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A dispersão judaica

judeus

A dispersão judaica

"Dispersão" (no grego, diáspora) foi o termo usado para se referir aos judeus que viviam fora da Palestina. Depois da desastrosa Guerra Judaica de 66-73 d.C e da destruição do Templo pelos romanos em 70 d.C, grandes levas de judeus deixaram a sua pátria e foram, principalmente, na direção Leste, rumo à Mesopotâmia. Mas o processo de "dispersão" começou muito antes disso. Pelo menos desde seu exílio no século 6 a.C os judeus começaram a se fixar em vários lugares do Oriente Médio e da região leste do Mediterrâneo.

Na época do NT, provavelmente havia mais judeus vivendo fora da Palestina do que dentro dela. Calcula-se que só no Egito havia um milhão de judeus. Em Alexandria, os judeus eram uma parcela tão significativa da população que formavam uma unidade política distinta, vivendo em áreas próprias da cidade e preservando a própria cultura e o estilo de vida distinto.

O fato de serem diferentes, ali e em outros lugares, muitas vezes dificultava o relacionamento com a população não-judaica. Autores gregos e romanos às vezes se referem depreciativamente aos judeus que viviam entre eles, mas que eles não conseguiam entender, e não raras vezes ocorriam tumultos antijudaicos.

Já no período do NT a maioria das grandes cidades tinha uma colônia judaica, com sua própria sinagoga (ou pelo menos com um lugar de oração, At 16.13). Essas comunidades judaicas fora da terra de Israel eram, naturalmente, o primeiro lugar a ser visitado por missionários cristãos como Paulo, que era de origem judaica, e outros que viajavam pelas regiões ao redor do mar Mediterrâneo.

Os judeus da dispersão às vezes são chamados de "judeus helenistas". O helenismo, esta onda de cultura e idéias gregas que varreu o mundo do Mediterrâneo após as conquistas de Alexandre o Grande, continuou sendo a força dominante na cultura da parte oriental do Império romano. Os judeus dispersos, longe da atmosfera mais conservadora da Palestina, se adaptaram mais rapidamente ao estilo grego de vida. Não abandonaram sua religião e cultura distintas, nem deixaram de ser judeus, mas estavam mais dispostos a aprender e dialogar com o pensamento grego.

Muitas das obras judaicas escritas em período mais recente, em especial as que são provenientes de Alexandria (p.ex., Sabedoria de Salomão, um dos livros deuterocanônicos, e a extensa obra de Filo), foram profundamente influenciadas pela filosofia grega, e usam linguagem que soaria estranha aos judeus que moravam na Palestina. Apolo, o judeu erudito de Alexandria (At 18.24), sem dúvida pertencia a essa escola, antes de sua gradual conversão ao cristianismo.

Ao longo de sua história, a cidade de Jerusalém foi destruída, total ou parcialmente, em algumas ocasiões, vindo a ser reconstruída, posteriormente. Na Antiguidade, a destruição da cidade ocorreu em 3 momentos.

Primeira destruição

A primeira destruição teria ocorrido no Século VI a.C., no ano de 587 a.C., pelos exércitos da Babilônia, comandados pelo rei Nabucodonosor. Tanto as muralhas da cidade quanto o Templo de YHVH (cuja construção era atribuída ao rei Salomão) foram destruídos. O resto da cidade ficou em ruínas durante pouco mais de um século.

Segunda destruição

Com a derrota da Grande Revolta Judaica contra o domínio romano, em 70, Jerusalém foi tomada pelas forças do comandante romano, Tito. Outra vez, as muralhas e o templo de Iahweh (que o rei Herodes, o Grande, ampliara e embelezara, tornando-o portentoso) foram destruídos, e o resto da cidade voltou a ficar em ruínas.

arco de tito                pedras Jerusalém
Detalhe do Arco de Tito, no Fórum Romano, mostrando as tropas romanas levando os espólios de Jerusalém para Roma (foto lado direito).

Pedras do lado oeste do Templo da Montanha (Jerusalém) jogados na rua pelos soldados romanos no ano 70 d.C. (foto à esquerda).

Terceira destruição

Em 135, o imperador Adriano mandou arrasar a cidade, ao cabo da revolta judaica liderada por Simão bar Kokhba. Sobre os restos de Jerusalém, edificou-se uma cidade helênica (Élia Capitolina) e sobre o monte onde se erguera o santuário de YHVH, erigiu-se um templo dedicado a Júpiter Capitolino.

 

 

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