácio real, o que resultou em um impetuoso suicídio.
E - ONRI (1Rs 16.15-28).
Reinado: 12 anos (885 a.C. -- 874 a.C.).
Ele mudou a capital do norte de Tirza para Samaria (1Rs 16.24).
Arranjou o casamento político de seu filho Acabe com Jezabel, filha de Etbaal, rei dos sidônios.
Até aquele momento, Ori foi o rei mais iníquo dentre os israelitas (1Rs 16.25).

Curiosidade:

Sete reis do norte que foram assassinados

  • Nadabe
  • Elá
  • Jorão
  • Zacarias
  • Salum
  • Pecaías
  • Peca
Continua com Acabe (Próxima página!)

Detalhe sobre Acabe

Acabe construiu um templo para Baal em Samaria (1Rs 16.32).
Ele foi mais perverso do que Onri, seu pai (1Rs 16.33, veja também 1Rs 21.25,26).
No começo de seu reinado, uma profecia de 500 anos de idade foi cumprida. Tratava-se da profecia relativa à reconstrução de Jericó (1Rs 16.34; compare com Js 6.26; veja O ESTÁGIO DA CONQUISTA).

Jeroboão

Jeroboão (1Rs 11.26--14.20; 2Cr 9.29--13.22).
Reinado: 22 anos (931 a.C. -- 910 a.C.).
Ele serviu como membro do gabinete de Salomão, mas ficara temporariamente foragido no Egito para escapar da fúria do antigo rei (1Rs 11.28,40).
Ele liderou a revolta das dez tribos em Siquém (1Rs 12).
Praticava uma religião falsa, o que levou a nação israelita ao pecado (1Rs 12.26-30).
Seu braço foi paralisado, seu altar falso foi destruído, seu filho foi ferido por Deus, e tudo isso como punição pelos pecados que Jeroboão cometeu (1Rs 13.4,5; 14.1).
Ele foi derrotado em batalha por Abias, o segundo monarca do reinado do sul (2Cr 13.2-19).
Foi ferido por uma praga de Deus e morreu (2Cr 13.20).

Detalhes

Para considerar apropriadamente o reinado de Jeroboão, é necessário conhecer algo das circunstâncias que o levaram ao poder. Tudo começou com o filho arrogante de Salomão, Roboão.

SUA REVOLTA

Roboão foi a Siquém ser coroado o rei sobre toda a nação israelita (1Rs 12.1; 2Cr 10.1).
Ele recebeu um ultimato da delegação conduzida por Jeroboão (que, depois da morte de Salomão, retornara de seu exílio no Egito). Essa delegação afirmou simplesmente que o povo demandava uma vida melhor em seu reinado do que aquela que tivera sob o reinado de Salomão (1Rs 12.3,4).
Roboão pediu por um recesso de três dias para meditar sobre aquela demanda. Durante esse período, ele reuniu-se com seus amigos jovens e arrogantes e, ao preferir o conselho destes em relação ao dos mais velhos e mais sábios, recusou-se a aliviar os fardos impostos sobre o povo (1Rs 12.14).
Ao ouvirem essas notícias, dez das doze tribos atenderam aos clamores de Jeroboão para apanhar suas tendas, dando início à triste história da separação dos israelitas (1Rs 12.16).
O coletor de impostos de Roboão foi apedrejado até a morte, o que fez o assustado rei correr até Jerusalém para defender sua vida (1Rs 12.18-24; ao longo de seu reinado, Roboão desobedeceu repetidamente a ordem para não lutar contra o reino do norte; veja 1Rs 15.6).

SUA FALSA RELIGIÃO

Jeroboão, o novo líder da confederação das dez tribos, viu-se imediatamente diante de uma séria ameaça. Tr~es vezes por ano, tal como ordenado por Deus, a nação inteira deveria ir até Jerusalém para adorar ao Altíssimo (veja Êx 23.17; Lv 23). Jeroboão sabia que os sacerdotes certamente usariam essas oportunidades para trazerem todos os israelitas de volta para o domínio de Roboão. Diante disso, Jeroboão tentou resolver todo esse impasse, adotando um plano com quatro partes:

