COSTUMES BÍBLICOS

O MESSIAS NOS APÓCRIFOS ESCATOLOGIA JUDAICA

O MESSIAS NOS APÓCRIFOS ESCATOLOGIA JUDAICA

NOS SALMOS DE SALOMÃO

Estes Salmos contém uma descrição mais detalhada de sua personalidade e de seu reinado do que qualquer outro escrito desse período. O Messias primeiro amaldiçoará os governantes injustos e livrará Jerusalém e destruirá os pagãos. Então ele reunirá os dispersos de Israel, distribuindo-os pela terra de acordo com suas tribos, estabelecendo o seu próprio reino de paz e justiça. Nenhuma pessoa perversa será tolerada em seu reino, e os estrangeiros não poderão habitar lá. Ele sujeitará as nações pagãs ao seu domínio, glorificará o Senhor perante o mundo inteiro, e tornará a Jerusalém pura e santa como antigamente, para que as nações possam vir dos confins da terra a fim de testemunhar a glória de Deus. A descrição que segue do seu reinado justo mostra a influência de Is 11.1 [e segue.] livre do pecado, forte no temor divino, e preenchido com o Espírito de Deus, de valor e de justiça, Ele irá cuidar fielmente do rebanho do Senhor, submeter os oficiais superiores e fazer cessar os pecadores pelo poder de sua palavra, para que a injustiça e a tirania não sejam praticadas na terra. Ele não confiará em cavalos e guerreiros, nem amontoará ouro e prata para fazer guerra, nem manterá exércitos. Somente em Deus Ele confiará, e sua força estará nele.



NO APOCALIPSE DE BARUCH (70-100 dC):

O Messias terreno aparecerá no encerramento do quarto (ou seja, o romano) império mundial e irá destruí-lo. O último governante do império, depois da destruição dos seus exércitos, será então encarcerado diante do Messias no Monte Sião, e lá, depois que a impiedade de seu governo for demonstrada para ele, deverá ser morto pela mão do Messias. Das outras, os hostis a Israel serão colocados à espada e o restante sujeito ao domínio do Messias, que se estabelecerá no trono do seu reino, inaugurará o reinado da moral e da bem-aventurança, e dominará até o fim dos tempos, isto é, até a consumação do mundo presente.

NOS TESTAMENTOS DOS PATRIARCAS:

O Testamento de Levi (cap. viii e xviii) mostra uma concepção única do Messias. Ele não é, como no Testamento de Judá, e de acordo com a crença popular, um descendente de Davi, mas um rei sacerdotal da tribo de Levi. Seu caráter e atividade são inteiramente espirituais. O derramamento do Espírito e do conhecimento do Senhor sobre toda a humanidade e a cessação do pecado e do mal serão fruto do seu Sacerdócio Ideal, que durará toda a eternidade. Ele mesmo abrirá as portas do Paraíso, afastará a espada que ameaça Adão e permitirá que os santos comam da árvores da vida. A imagem do Messias no Testamento de Judá (cap. xxiv.), embora muito mais breve, se assemelha, em seu caráter espiritual e em sua tendência universalista, ao Testamento de Levi. a única missão do Messias será a regeneração da humanidade, e seu reino será de justiça e salvação para todo o mundo. Os Testamentos dos Doze Patriarcas data sobretudo do tempo dos Macabeus (como Bousset procurou provar - "Zeitschrift fur die Neutestamentliche Wissenschaft," i.193 e segs.), então a concepção de Messias derivado do Testamento de Levi é facilmente explicado; o autor espera que o futuro Salvador seja um Príncipe da casa sacerdotal reinante dos Macabeus.

