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Ester


Rainha Ester

A história de uma jovem judia que se torna rainha da Pérsia e, com a ajuda de seu primo Mordecai, frustra um plano de exterminar o povo judeu.   

 

O livro de Ester conta a história de uma tentativa de extermínio do povo judeu que se passa nos dias do rei persa, Assuero (Xerxes I), e mostra como ela foi frustada. Também explica a origem da festa judaica de Purim.

As opiniões sobre o livro variam, em grande parte por causa da aparente improbabilidade dos acontecimentos. Para os judeus, Ester é um livro de instrução (lei) e história (narrativa). Alguns cristãos o consideram pura ficção. Outros o consideram um romance histórico ou conto baseado em fatos reais. Outros, porém, acreditam que o conhecimento que temos sobre a vida no Império Persa no século 5 a.C. - tirado das obras do historiador grego Heródoto, de inscrições persas e tabletes de Persépolis - nos dá boas razões para considerarmos o livro de Ester como obra essencialmente histórica.

Certamente muitos detalhes contextuais - costumes da corte, o uso de mensageiros, a proibição do luto, a execução por enforcamento - expressam de forma precisa o mundo persa da época. Recentemente a palavra puru foi encontrada inscrita num dado, confirmando o que o autor diz sobre a origem do Purim.

Quem é o autor? Não sabemos. Mas seu nacionalismo e conhecimento preciso das tradições persas indicam que ele provavelmente era um judeu que viveu na Pérsia antes do império cair nas mãos dos gregos.

Embora não mencione o nome de Deus, o livro pressupõe a convicção de que Deus tem como interferir nos planos dos homens, estejam eles onde estiverem, e de que Ele nunca se esquece de Seu povo em suas necessidades.

 

Adições gregas a Ester 

O texto grego da Septuaginta acrescenta parágrafos inteiros ao livro, inclusive referências a Deus (e às vezes omite material do texto hebraico). A Vulgata latina de Jerônimo (século 4) tornou estas passagens parte dos livros deuterocanônicos. (Elas podem ser encontradas nas edições católicas da Bíblia, e nos Apócrifos da Bíblia protestante). Há seis adições principais, num total de 107 versículos. A Bíblia de Jerusalém insere essas adições no texto , usando tipos itálicos para distinguir essas seções do restante do texto.

Assuero destrona sua rainha 

O imperador persa Assuero (no grego, Xerxes) governou de 486 a 465 a.C. um império que se estendia do Indo ao norte do Sudão. Era filho de Dario I, que lhe deixou vasta riqueza e um novo complexo de palácios luxuosos em Susã. Escavações revelaram a sala do trono, o harém e um "paraíso" (jardim). Assuero é mencionado em Ed 4.6.

Sua capital de inverno (insuportavelmente quente no verão) era Susã, cidade no Elão, cerca de 320 Km a leste da Babilônia. O historiador grego Heródoto o descreve como um homem cruel, excêntrico e sensual - o que corresponde a seu caráter neste livro.

Em 483 ele deu um grande banquete, o clímax de uma demonstração de seu poder e riqueza que se estendeu por seis meses.

Mas sua rainha (não sabemos por que razão) recusou-se a atender seu desejo de torná-la parte da exposição. E seguindo o conselho de seus astrólogos, o rei depôs a rainha Vasti.

» Rainha Vasti - Heródoto diz que Amestris era a rainha de Assuero. É possível que Vasti ("melhor" ou "amada") seja seu nome persa. Ou talvez houvesse outras rainhas que desconhecemos.

» O envio de cartas - Dario estabeleceu um serviço postal excelente que operava em todo o império.

» Ester se torna rainha - Entre os caps. 1-2 se encaixa o período da desastrosa guerra contra os gregos, as batalhas de Termópilas e Salamina. Quatro anos se passaram até o rei conseguir escolher uma nova rainha. Entre as belas jovens selecionadas para irem à capital para 12 meses de tratamento de beleza, serem examinadas pelo rei, e depois em grande parte esquecidas, estava uma jovem judia, Ester, prima de Mordecai. Quando chegou sua vez, ela agradou o rei e ele a tornou rainha.

A identidade judaica de Ester é mantida em segredo, e isto é importante para o enredo à medida que a história vai se desenrolando. Outro elemento importante é a descoberta de um plano para assassinar o rei, feita por Mordecai. Um relatório desse fato foi inserido nos registros da corte.

Mordecai teria quase 120 anos se ele próprio tivesse sido exilado em 597 a.C. Isto provavelmente significa que sua família estava entre os cativos.