  1. Ele mudou os símbolos religiosos dos israelitas. Em vez de dois querubins dourados sobre a arca (Êx 25.17-20), Jeroboão colocou dois bezerros dourados. Nesse ponto, ele pôde evocar a ação do primeiro sumo sacerdote, Arão, como exemplo histórico (de fato, ele roubou o texto de Arão ao introduzir esses bezerros para o povo israelita. Compare Êx 32.4 com 1Rs 12.28).
  2. Ele mudou o centro da adoração religiosa de Jerusalém para Betel e Dã (1Rs 12.29). Isso foi feito em desobediência direta ao claro comando de Deus para ele (veja 1Rs 11.36).
  3. Ele mudou o sacerdócio, degradando os sacerdotes levitas e nomeando sacerdotes dos mais baixos do povo, que não eram dos filhos de Levi (1Rs 12.31). Por causa disso, a grande maioria dos sacerdotes e levitas fugiu em direção ao sul, em direção a Judá, deixando para trás uma situação de quase total apostasia (2Cr 11.13-17). Isso explica este fato trágico: nenhum dos 19 reis israelitas - a começar com Jeroboão e terminar com Oseias - entregou seu coração e seu reinado para Deus!
  4. Ele mudou o calendário religioso, do sétimo mês (set/out) para o oitavo mês (out/nov). De acordo com Levítico 23, os israelitas deveriam observar seis celebrações principais, que começavam no primeiro mês (mar/abr) e encerravam-se no sétimo (set/out). Essas seis festas, três das quais caíam no sétimo mês, prenunciavam a cruz (o pão sem fermento), a ressurreição (primícias), o Pentecostes (festa de 50 dias), o arrebatamento (Festa das Trombetas), a tribulação (Dia da Expiação) e o milênio (Festa dos Tabernáculos). (veja AS GRANDES FESTAS RELIGIOSAS) É evidente, contudo, que Jeroboão teve pequena utilidade para essas celebrações. Ele inventou algumas delas para o oitavo mês e inventava-as de acordo com seu próprio coração (veja 1Rs 12.33).
Jeroboão visitou o altar de Betel para queimar incenso. Ele então se tornou o segundo de três reis israelitas que ousaram tomar sobre eles o ofício de sacerdote também. Todos os três foram severamente punidos. Os outros dois foram: a) Saul (1Sm 13.9-14) . b) Uzias (2Cr 26.16-21).

SUA PUNIÇÃO

Por causa de sua idolatria, Jeroboão recebeu uma profecia contrária e foi punido por um homem de Deus.
a) A profecia. Anos depois, um rei de Judá, chamado Josias, destruiria totalmente a falsa religião de Jeroboão, queimando até mesmo os ossos de seus sacerdotes falecidos sobre o mesmo altar em que o rei e sacerdote antes fazia o sacrifício. Aproximadamente 300 anos depois, essa incrível profecia foi cumprida com exatidão (compare 1Rs 13.2 com 2Rs 23.15,16).
b) A punição. O altar de Jeroboão foi destruído, e seu braço foi paralisado, ambos os fatos sobrenaturais realizados por Deus (1Rs 13.3-6). Então, o profeta orou, e a mão do rei foi restaurada.
Em seu caminho para casa, o homem de Deus, tolamente, deu atenção às palavras de um velho profeta mentiroso de Betel e, como consequência, perdeu sua vida por desobedecer a Deus.
a) Deus dissera-lhe que voltasse para casa imediatamente (1Rs 13.8-10).
b) O velho profeta de Betel afirmara-lhe que Deus mudara de ideia e desejara que ele ficasse e comesse em Betel (1Rs 13.11-18).
c) Quando finalmente se direcionou para casa, ele foi atacado e morto por um leão (1Rs 13.23,24)
Logo após esse triste evento, o filho de Jeroboão, Abias, ficou muito doente (1Rs 14.1). Aías, o profeta, relatou tristemente a mensagem de Deus para a esposa de Jeroboão (que tentara disfarçar-se). Como consequência de sua grande impiedade, este sofreria uma terrível punição (1Rs 14.10-14). Tudo isso logo se cumpriu por certo, e a criança morreu (1Rs 14.17). Alguns anos depois, Nadabe, filho e sucessor de Jeroboão, foi assassinado junto com todos os seus parentes por um rebelde chamado Baasa, que usurpou o seu trono (1Rs 15.29). Nessa época, Deus enviou o primeiro deprimente aviso acerca do futuro cativeiro assírio, que ocorreria 200 anos mais tarde (1Rs 14.15).
SUA MORTE
Deus feriu Jeroboão com uma praga que o matou após um reinado ímpio de 22 anos. Registra-se, não menos do que 21 vezes, que ele "fez os israelitas pecarem".
Ele foi sucedido por seu filho Nadabe (1Rs 14.20). Nadabe foi assassinado por um rebelde chamado Baasa depois de um reinado de apenas dois anos. Ao matar Nadabe e seus parentes, o rebelde inconscientemente cumpriu a profecia revelada à esposa de Jeroboão por Aías, o profeta (compare 1Rs 14.14 com 1Rs 15.29).

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