O MESSIAS CELESTIAL

O Apocalipse mais antigo em que se encontra a concepção de um Messias celestial preexistente é a seção Messiológica do Livro de Enoque  (xxxvii.-lxxi.), datado do primeiro século aC. O Messias é chamado de "Filho do Homem" e é descrito como um ser angélico, seu semblante parecido com o de um homem e ocupando um assento no céu ao lado do Ancião dos dias (xlvi.1), ou, como se expressa no cap. Xxxxix.7, "sob as asas do Senhor dos espíritos"; afirma-se ali também que "o nome dele foi chamado antes do Senhor dos espíritos, antes que o sol e os sinais do zodíaco fossem criados, e antes que as estrelas do céu fossem criadas"; "Ele foi escolhido e escondido com Deus antes que o mundo fosse criado, (leia mais o o Messiado Escondido, AQUI  e sobre O Messias na concepção dos Judeus, AQUI) e permanecerá em Sua presença para sempre"; e que a sua glória durará de eternidade em eternidade e o seu poder de geração em geração". Ele é representado como encarnação da justiça e da sabedoria e como o meio de todas as revelações de Deus para os homens (xlvi.3; xlix.1, 2a,3). No fim dos tempos, o Senhor o revelará ao mundo e o colocará no seu trono da glória, a fim de julgar todas as criaturas de acordo com o fim para o qual  Deus o escolheu desde o início. Quando ele se levantar para o julgamento, todo o mundo cairá diante dele, e adorá-lo-á, e louvará o Senhor dos espíritos. Os anjos no céu também, e os eleitos no Jardim da Vida, juntar-se-ão aos seus louvores e glorificarão o Senhor. "Ele julgará todas as coisas escondidas, e ninguém poderá fazer desculpas vãs"; Ele também julgará Azazel, com todos os seus associados e todos os seus anfitriões. Os perversos da terra, especialmente todos os reis e potentados, cederão à condenação, mas para os justos e escolhidos ele preparará a bem-aventurança eterna, e ele habitará no meio deles por toda a eternidade (xlv 3,4; Xlvi. 4-6; xlviii.4-10; xlix.4; li.3; lv.4; lxi.7-lxii.14).(Veja também Daniel 7.18)
Vale ressaltar que, no apêndice da seção Messiológica de Enoque, o último é o Filho do Homem= Messias (lxxi,14), e, como no Livro eslavo de Enoque e no Livro hebreu de Enoque, bem como em toda a literatura rabínica, Enoch é idêntico a Metatron (ou seja, o mais alto, espírito ministrante, que está ao lado de Deus e representa o Seu domínio sobre o universo), para que haja um importante elo de ligação entre a concepção do Filho do Homem = Messias, e o Logos, que aparece repetidamente em Filo no lugar do futuro rei terreno.
O Quarto Livro de Esdras (cerca de 100 EC) apresenta o Messias pré-existente e o terrestre. O último é visto no cap. Vii.28, xi.37-46, xii.31-34, onde o Messias é representado como o Leão "que surgirá a partir da semente de Davi", irá destruir o quarto império (ou seja, o romano), vai governar 400 anos, e em seguida, vai morrer, juntamente com todos os homens. O primeiro, o celeste,aparece na visão do homem que emerge do mar (cap. Xiii.). Aqui, como na seção Messiológica, o Messias é descrito como "um semelhante a um homem" e é chamado de "ille homo" ou "homo ipse" (versículos 3, 12). A declaração é feita também (sob a influência de Dn 7.13) que ele "vem com as nuvens do céu." Outros pontos de contato com o Livro Messiológico são: a afirmação de que "ele é o único a quem o Altíssimo tem reservado por muito tempo, a entrega da criação" (versículo 26); a referência ao seu ser escondido com Deus (verssículo 52) - "Assim como ninguém pode entender nem saber o que está nas profundezas do mar, da mesma forma, nenhum dos habitantes da terra pode ver meu filho, nem sua escolta [ou seja, a hoste de anjos que irá acompanhá-lo quando ele aparecer na terra], a não ser na hora marcada" - isso é uma óbvia referência à sua preexistência no céu.

A CONVOCAÇÃO DO PUBLICANO MATEUS

Uma estátua do apóstolo Mateus,
o cobrador de impostos, na nave
 de San  Giovanni in Laterano,
 em Roma, Itália.
A CONVOCAÇÃO DO PUBLICANO MATEUS
Depois do grande milagre em que Jesus havia, de modo hábil, unido a lógica à ação, ele deixou aquela casa e saiu para a cidade, indo até a praia, junto ao lago, onde foi alcançado por uma considerável multidão e, como sempre fazia, distribuiu o pão da palavra.
Quando terminou de pregar, continuou caminhando à margem do lago. Já dissemos antes que a cidade de Cafarnaum, por sua localização próxima às estradas comerciais mais utilizadas daquela época, era depósito e lugar de passagem de enormes quantidades de mercadorias transportadas do Oriente ao Ocidente, e vice-versa. Mas nada passava por aquele centro comercial sem que os donos das mercadorias pagassem uma taxa. Isso porque, assim como em Jericó, existia naquela cidade um importante posto da alfândega, e era muito grande ali o número de publicanos e de outros cobradores de impostos.
Um desses funcionários estava, naquele momento, sentado à sua mesa de trabalho, improvisada e simples, feita de tábuas, de onde vigiava o caminho até o porto. Marcos e Lucas dizem que ele se chama Levi. E o primeiro acrescenta que era filho de Alfeu, mas de um Alfeu que não deve ser confundido com o pai de Tiago, o Menor (Mt 10.3; Mc 3.17; Lc 6.15; At 1.13). Porém, Levi era mais conhecido como Mateus, conforme é chamado no primeiro evangelho (Mt 9.9). O nome Levi é judeu; Mateus, ou Mattai, que significa "dom de Deus", provavelmente lhe fora dado por Jesus, se é que ele já não usava esse nome, pois alguns judeus o faziam.