» Hadassa/Ester - Algumas pessoas se incomodam com o fato de os nomes "Ester" e "Mordecai" serem semelhantes aos deuses babilônicos "Istar" e "Marduque". Mas isto não deveria causar espanto, pois foram nomes dados no cativeiro, como este versículo (7) informa a respeito do nome de Ester. Hadassa significa "murta". Um oficial chamado Marduca aparece num texto deste período, mas não há meio de saber se era Mordecai.

» Tebete (16) - Dezembro/janeiro de 479 a.C.

» O primeiro-ministro Hamã trama a destruição dos judeus - Não sabemos por que Mordecai se recusou a se prostrar diante de Hamã. Possivelmente ele achou que a exigência de Hamã ia além da reverência normal da corte e exigia certa adoração que violava sua própria fé. Na sua fúria irracional, Hamã resolveu fazer uma "limpeza étnica", destruindo todos os judeus que havia na Pérsia. Hamã vivia numa sociedade que se orientava pelo destino e em que o diário da corte para os eventos do ano era determinado por sorteio. Assim, ele precisava escolher um "dia de sorte". Felizmente para os judeus, ele viria dentro de 11 meses. O consentimento do rei foi facilmente obtido: bastou acusar os judeus de rebelião  e prometer um aporte extra de 342.000 kg de prata para orçamento do Estado. Hamã planejava conseguir esses recursos tomando os bens dos judeus e confiscando suas terras.

» Ester recebe a notícia - O destino dos judeus agora dependia de Ester. Só ela tinha acesso ao rei. Mas ela não era convocada por ele havia um mês. A única alternativa era arriscar-se e ir sem ser convidada. Mesmo preocupada, aceitou correr o risco. A comunidade judaica deveria apoiá-la em jejum (e supostamente com as orações que acompanham o jejum).

Mordecai não mencionou Deus, mas sua fé lhe dava a certeza de que a ajuda viria, mesmo se Ester se recusasse a interceder. E se ela se recusasse, ainda assim ela poderia ser morta. Mordecai fez pressão sobre pressão.

» O rei concedeu a audiência , e Ester agiu com astúcia. Ela convidou o rei e seu favorito para um jantar. No ambiente tranquilo após a refeição ela fez um segundo convite. Hamã - sem desconfiar de nada, sem saber do parentesco entre Ester e Mordecai - ficou muito honrado. Foi para casa e construiu uma forca mais alta que os muros da cidade, na qual pretendia enforcar seu inimigo.

» A maldade de Hamã é revelada - Após o jantar na segunda noite, Ester fez seu pedido. Hamã ficou chocado. Sua ação de lançar-se aos pés da rainha estendida no divã foi interpretada como tentativa de estrupo, o que agravou ainda mais as acusações feitas contra ele. E a grande ironia é que Hamã acabou morrendo na forca que ele mesmo havia construído. Cobriram o rosto de Hamã - isto era um sinal da sentença de morte.

» Mordecai é promovido; um novo decreto - Ainda restava o problema do decreto de Hamã. Como fora emitido no nome do rei e com seu selo, ele não podia ser revogado. Mas, em resposta ao pedido de Ester, o rei autorizou um segundo decreto, permitindo que os judeus reagissem. No passado, o rei havia dado seu anel-sinete a Hamã. Agora entregou-o a Mordecai, tornando-o o segundo homem mais poderoso do império.

Os judeus tiveram permissão de tratar seus inimigos exatamente como teriam sido tratados.

» Vingança judaica; a festa de Purim - Quando o dia determinado chegou, os judeus livram-se de seus inimigos, inclusive os dez filhos de Hamã; mas não houve saques. Não há desculpa para o pedido vingativo de Ester (a não ser que esta seja apenas uma explicação para a festa celebrada em dias diferentes em Susã e no interior). Ela mostrou ser filha de seu tempo. Os corpos dos filhos de Hamã foram enforcados (ou empalados) para tornar público o fim que tiveram.

Algumas pessoas consideram o número dos mortos um exagero proposital para entreter os leitores. Certamente é alto, mas se o plano de Hamã tivesse dado certo, é possível que um número dez vezes maior de judeus teria morrido.

Para celebrar o livramento do povo, os dias 14 e 15 de adar se tornaram dias festivos que seriam observados todos os anos, precedidos de jejum no dia 13. Até hoje os judeus celebram o Purim, lendo em voz alta o livro de Ester e recordando muitos outros milagres recentes de livramento.

As últimas observações históricas, que mostram como Mordecai fez bom uso do seu poder, parecem ser adições posteriores.

Purim Purim orações Comemorando  Crianças no Purim Orelhas de Hamã

 

Fim

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