Jesus lhe disse: Segue-me (Mc 2.14), convidando-o, com esse apelo, a tornar-se seu discípulo. Com palavras idênticas, o Senhor havia chamado também Pedro, André, Tiago e João, quando estavam em pleno exercício de suas funções habituais. Idêntico também foi o resultado: E, levantando-se, o seguiu.
A atitude de Mateus foi imediata e completa, mas com uma diferença: os pescadores poderiam retornar ao seu ofício quando quisessem, mas era moralmente impossível a um publicano voltar a ocupar a sua posição depois de tê-la abandonado.
O chamado de Jesus e o generoso sacrifício de Levi já estavam, certamente, preparados. Não era a primeira vez que o Mestre e o discípulo se encontravam em Cafarnaum, para onde o Senhor voltava com muita frequência. Mas ainda que a conversão do publicano tivesse sido em um rápido instante, esse fenômeno psicológico estaria em perfeita consonância com o admirável poder de atração que Jesus exercia sobre as mentes e os corações.
Outra coisa que deve ser admirada é que Jesus não vacilou ou hesitou em eleger como seu discípulo, e depois apóstolo, um homem que pertencia a uma classe muito desacreditada e criticada, cujos profissionais eram tidos, na opinião geral, como pecadores públicos. Mas Jesus, julgando-o útil para sua obra, teve a santa ousadia de enfrentar seus compatriotas e, nessa mesma ocasião, ouvimo-lo justificar sua conduta (Mt 5.46,47; 11.19; 18.17; 21.31,32; Lc 3.12; 7.29,34; 15.3; 18.9-14; 19.7).
Pouco depois depois dessa cena, às margens do lago, Levi realizou, em sua casa e em homenagem ao seu novo Mestre, um solene jantar, para o qual convidou também, a fim de despedir-se deles, seus antigos colegas; o que não deixou de ser uma ocasião ideal para que os fariseus manifestasse novamente suas críticas contra Jesus.
Sentar-se à mesa com publicanos e outros pecadores era, de acordo com os críticos de Jesus, um verdadeiro escândalo. Até porque, para os orientais, participar de uma mesma refeição significava relacionamento muito estreitos. Por esse motivo, os rígidos observadores da lei mosaica, mesmo depois de convertidos ao cristianismo, eram extremamente preconceituosos com relação a esse tipo de situação (At 11.3; Gl 2.12).
Os rabinos proibiam seus discípulos de comerem em companhia do "povo da terra", ou seja, da plebe sem instrução. E os proibiam muito mais de comerem em companhia de homens de conduta suspeita. Mas não se atreveram a criticar diretamente Jesus, pois a experiência lhes havia ensinado a temer suas respostas contundentes. Foram, pois, em busca dos discípulos de Jesus e lhes perguntaram: Por que come o vosso Mestre com os publicanos e pecadores? (Mt 9.11)
O Salvador, que havia ouvido a maliciosa pergunta de seus adversários, quis lhes dar, por si mesmo, a resposta: Não necessitam de médico os sãos, mas sim, os doentes. Ide, porém, e aprendei o que significa: Misericórdia quero e não sacrifício. Porque eu não vim para chamar os justos, mas os pecadores, ao arrependimento (Mt 9.12,13).
Esta curta explicação não deixava nada a desejar. Ela se compõe de três partes: de um provérbio popular, de um texto tirado do Antigo Testamento e de uma razão de congruência.
O provérbio, que se acha com algumas curiosas variantes nas literaturas clássicas, expressa um fato da experiência cotidiana. Os médicos não costumam estar perto das pessoas sadias, mas, sim, dos enfermos. Se os convidados, entre os quais se encontrava Jesus, eram pecadores, não seria esse o lugar adequado para ele, como Médico que era das almas?
A frase: Misericórdia quero e não sacrifício, extraída de Oséias 6.6, significa que Jesus cooperava muito para os desígnios de Deus, acolhendo com mansidão os pecadores, então se mostrando duro e inflexível para com eles como os escribas e os fariseus. Os sacrifícios cruentos eram necessários, a lei os exigia por causa do pecado, mas o Senhor de Israel queria misericórdia para com o próximo, ainda que este fosse culpado de pecados [e não ódio e aversão e, depois, sacrifícios para compensá-los].
Finalmente, não seria o ofício do Messias converter e salvar os pecadores? Algum dia, Jesus desenvolveria esse pensamento na parábola da ovelha perdida que foi encontrada (Mt 18.10-14; Lc 15.1-7).

ESTUDE O EVANGELHO DE MATEUS, AQUI

As casas da Palestina no tempo de Jesus

Como na Palestina a vida transcorre ao relento durante todo o ano, tornou-se possível a todos aqueles que não possuem muita coisa restringir a quase nada suas despesas com habitação. A maior parte das pessoas morava em casa de um só andar e, em geral, de um só cômodo.
Para a construção do telhado, não empregavam muito esforço. Colocavam entre os muros troncos ainda rústicos e, por cima deles, feixes de junco e caniço, cobertos de barro amassado ou de uma mistura de pedra e terra. Essa massa imprensada e endurecida ao sol prestava-se perfeitamente para o telhado durante o período do calor, conservando o aposento fresco e servindo como uma espécie de terraço, onde as mulheres secavam os figos, as uvas e as roupas. Era no terraço também que aconteciam as reuniões da família pela manhã e à tarde.



Como o telhado fazia parte das casas, todas as moradias tinham uma escada pelo lado de fora (ex.: foto) sem que as pessoas tivessem de entrar nos compartimentos internos para se chegar a ele. Em moradias construídas em uma ribanceira, a escada tornava-se desnecessária, porque, neste caso, o telhado era construído no nível do barranco.
O pior era no tempo da chuva - a massa de barro ia amolecendo. Cada casa possuía um rolo que, nesse período de chuva, era passado sobre a camada de barro, para endurecê-lo. Já em épocas antigas, esses rolos eram conhecidos. Foi até apresentado em caso jurídico: alguém que estava passando o rolo no telhado chato e o deixara cair matando uma pessoa na parte de baixo.
Todavia, a peculiaridade mais característica da antiga casa israelita consistia não propriamente na construção, mas no átrio que possuía à frente, cercado de um muro, cujo portão dava para a rua ou para a estrada. Às vezes, diversas casas tinham o mesmo átrio, ou seja, um só átrio estava igualmente à disposição de todos. Assim é que se inventou esta máxima: "Não se pode proibir um vizinho de trabalhar no átrio comum, dizendo: 'Não posso dormir por causa das tuas marteladas ou por causa do ruído do teu moinho ou, ainda, pela gritaria do teu filho'".
Família de Belém, início do século 20 c.
Expressamente se observa, ainda hoje, que um átrio, devido à sua colocação, é uma pequena casa de guarda muito necessária, e todos devem contribuir com sua cota.
As casas da cidade de Tiro eram as que possuíam uma pequena moradia de guarda, o portão. Quem quisesse entrar deveria bater no portão de entrada, onde morava o guarda. Deve ter sido um átrio semelhante que Jesus tinha diante dos olhos na parábola: Quando o valente guarda, armado, a sua casa, em segurança está tudo quanto tem (Lc 11.21). Esses átrios, com certeza, exerceram influência na vida do Salvador e também na vida comum do povo.
Quantas vezes, em Cafarnaum e em outros lugares, Jesus se deteve em átrios cheios de sombra para ensinar? É bem possível que em um átrio como esse ele tenha exercido o ofício de carpinteiro até os seus 30 anos.
Hoje, os átrios caracterizam as ruas do Oriente. São os muros que lá se encontram, lado a lado. Do protão, que podem ser vistos aqui e ali, pode-se olhar para dentro, mas também para fora, e ver quem está aproximando-se.

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